Gabi Simões

 

O diretor da CODEBA iniciou dizendo que estava representando o presidente da mesma.

Disse que sentia a preocupação dos parlamentares sobre a manutenção do nosso Porto, que é a preocupação de todos nós. Viemos aqui para falar do Porto e do tão mal falado poliduto, acrescentou.

O diretor mostrou dados da área financeira da CODEBA a respeito da movimentação do Porto de Ilhéus:

- em 1990, 667.139 toneladas movimentadas pelo Porto, sendo que 440.484 toneladas, 66%, representado por combustíveis.

Se retirarmos esta movimentação o que poderá resultar da situação financeira da CODEBA?, indagou.

Acrescentou que esse ano a CODEBA está em cerca de 6 milhões no vermelho e apesar de tudo isso, se for desativado o terminal, é imprevisível o que poderá acontecer.

A diretoria da CODEBA, disse o diretor, preocupada com tais resultados, vem trabalhando no sentido de captar cargas e reduzir tarifas, no sentido de criar um estímulo às empresas a movimentar suas cargas pelo Porto de Ilhéus, visando a redução do déficit e tornar o Porto viável.

Hoje, lembrou, o Governo Federal exige que as estatais sejam empresas com resultados positivos e nós não podemos fugir a esta regra. Existe uma grande evasão de cargas do estado da Bahia para Portos do Sul e muitas já ameaçam passar para o Estado de Pernambuco.

Os governos passados não se sensibilizaram com as informações prestadas a respeito deste assunto. Isso ocorre talvez pelos incentivos de governos de outros estados quanto ao valor do ICMS pago e prazo de pagamento.

Quanto ao Poliduto, disse que este irá representar para o Governo Federal, se concretizado, 200 milhões de dólares. Disse que tem informações de que irá ficar em 130 milhões somente a primeira parte. A alegação de viabilidade é de que trará para a Petrobrás um resultado positivo de 325 milhões de dólares em 20 anos.

O diretor da CODEBA lembrou que com o empréstimo de 50% desses 200 milhões do Banco Mundial serão pagos muito mais do que 325 milhões do resultado positivo dos 20 anos. Mas tudo isso pode ser manipulado, disse, pode-se viabilizar uma obra economicamente quando se deseja fazer.

Outros problemas são de ordem social, tendo em vista a crise da Região Cacaueira.

Lembrou que temos que pensar nos impactos ambientais, na segurança oferecida pelo Porto quando em atividade, que é praticamente inexistente no mesmo a ocorrência de acidentes, ao passo que será sempre falha a segurança em um poliduto, ocasionando calamidades de ordem ambiental a exemplo do que aconteceu em Camaçari com o amonioduto.

Esse poliduto, disse o diretor, causaria a redução total da receita do Porto, o que ocasionaria duas saídas: a desativação do Porto, ou o aumento das tarifas incidindo sobre o cacau e seus derivados, sendo que esta segunda é insustentável.

A CODEBA há mais de 5 anos vem desenvolvendo um trabalho no sentido de evitar essa concorrência. Foi investido cerca de 4 milhões de dólares no prolongamento do cais em 300 metros. A Petrobrás iniciou essa obra que fora interrompida com a notícia da construção do Poliduto. Seria ampliada a área portuária em zona de menor risco, o projeto foi aprovado pela Câmara e pela Portobrás, mas não foi alocado o recurso.

Para finalizar, disse que o Porto tem vocação também para atividades relacionadas com o movimento de navios de passageiros e a atividade da pesca.