PESQUISA ELEITORAL EM ITABUNA, ABRIL DE 2000

 

Nesta segunda terceira de abril de 2000, mais precisamente nos dias 15 a 18  foi realizada a segunda pesquisa de intenções de voto em Itabuna. Foram ouvidos 1.151 eleitores de todos os bairros da cidade, incluindo os povoados de Itamaracá e Mutuns. Essa pesquisa capta um momento importante do processo  sucessório em Itabuna. O erro amostral desta pesquisa situa-se na casa dos 3%, supondo um intervalo de confiança de 95%.

 

(veja gráficos da pesquisa de abril de 2.000, incluindo caracterização da pesquisa através das variáveis sociológicas básicas)

 

(veja gráficos da trajetória das intenções de voto para prefeito de Itabuna, processo eleitoral do ano 2.000).

 

 

NOTAS SOBRE CONTEXTO DA PESQUISA DE  ABRIL

 

A partir da pesquisa de fevereiro, destacam-se como relevantes os seguintes fatos, com alguma influência no processo político itabunense.

 A – Ubaldo Dantas compõe com Geraldo Simões, passando a ser o vice da chapa Geraldo Simões. A convenção partidária foi realizada no dia 15 de abril, à noite, na AABB. Acredita-se que esse fato, concomitante a esta pesquisa, pelo fato de ter sido à noite e pouco divulgada, não teve maiores influências na mesma.

 B – Além de Ubaldo Dantas, Davidson Magalhães e Renato Costa deixam de ser pretendentes ao cargo de prefeito, passando a apoiar Geraldo Simões.  As relações entre o vereador Fábio Andrade e o prefeito Fernando Gomes apresentam atritos.

 C –  O jornal A Tarde, de Salvador, e o semanário A Região, de Itabuna, retomam o caso do assassinato do jornalista Manoel Leal e envolvem o prefeito, como mandante. O prefeito desmente tudo, tendo sua defesa explicitada pelo jornal Diário do Sul e pelo semanário Agora.

  Como presidente da AMURC, Fernando Gomes capitalizou politicamente, através de carreata e ato público, em Itabuna, defesa do curso de Medicina da UESC, além de anunciar mais duas faculdades para a cidade, com vários cursos, incluindo um segundo curso de Medicina, esse particular.

 E – Continuaram denúncias de corrupção na administração municipal por vereadores do PT, destacando-se suposto caso de notas frias.

 F – O prefeito inaugura obras no bairro da Califórnia, contando com a presença do Governador César Borges.

 G – No início de março, a prefeitura fez propaganda de resultados de pesquisa realizada pela Sócio Estatística, obrigando essa empresa a esclarecer importantes pontos da mesma, separando informação de publicidade. Esse fato ganhou dimensões maiores do que os pretendidos pelo uso político desse fato por parte do deputado Renato Costa e por parte do jornal A Região.  A empresa requereu e foi prontamente  atendida no direito de publicar  uma nota de esclarecimento nos jornais Diário do Sul e Agora, que publicaram propaganda da prefeitura usando empresa.

H – Ainda no início de março, Fernando Gomes comprou usina de asfalto e apresentou a mesma pelas ruas da cidade, intensificando capacidade de asfaltamento da Prefeitura.

 I – Anunciada a inauguração do Jequitibá Plaza Shopping de 28 de abril para 5 de maio, sendo esse um marco na história de Itabuna e que deve favorecer o atual prefeito, Fernando Gomes.

 J – Anunciada pelo prefeito municipal a ampliação do estádio Luís Viana Filho

 Após essa pesquisa, o fato mais relevante foi a inauguração do Jequitibá Plaza Shopping, no dia 5 de maio, que contou com a presença do senador Antonio Carlos Magalhães e do Governador César Borges.  

Nesse mesmo dia, foi inaugurado o Instituto de Medicina Nuclear de Itabuna e foi realizada, na UESC, sessão da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, tendo como foco o curso de Medicina na UESC, na qual se fizeram presentes entre muitas personalidades, o Secretário de Saúde do Estado Dr. José Maria de Magalhães, Dr. Zezito, e o Presidente do Sindimedi da Bahia, Dr. Alfredo Boa Sorte, conselheiro do Conselho Estadual de Saúde, bem como do também conselheiro e ex-prefeito de Jussari Dr. Valdenor Cordeiro.

 Nessa sessão estiveram presentes e se pronunciaram dentre outros, o prefeito de Ilhéus, Jabes Ribeiro, o prefeito de Itabuna Sr. Fernando Gomes, o deputado federal Geraldo Simões e o vice de sua chapa para prefeito de Itabuna Dr. Ubaldo Dantas, bem como dos deputados estaduais com forte presença no cenário político de Itabuna, Dr. Renato Costa e Dr. Edmon Lucas. 

 

A próxima pesquisa deverá captar o efeito desses fatos e de outros.

 

Agenor Gasparetto
Sociólogo

 

Itabuna, 15 de maio de 2.000

 

 

22 de abril de 2.000

 


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Pesquisa de meados de abril de 2.000

 

PRINCIPAIS RESULTADOS E CONCLUSÃO

 

 

Na segunda pesquisa política em Itabuna neste ano eleitoral, os principais resultados foram os seguintes:

 

Na pesquisa espontânea, há uma situação de empate técnico entre Geraldo Simões e Fernando Gomes na casa dos 22,1% a 19,5%, respectivamente. Os demais situam-se numa posição residual.

 

Na pesquisa estimulada, Geraldo lidera com 32,3% contra 24,8% de Fernando Gomes. Em razão dessa diferença, por pequena margem,  não é possível falar numa situação de empate técnico. Todavia, dado que o quadro será muito acirrado, sete pontos e meio  constitui-se em uma vantagem pequena, ainda que apreciável, para as pretensões do candidato Geraldo Simões .

 

Todos os outros candidatos têm menos de 5% das intenções de voto.  Com a saída de Renato Costa, Ubaldo Dantas e Davidson Magalhães, pouco mudou no quadro de intenções de voto. O percentual de indecisos ou indiferentes subiu, situando-se próximo dos 24%.  Nesse novo quadro, Duda do Polirodas está com 4,8%, Capitão Fábio 3,2%, Helenilson Chaves está com 2,6% e Fábio Andrade, 1,7%.

 

A rigor, todos esses nomes cresceram desde fevereiro. Todavia, é preciso não perder de vista, na análise desse crescimento, as saídas de Davidson Magalhães, Ubaldo Dantas e Renato Costa. Obviamente, o dado positivo em favor desses pré-candidatos foi que cresceram enquanto que Geraldo Simões e Fernando Gomes tiveram pequenas quedas.

 

A rigor, os nomes que deixaram de ser candidatos da última pesquisa de fevereiro para essa situam-se, teoricamente, no campo ideológico da Centro-Esquerda. Nesse sentido, era de se supor um crescimento maior da candidatura Geraldo Simões. Todavia, o que se viu foi o crescimento dos indecisos.  É possível que eleitores de Geraldo Simões tenham recuado, posicionando-se como indecisos. É também possível que eleitores de Davidson Magalhães e Ubaldo Dantas, sobretudo, ainda não aderiram automaticamente a Geraldo Simões, requerendo um esforço dessas lideranças para persuadi-los a fazê-lo. Análises anteriores revelavam que os eleitores de Renato Costa, em grande parte, simpatizam com a candidatura Geraldo Simões.

 

Em última análise, é provável que o eleitor de Ubaldo Dantas, Davidson Magalhães e de Renato Costa não estejam se alinhando compulsoriamente. Em sendo isso verdadeiro, estaria havendo um posicionamento crítico dos mesmos.  É como se esse eleitor, em seu grau de exigências, esteja aguardando definições e enquanto isso,  esteja preferindo a condição de indeciso. 

 

Se a colheita de intenções de votos de Geraldo Simões não está sendo gratuita, o mesmo vale para Fernando Gomes, que perdeu posições relativas e também não está logrando  atrair para si esses eleitores hoje exigentes e/ou  reticentes em relação à candidatura Geraldo Simões.

 

Sem decair para uma interpretação simplista, essa situação, aparentemente, estaria apontando para a viabilidade de uma terceira via, diferente de Fernando  Gomes e diferente de Geraldo Simões, quebrando a polarização hoje posta. Ainda que aparentemente sedutora, essa conclusão ainda não pode ser feita, a menos por razões ideológicas, mas, nesse caso, já teríamos passado da esfera da análise política para a esfera da propaganda. Portanto, será preciso aguardar os próximos meses para ver qual será o posicionamento dos eleitores hoje indecisos, relutantes em aderir as duas principais candidaturas, bem como às demais que estão a sua disposição. Quem primeiro decifrar esse enigma, poderá estar definindo a sorte desta eleição.

 

Reafirma-se, portanto, que o que efetivamente mudou de meados de fevereiro a meados de abril foi o crescimento expressivo do percentual dos indecisos, que era de 9,8% e agora está próximo dos 24%.

 

É como se o eleitor itabunense estivesse se reposicionando. E, nesse primeiro momento, tenha escolhido a posição de observador. Isto pode estar sinalizando que não haverá voto fácil, sem luta, sem merecimento. Isto pode estar sinalizando mudanças em curso. Pode estar significando um eleitor mais exigente, mais crítico, mais relutante em aderir compulsoriamente, acompanhando seu líder.  Em sendo essa hipótese verdadeira, Itabuna terá amadurecido politicamente e isso parece ser bom para Itabuna e seu futuro.

 

Num quadro como esse, marcado por grande indefinição e instabilidade, os próximos fatos poderão desencadear mudanças. Itabuna, hoje, configura-se como um quadro não estabilizado, ainda que a polarização pareça, num olhar preliminar, irreversível.  Os indecisos revelam com grande clareza este fato.

 

A rejeição de Fernando situa-se na casa dos 32,8%.  Duda do Polirodas, na casa dos 20,6%.  A rejeição de Geraldo Simões situa-se na casa dos 16,8%, a rejeição de Fábio Andrade situa-se na casa dos 9,4% e as taxas de rejeição de Capitão Fábio e Helenilson Chaves situam-se na casa dos 10%. Na prática, não houve alterações no quadro das taxas de rejeição.

 

Em suma, os resultados confirmaram a expectativa da polarização entre o ex-prefeito Geraldo Simões e o atual prefeito Fernando Gomes. Essa polarização aponta para um quadro final de disputa muito acirrado.

 

O dado mais relevante desta pesquisa é o aumento do percentual dos indecisos. Esse dado revela um quadro não estabilizado em Itabuna e num quadro como esse, tudo pode ainda acontecer. 

 

Essa situação reacende, mais uma vez, uma tênue luz que aponta para uma terceira via, que precisa, todavia, sinais mais fortes para ser considerada.

 

Como a primeira eleição de Geraldo Simões inaugurou essa via em 1992 e Davidson Magalhães tentou em vão repeti-la em 1996, é possível que em 2.000 haja quem se disponha a mais uma vez tentá-la, contando com uma conjunção de fatores favorável.

 

Ainda que os dados desta pesquisa permitam sugeri-la, o mais provável é que não será desta vez que isso irá acontecer de novo. A menos que os próximos fatos dêem mais força para os sinais que hoje são, como se disse acima, tênues. 

 

O desempenho das candidaturas varia segundo as classes sociais, regiões da cidade, sexo, faixas de idade, religião entre outras. Por essa razão, pode se revelar estratégico analisar o desempenho dessas por cada uma das variáveis, nas tabelas de associação de variáveis.

 

Agenor Gasparetto
Sociólogo

 

Itabuna,  22 de abril de 2000.

 


 Introdução e metodologia

 

RESPONSABILIDADE TÉCNICA

Esta pesquisa foi realizada pela empresa Sócio Estatística Pesquisa & Consultoria Ltda, sediada à Av. Francisco Ribeiro Jr., 198,  Edifício Atlanta Center,  sala 606, Centro, Itabuna,  telefax  212.1229.  

 

OBJETIVO

O objetivo principal desta pesquisa de opinião foi avaliar o quadro político e administrativo em Itabuna, em abril de 2000.

 

PERÍODO DE REALIZAÇÃO

Esta pesquisa foi realizada nos dias 15 a 18 de abril de 2000. 

 

PERÍODO DE CHECAGEM EM CAMPO DA QUALIDADE DA AMOSTRA

Por amostragem, foi realizada aferição de campo do trabalho realizado no dia 20 de abril de 2.000. 

 

AMOSTRA E ERRO AMOSTRAL

A amostra  corresponde a um erro amostral da ordem de 3%.   Ao todo, foram  consideradas válidas as respostas de 1.151 eleitores.

 

PROPRIEDADE DOS RESULTADOS

Os resultados desta pesquisa fazem parte do sistema de pesquisa aberta da empresa e NÃO são exclusivos ao contratante. Para divulgação, o CONTRATANTE deverá solicitar por escrito à Sócio Estatística, bem como atender a legislação eleitoral e o Código de Ética da ABIPEME.

 

RELATÓRIO

O relatório compõe-se de duas partes principais:

- apresentação descritiva dos resultados, via de regra, uma tabela para cada questão  e análise de associação das variáveis.

 

A MELHOR ANÁLISE

Por fim, a melhor análise é a que leva em consideração não o dado isolado, mas o conjunto dos resultados, isto porque o dado isolado pode não passar de uma acidente de amostra, não expressão de uma tendência.

 

Uma leitura apressada ou superficial pode levar a uma compreensão equivocada da realidade expressada pela pesquisa, induzindo a equívocos de ação prática.

 

O PROBLEMA DA DESAGREGAÇÃO DOS RESULTADOS

Nesse sentido, toda vez que em uma localidade o número de entrevistas for inferior a 80,   os resultados devem ser vistos  como curiosidade estatística, uma vez que  é tecnicamente possível ter resultados não fidedignos em bases tão pequenas de dados. 

 

DA NATUREZA DOS RESULTADOS

Convém considerar, aqui, o caráter efêmero de toda pes­quisa de opinião. Isto significa dizer que qualquer resultado pode sofrer mudanças no curso do tempo. Quanto maior a velocidade e consistência dos acontecimentos e medidas, maior também será a probabilidade disso ocor­rer. 

 

No caso de uma eleição, em quadro não estabilizados, a velocidade aumenta à medida em que nos aproximamos do dia da eleição. Já em quadros estabilizados, em condições de normalidade e somente nessas condições, muitos meses antes já está desenhado o quadro que as urnas irão revelar. Aqui, o crucial é discernir entre a natureza das situações.  Cabe ao sociólogo responsável pelas pesquisas apontar a natureza da situação.

 

 

PESQUISA E ADMINISTRAÇÃO 

Nenhuma pesquisa tem o poder de substituir uma administração, porque, utilizando as palavras de Bill Gates, nenhum sistema de pesquisa de mercado é infalível(Folha de São Paulo, 28/08/96, 5-2). É importante não perder de vista que a pesquisa é uma ferramenta, um corte na realidade, em um determinado momento, ou como muitos preferem, é uma fotografia de um processo. A realidade continua; a pesquisa é um ponto fixo no tempo. O trabalho da administração, como as medidas já tomadas, mudam a realidade e a opinião das pessoas. Isso significa que é  preciso ter um senso crítico em relação ao papel e o lugar das pesquisas. 

 

OBSERVAÇÃO

O total de pessoas entrevistadas, nas tabelas cruzadas, análises de associação, varia em função de informações perdidas.

 

 

OUTRAS ANÁLISES

São possíveis outras associações de variáveis e a Sócio Estatística coloca-se a disposição para sua realização.

 

Agenor Gasparetto
Sociólogo

 

Itabuna, 22  de abril 2000.


 

NOTAS SOBRE CONTEXTO DA PESQUISA DE FEVEREIRO

 

Com o propósito de contextualizar esta pesquisa, destacam-se os seguintes fatos dos últimos meses com potencial de influência na decisão do eleitor. Obviamente, esses fatos não são os únicos, é possíveis que fatos relevantes não tenham sido detectados.

 

A - Sublinha-se que essa pesquisa acontece num momento especial da sucessão, uma vez que a anterior, em novembro passado, captou um sinal de movimento, em que a candidatura Geraldo Simões dava sinais de queda e a de Fernando Gomes, de alta. Essas duas candidaturas se constituíram nos dois pólos desta disputa.

 

B - Dentre as outras candidaturas, Duda do Polirodas quase alcançou o patamar dos 5%. Esse patamar ainda se situa num quadrante residual. Todavia, nesse patamar estavam outras candidaturas, ou melhor pré-candidaturas, como as de Ubaldo Dantas, de Renato Costa, de Davidson Magalhães, que são nomes bastante fortes no cenário local, afora Capitão Fábio, que emergiu na última eleição para deputado estadual. Pois bem, todos estavam num mesmo patamar. O problema de nomes como Duda do Polirodas e outros como Ronald kalid não tanto chegarem aos 5%, mas avançarem no processo, alcançado novos e mais elevados patamares.  Esse é um desafio muito grande, ainda que teoricamente possível.

 

C – Antes de outubro passado, que  foi um mês marcado por alguns eventos que podem estar tendo influência na conjuntura político-eleitoral, dentre os eventos, destaca-se como fato político de maior relevância a comemoração do dia da cidade, dia 28 de julho, com a inauguração da ponte que liga o Jardim do Ó, Praça José Alcântara, ao São Caetano e adjacências que passou a se denominar ponte Governador César Borges.

 

D - Em setembro, a notícia politicamente mais relevante foi a redução pelo prefeito Fernando Gomes do preço da passagem de transporte coletivo de R$ 0,60 para R$ 0,50 centavos, após ter sido aumenta pelo próprio Fernando Gomes no início desta mesma gestão.

 

E - No mês de outubro,  os principais fatos políticos foram o seguintes:

 

·        a promessa de um pacote de obras para Itabuna e Ilhéus pelo Governo estadual. Nesse sentido, outdoors espalhados por Itabuna agradeciam esse pacote ao governador César Borges e ao prefeito Fernando Gomes. A propósito, o semanário Agora, em sua edição de 2 a 10 de outubro destacava como manchete principal: “César Borges anuncia pacote de obras para Itabuna e Ilhéus”. As obras anunciadas foram: canal do Bairro Santo Antônio, Bairro de Fátima I e Fátima II, Colégio Luís Eduardo Magalhães, Liberação de 40 km de asfalto e terraplanagem, pavimentação de ruas e abastecimento de água do Teotônio Vilela, em Ilhéus. O semanário apresenta três fotos: do governador César Borges, do prefeito Fernando Gomes, de Itabuna, e do prefeito Jabes Ribeiro, de Ilhéus.

 

·        a redução do preço do preço dos combustíveis praticado nos postos da cidade nos casos de venda a vista. Em geral, o preço médio passou de R$1,35 para R$ 1,29.  Na edição seguinte o prefeito de Itabuna ocupa a manchete principal: Fernando baixa preço de  combustíveis em Itabuna. O jornal apresenta foto do prefeito.

 

·        política de tolerância zero na Zona Azul. Essa foi outra notícia com impacto político referia-se a prática da política de “tolerância zero na Zona Azul”, que consistia não anistiar ninguém do pagamento da taxa de 0,50 por hora de ocupação de vaga em estacionamento em ruas do Centro da cidade. A Polícia Militar daria apoio à Prefeitura Municipal nessa cobrança.

 

F - Em novembro ocorreu a demissão do Diretor do Hospital de Base,  Dr. Galvão. Também ocorreu denúncia de cheques frios no setor de Informática da Prefeitura Municipal. A rigor, denúncias contra atos praticados pela Prefeitura Municipal, de tempos em tempos, vieram à tona neste terceiro mandato de Fernando Gomes como prefeito de Itabuna.

 

G – As prometidas começaram a sair do papel, particularmente o asfaltamento de ruas, resgatando-as, já que se está diante do esforço de recuperar o que se perdeu. Esse trabalho continua.

 

H – O fato com conotações políticas mais forte nos meses de verão, até o momento, tem sido o carnaval/reveillon ou carnaveillon, na virada do ano. 

 

E estamos aqui, em meados de fevereiro do ano 2000, no ano das últimas eleições deste século e que vão eleger o primeiro prefeito do terceiro milênio ou Século XXI.

 

A pesquisa que acaba de ser realizada promete captar um quadro mais “definitivo”, ainda que essa palavra seja difícil de ser utilizada em política.

 

Todavia, dada a intuição de que este momento é especial, de uma perspectiva do quadro político-eleitoral, a Sócio Estatística decidiu realizar pesquisa, bem como ampliá-la em para mais de 1.100 entrevistados.

 

Na próxima semana, os resultados estarão disponíveis aos partidos políticos.

 

Estão disponíveis os seguintes resultados:

·        Avaliação das administrações Municipal, Estadual e Federal, mais trabalho dos vereadores.

·        Pesquisa de intenções de voto nas versões espontânea, estimulada, de rejeição, segundo nome na preferência do eleitor, quem vai ganhar? (medição do volume de internalização da propaganda e grau de confiança do eleitor em seu candidato sair-se vencedor da disputa).

 

 

PRINCIPAIS RESULTADOS DA PESQUISA DE FEVEREIRO DE 2.000

 

Na primeira pesquisa política em Itabuna neste ano eleitoral, os principais resultados foram os seguintes:

 

Na pesquisa espontânea, há uma situação de empate técnico entre Geraldo Simões e Fernando Gomes na casa dos 25 a 23%, respectivamente. Os demais situam-se numa posição residual.

 

Na pesquisa estimulada, Geraldo lidera com 33,3% contra 26,2%  de Fernando Gomes. Por um décimo, não é possível falar numa situação de empate técnico. Todavia, dado que o quadro será muito acirrado, seis pontos são ainda uma vantagem razoável em favor de Geraldo .

 

Renato situa-se na casa dos 6,5%. Ubaldo, dos 3,2%. Duda do Polirodas está com 2,9%, tendo caído em relação à anterior, Davidson está com 3,6%, Capitão Fábio está com 2,2%, Fábio Andrade está com 1% e Helenilson Chaves está com 1,5%. Ronald  Kalid tem menos de 1%.

 

A rejeição de Fernando situa-se na casa dos 32,3%. Davidson, na casa dos 17,1%. Duda do Polirodas, 19%. A rejeição de Geraldo Simões situa-se na casa dos 17,4%.

 

O desempenho das candidaturas varia segundo as classes sociais, regiões da cidade, sexo, faixas de idade, religião entre outras. Por essa razão, pode se revelar estratégico analisar o desempenho dessas por cada uma das variáveis, nas tabelas de associação de variáveis.

 

Em suma, os resultados confirmaram a expectativa (conferir gráfico da trajetória das candidaturas neste processo eleitoral) e apontam para um quadro final de disputa muito acirrado, como já tínhamos antecipado nas pesquisas anteriores. 

 

 

FATO POLÍTICO PÓS-PESQUISA

 

Um fato ocorrido após a realização dessa pesquisa com potencial de impacto nesta sucessão municipal é a pré-anunciada aliança dos ex-prefeitos Geraldo Simões e Ubaldo Dantas, prefeito e vice-prefeito, respectivamente.

 

Na prática, trata-se, em caso de confirmação, de um fato novo nesta sucessão. Recorda-se que essa não-aliança, tendo em Davidson Magalhães seu ponta-de-lança, foi, em última análise, um fator decisivo para Fernando Gomes voltar  a ser eleito prefeito de Itabuna, pela terceira vez, em 1996.

 

Portanto, quatro anos depois, Geraldo e Ubaldo parecem ter sido capazes de superar suas diferenças políticas, compondo, no intuito de, desta vez, voltarem à Prefeitura Municipal. A próxima pesquisa, caso esse pré-anúncio da união das principais forças de Centro-Esquerda seja confirmado pelos fatos, poderá encontrar um novo quadro.

 

A propósito de Ubaldo Dantas, que desta forma reingressaria à vida política de Itabuna, após longo período de afastamento, tem seu desempenho enquanto administrador público deste município, caracterizado neste site, no ícone Administração Pública, graças a pesquisa cedida à Sócio Estatística pela P&A – Pesquisa e Análise, de Salvador, tendo sido essa realizada pouco mais de um ano antes do término de seu mandato enquanto prefeito. 

 

Agenor Gasparetto
Sociólogo

 

Itabuna, 8 de março de 2000.