Inicialmente, o vice-presidente do CNPC parabenizou o IESP
pelo evento e disse estar feliz com a realização do mesmo.
Em seguida, apontou duas saídas para a crise, sendo que a
primeira era dirigida as pessoas que não tem raízes na região, convocando-os a irem
embora, uma vez que não iriam fazer falta.
A segunda maneira viável para os que amam a região, passa pela
criatividade, trabalho exaustivo e união de todos.
Prosseguindo, o vice-presidente conclamou a união de todos, uma vez
que pertencemos a uma região privilegiada, dado o caráter de seus homens.
Disse que temos enfrentado outras crises e vencido e que vamos vencer
essa também.
No entender do vice-presidente do CNPC, a crise é resultado de
três fatores e não apenas dois como colocou o deputado Jabes Ribeiro. São eles: a crise
regional, a crise nacional e a crise de lideranças.
Quanto a diversificação, disse existir dois aspectos; o
primeiro, relacionado com a economia regional, através do turismo, agro-
indústria, providências para com o porto e seu corredor de exportação,
a ser criado.
Não precisamos depender da Petrobrás, uma vez que existem produtos na
região da Bahia que podem ser escoados através de nosso Porto.
No entender do vice presidente do CNPC, a diversificação agrícola
não é um problema de decisão política e sim de recursos, uma vez que já existe uma
consciência entre os produtores.
Disse o vice-presidente do CNPC, que a CEPLAC já tem um
programa que deve ser levado ao produtor, disse ainda, ao buscarmos recursos lá fora,
somos olhados com desprezo, em virtude da pequena representatividade, cerca de 0,5% da
economia nacional. No seu entender, devemos trabalhar no intuito de amenizar a nossa
insignificância.
O vice-presidente lamentou a maneira como vem sendo tratadas as
questões da região cacaueira no tocante a falta de verbas, que promoveriam um
melhor equacionamento da dívida em uma região que tem um potencial imenso e que tem um
investimento a nível de fazendas em torno de 8 bilhões de dólares.
Lembrou a fala de Geraldo Simões, quando este, no dia anterior,
citou liberações privilegiadas de recursos ao grupo Canhedo para comprar a VASP.
Lembrou, ainda, que o grupo Silvio Santos conseguiu 50 milhões de dólares para pagar
suas dívidas e uma região de 2 milhões de habitantes, com um imenso potencial, não
consegue o suficiente para equacionar suas dívidas.
No entender do representante do CNPC, não há motivos para
"brigas e discussões" acerca da prorrogação das dívidas junto ao Banco
do Brasil, uma vez que o montante devido pelos cacauicultores não chega a 30 bilhões
de cruzeiros, hoje.
Nós, disse o vice-presidente, enviamos um documento ao Governo
Federal com o compromisso de que a região pagaria suas dívidas em oito anos, o Governo
nos deu três.
Hoje, o produtor se encontra em uma situação relativamente arrumada,
assegura o vice-presidente, acrescentando que o CNPC vem tentando equacionar essa
situação; e se não conseguir pagar estas dívidas no próximo ano, paciência. Vamos
brigar de novo junto ao Governo Federal e vamos continuar lutando.
A Vassoura de Bruxa, que veio para ficar, no pensar do
vice-presidente, constitui-se em uma praga que está tomando a região. O representante
elogiou o trabalho dos técnicos da CEPLAC, mas apesar do esforço em combatê-la,
reconheceu que estamos perdendo esta guerra. Tem, contudo, fé de que esta situação se
reverta, pois está entregue ao pessoal da CEPLAC, que está trabalhando com muito
afinco. E manifestou preocupação com o enfraquecimento da CEPLAC e das instituições
regionais.
Quanto à extinção do ICB, disse o vice-presidente, firmamos
nosso protesto junto ao Governo.
A Universidade, segundo o vice-presidente do CNPC, não
necessita apenas da passagem do patrimônio de uma fundação para outra, é necessário
também o seu reconhecimento enquanto Universidade.
Com relação a CEPLAC, o vice-presidente destacou que ela deve
ater-se à pesquisa e extensão, para que outros órgãos, como o ICB,
possam tratar do desenvolvimento regional.
Para concluir, um outro problema é a crise social, grave na
região e que gera grande índice de desemprego. O problema mais sério, no entender do
vice presidente do CNPC, é o preço do cacau. E só através de preços mais
justos sairemos dessa crise. Segundo o representante do CNPC, faz-se necessário a união
dos países produtores, no intuito de modificar o mercado internacional do produto.
Se não conseguirmos, assegura o vice-presidente, seremos penalizados
por tempo maior, pelo sistema colonialista, através da pressão por parte das
multinacionais, assegurou.
Estamos tentando pagar nosso débito junto as autoridades da OICC,
para que possamos ter direito a voz e voto, para que possamos fazer valer propostas no
sentido de criar mecanismos para a solução dos problemas de preços do cacau no país,
finalizou o vice-presidente do CNPC.