A Sucessão
Municipal de 1992*
A Sucessão
Municipal em Itabuna
(Do favoritismo de Ubaldo, do embate mutuamente destrutivo entre Ubaldo
e Oduque à emergência de Geraldo)
O quadro até agosto de 1992
Durante todo o ano de 1991, desde março, época de realização da
primeira pesquisa realizada em Itabuna, até março de 1992, o quadro em Itabuna
manteve-se praticamente inalterado: Ubaldo com aproximadamente 40%. O segundo colocado,
Antonio Menezes, com um pouco menos do que 10%, seguido por Oduque, Helenilson Chaves,
Renato Costa, Geraldo Simões, próximos a 6%, com oscilações para mais ou menos. Os
demais tinham menos de 4%.
Em pesquisa realizada em fins de agosto do ano passado, o postulante a
candidato Oduque Teixeira sinalizava para um crescimento. O mesmo ocorria com os nomes de
Helenilson Chaves e Renato Costa. Contudo, tratavam-se de oscilações normais de
pesquisa, em função da margem de erro a que toda pesquisa por amostragem está sujeita.
A sete meses da eleição
Em março de 1992, o quadro era francamente favorável à candidatura
do ex-prefeito Ubaldo Dantas. Naquele momento parecia improvável uma reversão do quadro,
salvo graves equívocos de estratégia. Ubaldo possuía mais intenções de voto do que os
seus concorrentes somados, cerca de 41%, tinha a menor rejeição, na casa dos 11%, tinha
ainda boa aceitação como segunda opção do eleitor. Ubaldo estava capitalizando
sentimento existente contra o então prefeito Fernando Gomes, manchete nacional pelos seus
altos salários e declarações a respeito. Por fim, usufruía junto ao eleitorado a
imagem de bom administrador público, particularmente no âmbito do Magistério. Em suma,
era o nome virtualmente vencedor num processo natural. No entanto, sete meses depois, esse
quadro estava praticamente destruído. Nesse sentido, essa retrospectiva tem nessa
derrocada, talvez, seu ponto principal, na medida em que a emergência da candidatura do
deputado estadual pelo PT Geraldo Simões só foi possível em virtude da destruição do
quadro encontrado em março de 1992 e acima resumido. A propósito, o quadro de março/92,
com pequenas oscilações, foi o quadro que perdurou durante todo o ano de 1991.
Retomando, com divulgação de pesquisa de março/92, a candidatura do
ex-prefeito Ubaldo Dantas se expôs precocemente e foi alvejado de todos os lados.
Travou-se, desde então, dura luta contra esse nome. Até pesquisa reconhecidamente falsa
atribuída ao IBOPE apareceu, tendo sido divulgada até no jornal A Tarde,
embora esse jornal tão logo tenha percebido o equívoco se retratou, como soe acontecer
com grandes jornais. (A nível local, a postura de alguns veículos de comunicação foi
radicalmente diferente).
Ainda como reflexo da pesquisa de março/92, os pré-candidatos Antonio
Menezes e o empresário Helenilson Chaves abriram Mão de suas prevenções, emprestando
apoio a Oduque. Contudo, Oduque, que em março contava com 11% das intenções de voto,
passou para cerca de 15 a 16% nos meses seguintes, ou seja, não logrou capitalizar todas
as intenções de voto que estavam sendo dadas a Helenilson Chaves e Antonio Menezes que,
sozinhos, somavam 14%.
Houve, em meados do ano, um período em que o temor de candidatos a
vereador, de Ubaldo e de Oduque, era com as impugnações. As campanhas praticamente
paralisaram nesse período.
De março a julho, Ubaldo foi perdendo lenta, mas gradualmente,
espaços. Contudo, até a segunda semana de setembro, ainda se encontrava na casa dos 30%,
embora Oduque tivesse sido elencado à casa dos 22% e Geraldo já estivesse pouco abaixo
de 14%.
A rigor, em Itabuna, as coisas começaram a tomar rumos definitivos em
setembro, a um mês da eleição, como se verá a seguir.
Sinalização de mudanças
A sete semanas da eleição
Em pesquisa realizada entre os dias 14 e 16 de agosto, após
anúncio de medidas do prefeito municipal relativas à isenção de impostos municipais e
forte campanha publicitária, visando resgatar imagem da atual administração e de seu
titular, reforçadas com anúncio de obtenção de verbas para obras de macrodenagem junto
ao governo estadual, complementadas por veiculações de notas relativas a Oduque,
candidato situacionista, nas rádios AM Difusora e Jornal, o quadro
encontrado, possivelmente influenciado por mais esse esforço às custas dos recursos
públicos do município, foi um crescimento da candidatura Oduque, que saiu da casa dos
16%, onde permanecera durante meses, para 21%. Evidentemente, não se sabia se este era um
crescimento consistente, ou se não passava de um inflacionamento momentâneo dessa
candidatura.
Afirmou-se que "no caso de se estar diante de um crescimento
efetivo da candidatura Oduque, as coligações de oposição ao atual grupo político que
detém o poder em Itabuna poderão se ver diante de uma situação que implicará o
abandono de todas as situações e estratégias até o momento delineadas e que pode
resumir-se nos seguintes cenários:"
"Cenário um: ou há uma reunião das forças de oposição ao
grupo detentor do poder em torno da candidatura Ubaldo, ou se estará abrindo caminho para
a vitória do grupo governista, já que a melhoria da imagem do atual prefeito resultaria
num avanço substantivo da candidatura Oduque, que o colocaria como favorito, caso
persista atual fragmentação do eleitorado em vários blocos."
"Cenário dois: apenas três candidaturas se tornarão
eleitoralmente viáveis: Ubaldo, Oduque (que cresceria, mas não muito) e Geraldo (ou
Renato), sendo que a quarta e quinta seriam "naturalmente" sacrificadas pelo
eleitor e que qualquer uma dessas três forças poderia conquistar o poder, que hoje
continua mais próximo do grupo de Ubaldo."
"Cenário três, o menos provável: a candidatura Ubaldo perderia
muita força, não logrando por si só atingir volume de votos necessários à vitória;
esse fato seria possível se uma das candidaturas de esquerda (Geraldo ou Renato) lograsse
obter expressivo crescimento, deslocando tendência eleitoral hoje favorável a
Ubaldo".
Em razão disso, ponderou-se que "a questão que se coloca hoje é
a seguinte: havendo necessidade de re-agrupamento das forças de oposição ao grupo
governista para obter vitória, esse re-agrupamento seria possível e em que medida?"
O relatório dessa pesquisa continha ainda: "Isto posto, o
principal resultado político desta pesquisa é a continuidade da liderança de Ubaldo
Dantas, a menos de dois meses da próxima eleição, mas caiu em relação às pesquisas
anteriores."
"Oduque, ao contrário da pesquisas anteriores, logrou obter
crescimento. Renato Costa, Geraldo e Dinailton permanecem na situação anterior, com
sinais de esvaziamento da candidatura Renato Costa, uma vez que sinaliza para perda de
fôlego. Nesse caso, é possível que a fração de eleitores hoje simpáticos a essa
candidatura migrem com candidato para opção que este vier a fazer. Observa-se que mesmo
5%, nesta eleição, podem ser decisivos."
"Quando se faz a simulação entre Ubaldo e Oduque, o resultado
favorece Ubaldo, mas Oduque afirma-se na casa dos 29%. É pouco menos de um terço do
eleitorado. A questão aqui é saber até onde que Oduque pode chegar."
"Quando é perguntado ao eleitor quem vai ganhar?, a
vantagem de Ubaldo sobre Oduque cai bastante, havendo um empate técnico."
"Disso tudo resulta que Oduque, depois de longa permanência
estacionado, subiu e Ubaldo caiu um pouco. E que há mais segurança na intenção de voto
em Oduque nesta pesquisa em relação às anteriores e a pergunta quem vai ganhar
reflete isto com muita nitidez. É possível que Ubaldo não esteja repassando ao eleitor
suficiente confiança. (Neste particular, estratégia do jornal A Região,
veiculando que Ubaldo optaria pela condição de deputado, na perspectiva de Oduque ou
pelo menos na da corrosão da candidatura Ubaldo parece coerente)", evidentemente,
trata-se da coerência da estratégia adotada por aqueles que querem impedir sua vitória.
Ainda, "as taxas de rejeição permaneceram estáveis em relação
à pesquisa anterior. Geraldo, Ubaldo e Renato são os menos rejeitados e Oduque e
Dinailton, os mais".
E "a administração do prefeito tende a ser avaliada como
regular, com leve tendência para o negativo (ruim e muito ruim). Contudo, em relação à
pesquisa anterior nota-se que houve uma melhora na imagem da atual administração."
"Em resumo, o quadro em Itabuna complicou-se um pouco. E a disputa
pode tornar-se ainda muito acirrada. Qualquer sinal de fraqueza poderá ser fatal neste
momento."
"É possível que se esteja diante da corrosão relativamente
precoce da candidatura Renato Costa e a candidatura Dinailton Oliveira praticamente não
parece reunir nenhuma chance".
Afirmou-se, ainda, que "a candidatura Geraldo, se a polarização
entre Ubaldo e Oduque já não estiver numa situação de irreversibilidade, ainda tem
chances de crescer. Nesse sentido, as próximas semanas, com o concurso do Horário
Político, serão decisivas. A polarização prevista em meados do ano passado, apesar
de longo processo de explicitado, parece ter ganho expressividade nessa pesquisa".
Primeira sinalização da emergência de Geraldo
A três semanas da eleição
Em pesquisa realizada no segundo final de semana de setembro, entre
os dias 10 e 13, o quadro encontrado foi o seguinte:
"O principal resultado desta pesquisa é o início de um processo
de definição do voto por parte do eleitor indeciso. Noutras palavras, o eleitor indeciso
e mesmo o que escolheu um candidato, mas de forma vaga, começa a dar consistência à sua
escolha. Nesse sentido, a pesquisa divulgada pelo IBOPE coincide e pode estar tendo
a função de tentar uma interferência nesse processo, ou seja, cria um fato, o do empate
técnico entre Ubaldo e Oduque, que esta pesquisa não encontrou. Importa saber, a rigor,
como a população interpretou esses resultados divulgados."
"Outro dado relevante é que as candidaturas de esquerda, Geraldo
e Renato, pela primeira vez, ultrapassaram a marca dos dez pontos percentuais, ou seja,
cresceram efetivamente, praticamente dobrando. Esse é um fato novo. Isto significa que,
possivelmente, parte do eleitorado indeciso esteja se decidindo por uma dessas duas
candidaturas. Observa-se, por exemplo, que o somatório das intenções de voto de Geraldo
mais Renato aproxima-se muito do total de Oduque, ou seja, é possível que se esteja
diante de um quadro em que começa a existir um espaço efetivo para uma terceira força
em Itabuna, a dos grupos políticos mais à esquerda. Possivelmente, as intenções de
voto hoje dadas a Geraldo e Renato, na reta de chegada, fluem ou para Renato ou, o que
parece mais plausível, para Geraldo, independentemente da escolha da cúpula do grupo
político a que pertencem. A rigor, trata-se do voto útil, ou seja, a mesma
racionalidade que fez com que o eleitor, na eleição passada para governador, tenha
sacrificado Gabrielli em favor de Lídice. Isto porque, também em política, parece valer
máxima extraída da parábola bíblica dos talentos de que os que pouco tem se lhes
será tirado o pouco que lhes resta."
"A candidatura Oduque é quem consegue passar mais a imagem de
vencedora, ou melhor, é aquela em que o percentual de pessoas que acreditam que seja
vencedora é maior do que as intenções de voto que efetivamente recebeu. Isso está se
dando graças ao intenso esforço de propaganda via horário gratuito e via expedientes
paralelos, como rádios, prefeitura municipal em seu grande esforço em resgatar a imagem
de seu titular e agora, também, a TV Santa Cruz ao divulgar pesquisa atribuída ao
IBOPE sem, contudo, este instituto atender às exigências da Justiça Eleitoral.
A relevância desse fato radica-se na criação de uma atmosfera de que Oduque seria
aquele com mais chance de ganhar, induzindo, com isso, eleitores a votarem nessa
candidatura. A prova disso é que Oduque é a única candidatura que tem menos eleitores
do que pessoas que dizem que ela será a vencedora e essa diferença é grande. Enfim,
essa atmosfera não pode ser subestimada. A propósito da referida pesquisa, mesmo com a
proibição da justiça na televisão (no rádio deve continuar, já que o controle é
quase nulo), o recado já está dado e o objetivo da divulgação atingido. Observa-se que
essa divulgação ocorre num momento preciso do processo sucessório, o da definição dos
indecisos. O outro objetivo dessa divulgação é criar um fato novo, deslocando o eixo da
discussão, tentando neutralizar e até reverter tendência que essa última pesquisa
realizada pela Sócio Estatística sinaliza, o do início de queda da candidatura
Oduque."
"Um outro ponto que merece atenção é o cenário nacional, que
é o pano de fundo dessa eleição. Esse cenário vem mudando e a velocidade dessa
mudança está se acelerando. Possivelmente, as candidaturas associadas a Collor, com o
seu possível afastamento do poder pelas razões que o balizaram, poderão ser tragadas
por esse processo. Isto significa o ressurgimento do "novo" como realidade
desejável, eleitoralmente falando, revertendo a maré conservadora que elegeu
governadores e vinha se configurando como principal tendência desta eleição".
Em termos de intenções de voto, Ubaldo continuava na liderança com
30,3%, seguido por Oduque e em terceiro, Geraldo, seguido de perto por Renato Costa. Outro
dado relevante dessa pesquisa era que a rejeição de Oduque chegava à casa dos 30%.
Empate técnico entre Ubaldo e Oduque
A duas semanas da eleição
Na pesquisa realizada no fim de semana seguinte, 18 a 21 de
setembro, na capa do relatório, fez-se um comentário que reproduzia com realismo a
percepção daquele momento crucial. Afirmou-se que "o principal resultado dessa
pesquisa pode ser definido da seguinte forma: ... é como se estivessem todas as
candidaturas de oposição fazendo e desempenhando os papéis que o grupo governista
planejou para elas, fragmentando-se de tal forma que a candidatura situacionista, mesmo
com menos de um terço do eleitorado e com uma rejeição ainda maior e em processo de
saturação obtenha a vitória final". Nesta frase estava sintetizada, com toda sua
tragicidade, a situação da candidatura Ubaldo Dantas, já não mais segura de uma
vitória por suas próprias forças.
"Nessa semana, houve continuidade do processo de definição do
voto, seja por parte do indeciso, seja daquele que escolheu candidato de forma pouco
consistente. Neste sentido, afirmou-se que a pesquisa do IBOPE, com resultado
destoante do encontrado por esta empresa no período atribuído àquela pesquisa, mais
continuidade da massificação do nome de Oduque e da propaganda do prefeito municipal,
lograram elencar Oduque num novo patamar, o de um rigoroso empate técnico com a
candidatura Ubaldo".
Para esse novo quadro, o de empate técnico, apresentou-se outra
interpretação. Afirmou-se que "talvez Oduque não esteja subindo, mas contribuiu
para Ubaldo cair, uma vez que vem perdendo espaços para as candidaturas de esquerda,
particularmente a de Geraldo. Em resumo, contudo, as duas formas de interpretação
traduzem-se como perda de eleitorado por parte da candidatura Ubaldo. A impresso que se
tem é que o eleitorado de Ubaldo, talvez por não ter muita consistência, é muito
sensível a fatos novos. O de Oduque é semelhante e pode haver muita migração ainda
entre essas duas candidaturas."
"Contudo, o quadro ainda é muito frágil e muito instável.
Apesar de uma polarização Ubaldo versus Oduque estar se esboçando há muitos meses,
ainda não está consolidada, haja vista que há um outro processo em curso, o da
emergência de uma das candidaturas de esquerda, tendo em Geraldo a maior probabilidade.
Portanto, apesar de sinais fortes dessa polarização, está dentro de um horizonte de
possibilidades a afirmação de um terceiro pólo nessa disputa. Nesse sentido, o esforço
tanto da candidatura Geraldo quanto a de Renato em atrair o voto útil de esquerda
é revelador. E, possivelmente, as intenções de voto hoje dadas a Geraldo e a Renato, na
reta de chegada, fluem ou para Renato ou, o que parece mais plausível, para Geraldo,
independentemente da escolha da cúpula do grupo político a que pertencem. A rigor, como
foi frisado no relatório anterior, trata-se do voto útil, ou seja, a mesma racionalidade
que fez com que o eleitor, na eleição passada para governador tenha sacrificado
Gabrielli em favor de Lídice."
"Hoje, a quinze dias da eleição, as candidaturas de Oduque e de
Ubaldo são as que logram passar mais a imagem de vencedoras, com pequena vantagem para
Oduque. Possivelmente, o grande trunfo do marketing de Oduque, compreensível pelo espaço
e pelos recursos de que dispõe, é fazer crer aos eleitores de que poderá vencer, uma
vez que há mais eleitores que assim pensam do que efetivamente dizendo votar nele. Está
conseguindo, inclusive, passar a idéia de que Ubaldo foi o responsável pelo corte de
vereadores (que passa a ser interpretado como injustiça àqueles que gastaram recursos e
não puderam concorrer), à semelhança do que ocorreu com quem estaria mais ligado a
Collor."
"O cenário nacional, como foi mencionado no relatório anterior,
continua sendo fator importantíssimo nessa sucessão. A propósito, a interpretação que
os eleitores derem à vinda do governador Antonio Carlos Magalhães poderá ser muito
importante, já que ocorre num momento que tanto poderá firmar Oduque, assim como
inviabilizá-lo definitivamente, já que sua taxa de rejeição está aumentando muito. E
mesmo assim, com apenas dois terços do eleitorado, já que o outro terço o rejeita, pode
dar Oduque, tamanha é a segmentação dos grupos de oposição."
"Em suma, o quadro eleitoral em Itabuna complicou-se a duas
semanas da eleição. Possivelmente, a próxima pesquisa poderá definir o quadro nesta
sucessão. Neste momento, a única candidatura efetivamente abortada é a de Dinailton. A
de Renato tem chances remotas, já que está emitindo sinais informais de desagregação,
como eleitores-líderes se decidindo por Geraldo ou por Ubaldo. A de Geraldo tem um pouco
mais de chances; o mais provável, contudo, é que, talvez, apenas consiga tirar de Ubaldo
uma quantidade de votos suficiente, no entanto, para viabilizar a vitória do grupo
governista, com Oduque. Isto porque o espectro de Geraldo ainda parece ser demasiadamente
estreito, como revela pesquisa de segundo nome. Em outras palavras", grifou-se nesse
relatório, "Itabuna parece ser muito pequena para três grupos de oposição
pleitearem o poder ao mesmo tempo sem, com isso, abrir caminho para a continuidade
político-administrativa, mesmo com o grupo governista detendo menos de um terço do
eleitorado e possuir uma candidatura em processo de saturação". Prosseguiu-se,
afirmando que "a perspectiva de Geraldo aumentaria significativamente se fosse
possível uma aliança com, pelo menos, o grupo de Renato Costa, ou seja, se ampliasse sua
base. Oduque tem a vantagem de contar com a máquina municipal, que joga tudo o que pode
em obras e sobretudo em mídia neste momento, no intuito de sensibilizar o eleitor, e
conta com o apoio de ACM que, informalmente, passa a idéia de que investimentos do
Governo em Itabuna passam necessariamente pela eleição de Oduque. Ubaldo está numa
situação delicada: precisa manter e se possível ampliar frente sobre Oduque, tendo que
gastar todas as suas energias nesse intento e contra essa candidatura, e, ao mesmo tempo,
torcer para que Geraldo e Renato não avancem demasiadamente sobre seu eleitorado. A esse
propósito, não está descartada a possibilidade de que não consiga nem uma e nem outra
coisa. Hoje, contudo, talvez ainda desfrute da melhor posição; mas vitória, seria por
pequena margem de votos; contudo, uma vez que o quadro mostra-se altamente instável e, de
certo modo, imprevisível, ainda parece possível retomada de crescimento. Nesse sentido,
o desempenho das candidaturas nas próximas semanas parece ser de grande importância.
Acredita-se, ainda, que a implosão da estratégia para vereadores do grupo político de
Oduque, dependendo da forma como for interpretada pelo eleitorado, pode funcionar como
fator desequilibrador do quadro, favorecendo Ubaldo ou condenando-o. Aparentemente, bem
trabalhado esse fato, Oduque seria quem naturalmente perderia, a menos que consigam
convencer o eleitorado de que a culpa foi de Ubaldo, que a decisão foi de Ubaldo e que,
ainda, Ubaldo deve ser punido eleitoralmente por isso."
"Isto posto, em termo de intenções de voto, há uma situação
de empate técnico entre Ubaldo e Oduque. Geraldo vem conquistando espaços. E como
segunda opção do eleitor, estatisticamente empatados Geraldo e Ubaldo."
"Nas simuladas, Ubaldo leva vantagem sobre Oduque e Renato e perde
para Geraldo. E na questão E quem vai ganhar?, pela primeira vez, Oduque passa
Ubaldo"
Essa foi a percepção do quadro a duas semanas da eleição. Como a
pode ver, o fenômeno Geraldo já estava sendo detectado e monitorado. A Sócio
Estatística relatou com muita transparência o quadro. Contudo, captar um quadro não
significa capacidade de neutralização. Assim como ocorreu em Ilhéus com Jabes, que
apesar de todo empenho não conseguiu reverter quadro favorável a Antonio Olímpio, as
candidaturas Oduque e Ubaldo, demasiadamente empenhadas em se anularem, na necessidade de
se afirmarem perante o eleitorado, crescendo ambas mais em rejeição do que em
intenções de voto, abriram caminho para a emergência da candidatura Geraldo, contra a
qual pouco puderam fazer, limitando-se à condição de espectadores.
Possivelmente, o toque detonador das candidaturas de Ubaldo e de Oduque
foram decisões equivocadas. Evidentemente que esse julgamento está se dando a
posteriori. Parecem ilustrativos os casos da "praia artificial" de Oduque,
que explicitou toda a fragilidade de sua proposta; do depoimento autêntico de Ubaldo,
dizendo-se cansado de tanto fazer campanha, também parece ter sido mal interpretado. E
para culminar, o caso da nora e dos netos de Oduque, por assim dizer, prejudicou
essas duas candidaturas, uma pela acusação e a outra pela imagem que produziu para
defender-se.
Na pesquisa do final de semana seguinte, 26 e 27 de setembro, o quadro,
que era embrionário nas pesquisas anteriores, tornou-se mais visível.
A uma semana da eleição
Afirmou-se que "o principal resultado desta pesquisa de
intenções de voto é uma situação de total indefinição na sucessão municipal cuja
eleição se dará a menos de oito dias desta pesquisa."
"Oduque e Ubaldo estão rigorosamente empatados tanto na
espontânea como na estimulada. Considerando-se que o erro desta pesquisa é da ordem de
4%, diferença de menos de meio ponto percentual caracteriza um rigoroso empate técnico e
matemático. Hoje, entre Ubaldo e Oduque, qualquer prognóstico não passa de um palpite.
Contudo, há alguns sinais, uns favoráveis a Oduque, outros a Ubaldo."
"Em função do intenso volume de propaganda, sobretudo fora do
horário eleitoral, via rádios Difusora e Jornal, Prefeitura Municipal,
e noticiosos de TV, sobretudo da Cabrália, a candidatura Oduque consegue passar a
idéia de que é quem vai vencer. Oduque conta ainda com o apoio do Governador que tem
influência sobre parcela da população, possivelmente maior do que aqueles que estão
inclinados a votar em Oduque."
"Ubaldo sai-se melhor num possível confronto final contra Oduque
e Geraldo. Um outro sinal que lhe é favorável, é que leva ligeira vantagem sobre Oduque
como segundo nome preferido para prefeito. E, um terceiro fator, que pode de alguma forma
favorecê-lo no confronto com Oduque, seria a aprovação do processo de impedimento do
presidente Fernando Collor."
"Geraldo, corre por fora e, na reta de chegada, pode surpreender
tanto Oduque quanto Ubaldo, sobretudo se cenário pós-terça-feira da votação do
impedimento acima referido for favorável aos que querem saída de Collor. Um outro sinal
de que Geraldo pode ainda surpreender consiste no fato de que tem melhor situação como
segundo nome, ou seja, tem cerca de 18% de simpatizantes. Se esse percentual de
simpatizantes decidir votar nessa candidatura, poderá sair vencedor. Um outro sinal
potencialmente favorável a Geraldo é um processo de esvaziamento da candidatura Renato
Costa. Caso isso se confirme, contudo, quem poderia ser beneficiado seria também Ubaldo,
já que parte dos eleitores de Renato migrariam também para essa candidatura."
"Renato está praticamente fora do páreo. Dinailton nunca teve
chances reais nesta eleição."
"Em suma, dada a instabilidade política no cenário nacional tudo
é possível em 3 de outubro. Considerando o momento da pesquisa e o cenário de
curtíssimo prazo, no entanto, até amanhã, a eleição ficaria entre Ubaldo e Oduque,
com ligeira vantagem para Ubaldo, em função de rejeição menor e maior amplitude a
nível de segundo nome. No entanto, é ainda muito cedo para qualquer prognóstico final
sobre o que acontecerá em 3 de outubro próximo".
Afirmou-se, ainda, que "nesse cenário, qualquer aliança ainda
poderá ser decisiva".
A dois dias da eleição
Na última pesquisa realizada, dias 30 de setembro, 1º de outubro
e dois de outubro, em média a dois dias da eleição, já que no dia dois foram
realizadas entrevistas em umas poucas áreas periféricas, afirmou-se que "o quadro
em Itabuna sugere um triplo empate técnico; embora com probabilidades diferentes,
qualquer um dos três poderá ser eleito prefeito".
Essa última pesquisa detectou "um avanço do processo de
reversão do quadro de intenções de voto em Itabuna, em que Geraldo acena com
possibilidades reais de ultrapassar Oduque e Ubaldo, podendo vir a ser o prefeito eleito
em 3 de outubro."
"Oduque e Ubaldo, que estavam rigorosamente empatados, tanto na
espontânea como na estimulada do último final de semana, dias 26 e 27 de setembro,
cairam, sobretudo Oduque, e cresceram na rejeição."
"Considerando-se que o erro amostral desta pesquisa é da ordem de
3%, ainda é possível que hajam surpresas, mas essa possibilidade não é muito
grande."
"Oduque, apesar de passar à opinião pública a idéia de que é
quem vai vencer; e apesar das pesquisas do IBOPE e, no caso, da Selem ter
apoiado a candidatura Oduque,essa não logrou obter densidade eleitoral capaz de sustentar
sua arrancada, dando sinais de enfraquecimento."
"Ubaldo, de uma situação altamente favorável até meio do ano,
no processo, alvejado por todos desde março, quando expôs pesquisa que lhe dava grande
vantagem sobre os demais, foi lenta mas progressivamente perdendo terreno, acabando por
disputar palmo a palmo com Oduque e, agora, também com Geraldo, tendo contribuído nesse
processo, seguramente, erros de estratégia, sobretudo de estreitamento de sua base, que
se deu através da perda de aliados."
"Afirmou-se, no relatório anterior, a uma semana, que Geraldo
corria por fora e, na reta de chegada, poderia surpreender tanto Oduque quanto Ubaldo,
sobretudo se o cenário pós-terça feira da votação do impedimento do presidente Collor
fosse favorável aos que querem saída de Collor, como de fato acabou sendo. Um outro
sinal de que Geraldo poderia ainda surpreender consistia no fato de que tinha expressivo
contingente de simpatizantes, ou melhor situação como segundo nome, ou seja, tinha cerca
de 18%; nesta pesquisa, esse contingente ampliou-se."
"Um outro sinal potencialmente favorável a Geraldo era um
processo de esvaziamento da candidatura Renato Costa."
"Afirmou-se, no relatório da última semana, que Renato estava
praticamente fora do páreo. Dinailton nunca teve chances reais nesta eleição."
"Neste cenário, afirmou-se, qualquer aliança ainda poderia ser
decisiva. Contudo, era previsível que os eleitores fizessem a escolha que lideranças,
obstinadas em seu ponto de vista, não admitiam."
"É até possível que, no momento do voto, a vantagem de
Geraldo se amplie muito, em função da pesquisa de segundo nome e do fato da pesquisa
ainda estar a um, dois e até três dias da eleição". (Grifos a posteriori).
"O espaço de tempo é muito pequeno fisicamente, mas psicologicamente é
suficientemente grande para proporcionar maiores modificações."
"Um dos fatores que muito deve ter contribuído para esse
provável desfecho foi o nível de propaganda exibida no horário eleitoral gratuito. Essa
propaganda, em bases reais ou não, fez com que Ubaldo e Oduque, mas principalmente esse
último, ficassem com imagens negativas, como revelou o aumento da rejeição dessas
candidaturas. Ao contrário, Geraldo permaneceu com baixa rejeição."
"Os indecisos somam 16,8%, que é uma taxa expressiva para este
momento do processo sucessório. Os indecisos decidirão esta eleição."
"Em suma, é como se o eleitor itabunense, a seu modo, também
quisesse dar seu "impedimento", incorporando-se ativamente a este novo capítulo
da história do país".
Portanto, para quem teve acesso às pesquisas realizadas (a última foi
interna e, na sua vers_o original, apenas a rádio Morena FM recebeu cópia na
tarde do dia da eleição, não poderia dizer-se surpreendido. Mesmo aqueles que tiveram
acesso a qualquer uma das três últimas realizadas, como se depreende dos trechos
transcritos desses relatórios, sabia que o quadro em Itabuna poderia ter o desfecho que
teve.
Para finalizar, não deixa de se revestir de simbolismo o fato de que o
PT, coligado com o PSB, tenha conquistado a prefeitura de Itabuna, que se notabilizou no
país inteiro por fatores negativos, destacando-se os salários absurdos pagos a todo
executivo municipal (prefeito e secretários) e à Câmara de Vereadores. Em quatro
anos foram incapazes de se sensibilizarem com a pobreza de salários do mercado regional e
o acirramento da crise que afetava Itabuna e a sua região de influência.
Nesse sentido, a aprovação e todo o desenrolar do processo de
impedimento do presidente Collor teve contribuição nos resultados das urnas; contudo,
foi mérito da candidatura Geraldo capitalizá-lo, fazer-se merecedor da confiança dos
eleitores, deslocando Ubaldo Dantas como candidatura preferida ao longo dos dois últimos
anos e a de Oduque, que a três semanas da eleição logrou uma situação de empate
técnico com Ubaldo, ambos surpreendidos, na fase final, por Geraldo.
Breve interpretação dos resultados
A propósito de Ubaldo, franco favorito e virtualmente vitorioso
nessa sucessão, enxerga-se que cometeu equívocos que contribuíram para a emergência de
Geraldo.
Esses equívocos, explicitados no texto "O fator crucial numa
sucessão municipal", resultaram basicamente no seguinte: Ubaldo foi gradualmente
perdendo a condição de capitalizador natural do sentimento anti-Fernando Gomes, prefeito
municipal, e, na reta final da campanha, com Ubaldo já muito descredenciado para essa
capitalização, emergiu Geraldo.
O primeiro equívoco de Ubaldo foi o estreitamento da base política,
descartando apoios que poderiam ser importantes, entre esses o de Martinelli e do PMDB.
O segundo foi a aliança com o PRN, explorada de forma ostensiva pelo
seu rival que era, esse sim, o candidato mais ligado a Collor. Pesquisa da segunda metade
de setembro mostrava Ubaldo como segundo político mais ligado a Collor pelo eleitor
itabunense, sendo Oduque o primeiro.
O terceiro fator foi uma postura ambígua em relação ao governador
Antonio Carlos Magalhães. O fato de Ubaldo, por meses, ter alimentado a esperança de que
obteria o apoio do Governador ou, na pior das hipóteses, uma neutralidade do mesmo na
sucessão no município, a partir do momento em que ACM passou a apoiar ostensivamente
Oduque, candidato situacionista, Ubaldo ficou numa situação difícil. As críticas
feitas a partir de então perderam muito de sua contundência e Ubaldo não logrou
desfazer-se de forma convincente dessa postura.
Observa-se que esses três fatores são concomitantes. Exerceram entre
si influências, funcionaram um como reforço do outro. E, como resultante, fizeram com
que Ubaldo perdesse a condição de autêntico adversário e capitalizador da rejeição a
Fernando Gomes e sua administração. Sinais dessa situação foi um aumento crescente da
rejeição à sua candidatura, passando de uma rejeição que chegou a ser menor do que
10% a uma próxima da casa dos 30%. Já Geraldo teve a taxa de rejeição em queda,
situando-se em menos do que 15% a dois dias da eleição. Noutras palavras, no final da
campanha, Geraldo logrou converter-se, em lugar de Ubaldo, na candidatura capitalizadora
do sentimento anti-administração municipal. E esse parece ter sido, em última análise,
o fator crucial nessa sucessão.
A propósito de Geraldo, convém ressaltar, ainda, que adotou
estratégia de alargamento de sua base política, não através de nomes e de partidos,
já que, nesse ponto de vista, era muito estreita essa base. Contudo, a nível de
estratégia, de discurso, logrou atingir praticamente todas as classes sociais. Essa
estratégia consistiu no abandono da tradição petista de fazer campanha. Geraldo
desideologizou a sua campanha. Em nenhum momento se ouviu frases contra a exploração dos
patrões e expressões do gênero. A ênfase foi na honestidade de sua administração, no
trabalho em favor da comunidade e na soluço dos problemas. E explorou as inconsistências
da candidatura Ubaldo e Oduque. A própria estrela petista, resumindo essa estratégia,
apareceu esboçando um sorriso. E a expressão que ratifica essa estratégia está na
frase que acompanhava a estrela risonha: Itabuna merece ser feliz. O fato da
campanha de Geraldo ter se libertado dos chaves tradicionais, desideologizando a sua
campanha, ampliou em muito sua base e o alcance de sua mensagem. Parece oportuno recordar,
ainda, que Geraldo era um nome com tradição, com história na cidade, tinha sido o
candidato a vereador mais votado na eleição anterior (e não se elegeu porque o seu
partido, o PT, não somou os votos necessários para assegurar uma vaga), elegeu-se
deputado estadual dois anos depois. Essa história e uma postura coerente durante os
longos anos de militância sindical e política, mais seu discurso anti-continuísmo a que
as candidaturas dos ex-prefeitos Oduque e Ubaldo representavam segundo seu discurso, criou
o contexto que tornou possível sua emergência naquele preciso momento da história
política itabunense.
Oduque, por sua vez, reunia melhores chances até o desfecho do caso do
impedimento de Collor, ou seja, enquanto durou a maré conservadora das intenções de
voto. Com o ressurgimento do novo como fato desejável eleitoralmente, Oduque
passou a ter menos chances, o horizonte foi se encurtando. Logrou empate técnico com
Ubaldo em função da massificação da propaganda a seu favor nos horários gratuitos e
paralelos, na campanha da prefeitura municipal tentando resgatar imagem da atual
administração e de seu titular. Contou ainda, na fase final da campanha, com o apoio
ostensivo do Governador do Estado, da liberação de recursos para obras. Oduque foi
elencado a candidato com chances reais de vitória graças, sobretudo, ao volume de
propaganda e graças ao apoio do governador. Mas teve contra si a rejeição à
administração municipal, o impedimento do presidente Collor, falhas elementares de
campanha como o caso da praia artificial e, juntamente com Ubaldo, foi
descredenciado com o caso de sua nora, que trouxe à memória o caso Miriam Cordeiro e que
prejudicou Lula na sucessão presidencial. Contudo, nesse contexto, a imagem negativa foi
para as duas candidaturas envolvidas.
Renato situou-se num patamar de empate técnico com Geraldo até final
de agosto. A partir de setembro, os sinais das pesquisas anteriores que sinalizavam
levemente para Geraldo começaram a ganhar relevo. Na segunda semana de setembro, Geraldo
lograra obter diferença expressiva sobre a candidatura Renato. Caso Renato, nesse
momento, tivesse renunciado em favor de Geraldo, como foi ventilado na época,
seguramente, teria capturado parte dos méritos da vitória de Geraldo. Possivelmente,
teria antecipado e alargado a "onda Geraldo". Observa-se que Geraldo venceu
mesmo que a dois dias da eleição os eleitores ainda estivessem acreditando na vitória
ou de Oduque ou de Ubaldo, embora não votassem na mesma proporção nessas candidaturas.
Uma aliança a três semanas entre Renato e Geraldo teria conferido confiança e maior
consistência à candidatura Geraldo. No entanto, caso a aliança de Renato fosse com
Ubaldo, provavelmente, o resultado também seria diferente do que foi.
Dinailton, por fim, em momento algum teve oportunidade nesta sucessão
municipal. Sua candidatura, no entanto, pelo tempo que dispunha, poderia ter sido muito
importante para outros nomes. Ubaldo, caso tivesse escolhido o PMDB de Dinailton em vez do
PRN como componente de sua Coligação, certamente, não teria perdido tanto a condição
de capitalizador da rejeição à administração em curso e teria tido um flanco a menos
para ser atacado.
A percepção e o alcance da significação dos atos individuais e dos
processos parecem só ganhar tranparência aos atores do espetáculo apenas vistos a
posteriori, ou após a coruja de Hegel ter aberto suas asas e alçado seu vôo.
* Texto extraído do livro Política & Pesquisas; a sucessão
municipal no Sul da Bahia. Edição do Autor (Agenor Gasparetto), Itabuna, Bahia, 1993.