Os resultados dessas pesquisas, aparentemente,
revelam contradições, que fazem pensar sobre a fragilidade doutrinária e sobre o
grau da formação religiosa da população em geral em Ilhéus, Itabuna e em outros
municípios pesquisados da Bahia. Essas aparentes contradições motivaram para que
uma mesma pergunta fosse refeita várias vezes e em vários municípios refeita. Os
resultados teimavam em apresentar o mesmo quadro.
Face essa situação, uma questão que vem a mente refere-se ao significado
real acerca do que o cidadão tem em mente quanto diz que tem uma religião, quando diz
que reencarna, quando diz que ressuscita, que é o fim de tudo.
Por exemplo, é residual o percentual dos que afirmam categoricamente
não crerem em Deus e não terem nenhuma religião. No entanto, é próximo de um quarto a
fração dos que acreditam que a morte biológica é o fim de tudo. Outro exemplo,
as religiões católica e evangélicas postulam a ressurreição. Todavia, é muito
expressiva a fração dos que crêem na idéia da reencarnação, sobretudo nas
classes mais elevadas e na população com maior grau de instrução
É expressivo o percentual dos que rezam, fazem o sinal da cruz ao se
levantarem e ao se deitarem, dos que acreditam em Deus, em anjos, em Céu e assim por
diante. No entanto, um terço afirmar que é o fim de tudo parece muito expressivo,
tendo em vista que as amostras refletiram o conjunto da população. Os que mais crêem
que com o final do milênio também significará o juízo final são os
evangélicos.
É pretensão continuar aprofundando essas questões em pesquisas
próximas. Por enquanto, os dados apontam, de um lado, para a fragilidade doutrinária,
para a pouca consistência das respostas, e, do outro, para a predisposição das pessoas
em acreditar, ainda que tendo como pano de fundo o espectro de que a morte é o fim de
tudo para muitos. Todavia, esse dado parece estar em contradição com outros, que
apontam para uma fé, por assim dizer, fragmentada e difusa.