Eliezer Correia

 

Inicialmente, o presidente da AFC, disse já estar travando discussões dessa natureza junto aos seguimentos que conglomeram trabalhadores em um Foro Popular Permanente de Discussão da Crise na Região.

Trata-se, segundo o presidente, de uma experiência que vem sendo aprendida na busca de melhores condições de vida, visando a participação dos trabalhadores no processo de desenvolvimento em todos os níveis.

No entender do sindicalista, a questão da crise tem que ser analisada por óticas diferentes para que se encontre a solução conjunta para os problemas enfrentados na Região Cacaueira.

Nós, disse, temos ouvido bastante pelos meios de comunicação que a região está em crise, e há até a formação de uma opinião pública dentro de um ponto de vista de um segmento interessado principalmente na resolução dos problemas econômico-financeiros da cacauicultura.

No pensar do presidente, devemos compreender os diversos meandros dessa crise para conseguirmos resolvê-la, porque, disse ele, são crises não específicas da Região Cacaueira, é preciso dizer isso.

O deputado Jabes colocou que a crise é regional e nacional, assinalou o presidente, embora, prossegue dizendo que a crise seja de lideranças.

No entender do presidente, a crise é muito mais internacional do que especificamente da Região Cacaueira, porque trata-se de um modelo de produção que foi colocado aqui e que importa apenas, disse, a grupos internacionais, que tem interesse no mercado mundial de cacau; disse, ainda, não acreditar que essa crise é cíclica, dentro de um ponto de vista regional.

Se retomarmos a experiência de 1929 que foi uma crise internacional naquele momento do capital, tentou-se, no entender do presidente do AFC, viabilizar a produção de cacau com o chamamento do Estado à administração do recurso no intuito de viabilizar crédito e tecnologia para viabilizar uma infra estrutura mínima que permitisse se desenvolver.

Mas, disse o presidente, houve um crescimento econômico que não pode ser considerado desenvolvimento em função da debilidade e da subordinação do estado aos interesses de capital.

No entender do presidente, não conseguiram agregar recursos para a montagem de uma infra-estrutura social que permitisse a melhoria de vida das populações. Aqui na região cacaueira, disse, trabalham 450 mil trabalhadores rurais, ou seja, 1/4 da população de trabalhadores rurais da Bahia.

Pelos cálculos do presidente, deve haver aqui na região mais de 230 mil trabalhadores rurais demitidos, porque não está se mantendo um controle dessas demissões e essas pessoas, disse, estão jogadas à marginalização do processo sem condições de sobrevivência mínima.

Disse que se anteriormente com o advento das crises que passariam não se conseguia repor níveis de salário adequado e níveis de condições de vida, imaginem, disse, com 2/3 desses trabalhadores na rua!

Atrelado a isso, disse ainda existir uma ação de violência, por parte dos que dominam o campo, principalmente em regiões de posseiros, causando, disse ele, uma invasão de 2/3 desses trabalhadores para os centros urbanos gerando o favelismo e a miséria.

No entender do presidente, as pessoas que geram riquezas são colocadas à margem da sociedade.

A assistência médica é precária, os hospitais regionais, disse, estão em funcionamento deficitário e reduzem a quantidade de leitos públicos por habitantes. Nos países desenvolvidos essa razão é mais humana como no caso Cubano que existe assistência médica a domicílio por quadra ou rua, ao passo que aqui na região nota-se uma ascensão no número de leitos privados.

Segundo o presidente da AFC, naquele momento os trabalhadores não tinham respeitados seus direitos.

O nível de educação retrata a falta de desenvolvimento social em decorrência do crescimento econômico, pois metade de nossas crianças não freqüentam a escola, assinalou o sindicalista.

No entender do presidente, a questão internacional deve ser colocada uma vez que criaram modelos de exportação, principalmente a partir da 2ª guerra mundial, localizados em países do 3º mundo. Tanto na Região Cacaueira, como na Malásia, que é como se fosse uma região cacaueira com um processo de exportação mais violento, ocasionando preços baixos para o cacau em função da grande produção. Isso, disse, em função do controle estratégico de todas as áreas de produção agrícola no mundo inteiro.

Disse o presidente ser apenas cinco multinacionais que determinam quando e como plantar cacau em determinada área geográfica, seja na América Latina, ou na África, como no momento da 2ª guerra, quando estrategicamente era mais interessante.

Disse ainda que para o imperialismo internacional, principalmente em função da divisão entre Leste e Oeste e que tinha um controle mais específico na América Latina dos EUA, seja hoje nos pólos de expansão, que está se dando no sudeste asiático, tanto com cacau da Malásia e da Indonésia, ou como a laranja agora no Paquistão.

O Brasil, ressaltou o presidente, tinha na laranja o seu produto estratégico para negociação da dívida externa. Hoje, disse, a laranja não vale nada no Brasil, porque a Cargill, que é inclusive quem controla o mercado de laranja no Brasil, está na disputa da dominação do 3º mundo e prossegue dizendo que esta empresa está plantando laranja no Paquistão porque lá interessa muito mais a eles.

Aqui, com a organização dos trabalhadores, o avanço cultural do povo, o Brasil, disse o presidente, está próximo da condição de mercado consumidor.

Na compreensão do presidente, as multinacionais exploram os países do 3º mundo não só na matéria-prima ou na agricultura, mas também na indústria automobilística para ser consumido pelos países do Norte: Estados Unidos e Europa, disse ainda, que o ambiente de discussão não deve ser apenas a Região Cacaueira, o Estado da Bahia, ou o Brasil.

No entender do presidente, a questão estrutural deve ser discutida, de maneira que não haja ausência de planejamento e desenvolvimento social no sentido de se encontrar uma saída para a crise e para essa cultura tradicional colonialista.

A concentração da terra, segundo o presidente da AFC, foi proveniente da intervenção do Estado através da CEPLAC, instituição esta, sustentáculo das estatais. Hoje, 10,92% dos estabelecimentos na área rural, detêm 70,48% da área da região. Disse ainda, que estes proprietários é que se beneficiaram com o crédito agrícola.

Agora, no entender do presidente, estes setores que se beneficiaram, são os mesmos que querem o fim das estatais, devido ao importante papel destas na viabilização do desenvolvimento regional pleno.

Estas, disse o líder sindical, são propostas que devemos discutir a todo o momento com a sociedade, finalizou.