A Sucessão em Municípios do Sul da Bahia*

A DISTÂNCIA ENTRE AS INTENÇÕES DE VOTO E OS VOTOS

No intuito de tentar explicitar a realidade das pesquisas, com sua força, mas também com sua fraqueza, serão apresentados os resultados das últimas pesquisas realizadas pela Sócio Estatística na última campanha eleitoral e o confronto desses resultados com o quadro apresentado pelas urnas, segundo dados do TRE.

Com exceção de Itabuna, em que os resultados da Sócio Estatística foram apresentados pela Rádio Morena FM, às 17 horas do dia da eleição, os demais não foram tornados públicos antes da apuração.

Em municípios em que uma candidatura se apresentava com expressiva vantagem sobre as demais e outras informações estratégicas apontavam para uma solidez da mesma, não serão feitas maiores considerações, porque parecem desnecessárias. Este é o caso de Beto de Ruy, em Itaju do Colônia; Edson Neves, em Ubatã; Vera, em Barra do Rocha; Luís Elias, em Una; Hudson, em Itapé; Salvador, em Potiraguá; Luís Borel, em Lomanto Jr.; Deudi, em Guaratinga; Armando Uzeda, em Ubaitaba*; Setúbal, em Itacaré; Castilho, em Arataca; e mesmo Anísio Loureiro, em Camacan, para ficarmos nos casos mais próximos a Ilhéus e Itabuna.

O valor de uma pesquisa está na sua sensibilidade, na sua capacidade de antecipar situações ou cenários, detectando o movimento, as oscilações da opinião do eleitorado. Nesse sentido, a disputa em alguns municípios foi dramática, noutros muito tranqüila do ponto de vista da escolha do eleitor. Cada município tem uma pequena história e frações dessa estará a seguir, na ótica da pesquisa.

 

1. Em Itabuna, como já foi assinalado, apontamos um tríplice empate com sinalização para vitória de Geraldo. O caso de Itabuna revela de forma contundente o caráter provisório das pesquisas numa realidade dinâmica. Elas refletem um momento de um processo em movimento e esse movimento pode se dar num ritmo de grande rapidez. Por exemplo: a taxa de crescimento da candidatura de Geraldo, na semana da eleição, era de 6,7% ao dia e deve ter se acelerado do momento da pesquisa ao momento do voto, dois dias depois. E todos os demais tinham taxas negativas, ou seja, estavam perdendo votos e, possivelmente, no caso de Ubaldo, por exemplo, essa perda deve ter se acelerado. Tanto é que Ubaldo aparece muito bem exatamente em Ferradas, a parte mais afastada da periferia e relativamente isolada, ou seja, onde a "onda" Geraldo não teve tempo de chegar com toda a sua força. Portanto, esse caso explicita a provisoriedade de toda pesquisa num quadro não estabilizado de intenções de votos.

Em função disso, não se pode esperar milagres de uma pesquisa. Contudo, ela precisa ter sensibilidade suficiente para captar, pelo menos embrionariamente, os processos em curso. Nisso reside grande parte do mérito, da relevância, de uma pesquisa.

2. Ibicaraí: nesse município, houve um período em que o "quase candidato" Henrique Oliveira emergia como o favorito. Saindo esse nome da disputa, Lauro Assunção apareceu como o nome melhor colocado. Com a entrada de Baby e o início da campanha, o quadro reverteu-se, tendo Baby ganho a primeira posição, enquanto que Lauro Assunção caiu muito e Astor, que aparecia bem como segundo nome, encostou em Lauro, sinalizando para uma arrancada, que acabou não acontecendo. A um mês da eleição, os três estavam praticamente empatados, havendo cerca de 2% de diferença entre os três. Por fim, a uma semana da eleição, em pesquisa realizada entre 26 e 28, com a maioria das entrevistas realizadas dia 27, domingo, Lauro distanciou-se, ficando Baby em segundo e Astor em terceiro, embora esses dois últimos estivessem tecnicamente empatados. A candidatura Aliomar nunca reuniu chances pelo fato de ter sido apoiada pelo prefeito e este possuir imagem negativa.

O caso Ibicaraí ilustra a trajetória de uma candidatura que alcançou precocemente a primeira posição e, no curso do processo, perdeu terreno, parecendo que iria se desagregar. Contudo, na reta de chegada, com inteligência e estratégia, conseguiu reverter tendência desfavorável. Isto foi o que, por exemplo, Jabes tentou e não conseguiu em Ilhéus. Esse caso se aproxima muito do de Uruçuca, com a diferença de que, nesse último município, o quadro foi muito dramático.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Ibicaraí. 19-21/09/92. 405 eleitores. Erro 5%

Candidatos

Resultados Sócio Estatística

Resultados
das urnas

Diferença
percentual

Lauro

26,7

31,9

5,2

Baby

20,5

25,4

4,9

Astor

20,0

20,5

0,5

Aliomar

8,6

8,6

0,0

 

3. Em Ilhéus, assistiu-se a um dos embates que prometia ser muito acirrado, mas que acabou não sendo. A Sócio Estatística, acompanhou também em Ilhéus todo processo desde o início de 1991. Em maio de 1992, Jabes Ribeiro, que até então aparecia como imbatível, dava primeiros sinais de fragilidade. Em final de julho estava tecnicamente empatado com Antonio Olímpio que, ainda em final de agosto, estava com 12 pontos percentuais na frente de Jabes, mantendo-os, com pequenas oscilações, até o final. Jabes, para tentar reverter o quadro, apostou tudo no processo de impedimento do presidente Collor. Foram realizadas duas pesquisas na reta de chegada, na semana da eleição, uma antes do processo de impedimento do ex-presidente Collor, segunda e terça-feira, e outra depois, quinta-feira. Por incrível que pareça, Jabes diminuiu em alguns pontos a diferença que o separava de Antonio Olímpio no momento que antecedeu o processo de impedimento; no momento seguinte, essa distância voltou a aumentar, pelo menos na área urbana, onde a última pesquisa encontrou 31% para Jabes e 40% para Antonio Olímpio. As urnas ampliaram essa diferença. No caso de Ilhéus, o "não" ao continuísmo político-administrativo sobrepujou, em força, qualquer outro fator. Possivelmente, o mérito maior de Antonio Olímpio foi possuir as credenciais para captar esse sentimento, que a "esquerda" ilheense não soube detectar e capitalizar.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Ilhéus. Três pesquisas nas últimas cinco semanas (27-30/08 e erro de 4%; 28-29/09 e erro de 4%; 1º/10/92 e erro de 5%*).

Candidatos Resultados Sócio Estatística
27-30/08    28-29/09     01/10

Resultados
das urnas

Diferença
percentual

Antonio Olímpio 40,4  39,8 40,4

45,1

4,7

Jabes Ribeiro 28,0  32,4 32,0

32,0

0,6

Ruy carvalho 5,9 7,9 8,7

8,2

0,5

Essa última pesquisa não amostrou o interior.

 

4. Camacan: num primeiro momento, a disputa prometia dar-se entre o deputado estadual Roland Lavigne e Luís Castro. Luís Castro, em função de doença, desistiu, vindo a falecer meses depois. A partir disto, o deputado Roland passou a ter cerca de 40% das intenções de voto e aparecia como o franco favorito. Com a desistência de Roland e seu apoio ao ex-prefeito Anísio Loureiro, esse último passou a deter mais de 30% das intenções; com cerca da metade disso, em segundo lugar, apareciam tecnicamente empatados Dr. Rubem e Antonio Maia. Há pouco mais de uma semana da eleição, Antonio Maia e Dr. Rubem cresceram, mas sem tempo para comprometer a liderança de Anísio.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Camacan. 24-26/09/92. 508 eleitores. Erro 5%

Candidatos

Resultados Sócio Estatística

Resultados
Das urnas

Diferença
Percentual

Anísio Loureiro

33,9

34,5

0,6

Dr. Rubem

22,4

27,1

4,7

Fernando Muniz

1,6

1,7

0,1

Roberto Brindes

0,8

1,7

0,9

 

5. Itapetinga: Michel Hage sempre foi o grande favorito. Contudo, na reta de chegada, José Otávio, um candidato também respeitado pelo eleitorado, encurtou a distância, mas sem comprometer a liderança de Michel. Aqui, foi a vitória do carisma, de uma história de serviços e de seriedade contra a promessa José Otávio.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Itapetinga. 26-27/09/92. 24-26/09/92. 458 eleitores. Erro 5%

Candidatos

Resultados Sócio Estatística

Resultados
Das urnas

Diferença
percentual

Michel Hage

48,0

47,2

-0,8

José Otávio

40,4

39,6

0,8

José Ferreira

0,9

1,2

0,3

Gil Macedo

0,0

0,2

0,2

 

6. Uruçuca: nesse município, em pesquisas realizadas antes de setembro, incluindo uma no final de agosto, Dilson Argolo sempre despontou como favorito. Contudo, em pesquisa realizada no final de semana imediatamente anterior à eleição, Dilson estava numa situação de empate técnico, mas em terceiro lugar. Tinha crescido muito na rejeição e, em outras variáveis estratégicas, sinalizava para processo de fragilização. (A propósito, esse quadro se assemelhava muito com o de Buerarema, mas com final diferente). Essa pesquisa mapeou pontos de maior vulnerabilidade. Decidiu-se fazer nova pesquisa dias depois para avaliar trabalho executado nesses pontos. Nessa última, realizada a dois dias da eleição, manteve-se a igualdade matemática entre Dilson (Dica), Latão e Moacir, mas já com ligeira vantagem para Dica. Dilson venceu por 73 votos e ficou a menos de 200 votos do terceiro. Em Uruçuca, a garra e a obstinação na reta final fizeram de Dilson um grande vencedor, revertendo tendência desfavorável, resultante da associação de seu nome ao prefeito em exercício, com imagem negativa, e à sua condição de comerciante, contraposta com a inauguração de uma loja da Cesta do Povo que, por muito pouco, não mudou a história da eleição nesse município.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Uruçuca. Três pesquisas nas últimas cinco semanas (29/08; 26-27/09;30/09; erro amostral de 5%.

Candidatos Resultados Sócio Estatística
29/08          26-27/09          30/09

Resultados
das urnas

Diferença
percentual

Dilson Argolo 36,1  20,4 23,6

24,7

1,1

Moacir 17,8  27,4 22,0

24,2

2,2

Latão 12,6  22,2 23,2

23,3

0,1

Dé carapiá 4,0 3,1 3,0

6,2

3,2

Paulo Baracho 3,8 0,6  ---

0,8

0,8

 

7. Buerarema: em pesquisa realizada a oito dias da eleição, Brunelli levava pequena vantagem sobre Paulo Cézar. Bigode ficava cerca de 5 pontos percentuais atrás de Paulo Cézar e 6 atrás de Brunelli, ou seja, já havia uma situação de empate técnico. Contudo, sua trajetória era ascendente, uma vez que passou de cerca de 11% para 23% em menos de um mês. A surpresa Bigode, nesse sentido, não o foi para a pesquisa. Observa-se, ainda, que Paulo Cézar aumentou muito na taxa de rejeição e num bairro extenso, o Santa Helena, praticamente sumiu enquanto candidato, sinalizando para uma debilitação de sua candidatura.

 

8. Canavieiras: Otoniel, o candidato do prefeito Almir Melo, na área urbana, ultrapassou Boaventura, logrando expressiva distância. Boaventura só teria chances se ganhasse na área rural numa proporção de dois votos contra um, ou seja, aproximadamente a vantagem que Otoniel tinha sobre ele na área urbana. Venceu Otoniel, mas por pequena margem.

9. Itajuípe: Gilka sempre teve vantagem sobre a Dra. Maria. Contudo, as intenções de voto em Gilka, durante o ano de 1992, oscilaram entre 39% e 44%. Dra. Maria, até há um mês da eleição, oscilou entre 23 e 27%. Há um mês cresceu para 33%; e, a uma semana, para 36%. Contudo, os indecisos somavam 21,9%. Só um grande esforço poderia vencer Gilka. Mino, em todas as pesquisas realizadas, foi um dos poucos prefeitos que, tendo uma administração avaliada positivamente, não conseguiu fazer o sucessor e foi o único onde isto ocorreu sem cisão de seu grupo. A força da imagem de Gilka a fez vencedora.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Itajuípe. 24-27/09/92. 465 eleitores. Erro 5%

Candidatos

Resultados Sócio Estatística

Resultados
Das urnas

Diferença
Percentual

Gilka

41,5

46,7

5,2

Dra. Maria

35,9

43,0

4,1

 

10. Jussari: situação de grande equilíbrio entre os dois primos, o ex-prefeito Valdenor e o então vice, Jorge Cordeiro. Pesquisa feita a cerca de duas semanas da eleição apontou diferença de apenas um voto entre os dois. Quem fizesse o melhor trabalho na reta de chegada seria o vencedor. Josiselem, também originário do grupo do atual prefeito, a rigor, tirou de Jorge votos que este precisava. O atual prefeito, que tinha imagem positiva, não conseguiu fazer seu sucessor, talvez por não ter logrado a união do grupo. Contudo, o ex-prefeito Valdenor fez valer a força de seu nome. Jussari foi o único lugar em que uma pesquisa da Sócio Estatística apontou, por uma intenção de voto, um nome, tendo esse ficado em segundo. A amostra foi constituída por cerca de 300 casos, com um erro amostral da ordem de 6%, tendo a pesquisa de campo sido realizada a duas semanas da eleição. Mesmo assim, pesquisa com rurais foi prejudicada pela presença ostensiva próximo ao entrevistador de cabos eleitorais de um dos candidatos apoiados pelo prefeito em exercício e contra o hoje prefeito Valdenor Cordeiro, que, nesse pesquisa, ficou em segundo.

 

11. Ipiaú: em todas as pesquisas, Ubirajara tinha dianteira sobre Zé Mota. Mesmo com o apoio de ACM na reta de chegada, o quadro continuou pendendo para Ubirajara. O quadro era estável, sendo esse praticamente o mesmo existente a pouco mais de um mês dessa pesquisa.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Ipiaú. 19-20/09/92. 433 eleitores. Erro 5%

Candidatos

Resultados Sócio Estatística

Resultados
Das urnas

Diferença
Percentual

Ubirajara

43,6

46,9

3,3

Zé Mota

35,3

35,4

0,1

Ubiratã

3,2

3,2

0,0

Rogério

1,4

0,8

-0,6

* Nessa pesquisa não foi amostrado povoado de Córrego de Pedras, reduto eleitoral de Ubirajara.

 

12. Em Pau-Brasil, a pouco menos de um mês da eleição, pesquisa apontava equilíbrio entre Acácio Chaves e Durval Santana.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Pau-Brasil. 5-6/09/92. 401 eleitores. Erro 5%

Candidatos

Resultados Sócio Estatística

Resultados
Das urnas

Diferença
Percentual

Acácio Chaves

34,9

42,9

8,0

Durval Santana

31,4

36,2

4,8

Edna

10,7

8,0

-2,7

 

13. Santa Luzia: O candadato Quezinho, ex-prefeito desse município, sempre foi apontado como favorito. Contudo, Agnaldo foi crescendo ao longo da campanha. Na reta de chegada, encostou nessa eleição conturbada, já que acabou vencendo a filha de Quezinho, surgida na undécima hora da campanha. (Em Santo Amaro, no Recôncavo, Pimenta tentou a mesma coisa, mas acabou dando João Mello, único nome capaz de vencer Pimenta, segundo pesquisa realizada a pouco mais de um mês da eleição.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Santa Luzia. 19-20/09/92. 404 eleitores. Erro 5%

Candidatos

Resultados Sócio Estatística

Resultados
Das urnas

Diferença
Percentual

Quezinho

30,7

31,0

0,3

Aguinaldo

24,5

30,3

5,8

Nilson

16,8

14,6

-2,2

Derisvaldo Ramos

0,0

1,7

1,7

 

14. Macarani: A duas semanas da eleição, Nogueira tinha grande frente. Menor, contudo, que a registrada a cerca de um mês antes. A distância, no dia da eleição, diminuiu expressivamente. De cerca de 21 para 7 pontos percentuais.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Macarani. 19-20/09. 400 eleitores. Erro 5%

Candidatos

Resultados Sócio Estatística

Resultados
Das urnas

Diferença
Percentual

Nogueira

48,0

47,2

-4,3

Bughi-Bughi

32,5

41,8

9,3

 

15. Em Arataca, no início de 1992, Castilho mal aparecia nas pesquisas. Na reta de chegada, logrou grande distância sobre os demais, fruto da humildade e de um trabalho silencioso, mais a aglutinação de apoios e de alianças políticas.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Arataca 12-13/09/92. 390 eleitores. Erro 5%

Candidatos

Resultados Sócio Estatística

Resultados
Das urnas

Diferença
Percentual

Castilho

35,1

38,3

3,1

Edna Bacho

16,4

17,8

1,4

Marinaldo

10,8

16,8

6,0

Albuquerque

7,9

12,2

4,3

 

16. Ubaitaba: aqui, a diferença foi relativamente grande. O erro, contudo, foi no mesmo sentido. Obvimente, há que se considerar que a pesquisa foi realizada a cerca de um mês e meio da eleição. O prefeito em exercício apoiou Beda. A diferença a favor do ex-prefeito Armando Uzeda caiu, nesse período, de 21 para 16 pontos percentuais.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Ubaitaba. 21/08/92. 368 eleitores. Erro 5%

Candidatos

Resultados Sócio Estatística

Resultados
Das urnas

Diferença
percentual

Uzeda

44,8

51,5

6,7

Beda

23,4

35,4

12,0

 

17. Eunápolis: nesse município, no início de 1992, Arnaldo Guerrieri era o franco favorito. Dapé vinha em segundo. Na reta de chegada, o candidato apoiado pelo prefeito em exercício, Feruqui, logrou expressivo crescimento, vindo Neto Guerrieri, filho de Arnaldo, em segundo.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Eunápolis. 23/09/92. 349 eleitores. Erro 6%

Candidatos

Resultados Sócio Estatística

Resultados
Das urnas

Diferença
percentual

Feruqui

20,6

23,1

2,5

Neto Guerrieri

17,2

18,7

1,5

Querubino

16,3

17,8

1,5

Paulo Dapé

12,9

17,4

4,5

Profª Iracy

4,3

3,2

-1,1

 

18. Em Itarantim, pesquisa apontava equilíbrio entre Cícero e Ricardo, com ligeira vantagem para Cícero.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Itarantim. 11-12/09/92. 324 eleitores. Erro 6%

Candidatos

Resultados Sócio Estatística

Resultados
Das urnas

Diferença
percentual

Cicero Alencar

43,8

46,8

3,0

Ricardo

36,8

43,7

6,9

França

0,6

0,5

-0,1

 

19. Em Itabela, apesar de a pesquisa ter sido realizada a cerca de três semanas da eleição, logrou-se captar relativamente bem o quadro.

Eleição para prefeito em 1992. Município de Itabela. 16/09/99. 364 eleitores. Erro 5%

Candidatos

Resultados Sócio Estatística

Resultados
Das urnas

Diferença
percentual

Deraldo

40,7

39,5

-1,2

Ismael

31,9

34,8

2,9

Izidoro Gonçalves

0,0

2,8

2,8

Bernardino Carmo

0,0

1,7

1,7

Maria Lúcia C. Santos

0,0

1,1

1,1

Evidentemente, pesquisas distanciadas no tempo correm grande risco de terem seus resultados corroídos pela evolução das campanhas, a menos que o quadro seja estável. No entanto, uma boa pesquisa deve sinalizar também para a natureza dos quadros políticos, se estáveis ou dinâmicos. A esses exemplos da região mais próxima de Ilhéus e Itabuna, poderíamos registrar desempenhos da pesquisa em outros municípios, como Vitória da Conquista, Juazeiro, em vários municípios do Recôncavo, e em outras regiões do Estado da Bahia. Em praticamente todos, a mesma realidade: a pesquisa revelou-se uma importante ferramenta, possibilitando com relativa precisão, uma antecipação dos resultados das urnas. E, em quase todos, o peso do nome e da pessoa do candidato, com sua história e seus serviços prestados à comunidade, contrastando com a pouca expressividade dos partidos.

Parece importante ressaltar, por fim, que em pequenos municípios, há fatores de difícil captação, como migração de votos de municípios vizinhos e o eleitor da zona rural, quase nunca amostrado. Esses fatores, mais o tempo que separa essas pesquisas da eleição ajudam, acrescidos do erro amostral, para que se compreenda as limitações a que toda pesquisa está sujeita. Apesar de milagres não serem possíveis, a pesquisa começa a ser também valorizada e respeitada em pequenos municípios, ampliando o mercado das empresas que atuam nesse setor de atividades.

*Texto extraído do livro Política & Pesquisas; a sucessão municipal no Sul da Bahia. Edição do Autor (Agenor Gasparetto), Itabuna, Bahia, 1993.