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O Processo Sucessório em outros Municípios
A retrospectiva a seguir tem a pretensão de resumir
descritivamente, fazer um registro, do que foi o processo eleitoral em pequenos
municípios do Sul da Bahia e em outras regiões desse estado, quando os mesmos contêm
elementos que apontam para especificidades relevantes. Trata-se mais de um registro
descritivo que propriamente de uma análise aprofundada, já que essa implicaria um
conhecimento mais localizado das disputas e dos contextos, nem sempre perceptível e ao
alcance, à distância, de pesquisas pontuais, às vezes, únicas.
Arataca
Em Arataca, na última semana antes da
eleição, havia uma situação de empate técnico entre os dois principais candidatos.
Qualquer resultado seria possível. Venceu, no entanto, Zé Baio. Esse candidato, nesse
processo eleitoral, sempre se manteve na casa dos 30%, com pequenas oscilações.
Albérico, apesar do apoio da atual administração, com uma avaliação tendendo ao
regular, apresentava muita dificuldade em se afirmar. Fred Gedeon tentou se afirmar, mas
acabou, na reta final, sendo tragado pela força da polarização e da lógica do voto
útil que a acompanha. Norma Castro não logrou expressividade eleitoral desde o
início da campanha. Zé Baio, mesmo sem recursos, apesar de prognósticos de que não se
sustentaria, foi se mantendo e se afirmando num dos pólos da disputa e, na hora da
decisão, teve forças para superar-se, vencendo à candidatura apoiada pela atual
administração. Para esse desfecho, seguramente pesou o a dificuldade do candidato
apoiado em capitalizar o que tinha a administração municipal de avaliação positiva.
Floresta Azul
Em Floresta Azul, em pesquisa realizada dia 15
de setembro de 1996, Fidelcino conseguiu a proeza de igualar a disputa, mesmo tendo o
apoio do atual prefeito, com forte tendência de avaliação negativa: 41,2% contra 40,9%
do ex-prefeito Raimundo, que sempre esteve na dianteira e viu o crescimento da candidatura
oponente. Nesse município, impressionou o desempenho de Fidelcino, dado o contexto
amplamente desfavorável, pelo apoio da gestão em curso, avaliada muito mal, com o
funcionalismo quase um ano de salários atrasados. Apesar de Fidelcino ter obtido
desempenho superior ao de Raimundo em Coquinhos, na área rural e na Saloméia, não foi
capaz de neutralizar a frente de Raimundo na área urbana, tendo o este sido eleito pela
terceira vez nesse pequeno município a Oeste de Itabuna, próximo a Ibicaraí. Observa-se
que o desempenho de Fidelcino, que chegou a acirrar a disputa, foi obtido por méritos que
independeram do então prefeito. Para ser mais preciso, é possível se afirmar que as
chances de Fidelcino seriam maiores se seu nome não estivesse ligado ao do então
prefeito.
Eunápolis
Em Eunápolis, há pouco menos de um mês da eleição,
o ex-prefeito Gediel, apoiado pela administração em curso, ainda lograva pequena frente
de três pontos sobre Paulo Dapé. Na semana da eleição, o quadro estava revertido,
estando Paulo Dapé com um ponto de frente. Ramos vinha em terceiro e em crescimento.
Dapé venceu por pequena margem Gediel e por uma margem um pouco maior, Ramos, que teve
bom desempenho. Observa-se que as intenções de voto em Dapé e em Gediel eram em áreas
específicas, predominando Dapé nas áreas mais ricas e centrais e Gediel, em bairros
pobres. O fato da administração em curso não ter avaliação positiva deve,
seguramente, ter facilitado a capitalização de Dapé, vitorioso, e do próprio Ramos
contra as pretensões de Gediel de voltar à prefeitura.
Potiraguá
Em Potiraguá, há uma semana da eleição, nas áreas
urbanas, o ex-prefeito Edivaldo Cardoso, há quase 20 anos no poder ou muito próximo
dele, ainda estava na frente. Contudo, no momento decisivo, foi derrotado por João de
Biquini, o Vaqueiro, como popularmente era conhecido. Foi, sem dúvida, um resultado que
surpreendeu, ainda que plausível, tendo os fatos dos últimos dias decidido, seguramente,
a sorte dessa eleição nesse pequeno município.
Itororó
Em Itororó, há pouco mais de seis meses da
eleição, Marco Brito liderava. No entanto, à medida em que o processo da campanha
eleitoral avançava, Marco Brito foi perdendo espaÁos e a liderança. No final do
processo, a diferença a favor do ex-prefeito Edineu Oliveira ampliou-se, saindo-se
vencedor. A administração em curso tendia ao regular. A vitória de Edineu Oliveira deve
ser atribuída sobretudo a méritos do próprio.
Una
Em Una, Sul de Ilhéus, o candidato Djair, que
tinha perdido disputa na eleição anterior, sempre liderou as pesquisas para a sucessão
de Luís Elias, cuja administração poderia ser definida como regular. Seu principal e
único adversário com reais chances nesta disputa era o ex-prefeito Manoel Dentista, cuja
administração, na gestão que antecedeu a de Luís Elias, foi então avaliada
negativamente. Isto ajuda a explicar seu insucesso nesta disputa, apesar de muitos
prefeitos no Estado da Bahia terem voltado a dirigir os destinos do município. Djair era
a promessa. Não estava desgastado.
Uruçuca
Em Uruçuca, as últimas eleições se caracterizaram
por disputas muito acirradas. Na última eleição também não foi diferente. O médico e
ex-prefeito Antonio Manoel liderou até as últimas semanas que antecederam a eleição.
Disputavam o apoio do prefeito, cuja avaliação tendia ao positivo, Jota e Volney, tendo
o último logrado se afirmar como o candidato do partido e que passou a ter o apoio do
prefeito Dilson Argolo. Essa disputa interna resultou na cisão do grupo. Jota afastou-se
dele politicamente e passou a apoiar Antonio Manoel. Moacir Leite, que acabou se elegendo,
constituía-se num terceiro pólo desta disputa. Lembra-se que na eleição anterior, a
que elegeu Dilson Argolo, Moacir era candidato e perdeu por cerca de 70 votos.
Apesar de indicadores de pesquisa apontarem uma pequena vantagem em
favor de Volney, era esperada uma forte disputa. Os fatores que explicam essa reversão do
quadro talvez possam ser atribuídos a dois fatos de difícil mensuração, mas que
parecem plausíveis, já que a vitória de Moacir significou reversão de uma tendência
que era de crescimento da candidatura Volney. O primeiro fato, apontado por alguns e
minimizado por outros, mas que parece plausível, foi a adesão de eleitores da
candidatura Antonio Manoel, praticamente sem chances reais, a Moacir na véspera da
eleição. O outro fato teriam sido boatos, que teriam se propagado pela cidade, que é
pequena, também na véspera da eleição, prejudicando candidato do prefeito.
Seguramente, a cisão do grupo exerceu influência negativa, desgastando, desmobizando e
dividindo forças aliadas, favorecendo adversários. Uruçuca é um dos casos em que uma
administração com tendência de avaliação positiva, em que possivelmente o prefeito
seria reeleito se isso fosse possível, não logrou fazer sucessor.
Itamaraju
Em Itamaraju, Frei Dilson, ligado ao Movimento dos Sem Terra, do
Partido dos Trabalhadores, elegeu-se, vencendo Pedro da Campineira. Esse último, com
exceção da última pesquisa, há cerca de 15 dias da eleição, sempre esteve atrás nas
pesquisas, embora com pequena diferença. Pedro da Campineira, aos poucos, foi se
afirmando como o nome mais forte dentro de seu grupo. O seu Calcanhar de Aquiles era a
administração municipal, com avaliação fortemente negativa. Apesar do apoio do
Governo do Estado, o fator local, como seria lógico se esperar, exerceu maior
influência, neutralizando, em grande parte, esse apoio. Itamaraju apresentava um quadro
instável em que a reversão era possível, prevendo-se uma disputa acirrada. Isto,
sobretudo, porque se tratava de um contexto de polarização. No momento da decisão,
seguramente, o desgaste da administração em exercício neutralizou os esforços de Pedro
da Campineira, que pagou, por assim dizer, o seu preço, perdendo a eleição para Frei
Dilson. As candidaturas Vivaldo Góes e Ivan Favarato não conseguiram se afirmar.
Santa Cruz da Vitória
Em Santa Cruz da Vitória, pequeno município a Oeste de
Itabuna, Chico Olavo elegeu-se, vencendo Saulo Nunes. Teve como principal cabo eleitoral a
administração em curso, avaliada negativamente, estando essa associada a seu
adversário.
Santa Luzia
Em Santa Luzia, depois de várias disputas perdidas,
Aguinaldo elegeu-se prefeito desse município situado ao Sul de Itabuna. A fragmentação
do eleitorado em várias candidaturas contribuiu para esse resultado. Também contribuiu a
histórica oposição de Aguinaldo a Quezinho, principal nome da política de Santa Luzia,
desgastado pela administração de sua filha, avaliada negativamente, contribuindo para
que Aguinaldo capitalisasse sentimento de insatisfação existente. As possibilidades da
candidatura Otávio, apoiada por Quezinho e administração, eram limitadas em razão do
desempenho da prefeita. A candidatura de Ismar não logrou se sustentar, perdendo terreno
ao longo do processo.
Itanhém
Em Itanhém, Extremo-Sul do Estado, divisa com Minas
Gerais, Oséias chegou a ter frente ampla sobre Manoel Batista. Contudo, nas últimas
semanas, investimentos fizeram a candidatura Manoel Batista crescer. No entanto, essa
tentativa de reação foi neutralizada pela candidatura Oséias, que saiu da posição
cômoda de que tudo estava já decidido e passou a trabalhar mais intensivamente, mantendo
frente, vencendo eleição.
Itapetinga
Em Itapetinga, apesar do carisma de Michel,
principal personagem da história política recente desse município, e apesar de sua
gestão, avaliada positivamente, José Otávio, que perdeu a eleição anterior para o
próprio Michel, sagrou-se prefeito.
A candidatura apoiada por Michel Hage não foi capaz de capitalizar o
seu prestígio. A propósito, Rômulo Coelho teve muita dificuldade para decolar e,
efetivamente, não conquistou o coração do cidadão de Itapetinga. José Otavio,
candidato que perdeu para o próprio Michel Hage quatro anos antes, embora fosse
considerado um bom nome já naquela oportunidade, nas pesquisas realizadas, sempre ocupou
patamar percentual superior a 40%. É possível que nesse município tenha pesado um certo
cansaço com relação a Michel Hage e sua administração, ainda que essa possuísse
tendência a uma avaliação positiva. O eleitor ansiava por empregos, acenados em
quantidade pela oposição local, apoiada pelo Governo do Estado, e fora do alcance de
Michel e seu apoiado.
Camacan
Em Camacan, Sul de Itabuna, município fortemente
afetado pela crise provocada pela doença Vassoura de Bruxa e pelo longo período de
preços baixos do cacau no mercado, Jacson não conseguiu demover o eleitor de votar em
Débora, mesmo tendo o apoio do Governo do Estado. Débora foi ungida à condição de
candidata em razão de seu marido, Dr. Rubens, ter perdido legenda numa manobra política,
não tendo podido, em razão disso, se lançar candidato. Débora capitalizou sentimento
de injustiça contra o impedimento da candidatura Dr. Rubens, franco favorito nessas
eleições, mas impedido de participar do processo. Observa-se, ainda, que a
administração em curso estava desgastada e Jacson não conseguiu se livrar desse
desgaste.
Ibicaraí
Em Ibicaraí, a Oeste de Itabuna, somente a união
de todos os candidatos seria capaz de derrotar o ex-prefeito Henrique Oliveira. Apesar de
muitos, cinco, todos se uniram contra as pretensões de Henrique e, por alguns poucos
votos de diferença, Astor, candidato derrotado na eleição anterior por Lauro Assunção
(que a exemplo de seu antecessor, Lula Sampaio, não fez boa administração), venceu.
Esse foi um dos casos em que um prefeito com administração avaliada negativamente
conseguiu eleger seu sucessor, ainda que esse tivesse luz própria e tenha logrado unir ou
merecer a simpatia de todos os demais candidatos no momento em que ficou claro que ou
todos se uniriam ou o prefeito teria sido Henrique Oliveira. Nesse caso, Henrique Oliveira
deixou escapar entre os dedos esta vitória e, seguramente, no próprio dia da eleição.
Coaraci
Em Coaraci, pequeno município a Noroeste de
Itabuna, o ex-prefeito Joaquim Torquato voltou, com muita naturalidade, pela quarta vez ao
cargo de prefeito. Homem humilde, honrado, com imagem positiva, não teve dificuldade em
derrotar Carlos Fernandes, apoiado pelo Governo Estadual e pelo prefeito em curso por
sinal, avaliado negativamente e Marcos Pinto.
Canavieiras
Em Canavieiras a disputa prometia ser e foi
muito acirrada. Esse município, situado ao Sul de Ilhéus, na orla, votou pela volta do
ex-prefeito Almir Melo, contra as pretensões do retorno do também ex-prefeito
Boaventura, Boinha. Como na eleição anterior, em que o prefeito agora eleito fez
sucessor, Boinha voltou a perder por pequeníssima margem, tendo contestado a vitória de
seu oponente. Nesta eleição, Medradinho, apoiado pelo prefeito, ficou em terceiro. Os
outros candidatos não lograram expressividade eleitoral: Jambeiro e Carlitinho.
Camamu
Em Camamu, o prefeito Américo, graças ao seu
carisma pessoal, mesmo sua administração possuindo tendência de avaliação negativa,
conseguiu eleger Marcelo de Jura, contra as pretensões de Zezé e Pedro Aguiar. O
candidato de Américo reverteu o quadro ao longo da campanha, logrando expressiva vantagem
sobre Zezé, principal opositor, no final do processo de disputa.
Buerarema
Em Buerarema, município vizinho de Itabuna, a
disputa foi muito acirrada entre o ex-prefeito Ernandi contra o jovem Orlando Filho.
Bigode, que tinha disputado a eleição anterior e a perdeu para Brunelli, prefeito, ficou
em terceiro. O então prefeito tinha uma avaliação muito negativa, não ajudando, em
razão disso, o candidato apoiado, Bigode. Zé Luís não logrou expressividade eleitoral
nesta disputa. Em Buerarema, há cerca de duas semanas da eleição, Orlando Filho
reverteu tendência favorável a Ernandi. Bastou um fato novo, uma denúncia, para essa
reviravolta. Mesmo assim, no momento da decisão, Ernandi conseguiu sair-se vitorioso, mas
por margem muito pequena.
Itajuípe
Em ItajuÌpe, município vizinho de Itabuna, o
ex-prefeito Mino voltou à prefeitura, contra as pretensões de Gilka Badaró, prefeita,
fazer seu sucessor. Gilka, apesar do apoio do Governo Estadual, não conseguiu fazer uma
boa administração. Foi uma vitória bastante tranquila de Mino. Observa-se que na
gestão anterior, quando prefeito, Mino fez uma administração com avaliação tendendo
ao positivo, embora não tenha logrado fazer, em 1992, seu sucessor. Na época, esse fato
podia ser explicado pela imagem positiva da então candidata e já ex-prefeita Gilka e
pela incapacidade do nome apoiado em capitalizar o desempenho daquela administração. Os
últimos prefeitos de Itajuípe, pela sequência, foram: Gilka, Mino apoiado por Gilka,
Gilka contra candidato apoiado por Mino e, agora, Mino contra candidato apoiado por Gilka.
Ubaitaba
Em Ubaitaba, Beda reagiu no final da campanha. A
disputa foi acirrada, mas Zito saiu-se vitorioso, com o apoio e o prestígio pessoal do
prefeito Armando Uzeda e sua administração, essa com imagem tendendo ao regular.
Porto Seguro
Em Porto Seguro, Ubaldino venceu o
ex-prefeito de Belmonte, município litorâneo, por pequena margem de votos. Apesar de
Ubaldino ser de tradicional família de políticos, tendo seu pai já sido prefeito desse
município, o principal fator explicativo da derrota de Jânio Natal, candidato apoiado
pelo prefeito João Carlos e pelo Governo do Estado, deve ser creditado a uma divisão
interna do grupo governista, em que aparecia melhor nesse grupo Janio Natal. Aqui, o
processo lembra Itabuna em que a prov·vel vitÛria de Fernando, além dos méritos dessa
candidatura, deveu-se à diviso de grupos com perfil semelhante.
Jussari
Em Jussari, último distrito itabunense a
se emancipar, em meados da década de 80, em pesquisa realizada no início de maio, Jorge
Cordeiro liderava com 30% das intenções de voto, seguido de Nilson com 26%. Marechal e
Walnio, que disputavam o apoio do atual prefeito, tinham 16% cada um. Naquela
oportunidade, alertava-se que a disputa eleitoral nesse município seria acirrada. Isto
porque a atual administração tinha avaliação positiva, 57% contra menos de 10% de
avaliação negativa, sendo que o atual prefeito, Valdenor Cordeiro, seria reeleito caso a
reeleiço fosse possível. Em fins de setembro, Walnio Muniz liderava com 32,2%
contra 28,6% de Jorge Cordeiro e Nilson Soares com 16,3%. As urnas confirmaram a vitória
de Walnio.
Ipiaú
Em Ipiaú, ZÈ Mota e Miguel Coutinho
realizaram campanha muito disputada, em que as posições se inverteram mais de uma vez.
Coutinho chegou a liderar, um mês depois o quadro se equilibrou e Zé Mota inverteu a
situação. Há poucas semanas da eleição, Coutinho recuperou terreno e tornou a ter
vantagem. Contudo, as intenções de voto estavam concentradas em áreas específicas da
cidade, bairros mais pobres, facilitando o trabalho de Zé Mota e do prefeito Ubirajara,
Bira, que conseguiram ainda reverter quadro. A administração desse prefeito possuía
avaliação tendendo ao regular, tendo melhorado seu desempenho, no entanto, nos meses que
precederam a eleição.
Guaratinga
Em Guaratinga, município do Extremo-Sul
da Bahia, Neo do Táxi, num contingente de oito candidatos, após período de grande
indefinição, em que todas as candidaturas possuíam baixos índices de intenção de
voto, logrou vantagem sobre as demais candidaturas, com 28%. Ediran vinha em segundo, com
20%, e Jesus Moura e Jorge Castro, na casa dos 13%, estavam empatados em terceiro. As
urnas confirmaram a vitória de Neo do Táxi. A administração tinha avaliação tendendo
ao negativo e apoiou Ediran, tendo Neo do Táxi se beneficiado dessa circunstância.
Paramirim
Em Paramirim, ao Sudoeste da Chapada Diamantina,
o prefeito Gilberto, com administração com forte tendência de avaliação positiva,
não teve dificuldade em fazer seu sucessor.
Macaúbas
Macaúbas, município próximo de Paramirim,
elegeu o ex-prefeito Sebastião, Tião. O prefeito da cidade, de grupo adversário de
Tião, tinha avaliação com tendência ao negativo. O fato mais relevante desse
município refere-se, contudo, à influência da comunicação, no caso, uma rádio. Nesse
pequeno município, de gente humilde, ordeira, de vida simples, o grupo de Tião, em
fevereiro de 1996, inaugurou uma estação radiofônica, que passou a ser a única, tendo
praticamente o monopólio da audiência local. Por razões desconhecidas, o opositor de
Tião, Dr. Carlinhos, em momento algum usou a rádio, nem mesmo durante o período do
horário de propaganda gratuita. No entanto, as intenções de voto nessa comunidade, em
que todos conhecem todos, praticamente se mantiveram estáveis antes, durante e depois da
inauguração da rádio e do horário de propaganda eleitoral gratuita. Os que votavam
numa e noutra candidatura se mantiveram fiéis durante todo o período, relativizando a
influência desse meio de comunicação, neste contexto e nesta disputa. Isto sugere que
quando uma comunidade dispõe de conhecimentos suficientes para avaliar, são minimamente
afetadas pelo poder dos meios de comunicação. Esse fato, todavia, teria menores
probabilidades de acontecer em comunidades maiores e de estrutura social e econômica mais
complexas. O relevante aqui é reter que o problema não está no meio de comunicação,
mas na insuficiência de conhecimentos. Onde essa condição é satisfeita, o poder dos
meios de comunicação se reduz muito. Infere-se disso que um meio de comunicação
somente consegue exercer uma influência efetiva nos contextos em que os eleitores não
têm acesso à informação ou onde esse é insuficiente. Em contextos com informação
democratizada ou em que todos conhecem relativamente bem a todos, o poder de um meio de
comunicação influir é restrito.
Ubatã
Em Ubatã, município situado ao Norte de
Itabuna, Almenísio, Miu, praticamente sem recursos financeiros, alicerçado em seu
carisma, numa campanha corpo a corpo, venceu, voltando à prefeitura. Derrotou o candidato
do então prefeito Edson Neves, cuja administração tinha uma avaliação tendendo ao
negativo. O então prefeito, apoiado pelo Governo Estadual, tinha a sua disposição duas
estações de rádio, de sua propriedade, as únicas no município, que também utilizara
nas campanhas anteriores, para prefeito e para deputado estadual. Com a polarização da
disputa, Padre Cristo, candidatura com boa expressividade eleitoral, não conseguiu se
manter, tendo perdido terreno no final da campanha. As demais candidaturas não tinham
expressividade eleitoral. Em Ubatã travou-se uma disputa em que os meios eram muito
desiguais: de um lado, o prefeito e seu candidato de última hora tirado do colete, a
máquina administrativa, as rádios, shows com cantores famosos, tendo ao fundo a promessa
de obras do Governo estadual; de outro, Miu, fazendo de uma lata tambor, a pé pelas ruas
da cidade, comandando passeatas, fazendo discursos inflamados, seduzindo o eleitor,
particularmente o mais pobre, num município em que quase todos podem ser enquadrados
nessa grande categoria. Após a eleição, Miu se aproximou do Governo Estadual, em busca
de recursos para realizações.
Vitória da Conquista
Em Vitória da Conquista, o então prefeito
Pedral Sampaio, com avaliação tendendo fortemente ao negativo, apesar de ter contado com
o apoio do Governo Estadual, a exemplo de Antonio Olímpio em Ilhéus, não resistiu ao
rolo compressor da candidatura Guilherme, do Partido dos Trabalhadores, sofrendo uma
fragorosa derrota.
Senhor do Bonfim
Em Senhor do Bonfim, sertão Noroeste da Bahia,
o ex-prefeito Cândido Martins voltou à prefeitura. A renúncia do então prefeito (tido
como uma boa pessoa, mas administrador com avaliação negativa), meses antes do início
da campanha, criou um contexto de maior favorabilidade para Cândido Maritns, candidato
apoiado pelo Governo Estadual, graças ao resgate da imagem da administração
oportunizada pela mudança de prefeito. Contudo, a vitória de Cândido Martins, contra as
pretensões de Carlos Brasileiro, do Partido dos Trabalhadores, deve ser creditada
sobretudo ao carisma do próprio candidato. Registra-se, ainda, que Cândido Martins por
pouco não capitaliza contra si o suicídio do prefeito que assinou sua renúncia, sem se
dar conta do que estava assinando.
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