Disse que a sua presença deve-se ao fato de que, no momento, está a
dirigir o órgão do meio ambiente do estado da Bahia e que nesse momento tem a tarefa no
governo ACM de internalizar as questões ambientais, tanto nas atividades empreendedoras
do Governo quanto da iniciativa privada.
Disse que o órgão ambiental deve ter uma função não
meramente reativa mas proativa ou antecipativa, coplanejando com os municípios, com
as empresas, com os órgãos do governo, também coauditando nos padrões de qualidade e
fazendo auditoria exclusiva da segurança do patrimônio ambiental e da qualidade de vida.
Disse que concorda plenamente com o palestrante quando tenta resgatar
as idéias contidas no documento do deputado Waldeck Ornelas e que esse documento
pode ser a equação global para tentar resolver os problemas da região e que isso
pode ser feito com a contribuição de todos da região. O pleito deve ser dirigido
não mais ao deputado, mas sim ao executivo do planejamento do estado da Bahia.
Disse o diretor do CRA que irá apresentar algumas projeções
onde estarão colocadas uma relação entre a preservação ambiental e o processo
de desenvolvimento.
Disse que é fundamental que se tenha em mente que hoje vivemos em um
mundo onde o problema ambiental deve ser visto sobretudo numa perspectiva coletiva.
Disse que a crise da região decorre daquilo que ele chamou de
"falta de fase" entre produtores e cliente final, e que nesse contexto os
produtores precisam de um melhor domínio, através da tecnologia e da informação.
Disse que a monocultura cria a dependência e a
subserviência e que a "falta de fase" é responsável pelos maiores danos
ambientais, é, disse, como se houvessem duas engrenagens que não estão se encaixando,
andam em velocidades incompatíveis.
Disse que dois grupos atuam nessa "falta de fase" que são os
empresários e os governos, existindo uma diferença muito forte entre essas duas
estruturas, a do governo, que busca sempre estruturas políticas e a dos empresários, que
buscam estruturas organizacionais, e o certo é procurarmos uma verdadeira simbiose de
integração e associatividade.
Disse que um dos aspectos a serem levados em consideração num
processo de desenvolvimento econômico é a falta de integração existente
entre o indivíduo, a sociedade que o circunda e a natureza, que circunda as duas partes.
Disse que o primeiro passo para resolver as questões ambientais
na região já foi dado, que é exatamente o reconhecimento da existência de vários
problemas tais como, podridão parda, vassoura-de-bruxa, preço do cacau, etc.
Isso, disse, representa a primeira fase da equação do problema, esses
aspectos podem ser aperfeiçoados em seminários e debates, com soluções que podem ser
encontrados à nível político.
Disse que quando se observa o mapa da Bahia e da região, observa-se
que ele se enquadra nas alternativas para o Estado da Bahia, desde quando todo o litoral
baiano encerra uma verdadeira "fábrica de receitas e empregos", que pode
ser explorada para fortalecer a interiorização econômica.
Disse que todo o litoral baiano é possuidor de um vasto ecossistema
que é um verdadeiro patrimônio produtivo que deverá ser neste governo objeto de
grande intensidade de investimentos e atenções.
O Extremo Sul já está sendo palco de investimentos por parte
do Governo e logo estaremos dando atenção à Região Cacaueira, disse o Diretor do CRA.
Disse que a região do cacau tem que ser vista como um pólo de cidades
e não apenas Ilhéus.
Segundo o debatedor, a monocultura do cacau já não mais existe
se se observa o estado da Bahia e seu patrimônio, não somente a nível da sua riqueza
ambiental como também o turismo.
Disse que esse patrimônio ambiental bem equacionado,
constituir-se-á em um pólo dinâmico gerador de receitas, que não flutuarão como
flutuam os preços no mercado de "commodities" nas bolsas internacionais.
Na análise que liga o produtor rural e o consumidor final do chocolate
que é basicamente uma das questões econômico-sociais da região, parece ter havido uma
defasagem entre os sistemas de organização do produtor (mesmo com toda assistência
tecnológica da CEPLAC), que voltou-se somente para as tecnologias do produzir e não se
deu conta dos aspectos macros do sistema, disse.
Afirmou que no início da implantação da CEPLAC, os aspectos
cooperativos entre o produtor e a instituição eram mais intensos, enfraquecendo-se com o
decorrer do tempo.
Hoje, disse, os produtores estão individualizados e sem poder de
modificar o cenário do mercado internacional do cacau que é manipulado pelos agentes das
"commodities" nas bolsas internacionais.
Disse, ser estes intermediários, os verdadeiros manipuladores
de preços e não propriamente as multinacionais do chocolate que sofrem do mesmo modo que
as empresas nacionais no momento de comprar a matéria-prima.
Disse ser um problema sério a manipulação de preços, pois
só quem sai perdendo são os produtores, que têm o preço dos seus produtos rebaixado,
enquanto o consumidor final paga preços que não declinam.
Segundo o debatedor, a questão do cacau está mais na área da
eficácia e eficiência de mercado, do que propriamente na questão da produtividade e da
atividade de produção.
Disse que a linha correta de atuação, nesse momento, chamado
atenção pelo palestrante, está naquela de colocar o produtor, através da criatividade,
numa maior participação do sistema de mercado final e isso não está hoje acontecendo
em detrimento da classe produtora.
Voltando a questão ambiental, o debatedor disse que existem
mecanismos tecnológicos e organizacionais que possibilitam eliminar acidentes ambientais,
acidentes financeiros ou qualquer que seja.
Disse que 60% dos problemas podem ser resolvidos através da
tecnologia, inclusive da comunicação e informação, aliado a isso, mais 20% podem ser
adicionados com os chamados procedimentos econômicos, que dizem respeito diretamente ao
agente produtor.
Nesse sentido, o debatedor colocou-se contrário a qualquer investida
no sentido de erradicar o cacau dos 600 mil hectares hoje existentes, pois esse acervo
contém um patrimônio ambiental que vale mais para a humanidade do que o Pelourinho da
Bahia.
O debatedor apresentou um gráfico onde chama atenção de que na
medida em que se convencione a necessidade de um "produto sinergístico", é
preciso não enfatizar apenas a capacidade de mobilização e sim um ativamento dos
participantes em relação a antecipação de problemas e oportunidades, que nós chamamos
de "espírito de sentimento".
É, disse, preciso que não se supervalorize a técnica, o raciocínio
humano, pois nós estamos diante de um problema que sendo ambiental e sendo estratégico,
ele tem que na relação homem-sociedade, (que apresenta um aparente conflito de
interesses), buscar um "espírito de sentimento" antes de se anteciparem na
resolução dos problemas. É preciso, uma ação conjunta, pois sem o espírito
comum não há como resolver os problemas. Estou de acordo, portanto, com aqueles que aqui
neste Seminário defenderam a ação conjunta, disse.
Finalizando, afirmou que não estamos na fase final do cacau, embora
ele deverá perder a sua importância relativa, mas, que continuará viável, pois, dentro
de três, quatro ou cinco anos, está previsto uma queima dos estoques reguladores e o
preço irá subir.
Evidenciou a necessidade de os produtores se modernizarem, quanto aos
aspectos do mercado internacional de "comodities" para fazerem face ao grave
problema de manipulação de preços do qual ainda somos cobaias, e manifestou a sua
preocupação quanto a substituição do cacau por outras culturas sem o estabelecimento
prévio de um zoneamento para proteger o meio ambiente, reafirmando que o cacau é
o produto mais adequado para o ecossistema aqui existente (Mata Atlântica).