Anexo 3: Resumo da situação eleitoral em municípios da região de Ilhéus e Itabuna, litoral Sul  da Bahia

 A situação eleitoral em municípios da região de Ilhéus e Itabuna foi a seguinte:

dentre os que não se reelegeram, Itabuna merece destaque, não tanto pela não reeleição de seu prefeito, mas pelo fato de que este  concorria pela quarta vez a prefeito, tendo sido três vezes deputado federal e que pela primeira vez experimentou uma derrota eleitoral direta. Indiretamente, em 1992, o candidato por ele apoiado, perdeu para Geraldo Simões, eleito, coincidentemente, em primeiro de outubro último.

 A avaliação de Fernando Gomes era positiva, cerca de 47,5%, em razão da forte ação empreendida neste ano eleitoral, com o apoio do Governo do Estado.  Fernando Gomes perdeu para o ex-prefeito e hoje deputado federal Geraldo Simões, que não fez sucessor em 1996, mas terminou seu mandato com uma avaliação também tendendo ao positivo, elegendo-se deputado federal dois anos depois, em 1998. Seu vice-prefeito nesta eleição foi Ubaldo Dantas, ex-prefeito, que possui uma imagem positiva enquanto administrador junto à população, mas que, em 1988, não fez sucessor, tendo sido eleito na oportunidade, pela segunda vez, o atual prefeito, Fernando Gomes. Portanto, no presente caso de Itabuna, fazendo-se uma reconstrução histórica,  descortina-se um quadro complexo, que apontava para uma disputa efetivamente muito acirrada, o que acabou acontecendo.  Mesmo assim, pela escassa diferença apurada nas urnas, é possível se afirmar que não foi tanto Geraldo Simões quem venceu, mas Fernando Gomes quem perdeu. E perdeu por falta de humildade e por desrespeitar direitos elementares como o respeito às pessoas e à sua liberdade. E a frase que conquistou sobretudo os eleitores jovens de Itabuna, “no meu voto mando eu”, resume de forma contundente o período final dessa campanha e, se se quiser apontar um fator em especial, esse seguramente foi o principal. Fernando Gomes não conseguiu se afirmar  positivamente e a eleição ocorreu num clima emocional forte e atípico, marcado pela pressão e pelo constrangimento e não fosse contar com a parceria com o Governo do Estado e  as promessas que essa encerrava, a vitória de Geraldo Simões seria por margem expressiva.  Em suma, sem desmerecer o mérito dos que ganharam e sua competente estratégia de campanha e de marketing, o desfecho desfavorável a Fernando Gomes deve ser buscado mais na incompetência de sua campanha e estratégia política do que em qualquer outra causa. O percentual de votos válidos de Fernando Gomes praticamente coincidiram com os que avaliavam sua administração de forma positiva, agregando cerca de 1%. É como se todos os itabunenses que avaliaram como regular ou negativamente a sua administração, apenas 1% tenha votado no prefeito. É claro que, na prática, há eleitores que avaliavam positivamente sua administração e mesmo assim, votaram em Geraldo Simões. 

 Camacan talvez seja o caso mais ilustrativo de inconsistência entre avaliação de uma administração, tendendo essa fortemente ao positivo, e desempenho eleitoral. A prefeita Débora perdeu a eleição para Erivaldo, vereador, tendo esse tido o apoio do ex-prefeito Dr. Jaquisson e do deputado estadual Fábio Souto. Em fins de setembro, Erivaldo logrou uma situação de empate técnico com Débora e ganhava nos povoados de Jacareci, Panelinha e em Leo Ventura e perdia na área central e nos morros da cidade. As ações da última semana, que contaram com  a promessa de empregos industriais e, sobretudo, com uma forte boca-de-urna conseguiram uma façanha política: vencer uma administração municipal bem avaliada. Foi uma vitória impensável alguns meses antes, revelando que em política não há quadros impossíveis, embora hajam quadros realmente muito difíceis e esse, sem dúvida, foi um deles.   O que aconteceu em Camacan foi uma exceção e que parece  confirmar a regra. Comparando-se votos válidos e avaliações positivas de sua administração, Débora ficou com um deficit de votos de cerca de 25%.

 Moacir Leite, em Uruçuca, numa eleição também polarizada, conseguiu 5% a mais de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Também perdeu.

 Pedrão,  em Itapé, numa eleição também polarizada, conseguiu cerca de 4,5% a mais de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Também perdeu.

 Em Aurelino Leal, Gilberto, de praticamente candidato único há um ano da eleição,  numa eleição também polarizada conseguiu 9% a mais de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Também perdeu. Venceu Dr. Wilson e seu jeito pacífico de ser e de fazer política.

 Almir Melo, em Canavieiras, numa eleição também polarizada, teve  13% a menos de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Também perdeu.

 Djair,  em Una, numa eleição também polarizada, teve  14% a menos de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Todavia, venceu por larga margem, já que a avaliação de sua administração tendia fortemente ao positivo.

Gérson Varjão, em Itaju do Colônia, numa eleição polarizada entre três candidatos, teve  10% a menos de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Também perdeu, ficando em terceiro lugar.

 Zé Baio, em Arataca, numa eleição também polarizada, teve 3% a menos de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Também perdeu, tendo ficado fora da polarização, ficando em terceiro e último lugar.

 Walnio Muniz, em Jussari, numa eleição também polarizada, teve 13% a menos de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Também perdeu, mas tendo ficado fora da polarização, ficando em terceiro e último lugar.

 Miu, em Ubatã, numa eleição também polarizada, teve 6,5% a menos de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Também perdeu, tendo ficado fora da polarização, ficando em quarto lugar.

 Mino, em Itajuípe, numa eleição também polarizada, teve 10% a mais de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Também perdeu.

 Durval Santana, em Pau Brasil, numa eleição também polarizada, teve 2% a menos de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Também perdeu, tendo ficado fora da polarização, ficando em terceiro e último lugar.

 Washington, em Mascote, numa eleição também polarizada entre três nomes, teve 2% a mais de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Também perdeu.

 Henrique Oliveira, em Ibicaraí, numa eleição também polarizada, teve 6% a mais de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração.  Venceu.

Jabes Ribeiro, em Ilhéus, numa eleição tendendo à polarização, mas fracamente, teve 7% a mais de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Venceu. A fragmentação da oposição, seguramente, facilitou sua reeleição. Jabes, a partir da análise da associação entre votos  válidos e avaliação da administração municipal situa-se nos limites máximo de avaliação negativa e mínimo, de positiva, Jabes foi o único da região analisada a conseguir se reeleger tendo um percentual de conceitos positivos menor do que duas vezes a soma dos negativos, no caso, 1,96. Isto revela o risco que Jabes Ribeiro correu nesta sucessão e o quadro era marcado pela instabilidade, eleitoralmente falando. Essa decorria, em grande parte, da fragilidade de sua sustentação junto à população, refletida pela avaliação de sua administração. 

 Raimundo Cardoso, em Floresta Azul, numa eleição disputada por quatro candidaturas, em que a quarta teve 18,6% dos votos  válidos e a vencedora 32,5%,  teve 1,5% a mais de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Perdeu para Salvinho. 

 Russo, em Ibirapitanga, numa eleição também polarizada, teve 5% a menos de votos válidos do que conceitos positivos para a avaliação de sua administração. Venceu.

 Em municípios em que o prefeito estava com avaliação tendendo fortemente ao negativo, como Ubatã, Pau-Brasil, Jussari, Arataca não só perdeu, como ficou fora da polarização da campanha, ou seja, teve votação residual.