Inicialmente o Deputado colocou que o despertar da consciência
para os problemas regionais do Estado da Bahia se faz presente em todas as esferas.
Contatos com sindicalistas, principalmente da área portuária tem demonstrado este
aspecto.
O deputado fez um breve relato dos diversos contatos que tem mantido
com a região do cacau desde os anos 60, e lamentou que os investimentos no sentido da diversificação
econômica regional, um problema que os planejadores e técnicos já colocaram a muito
tempo, encontram sérias resistências aqui na região devido a mentalidade,
principalmente do produtor, pois achavam que o cacau dava para tudo.
Disse que as receitas tributáveis advindas do cacau já chegaram a
representar cerca de 50% da arrecadação do Estado da Bahia e que hoje essa situação
está completamente mudada, devido a implantação do Polo Petroquímico de Camaçari
e irá mudar ainda mais com a implantação das indústrias de celulose na Bahia,
afirmando que possivelmente somente elas, representarão no futuro breve uma economia mais
forte do que o próprio cacau.
Lamentou, portanto, que a visão do planejamento ainda não se
sedimentou completamente aqui na região, dizendo ser necessário uma autocrítica
pela falta de visão das questões regional, afirmando que para isso é preciso uma consciência
de que não houve uma participação desejada de toda região em relação aos seus
objetivos e que muitas vezes as coisas que foram para aqui encaminhadas partiram de
forças externas à própria região.
Disse que não é possível uma região como esta, que detém potencialidades
excepcionais para a produção, continue sendo importadora líquida de alimentos.
No dizer do deputado, é uma região que convive com a opulência e a fama dentro das
próprias fazendas.
Disse que as relações capital/trabalho estão muito deformadas,
como também estão deformadas as instituições da região, que, no entanto, têm
que ser defendidas e corrigidas para desempenharem os papéis que lhes cabem.
Disse ser a Vassoura de Bruxa o indicativo de que as
instituições falharam, malgrado o capital investido e a existência do corpo técnico
que esteve presente nas mesmas.
Disse que a questão da tecnologia agrícola não foi enfrentada
satisfatoriamente, principalmente a nível da CEPLAC.
Disse que as instituições tiveram a marca dos políticos que nem
sempre souberam cumprir com o seu papel. Disse ainda que a essa altura não cabe mais
apontar quem errou, mas que a partir de agora esses erros já não podem mais serem
cometidos.
Disse que somente através da união de todos seríamos capazes
de redesenhar o papel das instituições e estabelecer claramente os seus
objetivos.
Nesse sentido, o deputado chamou a atenção para a FESPI,
afirmando que ela possui um papel fundamental e indispensável na região, endossando o
que disse o prof. Josaphat Marinho.
Disse ainda que o problema educacional não afeta somente a
região do cacau mas a toda Bahia e a todo Brasil, que é preciso ter uma posição clara
com relação a este aspecto, como uma prioridade e que nisso está implícito decisões
políticas.
Disse o deputado compartilhar com outras afirmações aqui feitas, de
que nós mesmos temos as soluções e que ela está na conscientização de todos
os segmentos da sociedade, compreendendo os sindicatos e seu processo de mobilização, do
povo em praça pública discutindo as soluções, enfim de todos.
Quanto ao Porto de Ilhéus, o deputado afirmou ser um equipamento
supernecessário e vital para o desenvolvimento do setor de serviços na região e que o
Porto interessa não somente a Ilhéus mas a toda a Região Cacaueira.
Quanto a soluções, afirmou o deputado, a diversificação
agrícola é fundamental, como também é fundamental, um programa para o setor de turismo,
passam por uma expansão das áreas de serviços, onde a própria presença de duas
emissoras de TV, além do próprio Porto indicam de que o caminho está aberto e que ele
precisa ser ampliado e consolidado.
Lembrou o deputado que o Governador Antonio Carlos Magalhães,
mesmo antes de ser eleito já entendia que o desenvolvimento da Bahia passa
prioritariamente pela dinamização da economia cacaueira por apresentar
potencialidades insuperáveis do ponto de vista regional em todo o Estado da Bahia,
afirmando que se esta região falhar não há saída para a Bahia, afirmando assim que a
Região Cacaueira representa a alavanca do desenvolvimento do Estado.
A política de desenvolvimento regional existe em todo o mundo, citando
o exemplo da China Continental, que teve a oportunidade de visitar, onde a prioridade para
os problemas regionais é posto em primeiro plano.
Reafirmou que o processo de alavancagem do desenvolvimento baiano passa
prioritariamente pelo desenvolvimento regional. Indagou o seguinte: se o desenvolvimento
da região metropolitana falhar, do oeste baiano falhar e da região cacaueira falhar,
estará também decretando a falência da economia do estado da Bahia.
Disse que as soluções virão a partir dos debates formados por pensamentos
pluralistas, como é o caso do presente Seminário, que se dispõe a debater questões
tão importantes, através de correntes de pensamentos as mais diversas.
Disse que os objetivos da região cacaueira transcendem as questões de
qualquer interesse político individual de quem quer que seja, conclamando todos para a
união de esforços.