UM POUCO DA HISTÓRIA  DOS MUNICÍPIOS

 

O tempo passa e a crise da lavoura cacaueira que se arrasta desde a segunda metade da década de 1980, não apenas destrói fortunas construídas ao longo de gerações, como lança ao esquecimento homens e mulheres que contribuíram para a construção do que os municípios do Sul da Bahia são hoje.
Nesse sentido, é propósito neste espaço agregar, sistematizar, bem como enriquecer, mediante novas investigações, a história e a memória dos municípios do Sul da Bahia, mas não só.
Trata-se de um espaço aberto a contribuições de quantos queiram dar seu depoimento.
O ponto de partida para agregar e sistematizar informações acerca da história dos municípios é uma publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, realizada pela CEPLAC, instituição sediada em Ilhéus, Sul da Bahia, no início dos anos de 1980.
A pretensão dessa publicação era bem mais amplo que o de resgatar elementos da história dos municípios. Pretendia dar uma descrição ampla, ainda que breve, dos principais aspectos de cada um dos municípios de sua área de atuação, como sua localização, sua economia, sua cultura, aspectos de sua política, aspectos sociais, destacando a inserção, na época, da própria Instituição CEPLAC, além de elementos de sua história, aqui retomados.

Observação: Para uma melhor visualização, todos os nomes de lugares serão destacados com negrito.

 

IMPORTANTE: caso você queira contribuir com a história de sua cidade ou município, relatando fatos, fotos e outros materiais, você pode remetê-los a esta página (socio@uol.com.br). Desde já agradecemos sua contribuição. Agenor Gasparetto 05 de novembro de 2001


Mascote

             “Os primeiros habitantes do município de Canavieiras – ao qual Mascote pertenceu por longo tempo – eram descendentes, em sua grande maioria, de portugueses que lá se estabeleceram nas primeiras décadas do ano de 1700. Em decorrência de existência de terras férteis, localizada às margens do rio Pardo, aqueles aventureiros iniciaram ali a exploração da cana-de-açúcar e do cacau vindo da região amazônica, já que estas constituíam as atividades agrícolas  de maior evidência na época.
           
“O crescimento das áreas exploradas tornou inevitável a formação de aglomerados urbanos que se transformaram, mais tarde, em  pequenos povoados. Mascote se destacou em relação aos demais por possuir um desenvolvimento mais acentuado em termos econômicos e foi elevado em 8 de agosto 1936 à categoria de distrito. Mas foi através da Lei Estadual número 1885/61, do ano de 1963, que o distrito de Mascote ficou totalmente desvinculado de Canavieiras.
           
“Hoje, Pimenta e Novo Horizonte se constituem nos distritos e São João do Paraíso e Teixeira do Progresso, nos povoados  que complementam a configuração administrativa do atual município de Mascote.”

 (Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)

 

 

Itamaraju

             “O nome Itamaraju vem do Tupi, Ita, que significa pedra (elas existam em grande quantidade na região), e Mara, que quer dizer espinhos, abundantes nas regiões do Rio Jucuruçu. A última sílaba, Ju, é formada pelas iniciais do referido rio. Esta denominação foi idealizada por Moisés Santos Almeida, considerado por muitos da região como um poeta.
           
“A cidade teve origem em um povoado, Dois Irmãos, mais tarde elevado a condição de vila. Era conhecida como Vila do Escondido e pertencia ao município de Prado.
           
“Em 1961, por do Decreto Estadual nº 1.509, de 5 de outubro do mesmo ano, foi a Vila do Escondido desmembrada do município de Prado e elevada também a condição de município, com o nome de Itamaraju. Sua  instalação se deu no dia 7 de abril de 1963.”

 (Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982) 


Valença

          “Por ocasião do descobrimento do Brasil, o atual território do município de Valença era habitado pelos índios Tupiniquins, de índole  relativamente pacífica.
        
“Quando D. João III, rei de Portugal, dividiu o Brasil em Capitanias Hereditárias em 1534, aquela área ficou pertencendo à Capitânia de Ilhéus, sob a jurisdição da Vila de Nossa Senhora do Rosário de Cairu, local onde se iniciou o povoamento.
        
“Entre as pessoas que chegaram primeiro à região, provavelmente nos anos 1557 e 1571, estava Sebastião de Pontes, homem abastado, dono de engenhos no Recôncavo e responsável por obras que deram início à construção  da cidade; instalação de um novo e grande engenho de açúcar, a duas léguas do foz do Rio Una, e também de uma igreja, sob a invocação de São Gens, com três capelas de abóbadas.
       
“A administração de Pontes foi, entretanto, interrompida em 1573 ou 1574, em virtude de ter sido levado preso para Portugal, a mando do rei, por ter castigado duramente um mascate que lhe infligira ofensas. Temeroso de enfrentar Sebastião de Pontes em seus domínios, o governo português mandou ao Morro de São Paulo um navio de guerra, com o pretexto de consertar avarias. Seu comandante visitou Pontes no Engenho do Una e, ardilosa e traiçoeiramente, convidou-o para uma visita ao navio. Sebastião de Pontes, atraído a bordo, quando ali almoçava foi, então, inteirado da verdade, metido a ferros e transportado para Lisboa. Recolhido à cadeia do Limoeiro, ali acabou os seus dias. Com o desaparecimento de Sebastião de Pontes, a região entrou em decadência e foi invadida pelos índios Aimorés, fato que muito atribuiu para retardar a colonização e o progresso do território de Valença.
           
“Anos depois, já no século XVIII, após sangrentas represálias infligidas aos Aimorés pelos bandeirantes do paulista João Amaro Maciel, o desenvolvimento novamente tomou conta da região, justificando a proposta que fez ao governo o ouvidor da Comarca de Ilhéus, desembargador Baltazar de Oliveira, para a criação de uma vila no então povoado de Una.
           
“Aprovada a proposta do ouvidor, foi determinada pela Carta Régia de 23 de janeiro de 1799 a criação da Vila de Nova Valença do Santíssimo Coração de Jesus, com território desmembrado  do município de Cairu. Finalmente, pela resolução n.º 368, de 10 de novembro de 1849, a sede municipal recebeu o foro de cidade sob a denominação de Industrial Cidade de Valença, tendo em vista, a fundação em 1848, da fábrica de tecidos Nossa Senhora do Amparo (atual Companhia Valença Industrial), umas das primeiras montadas no país e, seguramente, a primeira movida a energia gerada por turbinas hidráulicas”.

 (Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)

 


Uruçuca

             “O atual município de Uruçuca teve origem numa povoação formada em 1906 por Manoel Alves Souza, Miguel Gomes Baracho, João Macaúbas, Jorge Caetano dos Santos e Antônio Ferreira da Silva. Inicialmente recebeu o nome de Água Preta por serem de coloração escura as águas do rio que banha a localidade.
           
“Em 1º de janeiro de 1914 foi inaugurada em Água Preta a estação ferroviária, que teve como primeiro agente Afrânio Calasans Amorim. Um ano depois deu-se a inauguração da agência postal e Frei Lucas iniciou a construção da Igreja Matriz.
           
“Fazendo parte do distrito de Castelo Novo, que pertencia ao município de Ilhéus, o povoado de Água Preta, foi a 10 de agosto de 1922, elevado à condição de sede do distrito do mesmo nome.
           
 “Em 1927 aconteceu a instalação da agência telegráfica, que teve como primeiro telegrafista Aristóteles Pinto. Nesse mesmo ano circulou pela primeira vez o semanário “O Ipiúna”, cujo o redator chefe era Monteiro Lopes.
           
“A 12 de agosto de 1929, por força da Lei Estadual n.º 2.212, o distrito de Água Preta foi elevado à condição de Vila e criado o Município. Sua instalação ocorreu a 20 de outubro do mesmo ano, por determinação do Decreto Estadual n.º 6.529, de 11 de outubro.
           
“Em 10 de novembro de 1930, o Município de Água Preta foi extinto e seu território reanexado ao município de Ilhéus, fato que consternou a população.
           
“Finalmente, a 31 de dezembro de 1943 Água Preta passou a chamar-se Uruçuca e com este nome foi restabelecido o município pela Lei Estadual n.º 516, de 12 de dezembro de 1952, ocorrendo a sua reinstalação a 7 de abril de 1955.

 (Texto extraído  da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)


Coaraci

          “Até o ano de 1919, o território de município de Coaraci era encoberto por matas inexploradas, surgindo em sua orla plantações de cacaueiros e pequenas pastagens.
         
“A povoação do lugar teve início com a construção de uma casa de taipa, servindo de residência  e ponto de comércio, pertencente  a José Laudelino Monteiro e João Maurício, que ali residiam e tinham um entreposto comercial. O local onde a casa foi edificada é, hoje a rua Presidente Dutra.
           
“Algum tempo depois, chegou à região Manoel Pereira, muito trabalhador e progressista, que se lançou imediatamente a exploração das terras ainda virgens, criando às margens do Rio Almada, onde hoje se localiza a Avenida Ilhéus, uma vasta plantação de cacaueiros, formando tempo depois uma fazenda, denominada Berimbau, ainda existente nos dias atuais. O povoado que surgia foi inicialmente denominado de Macacos. Depois o seu nome foi modificado para Itacaré do Almada. Em 13 de outubro de 1933, por Lei Estadual nº 8.678, foi criado o distrito de Paz e Sub-Delegacia  de Policia, pertencendo ao município de Ilhéus, tendo como sub-delegado Manuel Pereira.
           
“Em 13 de março de 1938 o distrito foi elevado a categoria de Vila, ainda com o nome de Itacaré. A 30 de novembro do mesmo ano, a vila recebeu o nome de Guaracy, sendo mais tarde a sua denominação modificada para Coaraci.
           
“Quatorze anos depois a Vila Coaraci foi elevada a categoria de cidade, pela Lei Estadual nº 515, sancionada pelo então governador do estado, Régis Pacheco, em 12 de dezembro de 1952.

 (Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)