Inicialmente, o senador agradeceu a todos e disse que veio mais para
ouvir e informar-se.
Disse que a frente da mesa estava uma indicação e uma pergunta:
"A crise da Região Cacaueira. Qual a saída?"
No entender do senador, a saída não estaria na sua opinião, nem na
opinião do Presidente da República, nem no pensamento do Governador, nem na sugestão de
ninguém isoladamente.
A solução está no resultado que decorrer do confronto de idéias,
dos debates que deverão ser travados neste Seminário e em outros foros.
Segundo o senador, problemas complexos como o da Região Cacaueira, que
são de ordem econômica, de ordem financeira e de ordem social, não podem ter solução
no pensamento isolado. Passou a fase, disse o senador, do individualismo detestável.
Este, disse, é o momento de encontrar soluções no pensamento conjunto, na
socialização de idéias. Será pelo confronto de opiniões que poderemos encontrar
soluções para os problemas da Região Cacaueira, que são múltiplos.
Começa, disse o senador, pela questão da diversificação,
prossegue pela solução do problema do Porto, desdobra-se no que diz respeito a agro-indústria
do cacau, e diz respeito muito das desigualdades sociais da região.
Nenhuma solução isolada bastará, no dizer do senador, para dar
tranqüilidade a região do cacau. Esses problemas estão entre si ligados, conjugados.
Sem dúvida, disse o senador, a prioridade é a diversificação da lavoura. Disse
que tudo que vem sofrendo a região, decorre da monocultura, não importa indagar
quais os responsáveis, se os cacauicultores ou os governos, pois a essa altura o povo
não está preocupado com o que ocorreu e sim preocupado com a solução adequada para
superar as dificuldades econômicas vividas.
Disse o senador que não tinha nenhuma solução mágica, esta se
encontra no debate, que a princípio poderia indicar para o caminho da diversificação.
Neste sentido, temos que encontrar os produtos que devem ser objetos da
diversificação. Encontrar tipos de produção que ajudariam a superar as
restrições do cacau. Será o desenvolvimento da pecuária de leite? Ou de outros
produtos? As respostas devem existir entre os que aqui trabalham, que investem seus
capitais. O que parece fora de dúvida é que não há como perseverar na monocultura
do cacau, disse o senador.
Pois o cacau, disse o senador, trata-se de uma cultura cujos resultados
não dependem dos que nela trabalham, nem mesmo da atividade do Governo Estadual ou do
Governo Federal. Há incidência de fatores externos que influem grandemente, sobretudo no
preço que é o sustentáculo do desenvolvimento da lavoura, quanto aos resultados
obtidos. Já agora, há problemas de doenças que atingem a cultura do cacau. Disse, o
senador, não bastar apelar para a CEPLAC ou para o ICB, a experiência
demonstra que a atividade de ambos por si só não resolve o problema.
O que importa, portanto, disse, é encontrar na diversificação
uma saída. Como também no fortalecimento do Porto de Ilhéus. Este, disse, por
falta de visão administrativa e política encontra-se enfraquecido. Pois o Porto é o
principal ponto de escoamento da produção, hoje do cacau, amanhã das outras diferentes
culturas que aqui se desenvolverem.
Enfatizou o Porto como um instrumento regional do
desenvolvimento e dos municípios vinculados a região que podem escoar diversos
produtos como a soja, o café, etc. Disse que o Porto não era somente um ponto de
escoamento da produção, mas uma base de espectro de trabalho, uma ampla esfera de
aplicação da força humana. Por isso, disse o senador, o Porto é um ponto da questão
social, sobretudo na cidade de Ilhéus.
Mas, disse o Senador, Ilhéus não é o Porto, nem é tão só a
produção do cacau ou a produção diversificada, Ilhéus é, ao lado de um centro
econômico, um centro cultural. Há, portanto, que ver a solução dos problemas
educacionais da região, que não é só a universidade, mas também o ensino
elementar. Disse que nenhum desenvolvimento é legítimo sem a redução das
desigualdades sociais, pois na sociedade existem aqueles que tudo podem e aqueles que
nada podem, ou podem apenas sofrer. Essa situação precisa alterar-se, porque ela
interessa à toda a sociedade, pois, sem a redução das desigualdades sociais, a começar
pela desigualdade da instrução, não há paz social.
Precisamos, disse o senador, não nos enganarmos, supondo que as
soluções estão na elite ou no Governo para manter a paz social.
Um grande escritor, orientador do Partido Trabalhista na
Inglaterra (Harold Laski), disse, depois da 2ª grande guerra e com muita verdade ainda
hoje, que as formas políticas só são válidas quando os homens sentem que têm em comum
os grandes fins da vida, mas, disse o senador, os homens não sentem que têm em comum os
grandes fins da vida se uns são poderosos e privilegiados e outros são apenas
sofredores.
É evidente, disse, que do ensino elementar ao ensino
técnico-profissional e ao ensino universitário, os problemas de uma região como
esta se desdobram.
Se aqui se instituiu uma universidade, o que cumpre a esta
altura, disse, não é nos dividirmos quanto à solução, mas nos unirmos para encontrar
a solução mais adequada para manutenção e a perpetuidade desta instituição.
O que importa é que a universidade regional se mantenha, cresça,
desenvolva-se e se aperfeiçoe, transformando-se num grande centro cultural da Bahia.
Ao lado desses problemas, disse o senador, que pareceu serem os
essenciais, cumpre ver tudo mais que resultou da própria diversidade sócio-econômica
dos municípios da região. Se em grande parte toda ela é produtora de cacau, entre os
municípios há peculiaridades que precisam ser consideradas, para que da discussão
conjunta das questões se encontrem os caminhos mais próprios, mais racionais para a
garantia do desenvolvimento conjunto. É, disse o senador, indispensável que convenhamos
em que não basta pensar em Ilhéus ou Itabuna que são os dois grandes centros da
região, cumpre notar que está havendo ao longo do Extremo Sul, situações que se
desenvolvem com peculiaridades visíveis, como em Teixeira de Freitas e municípios dele
circunvizinhos. Nestes municípios, já há uma produção de café, de mamão, de melão
e de outros produtos que não constituíram preocupação para a economia de Ilhéus ou
Itabuna. São municípios, no entanto, que compõem o grande cenário do Sul da Bahia.
O que cumpre, portanto, é ver as bases fundamentais da cultura do
cacau e ao mesmo tempo a diversificação sobretudo em municípios como ao que
acabo de me referir, para que se assegure o desenvolvimento ordenado e equilibrado de toda
a região.
Será através do equilíbrio em toda a região que se poderá garantir
o que se chama propriamente de desenvolvimento socio-econômico da região. Não haverá,
disse o senador, desenvolvimento duradouro se ele se limitar a Ilhéus ou a Itabuna.
Ou, se crescer o desenvolvimento de Teixeira de Freitas ou de outros
municípios daquela região, o que importa é um tratamento planejado, mediante o qual se
assegure o desenvolvimento de toda a região. Se nós formos capazes de planejar o
desenvolvimento de toda a região, estaremos estabelecendo, nos diferentes
municípios, o equilíbrio indispensável a garantir a continuidade do progresso.
É, disse, ao que me parece, fixando em rápidas palavras, dispondo-me,
na medida do que me for possível, a dar os esclarecimentos que essa nobre assistência
considerar necessário, finalizou o senador.