Durval Olivieri

 

Disse que a sua presença deve-se ao fato de que, no momento, está a dirigir o órgão do meio ambiente do estado da Bahia e que nesse momento tem a tarefa no governo ACM de internalizar as questões ambientais, tanto nas atividades empreendedoras do Governo quanto da iniciativa privada.

Disse que o órgão ambiental deve ter uma função não meramente reativa mas proativa ou antecipativa, coplanejando com os municípios, com as empresas, com os órgãos do governo, também coauditando nos padrões de qualidade e fazendo auditoria exclusiva da segurança do patrimônio ambiental e da qualidade de vida.

Disse que concorda plenamente com o palestrante quando tenta resgatar as idéias contidas no documento do deputado Waldeck Ornelas e que esse documento pode ser a equação global para tentar resolver os problemas da região e que isso pode ser feito com a contribuição de todos da região. O pleito deve ser dirigido não mais ao deputado, mas sim ao executivo do planejamento do estado da Bahia.

Disse o diretor do CRA que irá apresentar algumas projeções onde estarão colocadas uma relação entre a preservação ambiental e o processo de desenvolvimento.

Disse que é fundamental que se tenha em mente que hoje vivemos em um mundo onde o problema ambiental deve ser visto sobretudo numa perspectiva coletiva.

Disse que a crise da região decorre daquilo que ele chamou de "falta de fase" entre produtores e cliente final, e que nesse contexto os produtores precisam de um melhor domínio, através da tecnologia e da informação.

Disse que a monocultura cria a dependência e a subserviência e que a "falta de fase" é responsável pelos maiores danos ambientais, é, disse, como se houvessem duas engrenagens que não estão se encaixando, andam em velocidades incompatíveis.

Disse que dois grupos atuam nessa "falta de fase" que são os empresários e os governos, existindo uma diferença muito forte entre essas duas estruturas, a do governo, que busca sempre estruturas políticas e a dos empresários, que buscam estruturas organizacionais, e o certo é procurarmos uma verdadeira simbiose de integração e associatividade.

Disse que um dos aspectos a serem levados em consideração num processo de desenvolvimento econômico é a falta de integração existente entre o indivíduo, a sociedade que o circunda e a natureza, que circunda as duas partes.

Disse que o primeiro passo para resolver as questões ambientais na região já foi dado, que é exatamente o reconhecimento da existência de vários problemas tais como, podridão parda, vassoura-de-bruxa, preço do cacau, etc.

Isso, disse, representa a primeira fase da equação do problema, esses aspectos podem ser aperfeiçoados em seminários e debates, com soluções que podem ser encontrados à nível político.

Disse que quando se observa o mapa da Bahia e da região, observa-se que ele se enquadra nas alternativas para o Estado da Bahia, desde quando todo o litoral baiano encerra uma verdadeira "fábrica de receitas e empregos", que pode ser explorada para fortalecer a interiorização econômica.

Disse que todo o litoral baiano é possuidor de um vasto ecossistema que é um verdadeiro patrimônio produtivo que deverá ser neste governo objeto de grande intensidade de investimentos e atenções.

O Extremo Sul já está sendo palco de investimentos por parte do Governo e logo estaremos dando atenção à Região Cacaueira, disse o Diretor do CRA.

Disse que a região do cacau tem que ser vista como um pólo de cidades e não apenas Ilhéus.

Segundo o debatedor, a monocultura do cacau já não mais existe se se observa o estado da Bahia e seu patrimônio, não somente a nível da sua riqueza ambiental como também o turismo.

Disse que esse patrimônio ambiental bem equacionado, constituir-se-á em um pólo dinâmico gerador de receitas, que não flutuarão como flutuam os preços no mercado de "commodities" nas bolsas internacionais.

Na análise que liga o produtor rural e o consumidor final do chocolate que é basicamente uma das questões econômico-sociais da região, parece ter havido uma defasagem entre os sistemas de organização do produtor (mesmo com toda assistência tecnológica da CEPLAC), que voltou-se somente para as tecnologias do produzir e não se deu conta dos aspectos macros do sistema, disse.

Afirmou que no início da implantação da CEPLAC, os aspectos cooperativos entre o produtor e a instituição eram mais intensos, enfraquecendo-se com o decorrer do tempo.

Hoje, disse, os produtores estão individualizados e sem poder de modificar o cenário do mercado internacional do cacau que é manipulado pelos agentes das "commodities" nas bolsas internacionais.

Disse, ser estes intermediários, os verdadeiros manipuladores de preços e não propriamente as multinacionais do chocolate que sofrem do mesmo modo que as empresas nacionais no momento de comprar a matéria-prima.

Disse ser um problema sério a manipulação de preços, pois só quem sai perdendo são os produtores, que têm o preço dos seus produtos rebaixado, enquanto o consumidor final paga preços que não declinam.

Segundo o debatedor, a questão do cacau está mais na área da eficácia e eficiência de mercado, do que propriamente na questão da produtividade e da atividade de produção.

Disse que a linha correta de atuação, nesse momento, chamado atenção pelo palestrante, está naquela de colocar o produtor, através da criatividade, numa maior participação do sistema de mercado final e isso não está hoje acontecendo em detrimento da classe produtora.

Voltando a questão ambiental, o debatedor disse que existem mecanismos tecnológicos e organizacionais que possibilitam eliminar acidentes ambientais, acidentes financeiros ou qualquer que seja.

Disse que 60% dos problemas podem ser resolvidos através da tecnologia, inclusive da comunicação e informação, aliado a isso, mais 20% podem ser adicionados com os chamados procedimentos econômicos, que dizem respeito diretamente ao agente produtor.

Nesse sentido, o debatedor colocou-se contrário a qualquer investida no sentido de erradicar o cacau dos 600 mil hectares hoje existentes, pois esse acervo contém um patrimônio ambiental que vale mais para a humanidade do que o Pelourinho da Bahia.

O debatedor apresentou um gráfico onde chama atenção de que na medida em que se convencione a necessidade de um "produto sinergístico", é preciso não enfatizar apenas a capacidade de mobilização e sim um ativamento dos participantes em relação a antecipação de problemas e oportunidades, que nós chamamos de "espírito de sentimento".

É, disse, preciso que não se supervalorize a técnica, o raciocínio humano, pois nós estamos diante de um problema que sendo ambiental e sendo estratégico, ele tem que na relação homem-sociedade, (que apresenta um aparente conflito de interesses), buscar um "espírito de sentimento" antes de se anteciparem na resolução dos problemas. É preciso, uma ação conjunta, pois sem o espírito comum não há como resolver os problemas. Estou de acordo, portanto, com aqueles que aqui neste Seminário defenderam a ação conjunta, disse.

Finalizando, afirmou que não estamos na fase final do cacau, embora ele deverá perder a sua importância relativa, mas, que continuará viável, pois, dentro de três, quatro ou cinco anos, está previsto uma queima dos estoques reguladores e o preço irá subir.

Evidenciou a necessidade de os produtores se modernizarem, quanto aos aspectos do mercado internacional de "comodities" para fazerem face ao grave problema de manipulação de preços do qual ainda somos cobaias, e manifestou a sua preocupação quanto a substituição do cacau por outras culturas sem o estabelecimento prévio de um zoneamento para proteger o meio ambiente, reafirmando que o cacau é o produto mais adequado para o ecossistema aqui existente (Mata Atlântica).