SUBPRODUTOS  SOCIAIS DO
 MODELO ECONÔMICO REGIONAL 

O modelo econômico-social implantado na região, tendo no cacau seu produto viabilizador, solidificou uma estrutura social rígida, com forte concentração da renda e dos fatores de produção. E a cada crise, nova onda de desemprego, crescimento do subemprego e migração do meio rural para a cidade e para fora da região, como salientou o representante da  CNPC, Ronaldo Monteiro e vários sindicalistas no seminário-referência, embora por razões diferentes.

Da perspectiva social, a região não logrou superar sua condição de região subdesenvolvida sob todos os aspectos e sem exceção.

Há, portanto, um consenso de que a proliferação da pobreza na região está associada com o modelo primário-exportador assentado numa monocultura.

Esse quadro de pobreza, salientado particularmente pelos sindicalistas e reconhecido por todos que diagnosticaram o quadro social da região, resulta num possesso de urbanização deformado, com a expansão das favelas nas periferias das cidades, sobretudo em Itabuna e Ilhéus, que são carentes da infra-estrutura básica (saúde, água e saneamento básico, transportes, educação etc).

No tocante meio rural, os problemas são ainda mais graves e as populações não têm acessos aos bens e serviços considerados elementares. A distribuição de renda é muito desigual e a renda dos que habitam e vivem no meio rural, incluindo os pequenos produtores, é baixíssima.

No intuito de ilustrar o quadro social, serão explicitados dados relativos a alguns indicadores.

O índice de mortalidade infantil no meio rural dos municípios  Itabuna e Ilhéus em 1984, era de 137,3 crianças em cada 1000 nascidas vivas.

O índice de natimortalidade, dos municípios de Itabuna e Ilhéus, em 1980, era de 9,9 em cada 100 nascimentos.

A taxa de alfabetização urbana em Itabuna e Ilhéus, em 1980, era de 57,6%, enquanto que esta taxa, no meio rural, era de 29,8%.

O percentual de domicílios particulares permanentes com iluminação elétrica nos município de Itabuna e Ilhéus era de 69%, na Microrregião Homogênea Cacaueira, da Fundação IBGE, 48,1%.

O percentual de domicílios particulares permanentes com água encanada nos municípios de Ilhéus e Itabuna, em 1980, era de 57,2%, enquanto na Microrregião Homogênea Cacaueira, 38,9%.

Sem dúvidas, a realização neste ano de mais um Censo Demográfico, permitirá que se avalie os passos que foram dados no equacionamento da questão social nos últimos 11 anos. Contudo, indicadores preliminares apontam para uma deterioração da qualidade de vida dos brasileiros e, em particular, dos habitantes da região do cacau.

A problemática social do país, presente nas entrelinhas de muitos dos participantes do seminário, explicita o quanto o país e a região precisam caminhar em direção  ao “estado de bem-estar social”, para onde deve convergir o processo democrático. E na “dívida social”  está em jogo, em última analise, a “paz social”, referida pelo senador Josaphat Marinho, remete à indagação básica do deputado Waldir Pires: “o que é que queremos que seja a nossa sociedade?”, explicita o caráter “selvagem e suicida” deste capitalismo, no dizer do deputado Jabes Ribeiro.