PRINCIPAIS RESULTADOS E CONCLUSÃO DA PESQUISA
 DE 20 A 23 DE SETEMBRO DE 2000

 

Na pesquisa política de 20 a 23 de setembro, em Itabuna,  os principais resultados foram os seguintes:

Na pesquisa espontânea, continua uma situação de empate técnico entre Geraldo Simões e Fernando Gomes.  Fernando teria 42,1% contra 39% de Geraldo Simões e 1,5% de Duda do Polirodas.

Na pesquisa estimulada, mantém-se situação de empate técnico, com Fernando Gomes na dianteira. Fernando teria 43,5% contra 41,4% de Geraldo Simões. Duda do Polirodas  teria 2%. Os indecisos somam 11,1%. Os nulos e brancos somam 2% (não estão computados os casos de recusa em dar entrevista, parte desses por não gostar de política e políticos).

Nos últimos 15 dias, portanto, manteve-se o quadro. Acredita-se que situação seja ainda marcada pela indefinição e instabilidade. A última semana e a boca de urna decidirá a sorte desta eleição. Itabuna, hoje, configura-se como um quadro tendendo a estabilização. No entanto, é muito grande o contingente dos indecisos.   

Cerca de 80% (contra 75% de 15 dias atrás) das intenções de voto estão fechadas.  Cerca de 7,1% admitem ainda mudar de intenção de voto.

A rejeição de Fernando situa-se próximo dos 30,8%, a de Duda do Polirodas situa-se na casa dos 35,1%.  A rejeição de Geraldo Simões situa-se na casa dos 24,8%.

Em suma, os resultados confirmaram o acirramento da disputa entre o ex-prefeito Geraldo Simões e o atual prefeito Fernando Gomes. Essa polarização aponta para um quadro final de disputa muito acirrado.

A expectativa da vitória de Fernando Gomes foi neutralizada. Hoje, há menos eleitores achando que Fernando vai ganhar do que votando nele. Aqui, Geraldo chegou a uma situação de empate técnico. Mantendo-se esse quadro, chegará no dia da eleição em igualdade de condições nesse particular, reduzindo e muito o voto induzido pela tendência do voto ganhador.  Fernando teria 38,7% contra 36,6% de Geraldo e 24,6% de eleitores que não sabem quem será o ganhador. Isto acontece pela primeira vez desde que a campanha iniciou.

Cerca de 58,9% dos eleitores votariam mesmo que votar não fosse obrigatório. Esse dado revela motivação alta, já que esse percentual, em geral, tende a ser menor.

O dado mais relevante desta pesquisa é a confirmação de um quadro de empate técnico entre Fernando Gomes e Geraldo Simões. Todavia, nessa pesquisa, Fernando situa-se na dianteira. Esse dado revela um quadro não estabilizado em Itabuna e, num quadro como esse, tudo pode ainda acontecer.  

Agenor Gasparetto
Sociólogo

Itabuna, 26 de setembro de 2000.


Veja gráficos:

Pesquisa realizada entre os dias 20 a 23.09.2000


Trajetória das intenções de voto


Contexto de nova pesquisa eleitoral em Itabuna

Na pesquisa de 20 a 23 de setembro, a Sócio Estatística voltou a encontrar uma situação de empate técnico técnico entre Geraldo Simões e Fernando Gomes, com frente para Fernando Gomes. Assinalou-se nessa pesquisa que as trajetórias que tinham tendências  opostas na pesquisa anterior sugerem uma estabilização, com muitíssimo leve tendência favorável para Geraldo Simões. Após essa pesquisa, os principais fatos da campanha foram os seguintes: no Grito dos Excluídos de 7 de setembro,  promovido pela Igreja Católica, houve um incidente entre a polícia e manifestantes, envolvendo cavalos tendo sido atribuído a Fernando Gomes. No dia 9 de setembro Fernando Gomes promoveu uma cavalgada por ruas da cidade e um Comício no bairro Santo Antônio, com a presença do senador Antônio Carlos Magalhães, do governador César Borges. No dia 14, Fernando Gomes promoveu uma passeata pela Avenida Cinqüentenário. Dois dias depois, Geraldo Simões promoveu uma imensa manifestação, percorrendo a Avenida Manoel Chaves, Av. Princesa Isabel, Av. Cinqüentenário com término no Bairro Santo Antônio. Essa foi a maior manifestação popular desta campanha até este momento. Um outro fato refere-se ao corte, durante alguns dias, de parte do programa de televisão da Coligação Levanta Itabuna, de Geraldo Simões, aumentando ainda mais a disparidade nas condições de disputa entre Fernando Gomes, da Coligação Trabalho e Paixão por Itabuna, de Fernando Gomes, e Geraldo Simões. Até, hoje, dia 24, nas inserções de rádio da programação de rádio da Coligação que sustenta a candidatura Fernando Gomes estava divulgando pesquisa do IBOPE de início de agosto, dando frente de 27 pontos para Fernando Gomes: 55 versus 28, embora esse instituto tenha divulgado outra pesquisa em que essa diferença tinha caído. E desde o dia 22, a televisão passou a divulgar uma outra pesquisa atribuída a esse instituto dando frente a Fernando Gomes: 49 versus 38 de Geraldo Simões. Dias antes, os percentuais divulgados eram de 49 a 40%, respectivamente.  A margem de erro dessas pesquisas situa-se próximo dos 5 pontos percentuais. Afirmou-se que essa disputa seria (e será) muito acirrada, em condições de normalidade política. O ganhador será eleito por uma margem muito pequena, por se estar diante do maior confronto de lideranças e de grupos políticos da história recente de Itabuna. Com esse cenário, parece difícil imaginar uma situação de disputa fácil para qualquer um dos dois lados. O mais razoável é acreditar que essa disputa será muito difícil e acirrada. Com o avanço da polarização e da radicalização, o espaço de Duda fica cada vez mais difícil e menor, o que também era previsível. O quadro sugere grande equilíbrio nesta disputa.  Todavia, entre hoje e a eleição ainda há uma semana que promete ser densa e tensa, culminando na boca de urna, em que ecoam murmúrios de que os contratados por Fernando Gomes situam-se na casa dos muitos milhares e os valores da operação, na casa de alguns milhões. Por outro lado,  o grau de mobilização dos eleitores de Geraldo Simões e Ubaldo Dantas deverá ser o maior da história recente de Itabuna. Portanto, a menos que algum fato novo e convincente, nesta última semana, mude a situação, a disputa será duríssima. Se prevalecer o espírito democrático, será uma bela e eletrizante festa do povo.

 É importante lembrar que em eleições não existe o “praticamente eleito” antes do último voto ser contado. Aqui, quem sentar na cadeira de prefeito antes da hora, por arrogância, por vaidade, por se superestimar subestimando os seus adversários, poderá não poder fazê-lo na hora certa. Não há quadros impossíveis. Há quadros muito difíceis, dificílimos. A estratégia, o marketing, a campanha existem exatamente para superá-los. Por fim, nenhuma pesquisa, por menor que seja seu erro, substitui a eleição. Sobretudo porque toda pesquisa é um corte no tempo, uma fotografia. A realidade continua e é dinâmica e um quadro pode mudar. Aqui, a validade de uma pesquisa pode ser pequena, pode não ir além de alguns dias, a menos que se trate de quadros eleitoralmente  estabilizados. Esse, todavia, não parece ser o caso de Itabuna. 

 

Características da pesquisa de início de setembro

Esta pesquisa, como todas as anteriores, desde 1997,  fazem parte do sistema Sócio Estatística de pesquisa aberta, significando que a empresa realizou a pesquisa independentemente de contratante. Os resultados, por esse sistema, estão disponibilizados a quaisquer candidatos, que adquirem o conjunto ou parte dos resultados, sendo essa disponibilização regulada por contrato específico.   Trata-se de uma pesquisa social por amostragem, quantitativa, que consiste na realização de entrevistas pessoais, mediante  aplicação de questionários estruturados e padronizados junto a uma amostra representativa da população objeto da pesquisa.  A pesquisa foi realizada no período de 20 e 23 de setembro de 2.000.   A amostra é representativa do eleitorado do município objeto desta pesquisas. Todos os principais bairros foram amostrados, incluindo os povoados de Mutuns e Itamaracá. Em cada subunidade da cidade foram aplicadas quotas amostrais, proporcionais em função de variáveis significativas, a saber: sexo, idade e regiões do  município. Esta amostra reproduz mesma sistemática das anteriores, ou seja, de uma perspectiva metodológica, é praticamente igual às pesquisas anteriores. Foram realizadas 1.619 entrevistas com itabunenses com 16 anos ou mais, eleitores em Itabuna.  O intervalo de confiança estimado, em todas as pesquisas, é de 95% e a margem de erro máxima estimada é de 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra.  Para a realização da pesquisa foi utilizada uma equipe de entrevistadores e supervisores da Sócio Estatística devidamente treinada em campo. Após os trabalhos de campo, os resultados foram  submetidos a um controle de qualidade interno, consistindo na associação de resultados eleitorais e das variáveis de controle (unidade geográfica, sexo, idade e classe social),  por entrevistador no sentido de verificar coerência e consistência das informações. A checagem de informações foi realizada nos dias 22 e 23 de setembro de 2.000.

 

Agenor Gasparetto
Sociólogo

Itabuna, 24 de setembro de 2000