UM POUCO DA HISTÓRIA  DOS MUNICÍPIOS  

 

Ibicaraí

 

            Ibicaraí teve origem num pequeno roçado pertencente a Calixto Primo, em terras de Itabuna. Em 1916, Manoel Marques Primo adquiriu o roçado pela importância de Cr$ 400,00 e para lá se transferiu com seus parentes, estabelecendo-se à margem esquerda do Rio Salgado, onde começou a plantar as primeiras sementes de cacau, sendo o introdutor desta cultura no município.
           
“À partir de 1917 começaram a chegar para esta região outras famílias,  formando um povoado ao qual deram o nome de Palestra, em razão das cotidianas reuniões que faziam no barracão central, em torno de negócios e conversa que seriam como passatempo.
           
“Em 1920 por sugestão do Dr. Aurélio Caldas, um dos que mais colaboraram para o desenvolvimento do lugar, foi o seu nome substituído por Palestina, até 31 de dezembro de 1941, quando o decreto de Lei estadual 141, mudava definitivamente o nome para Ibicaraí, expressão Tupi que significa “terra sagrada”.
           
“De acordo com a Lei Estadual n.º 491, de 22 de outubro de 1952, o território de Ibicaraí foi desmembrado de Itabuna e elevado a categoria de município, instalando-se em 7 de abril de 1955.”

 (Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)


Ipiaú

             “Região habitada inicialmente pelos índios Tapuias, somente pelos ido de 1913 surgiram os primeiros desbravadores, tendo como pioneiro Raimundo dos Santos, conhecido por Raimundo “Crente”. O primeiro nome foi Rapa-Tição, devido – segundo alguns – a uma briga entre duas mulheres, que se serviam de uma lenha em brasas como arma. Segundo outros, tal nome era uma corruptela de Repartição, palavra estranha para o linguajar naqueles tempos. Tal repartição era um posto para arrecadação de tributos fiscais instalado em 1916, em Rio Novo, pela intendência de Camamu.
           
“A 1º de agosto de 1916, passou à categoria de Distrito, com o nome de Alfredo Martins e pertencente ao município de Camamu. Em 1930, foi elevado a subprefeitura, com o nome de Rio Novo, nome que conservou até 30 de dezembro de 1943, quando passou a se chamar Ipiaú – “rio novo” em Tupi. O Decreto  Lei n.º 512, de junho de 1945, criava a comarca de Ipiaú, tendo como seu primeiro juiz de Direito o Dr. Milton Costa, que chegou à cidade em 17 de janeiro de 1946. Em 1965, ganhou o titulo de Município Modelo da Bahia.
           
“O primeiro subprefeito foi Sr. Waldomiro Almeida Santos, quando Ipiaú ainda estava vinculado a Camamu. Quando subordinado a Jequié, teve como subprefeito o Sr. Osório Cordeiro, o Sr. Antônio Augusto Sá, foi o primeiro prefeito nomeado, mas o primeiro prefeito eleito pelo povo com o voto direto foi Sr. Leonel Dias de Andrade”. 

 (Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)

 

Canavieiras

             “A colonização do território de Canavieiras data da primeira década  de 1.700.
           
“Segundo a tradição, brasileiros e portugueses, à procura de terras férteis para a expansão de sua lavouras ou, segundo outra versão, fugindo dos índios Pataxós, fixaram-se num local denominado Poxim, onde erigiram uma capela sob a invocação de São Boaventura.
           
“O pequeno núcleo foi se ampliando, tanto que em 11 de abril de 1719 era elevado a categoria de Freguesia.
           
“Com o decorrer do tempo, uma vez que o local atual da sede, à margem do Rio Pardo, apresentava melhores condições, os moradores para lá se deslocaram. A fertilidade das terras ensejou o cultivo da cana-de-açúcar, que alcançou grande desenvolvimento, principalmente nas propriedades da família Vieira, a primeira que deixou Poxim pela ilha.
           
“Foi devido a esse fato, acredita-se, que a localidade passou a ser conhecida pela denominação de Canavieiras, nome que conserva até hoje.
           
“De acordo com uma versão até hoje aceita pacificamente, o cultivo do cacaueiro no Sul da Bahia ter-se-ia teria se originado de algumas sementes que para ali foram levadas, em 1746, pelo agricultor Antônio Dias Ribeiro, procedentes do Pará. Dessa primitiva produção, na margem esquerda do Rio Pardo, em terras da Fazenda Cubículo, restam apenas recordações de que ali foi plantado o primeiro cacaueiro da Bahia.
           
Colônia do Rio Salsa – Em 1818, houve uma tentativa de colonização estrangeira no rio Salsa, com a denominação de “Colonização do Rio Salsa”, sendo que Dom Francisco de Assis Mascarenhas se empenhava por promover a navegação desse rio, estabelecendo ali povoação em quase toda a sua extensão. Contudo essa tentativa não logrou êxito durante muito tempo, posto que já em 1826 haviam desaparecido quase todos os colonos estrangeiros, restando apenas a tropa que constituía o destacamento “São Francisco de Palma”.
           
Villa Imperiallis -  A partir de 1830, Canavieiras se empenhava no sentido de ser elevada a categoria de vila, junto às autoridades em Ilhéus e capital da província , posto que sua população chegava a quase três mil pessoas. E foi a 13 de dezembro de 1832, que o povoado passou à categoria de vila – Imperial Vila de Canavieiras, instalada à 17 de novembro do ano seguinte.
           
“Em 1833 foi organizado o seu batalhão da Guarda Nacional, sendo nomeado comandante o Capitão Manoel Cardoso Marques. Nesse mesmo ano Canavieiras sofreu as conseqüências de uma cheia do Rio Pardo, que ficou lembrada por muitos anos.
           
“Em 1842 a Vila  de Canavieiras foi desmembrada da Comarca de Ilhéus e anexada à de Porto Seguro.
           
“A 20 de maio de 1873, por resolução Provincial n.º 1311, foi criada a Comarca de Canavieiras, que abrangia inicialmente os termos de Canavieiras e Belmonte, havendo sido instalada a 8 de novembro de 1874.
           
“Antes, porém, foram termo da Comarca de Ilhéus e da de Porto Seguro. Suprimida pelo decreto n.º 266, de 4 de outubro de 1904, que no seu território criou a de Belmonte, foi logo restaurada com a vigência da Lei Estadual n.º 595, em 25 de julho de 1905.
           
“Nessa época foram desanexados de Ilhéus os municípios de Una e Comandatuba, que passaram a pertencer a Comarca de Canavieiras, o que ficou sendo de 1880, quando novamente voltaram a pertencer à Comarca de Ilhéus.
           
“Por ato Estadual de 25 de maio de 1891, a sede adquiriu foros de cidade. A partir daí houve um grande impulso no desenvolvimento sócio-cultural que marcou a velha ilha dos Pataxós nos últimos dias do século XIX e primeiros do século XX, o que lhe valeu o cognome “Princesa do Sul”.
           
“Segundo as crônicas, dentre as figuras de que Canavieiras deve os mais relevantes serviços, destaca-se Dr. Antônio Salustiano Viana, que foi nomeado primeiro Intendente Municipal, a 10 de fevereiro de 1890.
           
“João de Mello foi o primeiro prefeito de Canavieiras. Tomou posse em final de novembro de 1930 e permaneceu no cargo até a decretação do Estado. A 15 de janeiro de 1936 foi reeleito, voltando a administração Municipal até 1937.
          
“Segundo a divisão administrativa vigente, o Município é  composto de 4 distritos, que são: Distrito sede, Ouricana, Jacarandá e Poxim do Sul.”

 (Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)

 

Itabuna

                     “O desbravamento do município de Itabuna teve início em meados do século passado, quando o sergipano Félix Severino do Amor Divino, desembarcou em Ilhéus. Procedendo da região da Chapada dos Índios (Sergipe), encontro Manoel Constantino, que lhe informou conhecer um local próximo a um aldeamento de índios em Ferradas, que eram catequizados pelo Frade Capuchinho Ludovico de Livorne.
        
“Posteriormente, ambos partiram até um aglomerado de casas no Banco da Vitória, de onde resolveram seguir rio acima até o local indicado, distante cerca de 30 quilômetros. Atingiram o local denominado “Marimbeta”, hoje Bairro Conceição, onde construíram um casebre e fizeram plantações de mandioca”.

(Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)

 

Ubatã

                     “O povoamento do atual município de Ubatã teve início no ano de 1909, quando Severiano José Costa, Antonio Rebouças, João Teles, Manoel Eloi e Vicente Ferreira, se estabeleceram à margem do Rio de Contas e fundaram a povoação de Dois Irmãos, que ficou pertencendo ao Distrito de Orijó, do município de Camamu. Em 1918 o arraial foi elevado a Distrito de Paz, integrando o município de  Camamu. Em 1932 passou a integrar o município de Maraú, sendo mudada a sua denominação para São Sebastião. No ano seguinte, voltou ao domínio de Camamu.
          
“Em 1933, por força do Decreto Estadual nº 8.729, de 12 de dezembro do mesmo ano, foi desmembrado do município de Camamu, passando a pertencer ao município de Rio Novo, com a denominação de  Dois Irmãos.
          
“Pelo Decreto nº 141, de 31 de dezembro de 1943, ratificado pelo Decreto de nº 12.878 de 1º de julho de 1944, o distrito de Dois Irmãos, depois de chamar-se Alfredo Martins, passou a denominar-se Ubatã, que na língua Tupi-Guarani significa “ Madeira Rija”. 
          
“Em 1952, por força da Lei Estadual nº 514, de 12 de dezembro, foi criado o município de Ubatã e elevado à categoria de cidade, ocorrendo a sua instalação a 7 de abril de 1955. A partir de 1967 foi elevado à categoria de Comarca”.

 (Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)