Inicialmente, o dirigente sindical disse que discutir a crise
institucional é confortável face a credibilidade que a sociedade brasileira tem dado
a CUT enquanto instituição.
Lembrou qual tem sido o papel das instituições e como elas tem sido
desgastadas, principalmente depois da proposta de desenvolvimento neoliberal imposta pelo
Governo Collor.
Assinalou que o CNPC pode se comportar de maneira conservadora,
se dentro do seu seio estiverem pessoas com esta tendência.
No entender do sindicalista, a CEPLAC e o CNPC
desenvolveram nessa região uma política exclusivista dos setores representados
pelos fazendeiros de cacau, indústrias, multinacionais e exportadores de cacau,
culminando, desta forma, numa política centralizadora de rendas, em uma época que não
se falava em crise.
Disse ainda que hoje estas instituições se apresentam em crise por
não cumprirem mais o seu papel de centralizadoras de renda.
A CEPLAC está sendo esvaziada não por falta de dinheiro,
porque existem 1295 funcionários sem prestar serviço (servidores em disponibilidade).
A FESPI, disse, se não é estadualizada não o é por questão
de terreno.
O ICB, no entender do sindicalista, está sendo esvaziado não
porque se faz necessário uma reforma administrativa, mas em função da política
colocada para retomada do desenvolvimento da Região Cacaueira, que passa pelo
esvaziamento do Estado e automaticamente pela não estadualização da FESPI, o
esvaziamento do ICB e pela privatização da CEPLAC.
Isso, indagou o sindicalista, é crise ou é reciclagem do
capitalismo na Região Cacaueira? Essa crise está sendo ditada pelo GATT, pelas
multinacionais, sem contar sequer com a participação do Ministro da Agricultura,
completou.
Estes senhores, assinalou o sindicalista, estão moldando um projeto
que deverá ser incorporado a um processo de agro-industrialização. Eles já tem o
esquema do projeto montado e não precisam dos economistas da FESPI.
Disse o sindicalista que não é só chamar a família Nabuco e
os estudantes com faixas que se vai fazer a estadualização da FESPI, não é só parar a
CEPLAC 35 dias.
Nota-se os discursos dos representantes do Governo Estadual e Federal
no sentido de retomar o desenvolvimento e propiciar a distribuição da renda, mas na
prática não se nota nenhum avanço neste sentido.
Acrescentou que precisamos sair do discurso e partir para a prática
e que estamos diante de um processo de autoritarismo, sem nenhum espaço para a
discussão. Porque Josaphat Marinho ou Waldeck Ornelas não dizem como
pensam em fazer o modelo de desenvolvimento?, pergunta o sindicalista.
Eles querem voltar a 1964, dizendo que primeiro vão fazer crescer a
receita com muito dendê e muita seringa, para depois dividir, assinalou o dirigente.
Joaquim Cardoso não veio, disse, porque ele é um dos que acham
que o que vale é a produtividade, a competência e as questões sociais são jogadas de
lado. E Hélio Bandeira também.
Quando, em 84, queríamos "diretas já" fizemos passeatas, em
86 a luta foi pela Constituição, lembrou o sindicalista. Agora, a luta é para
que não se admita a perseguição a posseiros e trabalhadores.
No entender do sindicalista, quem dirige a economia nacional ainda é o
imperialismo norteamericano, quem dirige a economia do cacau é Cargill, Nestlê.
Disse ainda que precisamos tomar cuidado com este projeto de dendê
como óleo vegetal, este projeto de agroindustrialização, que passa por terras
habitadas por posseiros.
Precisamos, disse o sindicalista, nos unir junto as
agremiações dos trabalhadores, para que possamos desenvolver projetos para que então
possamos sair da crise.