PESQUISA ELEITORAL EM ITABUNA, FINAL DE JUNHO E INÍCIO DE JULHO DE 2000

No período de 29 de junho a 2 de julho de 2000 foi realizada a quarta pesquisa de intenções de voto em Itabuna neste ano eleitoral. Foram ouvidos 1.657 eleitores de todos os bairros da cidade, incluindo os povoados de Itamaracá e Mutuns. Essa pesquisa capta um momento importante do processo  sucessório em Itabuna. O erro amostral desta pesquisa é um  pouco inferior a  3%, supondo um intervalo de confiança de 95%.

NOTAS SOBRE CONTEXTO DA PESQUISA DE  JUNHO/JULHO

Na pesquisa de maio captou um quadro bastante favorável à candidatura Geraldo Simões. Todos os dados estavam estáveis, exceto um: expectativa de vitória, em que Fernando Gomes saltava para 44% das indicações, ainda que suas intenções de voto se situassem no patamar de 27%. Em maio intrigava o fato de que mesmo após a inauguração do Jequitibá Plaza Shopping em que o prefeito tentou capitalizar sua realização, a intensificação do asfaltamento de ruas e avenidas, a ratificação do apoio do Governo do Estado, mesmo com tudo isso, o quadro parecia manter-se imune aos fatos. Todavia, um fato quebrava aquela normalidade aparente, a expectativa de vitória.

Na pesquisa do final de junho e início de julho, o quadro mudou e mudou de forma expressiva.

Portanto, essa pesquisa captou uma situação em que está quebrado definitivamente um quadro de aparente estabilidade. O quadro é dinâmico e tudo ainda pode acontecer nesta sucessão municipal.

Nesse sentido, a  próxima pesquisa deverá captar em que medida essa tendência de mudança vai se consolidar ou não. Isto porque é preciso levar em conta o momento da pesquisa, coincidiu com intensa campanha do prefeito nos meios de comunicação, especialmente televisão e outdoors, painel luminoso com direito a foto, além dos outros fatos acima referidos.

No momento da pesquisa e se mantendo nos dias seguintes, estando inclusive atualmente, havia três outdoors  na cidade promovendo Fernando Gomes. Uma linha de cartazes de rua,  com maior número, tinha a seguinte mensagem principal: Fernando Gomes - sem você Itabuna não tem história. Em letras miúdas a informação de que essa era uma homenagem do vereador Carlito do Sarinha pelo aniversário do prefeito. Uma segunda linha de outdoors tinha como mensagem a seguinte frase: Prefeito Fernando Gomes – o povo não  vai esquecer, informando em letras menores as obras do prefeito. Um terceiro outdoor dizia Faça como Fernando Gomes – trabalha porque ama Itabuna e listava as suas obras. Em suma, foi muito forte a propaganda na mídia e a descrição de sua explicitação nos cartazes de rua é revelador. E esta pesquisa captou um quadro situado neste contexto, que já vinha desde maio, uma vez que a pesquisa de meados daquele mês já captava um aumento da expectativa de vitória da candidatura Fernando Gomes ainda que essa não estivesse acompanhada de intenções de voto. Com exceção da forte, intensiva e extensivamente da mídia, todos os elementos já estavam presentes. A mídia é o elemento novo e diferenciador nesse quadro. Esta pesquisa, na virada de junho para julho, capta melhor essa sinalização e fecha definitivamente a ilusão de que essa eleição será fácil. Ela deverá ser muito acirrada e tudo nela pode ainda acontecer.  As candidaturas que tiverem melhor argumentação e poder de convencimento do eleitor, maior organização e trabalho, deverá sair-se vencedora, numa eleição que promete ser, talvez, uma das mais acirradas da história de Itabuna.

Agenor Gasparetto
Sociólogo

Itabuna, 7 de julho de 2.000


 

 METODOLOGIA

Esta pesquisa foi realizada pela empresa Sócio Estatística Pesquisas, pelo Sistema Aberto de Pesquisa. Por esse Sistema, todas as pesquisas são exclusivas da empresa e estão disponíveis a todos os grupos políticos.

O objetivo principal desta pesquisa de opinião foi avaliar o quadro político e administrativo em Itabuna, em abril de 2000. Foi  realizada nos dias 29 de junho a 2 de julho de 2000.  No dia 2  de julho, por amostragem, foi feito controle de qualidade dos trabalhos de campo.

A amostra do tipo probabilística estratificada por idade, sexo e regiões da cidade. Corresponde a um erro amostral da ordem de 3%.   Ao todo, foram  consideradas válidas as respostas de 1.657 eleitores.

Foram ouvidos eleitores de todos os bairros e nos dois povoados rurais do município. Os bairros centrais contribuíram com cerca de 23% da amostra, a região do São Caetano com cerca de 16% e as regiões do Fátima, Califórnia e Santa Inês com cerca de 25% da amostra. Pouco menos de um quarto tinham entre 16 e 21 anos e outros pouco menos de um quarto, entre 36 e 49 anos. Os que tinham 50 anos ou mais foram cerca de 145 dos eleitores. Cerca da metade foram do sexo feminino. Cerca de 42% possuíam renda familiar entre 152 e 500 reais por mês e outros 29%, até 151 reais por mês. Cerca de 2,5% possuíam curso superior completo. Outros 27% tinham segundo grau completo e/ou superior incompleto. Outros 21% tinham até 4ª série completa.

A melhor análise é a que leva em consideração não o dado isolado, mas o conjunto dos resultados, isto porque o dado isolado pode não passar de uma acidente de amostra, não expressão de uma tendência. Uma leitura apressada ou superficial pode levar a uma compreensão equivocada da realidade expressada pela pesquisa, induzindo a equívocos de ação prática.  Convém considerar, aqui, o caráter efêmero de toda pes­quisa de opinião. Isto significa dizer que qualquer resultado pode sofrer mudanças no curso do tempo. Quanto maior a velocidade e consistência dos acontecimentos e medidas, maior também será a probabilidade disso ocor­rer. 

No caso de uma eleição, em quadro não estabilizados, a velocidade aumenta à medida em que nos aproximamos do dia da eleição. Já em quadros estabilizados, em condições de normalidade e somente nessas condições, muitos meses antes já está desenhado o quadro que as urnas irão revelar. Aqui, o crucial é discernir entre a natureza das situações.  Cabe ao sociólogo responsável pelas pesquisas apontar a natureza da situação.

É importante não perder de vista que a pesquisa é uma ferramenta, um corte na realidade, em um determinado momento, ou como muitos preferem, é uma fotografia de um processo. A realidade continua; a pesquisa é um ponto fixo no tempo. O trabalho da administração, como as medidas já tomadas, mudam a realidade e a opinião das pessoas. Isso significa que é  preciso ter um senso crítico em relação ao papel e o lugar das pesquisas. 

Agenor Gasparetto
Sociólogo

Itabuna, 07  de julho 2000.