UM POUCO DA HISTÓRIA  DOS MUNICÍPIOS

 

Camacã

 

            “Em1892 um grupo de agricultores, residentes à margem do Rio Pardo , fez uma viajem de reconhecimento até às nascentes do Rio Panelão. Esta excursão foi comandada por Antônio Elias Ribeiro e Manoel Elias Ribeiro, que fizeram o plantio dos primeiros cacauais na região.
           
“As enchentes do Rio Pardo, em 1895 e em1905, destruindo grande parte das lavouras às suas margens, provocaram uma emigração dos agricultores locais. Muitos se fixaram no vale do Panelão, onde podiam desenvolver o planto de cacau sem o perigo das enchentes.
           
“A grande cheia do Rio Pardo, em 1914, expulsando mais gente para o vale do Panelão, fez surgir os primeiros núcleos de povoação da atual cidade de Camacã. Este nome vem de seus primitivos habitantes, os índios Camacãs.
           
“Entre as figuras que tiveram atuação destacada na fixação e no desenvolvimento de Camacã estão Anízio Loureiro, José Barbosa, João Manoel, Eulino Vasconcelos, Urbano Soares, Jonga Veloso, João Barreto, Miguel Domingues, José Francisco, Os Guimarães e muitos outros.
          
“A primeira estrada de penetração ao vele do rio Pardo foi aberta em 1932 por iniciativa de Dr. João Vargens. Mais tarde, em 1946 essa estrada se estendeu desde a região do Vargito até a cidade de Itabuna, Ligando Camacã e toda aquela área ao centro das lavoura cacaueira.
           
“Em 30 de dezembro de 1953, através da Lei n.º 628, Camacã foi elevada a categoria de Distrito. Posteriormente, em 30 de agosto de 1961, Camacã passou a Município, através da Lei n.º 1.465, publicada no Diário Oficial de 1º de setembro de 1961. Contudo, a sua instalação só veio a ocorrer em 7 de abril de 1963, sendo Boaventura Ribeiro Moura o seu primeiro administrador. O seu sucessor, Anízio Vivas Mendes, nomeado interventor pelo Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, governou até setembro de 1966.
         
“Eleito em 15 de novembro de 1966, Estácio Carlos Araújo assumiu o Executivo Municipal em 1967. Em maio de 1970, assume o cargo de administrador Osvaldo Antônio Valverde, na época Presidente da Câmara.
           
“Em 2 de junho do mesmo ano, Diogo Lopes dos Anjos, assume a prefeitura de Camacã até dezembro de 1970. Seu sucessor, Flaviano de Jesus Filho governou no período 71/72. O padre Auxêncio da Costa Alves foi eleito e empossado a 1º de fevereiro de 1973”.

 (Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)


Buerarema

          Buerarema é uma cidade da microrregião cacaueira, resultantes as prolongadas secas nordestinas, que motivaram um êxodo populacional intenso, notadamente de sergipanos. Por outro lado, fatores climáticos favoráveis, aliados a extensas áreas devolutas e de grande fertilidade, constituíram-se num grande atrativo, capas de fixa-los na nova região, bastante carente do elemento humano.
        
“Seu desbravamento teve início nos idos de 1910, quando Antônio Batista de Oliveira formou um núcleo agrícola nas vizinhanças das fazendas de Ubaldo Ramos, José Amaro e Antônio Aurelino Macedo, no local de hoje denominado fazenda Conceição, de Ulisses Dórea, à margem da BR-101, próximo ao trevo rodoviário.
           
“Seu nome primitivo – Macuco – se deve a uma ave muito abundante na região e nas margens do ribeirão do mesmo nome, que banha a parte sul da cidade, onde os caçadores responsáveis pelo seu extermínio, se empenhavam em animadas caçadas.
           
“Às margens do rio Macuco foram construídos os primeiros casebres, onde se instalavam as famílias de Antônio Batista de Oliveira, Camilo Diógenes, Plínio Feliciano da Rocha, além dos comerciantes João Aurelino e José Duarte.
           
“O crescimento daquele núcleo não foi nada fácil devido principalmente à falta de estradas, grande fator de desenvolvimento e integração, e à ausência total de assistência, no campo da saúde. Somente em 1913 pôde Macuco contar com uma farmácia, a “Farmácia Cabral”, onde seu proprietário fazia o papel de médico-farmacêutico. Em 1922, pôde contar com a sua primeira via de comunicação – a estrada Pontal-Macuco – e, logo a seguir, com o primeiro administrador, José Cardoso, e o primeiro religioso, Monsenhor Moisés.
           
 “Depois de viver longo período como distrito de Itabuna, foi desmembrado e elevado a categoria de cidade em 17 de setembro de 1959, através da lei n.º 1.170.
            
  “Em 1962, teve seu primeiro prefeito eleito pelo povo, Paulo Portela, empossado no dia 7 de abril de 1963.”

  (Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)  

 

 

Guaratinga

          Guaratinga está ligada intimamente aos primórdios do Brasil. A região onde se situa o município pertencia à Capitania de Porto Seguro, criada pela Carta Régia de 27 de maio de 1534, marco inicial da nossa história.
           
“A cidade teve origem da área da fazenda de propriedade da Sra. Maria da Conceição, que deixou no testamento a doação do terreno para Nossa Senhora da Conceição, onde deveria ser fundado um arraial. Com a sua morte o terreno passou a ser ocupado pelos primeiros moradores, que iniciaram o cultivo de mandioca e cereais, atraindo assim famílias de Minas Gerais, tendo como pioneiras as de Belizário, Gonçalves, Rodrigues, Chaves, Moura, Dias Rocha, Hortencio, Pinheiro e Enock, responsáveis pelo crescimento inicial do arraial que foi denominado “Jaquetou”.
           
“Devido à tradição dos pioneiros na produção de gado e no cultivo de subsistência, a cultura do cacau só começou a ser introduzida  há uns 35 anos atrás, trazida por agricultores vindo da região tradicionalmente produtora que procuraram se instalar nas margens dos rios, córregos e nos solos férteis entre as grandes pedras que formam o relevo das zonas de cultivo do cacau no município.
           
“Escolheram inicialmente para o plantio o cacau “parazinho pele de ovo”, trazido das margens dos rios Pardo e Jequitinhonha.
           
“Durante muitos anos a comercialização dos produtos agrícolas, inclusive o cacau, e a aquisição de mantimentos eram efetuados na cidade de Porto Seguro, que ficava a umas 20 léguas de Guaratinga. Sem estrada para tráfego de veículos, o transporte era feito em tropas de burros o que influiu diretamente no desenvolvimento da cidade.
           
“Com o desenvolvimento do arraial, “Jaquetou” foi transformado em povoado com o nome de Novo Horizonte. Em 31 de agosto de 1961 se tornou município, pela Lei nº 1.466 ao ser desmembrado do município de Porto Seguro, conforme o Diário Oficial de 01.09 do mesmo ano. Sua instalação se deu em 7 de abril de 1963. O município recebeu o nome de Guaratinga que segundo a língua Tupi significa “Garça Branca”.

 (Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)

 

Barra do Rocha

            “O nome Barra do Rocha foi derivado de Barra ou seja do encontro entre o Rio das Contas com o Ribeirão do Rocha. Pedro Rocha foi o primeiro fazendeiro da Barra. Quando alguém queria atravessar o rio de Contas, vindo de Gongogi para Ipiaú, procurava-se sempre a Barra, que com o passar do tempo ficou sendo conhecida como a Barra do Rocha, em referência ao Pedro Rocha.
          
“Dentre as figuras que tiveram atuação destacada na fixação e no desenvolvimento de Barra do Rocha estão: Pedro Rocha, o primeiro fazendeiro do lugar; Norberto Lima, que fundou a primeira pensão; Félix Cabral, que fundou a primeira padaria; Alcides Costa, primeiro comerciante; Gonçalves Dias, que fundou a primeira capela, oferecendo ao padroeiro São Sebastião; Jardilino Leal, sendo sua esposa D. Cecília Sarmento Leal, a primeira professora estadual e, finalmente, Coronel Gonçalves Dias, o fundador da agência de correios e telégrafos de Barra do Rocha.
           
“De acordo com o decreto Lei n.º 1.461 de 24 de agosto de 1961, o território de Barra do Rocha foi desmembrado de Ipiaú, elevando-se à categoria de município, no ano de 1963.”

 (Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)

 

 Itajibá

             “A Itajibá de hoje foi inicialmente habitada por Índios.  Depois tomou o aspecto de uma fazenda com vários moradores, sendo que o primeiro desbravador foi Martins Ribeiro. Em 1927 aumentou o número de moradores e outras casas humildes foram construídas. Naquela época deram o nome de Distampina (primeiro nome)  por ser um lugar aberto e destampado.
           
“Em 1930, após a revolução,  houve litígio em Boa Nova e Itacaré (como se chamava o município de Barra do Rio das Contas)  e Distampina passou a pertencer a Itacaré.
           
“Naquele tempo, o cangaço teve livre curso e Distampina foi palco de algumas cenas deprimentes, praticada por bandoleiros que viviam sob a tutela de “Coronéis”. Felizmente isso durou pouco tempo, porque logo após, houve um litígio entre Itacaré e Itapira (hoje Ubaitaba) e Distampina passou para o domínio de Itapira.
           
“Graças aos esforços de alguns habitantes, Distampina passo para o domínio de Boa Nova em 25 de novembro de 1935, transformando-se em Distrito de Paz de Distampina.
           
 “A população foi crescendo e mais tarde o distrito teve a alegria de receber um médico e uma professora formada: Dr. Noé Bomfim e esposa Professora Noêmia Bomfim, que aqui viveram muito tempo, dando um pouco de saúde e educação.
           
 “Assim durou o distrito de Distampina 12 anos . Em 25 de maio de 1947, o prefeito interventor de Boa Nova, Dr. Odorico Mota Silveira, mudou o nome de Distampina para ITAJIBÁ, que na língua Tupi significa pedra fortepedra dura.
           
“Começou a crescer Itajibá e com o crescimento o sonho de emancipação. No dia 26 de agosto de 1947 o povo de Itajibá, encabeçado por José Carlos de Almeida, Juvenal Almeida Sampaio e outros, redigiu um memorial aos Deputados Josafá Marinho, Osvaldo Pinto de Carvalho e Osias Maron, com um abaixo-assinado solicitando a emancipação do Distrito.
           
 “Graças a vários políticos daquela época a luta não parou. Por intermédio de  Hélio  Vaz de Quadros e Walter Lomanto, levaram o projeto de emancipação para  a cidade de Boa Nova a fim de apresentar naquela Câmara de Vereadores. A votação foi aceita por unanimidade.
           
 “Era prefeito de Boa Nova na época Landualdo Magalhães Silveira. Depois de aprovado o projeto pela Câmara de Vereadores de Boa Nova, encaminharam-se para a Assembléia Legislativa  do Estado da Bahia. Lá o projeto foi apresentado pelo Deputado Lomanto Júnior, (depois senador da República, Governador e prefeito de Jequié), que lutou para que o projeto fosse aceito e aprovado.
           
 “E, finalmente, em 14 de agosto de 1958, por força da Lei Estadual n.º 1.020, Itajibá atingiu o seu objetivo, passando a gerir seu próprio destino.
            
  “A Lei foi assinada pelo Governador do Estado, naquela época Antônio Balbino.
            
  “O primeiro prefeito foi José Fernandes, que instalou o governo municipal, no dia 12 de abril de 1959.
            
  “Em 1º de julho de 1967 Itajibá passava a ser Comarca de primeira entrância, através da Lei n.º 2.314 de março de 1966.
           
 “Em 16 de julho de 1967 foi empossado o primeiro Juiz de Direito, Dr. Almir Augusto Vieira.
           
 “A professora Jocelisia de Almeida Fernandes, na época que Itajibá passou a cidade, era a única professora formada, e Timóteo Marcolino da Silva, professor leigo da zona rural”.

  (Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)