Inicialmente, o Sr. Isaac Albagli, disse que a região está
realmente empobrecida, devido entre outras coisas a queda dos preços do cacau no mercado
internacional, fato que gera desemprego e crise, inclusive com a queda do ICMS em todos os
municípios da região, salvo aqueles que desenvolvem atividades ligadas ao turismo.
Disse que, diante do quadro estabelecido, temos que procurar encontrar
saídas para a região. E essas saídas passam necessariamente pelo planejamento regional
que evoluiria para um Plano de Desenvolvimento Regional, proposta de campanha do
Dep. Jabes Ribeiro.
Esse Plano de Desenvolvimento Regional conteria as alternativas
técnicas e científicas para se conquistar o desenvolvimento regional.
Disse que, no seu entender, o plano deveria ser estruturado em três
níveis ou programas:
- um programa de revitalização da lavoura cacaueira;
- um programa de diversificação da economia como um todo e
- um programa de fortalecimento da infra-estrutura regional.
No primeiro programa teríamos que pensar em fortalecer a lavoura do
cacau pois essa cultura não pode ser substituída.
Disse que para revitalizarmos o cacau teremos que pensar em um pacote
tecnológico alternativo para garantir a produtividade, que vem caindo nos
últimos anos.
Paralelamente a esse pacote, medidas institucionais podem ser
tomadas como é o caso de isentar de impostos os insumos necessários à lavoura.
Disse que, ao lado do pacote tecnológico alternativo, medidas podem
ser tomadas para fortalecermos o cooperativismo na lavoura, como uma forma de
regulação do mercado, e além dessas medidas, a conquista de novos mercados
internacionais é muito importante, principalmente no Leste da Europa e na China,
além da ampliação do mercado interno.
Disse que uma das formas de ampliação do mercado passa pela proibição
do uso do nome "chocolate" em produtos alimentícios que não contenham o
cacau ou que contenham somente fração muito diminuta do mesmo.
Disse que o crédito é uma medida passageira que não
resolve o problema do cacau, sobretudo agora que o crédito não é mais subsidiado.
No programa de diversificação da economia regional, disse que
deverão estar contidas as medidas para fomentar a agricultura, a pecuária, a
agroindústria, a indústria, a pesca, o turismo e o setor terciário.
Na agricultura e pecuária, já existem algumas ações,
sobretudo por parte da CEPLAC, mas, a mentalidade do empresário agrícola não está
plenamente maturada para uma arrancada definitiva.
Disse que várias culturas podem ser plenamente desenvolvidas na
região, como exemplo, citou os seguintes produtos: heveicultura, piaçava, guaraná,
cravo-da-índia, macadâmia, silvicultura (celulose), pimenta do reino, banana, mandioca,
dendê, pecuária leiteira, criação de animais de pequeno porte, etc.
Na indústria, várias são as alternativas que podem ser
atacadas para ampliar e dinamizar o setor industrial na região, como é o caso da
implantação de indústrias de bens de consumo e para isso já existem os distritos
industriais de Ilhéus e Itabuna.
Disse que não podemos perder a chance de implantarmos uma ZPE em
Ilhéus. É importante, disse, atrairmos indústrias ligadas a fabricação de mármores e
granitos, cujo potencial é grande pela existência de enormes jazidas na região.
O turismo, no entendimento do debatedor apresenta um enorme
potencial. Em Ilhéus por exemplo, disse, esse setor emprega mais gente que o Distrito
Industrial.
Disse, que é fundamental que as esferas públicas criem equipamentos
e infra-estrutura para que o turismo possa se desenvolver plenamente. Citou que é
necessário a construção de centros de convenções nas cidades turísticas da
região, como também é necessário a construção da estrada Canavieiras-Porto Seguro,
que é fundamental para o turismo regional e nacional.
Com relação a pesca, disse que nós temos um litoral dos mais
piscosos do Brasil e que não está plenamente explorado.
Disse que o Governo do Estado deve tomar providências para que não
ocorra o que está ocorrendo com a lagosta que é pescada em nosso litoral e desembarcada
no Espírito Santo, onde a pauta da lagosta é mais barata.
Disse que devemos pensar em aumentar o valor do produto a ser exportado
ou vendido no mercado interno.
Com relação ao comércio e a prestação de serviços, disse
que serão automaticamente reativados com a revitalização dos setores primário e
secundário.
No que diz respeito ao programa de revitalização da
infra-estrutura regional, o debatedor disse que ele é de suma importância para a
alavancagem do desenvolvimento.
Esse programa deverá conter um projeto global e vários sub-projetos.
Inicialmente deverão ser reativados a infra-estrutura ligada aos transportes tanto
rodoviários como ferroviários. Neste sentido, a construção da ferrovia
Ilhéus-Brumado é de importância capital, disse, no sentido de revitalizar o Porto
de Ilhéus e transformá-lo em um verdadeiro porto internacional para escoar a
produção de várias regiões, ao mesmo tempo. Temos que pensar em redirecionar as
instituições da região como CEPLAC, FESPI, ICB.
Para concluir, o debatedor disse que não é difícil colocar essas
ações em prática, como exemplo citou que o então deputado Waldeck Ornelas elaborou uma
minuta de projeto de lei visando a criação de um Fundo de Investimento e
Diversificação do Sul da Bahia, disse que com essa idéia os principais problemas
podem ser resolvidos e que apoia qualquer iniciativa do Secretário Waldeck Ornelas para
por em prática esta sugestão oportuna.
Concluindo, o debatedor disse que concorda plenamente com o palestrante
quando ele disse que a solução é política.
Se nós tivermos hoje o fundo de investimento, a união das lideranças
da região e o conhecimento técnico competente, a solução poderá ser encontrada para
os problemas da região, concluiu.