1-) Intervenção do Sr.
Ronaldo Santana
Iniciou colocando um questionamento sobre o poliduto. Um
poliduto do mar para o mar? Em extensão de menos de 200 km da costa. A quem vai servir
esse poliduto?
Temos que acabar com o bairrismo. Temos que trabalhar por todos,
disse. O prefeito de Jequié diz que gerará 2000 empregos e o de Itabuna, 1000 empregos.
Lembrou que em Ilhéus não existem 50 empregos porque o que se precisa fazer é abrir
torneira e fechar torneira. E questionou: uma tubulação de 400 km dará emprego a 3000
pessoas? talvez porque um poliduto de 400 km é altamente perigoso e precisasse colocar um
soldado a cada 100 metros para tomar conta.
Disse que esse poliduto serve a duas empreiteiras: uma é a Norte Gás
Butano (Ceará) de Tasso Jereissati.
Ressaltou que não podemos aceitar a corrupção que existe no Brasil.
Ilhéus, lembrou, não será destruída com esse poliduto, pois continuará tendo turismo,
agora, de Itabuna para cima será o caos geral. 66% da receita do Porto que é gerado por
derivados do petróleo, terá que ser compensado no cacau. A Cargill vai embora!
Finalizou com um ditado: "Povo que não tem memória, está fadado
a repetir a sua história". "A história não perdoa".
2-) Intervenção do Sr.
Hélvio Magalhães - DCE
Iniciou lembrando que foi, para a questão específica da FESPI, a luta
da comunidade universitária para garantir ensino público e gratuito na região, que fez
com que o Governo, em 88, resolvesse assumir totalmente a FESPI. Esse modelo da FESPI,
esse fruto é dos estudantes, e não dos dirigentes, das elites.
Disse que se nesse momento não conseguimos concretizar a estadualização
isso se deve a questões pessoais. Finalizou dizendo que precisamos desta
universidade regional.
3-) Intervenção do Sr.
Júlio César - vice-presidente
do DCE
Salientou a importância da FESPI para a região.
Lembrou que desde 1988 a FUSC não consegue gerir a FESPI,
e que nesse momento cabe ao estudante convocar o Sr João Calmon, presidente da
FUSC para o dever cívico de reunir o Conselho da FUSC e passar esse patrimônio
para o Governo do Estado para que se possa remover os empecilhos que ora se apresentam
para a estadualização da FESPI.
Em outros momentos, disse, já se alegou que não se pode fazê-lo por
dificuldades legais. O bom senso nos diz que as leis devem servir a comunidade e não o
contrário.
Finalizou dizendo que precisamos sair desse encontro com uma proposta
para estadualização da FESPI, precisamos de uma universidade com caráter social e de
pesquisa. E que não seja só para os filhos dos que podem pagar.
4-) Intervenção do Sr.
Dinailson - estudante da FESPI
Lembrou o problema da educação na região. O 2º grau está elitizado
demais. O estado da Bahia está entre os 10 maiores estados do Brasil e suas universidades
são ruins. Finalizou dizendo que sem a universidade a região vai morrer de vez.
5-) Intervenção do Sr.
João Calmon - presidente da FUSC
Disse que o pensamento da FUSC é fazer tudo para que essa
estadualização se concretize o mais rápido possível. Disse que, hoje, está se
repetindo o que aconteceu há 10 anos atrás, quando se criou duas fundações com a mesma
finalidade. Eram elas a FESPI e a FUSC.
Finalizou ressaltando que a FUSC deseja a estadualização e que o
problema da estadualização não passa e não precisa de patrimônio.
6-) Intervenção da professora
Maria Bernadete - presidente da APRUNI/FESPI
Iniciou dizendo que essa crise talvez seja exatamente uma solução. E
deixou um questionamento: "quem vai liderar o processo de mudança na região?"
Lembrou a necessidade de participação maior dos estudantes, dos
professores e da comunidade para que esse processo se concretize.
Disse que existe na região um centro de reflexão que poderia ser
também um centro de decisão, que ajudaria nossos representantes para que pudessem se
embasar melhor e mudar junto com a comunidade.
7-) Perguntas escritas dirigidas a
mesa para
Everaldo Anunciação
"Que políticas públicas, tipo e conteúdo, poderão favorecer o
desenvolvimento auto sustentável na Região Cacaueira?"
"Você falou sobre a atuação maléfica das multinacionais do
cacau na região, Cargill, etc., não seria então uma solução fortalecermos o
cooperativismo, a sua indústria, a Itaísa, etc.?"
8-) Resposta do Sr.
Everaldo Anunciação
Iniciou lembrando que é projeto das multinacionais inviabilizar o
projeto Itaísa.
Disse que o processo de centralização cada vez maior na indústria de
transformação é um projeto tranqüilo. Está claro que é um processo de afastamento da
Itaísa e os produtores entenderam.
Ressaltou que as multinacionais estão cada vez mais presentes na
economia do cacau, controlando o preço. Primeiro começaram com incentivos ao plantio,
continuou o sindicalista, depois um processo de instalação do parque industrial. Hoje,
quem está assumindo os lugares chaves dessas empresas são as multinacionais. A Iguape,
compra de cacau, é fachada, empresa holandesa por trás.
Lembrou que a participação da pequena produção tem que ser revista
imediatamente.
Questionou sobre o papel da CEPLAC no fortalecimento do cooperativismo.
Porque a CEPLAC não jogou pesado na questão do cooperativismo como forma de
libertação?
Lembrou o exemplo de Coaraci, a respeito da política da
alfabetização.
Finalizou dizendo que as questões da FESPI, CEPLAC, Porto são nossas
e temos que ocupar espaços.
9-) Intervenção do Deputado
Jabes Ribeiro
Iniciou dizendo que é extremamente contra qualquer atitude que
signifique colocar risco ao Porto.
Questionou sobre propostas objetivas em relação ao Instituto do cacau
e Ceplac. Sobre o problema da FESPI, o deputado disse que é uma questão de reunir o
pessoal e decidir. Ou então o pessoal não quer decidir porque tem gente lá de cima
querendo inviabilizar a nossa universidade.
Disse estar disposto a sentar com o Governador, com o Presidente para
discutir os problemas da região. Temos que combinar ações políticas, mobilizar a
região.
10-) Intervenção do Sociólogo
Salvador Trevisan
Colocou que a CEPLAC tem que ser uma instituição para resolver
os problemas graves da região através da pesquisa e da extensão, que devem ser
direcionadas para resolver problemas de ordem social.
Salientou que temos que amarrar as pesquisas e as atividades de
extensão ao processo produtivo, resultando na melhoria da alimentação, na melhoria da
escolaridade do pessoal da roça, na melhoria das condições de sanidade.
Educação e extensão estão atrelados, ressaltou o sociólogo.
Finalizou dizendo que é difícil amarrar essas atividades a problemas
concretos. Na prática nós não estamos acostumados a isso.
11-) Intervenção do Sr. Everaldo Anunciação
Iniciou dizendo que a Associação de Funcionários da CEPLAC
junto com SEAC e STAC realizou discussões, estudos e tem hoje um projeto
chamado: "Ceplac, um projeto da sociedade". Questionou o papel da Ceplac sobre a
reforma agrária e o processo de diversificação.
Sobre o ICB, salientou que este cumpriu um papel que tem que ser
revisto, tem que ampliar suas ações.
Lembrou que os pequenos produtores tem que ser representados nas
instituições, os trabalhadores tem que ter representação.
Finalizou dizendo que faltou representação partidária na mesa,
discutindo qual o papel dessas instituições.
12-) Intervenção do Sr.
Gabi Simões
Iniciou lembrando que, como velho portuário, vivia preocupado com o
problema do poliduto, mas hoje se sente com a alma lavada porque sente que a
região se mobilizou.
Lembrou que existiu crise em 60 e 70, quando se embarcava o cacau em
Salvador. Com a construção do Porto, tudo melhorou.
Finalizou dizendo que hoje existe uma ameaça mas com esse espírito de
união da comunidade, disse estar tranqüilo.
13-) Intervenção do mediador
José Raimundo
Iniciou dizendo que essa crise talvez seja um grito de alerta e não
uma crise.
Disse que há muito tempo necessitava um seminário como esse que
viesse congregar todo o povo da região para discutir esses assuntos que dizem respeito à
região. Este é o caminho pelo qual poderemos chegar a solucionar alguns problemas.
Sobre o poliduto disse que a posição da Câmara de Itabuna é que
deveríamos vir a Ilhéus e discutir.
Com relação a FESPI, disse estar surpreso com a colocação de
Luís Calmon de que não é por causa da transferência do patrimônio que a FESPI
não foi estadualizada, porque para ele o resto já está resolvido.
14-) Intervenção do Diretor geral
da Fespi
Altamirando Marques
Iniciou garantindo que se dependesse de Luís Calmon a FESPI
já estaria estadualizada.
Lembrou que em 30/11/89, Joaquim Cardoso convocou reunião com a
FUSC com objetivos de:
- impossibilidade da Ceplac continuar colaborando financeiramente com a
FESPI ou qualquer universidade que viesse a ser implantada em regime privado,
- disposição clara do governo da Bahia de estadualizar a FESPI em
regime de gratuidade,
- a FUSC cederá à FUNCRUZ, a área onde se encontra instalado o
CAMPUS com todas as instalações móveis e utensílios no qual continuará funcionando a
FESPI, até que seja implantada a universidade.
Sobre o comentário de João Luiz Calmon de que não é a
passagem do patrimônio o problema, o reitor disse que ao se transferir a manutenção dos
cursos da FESPI para uma Fundação de direito público criada pelo Governo do Estado da
Bahia, desloca-se o centro das decisões do âmbito de Conselho Federal de Educação para
o âmbito do Conselho de Educação do Estado da Bahia que será o foro competente para
dirimir não só esta como outras dúvidas da interessada. Acrescentou que o Conselho não
disse que independia da transferência do patrimônio a instalação do processo de
criação da universidade, e que esse parecer não é um produto de um colegiado. E há
muitas dúvidas porque o Conselho Estadual dirigiu petição ao Conselho Federal, pedindo
que este lhe outorgasse outras universidades estaduais na forma do disposto em um artigo;
e o Conselho negou esse direito, até que se complete cinco anos da efetiva atuação da
Universidade de Feira de Santana, já reconhecida.
Disse ainda o diretor que segundo a legislação educacional, para se
criar uma universidade é necessário que haja um detalhamento na carta consulta
não só uma descrição física das instalações, mas descendo até às medidas das
salas, corredores, escritórios, de toda parte física do CAMPUS. Nós estamos com esses
dados. Temos 31 hectares, temos 73 mil m2 de área construída. Sem uma casa para
estabelecer a universidade, não pode haver universidade.
Finalizou ressaltando o que o deputado Jabes disse que é só o Dr. Joaquim
Cardoso chamar a direção da FESPI, chamar o Governo do estado para sentar e
discutir, mas o que o Joaquim Cardoso tem feito é escorregar. Marca reunião e
não vai. Resolve alguma coisa em uma reunião e na outra já muda de idéia. Concluiu
comparando o secretário Joaquim Cardoso a um "peixe ensaboado", que
escorrega daqui e dali.
15-) Intervenção do Sr.
Emerson Tavares
Iniciou dizendo que o comércio não colaborou com a passeata,
realizada ontem, em defesa do Porto de Ilhéus. E que a hora é de união e entendimento.
Pediu ao vereador de Itabuna, José Raimundo, que fosse portador
de uma mensagem à comunidade Itabunense de que precisamos conversar sobre o poliduto.
Salientou a questão primordial sobre esse assunto que é o meio ambiente, 5 milhões de
m2 ameaçados.
Sugeriu a CODEBA que a obra que foi paralisada, tivesse
continuidade, para que a Petrobrás veja que queremos a continuidade e expansão do
Porto. A construção desse cais múltiplo irá proporcionar nova opção para atracar os
navios comerciários.
A palavra retornou ao Mediador que passou-a ao Presidente da Mesa, o
qual agradeceu a participação de todos e encerrou os trabalhos da sessão.