|
Administração Ubaldo Dantas em Itabuna
Ubaldo Dantas foi prefeito de Itabuna de 1985 a 1988. Em 1989, Fernando
Gomes volta ao poder pela segunda vez. Em 1993, Geraldo Simões assume. Em 1996, volta
Fernando Gomes pela terceira vez prefeito de Itabuna.
Em fins de abril de 1990, em pesquisa de opinião realizada em Itabuna,
detectamos que a administração estava com avaliação tendendo ao negativo. E quando
essa administração era comparada com a anterior, a de Ubaldo Dantas, aflorava um
sentimento saudosista em relação aos tempos desse prefeito e de insatisfação com o
vigente na época, Fernando Gomes.
Comparando com o tempo de prefeito Ubaldo Dantas (1985-88), hoje a
cidade de Itabuna está ..., abril de 1990.
Avaliação |
% |
Melhor |
10,5 |
Igual |
28,6 |
Pior
Não sabe/não respondeu |
51,1
10,8 |
Fonte: sócio Estatística
No entanto, eram poucos os elementos disponíveis acerca do que foi a
gestão de Ubaldo Dantas. O fato é que o olhar tendia a situá-la positivamente,
provavelmente reforçado pelo quadro do momento. As pesquisas de intenções de voto do
período pós-90 até praticamente o mês anterior à eleição municipal de 1992
sinalizavam para o retorno do ex-prefeito, que não logrou, todavia, se confirmar.
Com o propósito de buscar elementos que pudessem revelar o que foi
essa gestão, a Sócio Estatística procurou a empresa de pesquisas P&A,
Pesquisa & Análise Social e Econômica Ltda, sediada em Salvador, e teve acesso
ao relatório de pesquisa realizada por aquela empresa, de 21 a 23 de março de 1987, em
Itabuna, denominada Liderança Política e Gestão Administrativa. Essa pesquisa,
com 631 itabunenses maiores de 17 anos, 47,1% homens e 52,9% mulheres, foi coordenada por
Maria José Malheiros, com participação de Aglaé M. Diament, Georges Knaebel e Aida L.
Mello. O foco dessa pesquisa, que abre nossa série de pesquisas sobre Administração
Pública, em Itabuna, poderia ser assim definido: "como a população de
Itabuna identifica seu prefeito e sua gestão?"
Com relação ao maior problema de Itabuna daquele momento
histórico, os resultados estão na tabela abaixo:
O maior problema de Itabuna, com relação à cidade, por classes de
renda (A, B e C) e total, março de 1987 (respostas espontâneas).
Problemas / classes de renda |
A % |
B % |
C % |
Total% |
Segurança/violência |
20,7 |
18,2 |
21,4 |
20,3 |
Emprego/pobreza/carestia |
6,9 |
11,3 |
17,9 |
15,5 |
Esgoto/saneamento |
10,3 |
9,4 |
6,7 |
7,4 |
Transporte/trânsito |
31,0 |
9,4 |
4,8 |
7,4 |
Água |
3,4 |
10,1 |
6,0 |
6,8 |
Saúde |
0,0 |
6,9 |
4,1 |
4,6 |
Pavimentação/drenagem |
6,9 |
3,8 |
4,4 |
4,3 |
Lixo/sujeira |
0,0 |
5,7 |
3,9 |
4,1 |
Assistência social/menor |
3,4 |
2,5 |
4,4 |
3,8 |
Educação |
3,4 |
3,1 |
2,8 |
2,9 |
jardim/praça/urbanização |
0,0 |
2,5 |
2,3 |
2,2 |
Má administração |
0,0 |
1,9 |
2,3 |
2,1 |
Lazer/esporte |
6,9 |
0,6 |
1,4 |
1,9 |
Iluminação pública/energia |
0,0 |
0,6 |
0,9 |
0,8 |
Outros |
6,9 |
7,5 |
0,7 |
3,5 |
Não tem problemas |
0,0 |
4,4 |
6,2 |
5,4 |
Não sabe |
0,0 |
1,3 |
9,4 |
6,8 |
Respostas não válidas |
0,0 |
0,6 |
0,5 |
0,5 |
Totais de respostas - casos |
29 |
159 |
435 |
631 |
Fonte: P&A
Dentre os problemas apontados como principal, em Itabuna, em março de
1987, a segurança e a violência já figuravam como problemas que
preocupavam. Em segundo lugar vinha o desemprego e a pobreza, agrupados
nessa pesquisa. Esgotamento sanitário e saneamento básico e transporte/trânsito
apareceram em terceiro lugar. Na seqüência vinham água, saúde,
pavimentação/drenagem, lixo/sujeira, assistência ao menor.
A tabela a seguir mostra o percentual de itabunenses que
consideravam que os problemas apontados como principais então estavam sendo resolvidos
pela administração municipal de Ubaldo Dantas, em março de 1987.
O maior problema da cidade está sendo resolvido, segundo aqueles que o
apontaram como o maior problema. Março de 1987.
O maior problema está sendo solucionado? |
% Sim* |
Segurança/violência |
11,72 |
Emprego/pobreza/carestia |
15,79 |
Esgoto/saneamento |
39,13 |
Transporte/trânsito |
11,11 |
Água |
21,43 |
Saúde |
17,24 |
Pavimentação/drenagem |
37,04 |
Lixo/sujeira |
15,34 |
Assistência social/menor |
30,43 |
Educação |
16,67 |
Jardim/praça/urbanização |
28,57 |
Má administração |
30,77 |
Lazer/esporte/Centro Cultural |
33,33 |
Iluminação pública/energia |
0,00 |
Outros |
27,27 |
Fonte: P&A
* Percentuais calculados a partir dos dados originais. Completam os
100% as opiniões dos itabunenses que responderam que nada está sendo feito para resolver
esses problemas.
Em março de 1987, no início do terceiro ano de administração, a
gestão Ubaldo Dantas já apresentava as feições que a marcariam mais fortemente.
Seguramente, essas marcas situavam-se no âmbito da urbanização, da assistência social,
destacando-se aqui o Sítio do Menor Trabalhador, criado naquela gestão, do
lazer/esporte/centro cultural, da pavimentação/drenagem e do esgoto. Em todos esses
segmentos, a administração Ubaldo Dantas alcança entre 30% e quase 40% de respostas
positivas acerca dos problemas estarem sendo solucionados por aqueles que assim os
apontavam.
No entanto, apesar da impressão de que o problema tido como
"maior" tender a ser visto como não estar sendo solucionado, para 543 das 631
ouvidas (86,05%), o prefeito já tinha realizado alguma melhoria na cidade, especialmente
em pavimentação, drenagem, urbanização e esgoto/saneamento.
As realizações em curso estavam sendo consideradas "muito
necessárias" por 41% dos itabunenses e "necessárias" para 52%. Eram tidas
"pouco necessárias" ou "desnecessárias" para 5,9%, além de uma
pessoa não ter opinado.
As melhorias mais apontadas foram pavimentação/drenagem,
urbanização, esgoto/saneamento e assistência ao menor (crianças desassistidas).
Na tabela abaixo estão os cinco problemas apontados como principais no
bairro de residência do itabunense entrevistado.
Os cinco maiores problemas do bairro de residência por classes de
renda (A, B e C), março de 1987 (respostas espontâneas e múltiplas).
Problemas / classes de renda |
A % |
B % |
C % |
Total% |
Segurança/violência |
58,62 |
30,9 |
16,4 |
22,0 |
Esgoto/saneamento |
27,6 |
30,9 |
61,6 |
52,1 |
Transporte/trânsito |
10,3 |
15,4 |
9,1 |
10,9 |
Água |
17,2 |
23,5 |
42,5 |
36,5 |
Saúde |
0,0 |
4,3 |
6,4 |
5,5 |
Pavimentação/drenagem |
13,8 |
27,8 |
49,5 |
42,3 |
Lixo/sujeira |
37,9 |
28,4 |
20,0 |
23,0 |
Assistência social/menor |
0,0 |
1,9 |
2,3 |
2,1 |
Educação |
3,4 |
3,1 |
11,1 |
8,7 |
Jardim/praça/urbanização |
0,0 |
2,5 |
5,5 |
4,4 |
Lazer/esporte/centro comunitário |
3,4 |
8,0 |
3,9 |
4,9 |
Iluminação pública/energia |
31,0 |
14,2 |
14,9 |
15,4 |
Pobreza/desemprego/carestia |
10,3 |
3,1 |
3,0 |
3,3 |
Outros |
3,4 |
11,1 |
9,3 |
9,5 |
Não tem problemas |
10,3 |
13,0 |
1,6 |
4,9 |
Não sabe |
0,0 |
0,6 |
0,2 |
0,3 |
Totais de respostas - casos |
66 |
354 |
1131 |
1551 |
Fonte: P&A
No estrato de renda A, a segurança/violência aparece em quase
60% dos entrevistados. No estrato B, esse percentual cai para cerca de 31% e no C, para
pouco mais de 16%. Ainda que mais suavemente, esse é também o caso da sujeira/lixo.
Já o comportamento do problema água e esgotamento/saneamento básico é
aproximadamente o oposto. Quanto mais pobre a população, maior tende a ser a
preocupação com esses problemas.
Os problemas do bairro estavam sendo resolvidos na opinião de 63,1%
dos itabunenses, sendo 62,1% no estrato de renda A, 58,0% no estrato de renda B e 65,0% no
estrato de renda C. Portanto, para quase dois terços da população houve melhorias no
seu bairro nos últimos três anos.
Nota-se um descompasso entre a percepção do itabunense entre
melhorias no bairro e melhorias na cidade. Enquanto havia uma tendência das realizações
estarem sendo percebidas no bairro, o mesmo não estava acontecendo para a cidade em seu
conjunto.
Avaliação da administração municipal
Em março de 1987, 93,5% dos itabunenses maiores de 17 anos
sabiam o nome do prefeito de sua cidade. Para 86,1%, ele tinha realizado alguma melhoria
na cidade. Na época, o itabunense soube dessas melhorias sobretudo pelo rádio (65,0%),
viu pessoalmente (47,0%), por ter ouvido falar (41,7%), pelo jornal (21,3%), televisão
(18,0%), festa de inauguração (11,7%), comissão do bairro (1,6%) e outros meios (1,9%).
Obviamente, uma informação podia chegar ao itabunense por vários canais não sendo
esses excludentes. Todavia, nota-se a força da comunicação pessoa a pessoa como fonte
de informação naquele período histórico (88,7%), seguido pelo rádio com 65%. Nota-se
a fragilidade das associações de bairro e suas comissões como fonte de informação.
Isto significa que em Itabuna, pelo menos naquele momento histórico, a comunicação
pessoa a pessoa tinha grande valor estratégico e decidia.
Em abril de 1987, no terceiro ano de sua gestão, a administração do
prefeito Ubaldo Dantas apresentava a seguinte avaliação:
Avaliação da administração Ubaldo Dantas, por estratos de renda e
global, em Itabuna. Março de 1987.
Conceitos |
Renda A % |
Renda B % |
Renda C % |
Total % |
Muito boa |
31,0 |
11,1 |
7,7 |
9,7 |
Boa |
41,4 |
38,9 |
31,4 |
33,8 |
Média |
20,7 |
42,6 |
47,5 |
45,0 |
Ruim |
6,9 |
3,7 |
7,3 |
6,3 |
Muito ruim |
0,0 |
1,9 |
4,1 |
3,3 |
Não sabe |
0,0 |
1,9 |
2,0 |
1,9 |
Itabunenses |
29 |
162 |
440 |
631 |
Fonte: P&A
A avaliação da administração Ubaldo Dantas, em março de 1987,
oscilava da categoria conceitual regular ao positivo. Menos de 10% a avaliavam
negativamente contra 43,5% que a avaliavam positivamente.
No entanto, os dados também mostram a fragilidade do ex-prefeito
Ubaldo Dantas. Enquanto no estrato de mais alta renda, estrato A, Ubaldo Dantas tinha
71,4% de avaliação positiva, no estrato B esse percentual era de 50% e no C, no qual se
encontrava a maior parte da população, 39,1%. Portanto, a avaliação da administração
municipal na gestão Ubaldo Dantas estava fortemente associada aos estratos de renda. O
sentido dessa associação revela que Ubaldo conquistou a simpatia dos segmentos de
maiores rendas da cidade, tendo maior dificuldade de afirmação, todavia, junto aos
segmentos mais pobres da população.
O prefeito real, Ubaldo Dantas, e o prefeito
idealizado
Considerando o prefeito idealizado pelo itabunense da
época, Ubaldo Dantas apresentava as seguintes características:
Características ou indicadores de Ubaldo Dantas como prefeito tendo
como parâmetro a imagem idealizada de prefeito pelo itabunense, março de 1987 (respostas
espontâneas).
Indicadores ou características |
% Sim |
% total* |
Qualidades pessoais |
46,7 |
25,1 |
Olhar o pobre, olhar o povo |
29,8 |
20,7 |
Olhar o bairro, ruas, comunidade |
28,7 |
19,2 |
Cuidar da cidade |
54,4 |
17,2 |
Realizar serviços, urbanização |
34,7 |
44,8 |
Ser popular, comunicativo |
33,7 |
14,9 |
Ser bom administrador |
53,3 |
10,0 |
Ser bom político |
41,7 |
2,0 |
Ter presença |
22,4 |
8,2 |
Outros |
43,8 |
25,6 |
Não apontou |
8,7 |
3,8 |
Média de respostas positivas |
38,0 |
---- |
Entrevistados |
244** |
---- |
Fonte: P&A
* Percentual de itabunenses que apontaram cada uma característica.
** Esses 244 itabunenses que opinaram emitiram 436 respostas válidas.
Em média, 38,04% viam no ex-prefeito Ubaldo Dantas as características
idealizadas, contra 58,64% que não viam essas características e 3,32% que não opinaram
a respeito.
Cuidar bem da cidade e ser bom administrador eram os pontos fortes do
ex-prefeito Ubaldo Dantas, seguidas por ter qualidades pessoais e ser bom político.
Essa avaliação, ainda que apenas uma, tem o poder de revelar aspectos
importantes do que se constituiu a administração Ubaldo Dantas, prefeito de Itabuna de
1985 a 1988. A imagem de Ubaldo que insiste em manter-se presente na memória do
itabunense, depois de longos anos relativamente ausente da política local, ainda que uma
vez candidato a prefeito e outra vez a deputado federal, podem ter no seu desempenho
enquanto prefeito a razão principal de ser.
Avaliação da administração Ubaldo Dantas, Itabuna, abril de 1987.
Fonte: P&A
A Figura acima, por estratos de renda, resume situação da
administração Ubaldo Dantas, em abril de 1987.
|