Hans Tosta Shaeppi

 

Após cumprimentos, o empresário disse que geralmente o turismo não é visto como deveria, não só pelos governos, como também pela comunidade em geral.

Disse ser presidente do Conselho Ilheense de Turismo o vice-presidente da ABRAGET e vê o turismo como uma importantíssima atividade econômica e social.

Disse que segundo a Organização Mundial de Turismo, esta atividade será a maior do mundo no ano 2000, ultrapassando a indústria bélica e a indústria do petróleo, a única hoje a frente do turismo.

Atualmente, o turismo mundial fatura um trilhão de dólares e emprega 101 milhes de pessoas. Disse que destes números a participação brasileira é ínfima, cerca de um bilhão e 200 milhes de dólares, um pouco mais do que o cacau já faturou alguns anos atrás e emprega 1.5 milhes de pessoas.

Disse que para se dimensionar a importância do turismo na geração de emprego e renda é preciso saber que este setor não se assenta apenas no tripé hotelaria-agências de viagens-transportes, mas também de uma gama muito ampla de outras empresas do setor terciário, como exemplo citou o complexo da Disneylândia que emprega cerca de 20 mil pessoas, além dos setores primário (alimentação) e secundário (eletrodomésticos, movelaria, etc).

Disse que, infelizmente, no momento, o turismo vem sofrendo duramente com a recessão econômica, pois, muitos empresários estão desaparecendo do mercado ou trabalhando no vermelho, principalmente na hotelaria.

Analisando a contribuição que o turismo e outras atividades podem dar para promover o desenvolvimento regional, ressaltou a importância dos municípios de Ilhéus, Itabuna, Una e Canavieiras, onde já existem cerca de 4 mil leitos (Ilhéus 3,2 mil leitos) e a hotelaria emprega cerca de 1,6 mil empregos diretos e 8 mil indiretos, ou seja, cria mais empregos do que o Distrito Industrial de Ilhéus.

Disse que o setor de turismo poderia contribuir muito para dinamizar na região a oferta de produtos que tradicionalmente compramos de empresas de outras regiões. Como exemplo citou quase todos os produtos demandados pela hotelaria, principalmente.

Disse que aqui não se encontra lagosta para comprar nem camarões ou pitus, neste sentido dinamizar e reorientar, a pesca na região é fundamental.

Citou também a área de laticínios e leites como uma atividade viável, além da fruticultura. Para ilustrar, o empresário disse que até o coco e quindim baiano estão sendo importados, o que demonstra que não há articulação da produção diversificada na região.

Disse que atualmente muitos empresários se queixam da crise, mas não procuram investir na produção de novos produtos, novas saídas.

Disse, porém, que na atual conjuntura, de recessão, o mercado regional não estimula o surgimento de atividades diversificadas, embora considere uma das saídas mais viáveis. Como exemplo citou Ilhéus que com mais de 3 mil leitos atualmente (superando Teresina e João Pessoa) apresenta uma ocupação baixíssima (cerca de 20%) com pernoites de 1.3 dias, identificando uma estadia curta do turista que prefere gastar mais em Porto Seguro, Salvador, etc.

Retomando a questão da saída da crise disse o empresário que efetivamente o turismo pode representar uma resposta rápida, dependendo de investimentos em áreas estratégicas (citou o centro de convenções como exemplo).

Disse ter enviado ao Governo do Estado (Bahiatursa) uma série de reivindicações para dinamizar o turismo regional, cuja cópia estaria entregando ao Presidente do IESP.

Dentre as sugestões cabe ressaltar as seguintes:

a) implantação de Pavilhão de Feiras e Exposições, para incentivar eventos e acontecimentos;

b) festa do cacau, que foi criada em 1983 e desativada pelo Governo anterior e que deve ter sede em Ilhéus;

c) implantação de Terminal Turístico para a Lagoa Encantada;

d) ativação dos armazéns do antigo Porto para fins de atividades de Turismo (complexo turístico);

e) direcionamento de políticas para elevar o padrão de qualidade da Estância Hidromineral de Olivença;

f) projeto Burle Marx da avenida Soares Lopes em Ilhéus;

g) reforma do Bataclan;

h) investimento para implantação de uma marina (turismo náutico);

i) Parque Ecológico da cidade de Ilhéus.

Finalizou reiterando a importância do setor de turismo, como uma das saídas mais viáveis para a região.