Luís Carlos de Sena

 

Iniciou a sua fala, dizendo que eventos como este seminário e a existência do IESP podem influenciar na formação da nossa sociedade para transformá-la.

Disse que como representante dos trabalhadores neste painel e participante do Seminário, anotou algumas sugestões importantes no sentido de se encontrar caminhos para a crise regional. Sugestões importantes foram colocadas tais como: diversificação da economia, diversificação agrícola com novas culturas, agroindustrialização, turismo, incentivo ao consumo interno do chocolate, etc. Ressaltou, no entanto, que os trabalhadores rurais na região não consomem o chocolate e que os trabalhadores em geral, quando muito só consomem a "borra" do chocolate do pior cacau, com o rótulo de uma multinacional. Esta realidade, disse, deve ser modificada.

Disse que, como representante dos trabalhadores, gostaria de questionar algumas posições explicitadas durante este Seminário, como é o caso do projeto elaborado pelo CNPC, que na sua formação e conteúdo assemelha-se ao bolo do Sr. Delfim: primeiramente crescer para depois distribuir.

Disse que na verdade a crise para os cacauicultores é bem diferente do que a crise para os trabalhadores, pois aqueles têm como se defender, já os trabalhadores, perguntou, o que podem fazer para sair da crise?

Disse que os cacauicultores colocaram propostas do tipo prorrogação de dívidas, subsídios para a agricultura, créditos, etc, e que o trabalhador não tem crédito nem para comprar um kg de feijão no supermercado, que já está escasso.

Portanto, disse, as propostas geralmente são no sentido de garantir a lucratividade e quase nunca no sentido de melhorar a situação da classe trabalhadora.

Disse que aproveitava a presença do Diretor do CRA, para fazer uma denúncia, qual seja: alguns municípios da região em nome do incentivo ao turismo e de projetos habitacionais estão promovendo uma verdadeira devastação do meio-ambiente, como é o caso do município de Canavieiras, onde estão sendo degradados os manguezais de forma intensiva.

Sugeriu ao Diretor que seja urgentemente realizado estudos técnicos para coibir esse tipo de ação que considera nefasta.

Disse discordar do pronunciamento do professor Selem, quando este coloca que é através do espiritismo ou esoterismo que podemos enfrentar a crise.

Disse que a modificação do quadro regional só pode ser feita com medidas práticas à nível regional e não à nível de municípios isoladamente. Como exemplo citou a questão dos organismos da região que estão sendo esvaziados, como estratégia para justificar o extermínio ou a privatização; caso da CEPLAC, ICB e da própria SULBA. Esta foi entregue a uma empresa que monopoliza os transportes na região.

Disse, portanto, que uma das medidas práticas que podem ser levadas a cabo é exatamente a pressão para que esse tipo de coisa não aconteça e que só a sociedade organizada pode barrar esse processo.

Disse o sindicalista que criticava qualquer tipo de proposta que não envolvesse a solução dos problemas dos trabalhadores, principalmente nesse momento onde já deve existir cerca de 200 mil trabalhadores desempregados no cacau e que esses trabalhadores estão a mercê do subemprego e da violência, sem falar da questão urbana, decorrente do desemprego rural em massa (favelização, inchaço dos grandes centros, marginalidade, etc).

Disse que esse processo não diz respeito somente aos trabalhadores, mas sim a toda sociedade que é diretamente afetada com o desemprego dos trabalhadores.

Disse que outro grave problema regional é o baixo salário que afeta principalmente as mulheres e os menores sem mencionar a questão de que muitos trabalham e não têm os seus direitos trabalhistas respeitados, quando não são ameaçados e pressionados pelos patrões, às vezes até de forma violenta.

O sindicalista criticou também a nova forma de relação de trabalho que está ganhando força na região, o chamado "arista".

Disse que essa nova forma é uma tentativa de enganar os trabalhadores e aumentar o lucro dos proprietários de terras.

Disse que a falta de reconhecimento dos direitos dos trabalhadores se observa em todos os níveis e que eles são chamados para discutir quando a economia está em crise e que nos momentos de alta lucratividade o trabalhador não participa, e que isso identifica a postura retrógada, atrasada dos patrões da região que só pensam em lucrar e explorar o trabalhador.

Disse que a saída da crise não está somente na região, mas diz respeito a crise do próprio modelo de capitalismo nacional e que, como trabalhador, a sua proposta é no sentido de derrubar a proposta neoliberal do Governo Collor que está levando o país à recessão, ao desemprego, a fome e a miséria e sobretudo entregando as nossas riquezas e as nossas estatais ao capital estrangeiro. Por isso, disse, é que eles querem acabar com a CEPLAC, o ICB, etc.

Para finalizar colocou que a obrigação e o dever da sociedade regional é lutar contra a onda neoliberal e não se enfraquecer diante dos graves problemas da região, como é o caso da FESPI, que luta pela sua estadualização.

Disse, finalmente, que os trabalhadores estão abertos ao diálogo seriamente promovido no sentido de se encontrar soluções para toda a sociedade.

Disse que se coloca a disposição do instituto recém criado, o IESP, para dialogar sobre o processo regional e a melhoria real das condições dos que só têm a sua força de trabalho para vender.