Inicialmente, o sindicalista cumprimentou os presentes ao debate e
disse que os trabalhadores não poderiam deixar de fazer parte das discussões, uma vez
que se constituem num segmento da sociedade, no intuito de viabilizar saídas para a
crise.
No entender do sindicalista, a crise constitui-se no problema
mais grave que atravessa a sociedade a nível nacional, pois, segundo ele, afeta a
condição de vida dos trabalhadores.
A crise, disse, não está no contexto televisivo, mas na realidade de
instituições como a CEPLAC, o ICB e a FESPI. órgãos que deram
muito de si para a região e o país e hoje, disse ele, estão ameaçados de extinção.
Isto revela, no pensar do presidente, falta de determinação nos
objetivos e a falta de união em momento que é preciso nos darmos as mãos,
esquecendo as divergências políticas.
No pensar do líder sindical, o que está sendo debatido não deve se
ater ao discurso, e sim, partir para a prática, dando um basta ao
imobilismo. Temos que estar atentos, disse, a questões que são decididas a nível
nacional sem passar por questões regionais.
Ainda há credibilidade nas instituições estatais, disse o
sindicalista, assinalando que não podemos permitir o sucateamento através da
privatização desordenada.
Disse ter conhecimento de movimentos de mobilização em outras
regiões em defesa dos seus interesses, que culminam em infra-estrutura, tornando viável
os escoadouros naturais.
Disse, ainda, que devemos criar incentivos que atuem contra a
evasão e o empobrecimento de nossa região.
No entender do líder, nós crescemos, mas não conseguimos consolidar
nossas instituições. Nosso Porto não deve atuar em grande parte como escoadouro de
produtos de petróleo, mas, ter finalidade maior que é a de auxiliar a Região Cacaueira
no tocante a exportação de produtos regionais.
Quanto ao poliduto, disse o sindicalista ser contra, pois,
representaria um desequilíbrio financeiro e colocaria em risco a posição do Porto de
Ilhéus. A construção deste poliduto, no entender do sindicalista, tem conotação
política e não é ligado ao desenvolvimento regional; segundo o sindicalista, não
se pode prosseguir uma obra que vai gerar 325 milhões em 20 anos, tendo em vista que o
Porto de Ilhéus já escoou 1 bilhão em divisas para a região e o país em apenas um
ano.
No entender do líder sindical, a diversificação implica na
espera dos frutos do investimento, uma vez que, segundo o sindicalista, não será
assegurada a posição do Porto quanto a sua viabilidade financeira a curto prazo.
Disse que existem saídas mais rápidas, aproveitando os
produtos da própria região, como a soja, em Barreiras; o algodão, em Guanambi; o café,
em Conquista e outras regiões produtoras.
A cacauicultura, segundo o palestrante, ainda é viável e forte
economicamente, mas, não podemos esperar o seu ressurgimento e assistir ao fechamento do
Porto.
Outras propostas sugeridas pelo sindicalista, para finalizar:
- promover a diversificação, escoar a produção, construir a
ferrovia Brumado - Jequié - Ilhéus;
- alargamento dos prazos de recolhimento do ICMS e redução da
alíquota do mesmo;
- isenção do ICMS para a compra de fertilizantes, insumos e
implementos agrícolas como no estado de São Paulo;
- doação da área para estacionamento de transporte de carga;
- isenção de ISS para produtores de outras regiões, soja, café,
algodão, etc;
- mudança do nome do Porto de Ilhéus para Porto da Região Sul da
Bahia.