Senador Josaphat Marinho

 

Inicialmente, o senador agradeceu a todos e disse que veio mais para ouvir e informar-se.

Disse que a frente da mesa estava uma indicação e uma pergunta:

"A crise da Região Cacaueira. Qual a saída?"

No entender do senador, a saída não estaria na sua opinião, nem na opinião do Presidente da República, nem no pensamento do Governador, nem na sugestão de ninguém isoladamente.

A solução está no resultado que decorrer do confronto de idéias, dos debates que deverão ser travados neste Seminário e em outros foros.

Segundo o senador, problemas complexos como o da Região Cacaueira, que são de ordem econômica, de ordem financeira e de ordem social, não podem ter solução no pensamento isolado. Passou a fase, disse o senador, do individualismo detestável. Este, disse, é o momento de encontrar soluções no pensamento conjunto, na socialização de idéias. Será pelo confronto de opiniões que poderemos encontrar soluções para os problemas da Região Cacaueira, que são múltiplos.

Começa, disse o senador, pela questão da diversificação, prossegue pela solução do problema do Porto, desdobra-se no que diz respeito a agro-indústria do cacau, e diz respeito muito das desigualdades sociais da região.

Nenhuma solução isolada bastará, no dizer do senador, para dar tranqüilidade a região do cacau. Esses problemas estão entre si ligados, conjugados. Sem dúvida, disse o senador, a prioridade é a diversificação da lavoura. Disse que tudo que vem sofrendo a região, decorre da monocultura, não importa indagar quais os responsáveis, se os cacauicultores ou os governos, pois a essa altura o povo não está preocupado com o que ocorreu e sim preocupado com a solução adequada para superar as dificuldades econômicas vividas.

Disse o senador que não tinha nenhuma solução mágica, esta se encontra no debate, que a princípio poderia indicar para o caminho da diversificação.

Neste sentido, temos que encontrar os produtos que devem ser objetos da diversificação. Encontrar tipos de produção que ajudariam a superar as restrições do cacau. Será o desenvolvimento da pecuária de leite? Ou de outros produtos? As respostas devem existir entre os que aqui trabalham, que investem seus capitais. O que parece fora de dúvida é que não há como perseverar na monocultura do cacau, disse o senador.

Pois o cacau, disse o senador, trata-se de uma cultura cujos resultados não dependem dos que nela trabalham, nem mesmo da atividade do Governo Estadual ou do Governo Federal. Há incidência de fatores externos que influem grandemente, sobretudo no preço que é o sustentáculo do desenvolvimento da lavoura, quanto aos resultados obtidos. Já agora, há problemas de doenças que atingem a cultura do cacau. Disse, o senador, não bastar apelar para a CEPLAC ou para o ICB, a experiência demonstra que a atividade de ambos por si só não resolve o problema.

O que importa, portanto, disse, é encontrar na diversificação uma saída. Como também no fortalecimento do Porto de Ilhéus. Este, disse, por falta de visão administrativa e política encontra-se enfraquecido. Pois o Porto é o principal ponto de escoamento da produção, hoje do cacau, amanhã das outras diferentes culturas que aqui se desenvolverem.

Enfatizou o Porto como um instrumento regional do desenvolvimento e dos municípios vinculados a região que podem escoar diversos produtos como a soja, o café, etc. Disse que o Porto não era somente um ponto de escoamento da produção, mas uma base de espectro de trabalho, uma ampla esfera de aplicação da força humana. Por isso, disse o senador, o Porto é um ponto da questão social, sobretudo na cidade de Ilhéus.

Mas, disse o Senador, Ilhéus não é o Porto, nem é tão só a produção do cacau ou a produção diversificada, Ilhéus é, ao lado de um centro econômico, um centro cultural. Há, portanto, que ver a solução dos problemas educacionais da região, que não é só a universidade, mas também o ensino elementar. Disse que nenhum desenvolvimento é legítimo sem a redução das desigualdades sociais, pois na sociedade existem aqueles que tudo podem e aqueles que nada podem, ou podem apenas sofrer. Essa situação precisa alterar-se, porque ela interessa à toda a sociedade, pois, sem a redução das desigualdades sociais, a começar pela desigualdade da instrução, não há paz social.

Precisamos, disse o senador, não nos enganarmos, supondo que as soluções estão na elite ou no Governo para manter a paz social.

Um grande escritor, orientador do Partido Trabalhista na Inglaterra (Harold Laski), disse, depois da 2ª grande guerra e com muita verdade ainda hoje, que as formas políticas só são válidas quando os homens sentem que têm em comum os grandes fins da vida, mas, disse o senador, os homens não sentem que têm em comum os grandes fins da vida se uns são poderosos e privilegiados e outros são apenas sofredores.

É evidente, disse, que do ensino elementar ao ensino técnico-profissional e ao ensino universitário, os problemas de uma região como esta se desdobram.

Se aqui se instituiu uma universidade, o que cumpre a esta altura, disse, não é nos dividirmos quanto à solução, mas nos unirmos para encontrar a solução mais adequada para manutenção e a perpetuidade desta instituição.

 

O que importa é que a universidade regional se mantenha, cresça, desenvolva-se e se aperfeiçoe, transformando-se num grande centro cultural da Bahia.

Ao lado desses problemas, disse o senador, que pareceu serem os essenciais, cumpre ver tudo mais que resultou da própria diversidade sócio-econômica dos municípios da região. Se em grande parte toda ela é produtora de cacau, entre os municípios há peculiaridades que precisam ser consideradas, para que da discussão conjunta das questões se encontrem os caminhos mais próprios, mais racionais para a garantia do desenvolvimento conjunto. É, disse o senador, indispensável que convenhamos em que não basta pensar em Ilhéus ou Itabuna que são os dois grandes centros da região, cumpre notar que está havendo ao longo do Extremo Sul, situações que se desenvolvem com peculiaridades visíveis, como em Teixeira de Freitas e municípios dele circunvizinhos. Nestes municípios, já há uma produção de café, de mamão, de melão e de outros produtos que não constituíram preocupação para a economia de Ilhéus ou Itabuna. São municípios, no entanto, que compõem o grande cenário do Sul da Bahia.

O que cumpre, portanto, é ver as bases fundamentais da cultura do cacau e ao mesmo tempo a diversificação sobretudo em municípios como ao que acabo de me referir, para que se assegure o desenvolvimento ordenado e equilibrado de toda a região.

Será através do equilíbrio em toda a região que se poderá garantir o que se chama propriamente de desenvolvimento socio-econômico da região. Não haverá, disse o senador, desenvolvimento duradouro se ele se limitar a Ilhéus ou a Itabuna.

Ou, se crescer o desenvolvimento de Teixeira de Freitas ou de outros municípios daquela região, o que importa é um tratamento planejado, mediante o qual se assegure o desenvolvimento de toda a região. Se nós formos capazes de planejar o desenvolvimento de toda a região, estaremos estabelecendo, nos diferentes municípios, o equilíbrio indispensável a garantir a continuidade do progresso.

É, disse, ao que me parece, fixando em rápidas palavras, dispondo-me, na medida do que me for possível, a dar os esclarecimentos que essa nobre assistência considerar necessário, finalizou o senador.