Iniciou a sua fala, dizendo que eventos como este seminário e a
existência do IESP podem influenciar na formação da nossa sociedade para
transformá-la.
Disse que como representante dos trabalhadores neste painel e
participante do Seminário, anotou algumas sugestões importantes no sentido de se
encontrar caminhos para a crise regional. Sugestões importantes foram colocadas tais
como: diversificação da economia, diversificação agrícola com novas culturas, agroindustrialização,
turismo, incentivo ao consumo interno do chocolate, etc. Ressaltou, no
entanto, que os trabalhadores rurais na região não consomem o chocolate e que os
trabalhadores em geral, quando muito só consomem a "borra" do chocolate do pior
cacau, com o rótulo de uma multinacional. Esta realidade, disse, deve ser modificada.
Disse que, como representante dos trabalhadores, gostaria de questionar
algumas posições explicitadas durante este Seminário, como é o caso do projeto
elaborado pelo CNPC, que na sua formação e conteúdo assemelha-se ao bolo do Sr.
Delfim: primeiramente crescer para depois distribuir.
Disse que na verdade a crise para os cacauicultores é bem
diferente do que a crise para os trabalhadores, pois aqueles têm como se defender, já os
trabalhadores, perguntou, o que podem fazer para sair da crise?
Disse que os cacauicultores colocaram propostas do tipo prorrogação
de dívidas, subsídios para a agricultura, créditos, etc, e que o
trabalhador não tem crédito nem para comprar um kg de feijão no supermercado, que já
está escasso.
Portanto, disse, as propostas geralmente são no sentido de
garantir a lucratividade e quase nunca no sentido de melhorar a situação da classe
trabalhadora.
Disse que aproveitava a presença do Diretor do CRA, para fazer
uma denúncia, qual seja: alguns municípios da região em nome do incentivo ao turismo
e de projetos habitacionais estão promovendo uma verdadeira devastação do
meio-ambiente, como é o caso do município de Canavieiras, onde estão sendo
degradados os manguezais de forma intensiva.
Sugeriu ao Diretor que seja urgentemente realizado estudos técnicos
para coibir esse tipo de ação que considera nefasta.
Disse discordar do pronunciamento do professor Selem, quando
este coloca que é através do espiritismo ou esoterismo que podemos enfrentar a crise.
Disse que a modificação do quadro regional só pode ser feita
com medidas práticas à nível regional e não à nível de municípios isoladamente.
Como exemplo citou a questão dos organismos da região que estão sendo esvaziados, como
estratégia para justificar o extermínio ou a privatização; caso da CEPLAC, ICB
e da própria SULBA. Esta foi entregue a uma empresa que monopoliza os transportes
na região.
Disse, portanto, que uma das medidas práticas que podem ser levadas a
cabo é exatamente a pressão para que esse tipo de coisa não aconteça e que só a
sociedade organizada pode barrar esse processo.
Disse o sindicalista que criticava qualquer tipo de proposta que
não envolvesse a solução dos problemas dos trabalhadores, principalmente nesse momento
onde já deve existir cerca de 200 mil trabalhadores desempregados no cacau e que esses
trabalhadores estão a mercê do subemprego e da violência, sem falar da questão
urbana, decorrente do desemprego rural em massa (favelização, inchaço dos grandes
centros, marginalidade, etc).
Disse que esse processo não diz respeito somente aos trabalhadores,
mas sim a toda sociedade que é diretamente afetada com o desemprego dos trabalhadores.
Disse que outro grave problema regional é o baixo salário que
afeta principalmente as mulheres e os menores sem mencionar a questão de que muitos
trabalham e não têm os seus direitos trabalhistas respeitados, quando não são
ameaçados e pressionados pelos patrões, às vezes até de forma violenta.
O sindicalista criticou também a nova forma de relação de trabalho
que está ganhando força na região, o chamado "arista".
Disse que essa nova forma é uma tentativa de enganar os trabalhadores
e aumentar o lucro dos proprietários de terras.
Disse que a falta de reconhecimento dos direitos dos trabalhadores se
observa em todos os níveis e que eles são chamados para discutir quando a economia
está em crise e que nos momentos de alta lucratividade o trabalhador não participa,
e que isso identifica a postura retrógada, atrasada dos patrões da região que só
pensam em lucrar e explorar o trabalhador.
Disse que a saída da crise não está somente na região, mas
diz respeito a crise do próprio modelo de capitalismo nacional e que, como trabalhador, a
sua proposta é no sentido de derrubar a proposta neoliberal do Governo Collor que está
levando o país à recessão, ao desemprego, a fome e a miséria e sobretudo entregando as
nossas riquezas e as nossas estatais ao capital estrangeiro. Por isso, disse, é que eles
querem acabar com a CEPLAC, o ICB, etc.
Para finalizar colocou que a obrigação e o dever da sociedade
regional é lutar contra a onda neoliberal e não se enfraquecer diante dos graves
problemas da região, como é o caso da FESPI, que luta pela sua estadualização.
Disse, finalmente, que os trabalhadores estão abertos ao diálogo
seriamente promovido no sentido de se encontrar soluções para toda a sociedade.
Disse que se coloca a disposição do instituto recém criado, o IESP,
para dialogar sobre o processo regional e a melhoria real das condições dos que só têm
a sua força de trabalho para vender.