O PREÇO DA INSTABILIDADE E DA DESARTICULAÇÃO

Este quadro se traduz numa crônica situação de instabilidade, que advém, fundamentalmente, da forte vinculação do processo produtivo a uma única matéria-prima.

A inconstância nos ritmos de crescimento, enfatizada pelo economista José Alexandre de Souza Menezes, evidencia, sem dúvidas, que a região não controla os mecanismos de crescimento econômico e desgasta-se em decorrência das flutuações, manifestas na dança dos milhões de dólares gerados pela economia cacaueira, que tendo já atingido a marca do bilhão, despencou para a metade e até um terço desta expressiva cifra no intervalo de poucos anos, como salientaram vários dos participantes do seminário-referência deste texto.

Estas oscilações, esta inconstância, longe de se constituírem em acidentes de percurso manifestam de forma transparente a própria natureza do modelo econômico-social desta região. Refletem a estrutura própria da mesma. Explicitam toda a fragilidade e toda a desarticulação a que esta região está exposta.

Como resultante deste processo, esta região que hoje enfrenta mais uma crise, embora esta tenha na Vassoura de Bruxa um elemento diferenciador e agravador; passou de região de fronteira para o capital e para os fluxos migratórios no final do século passado e primeiras décadas deste; transformou-se no esteio da economia e da arrecadação do estado da Bahia, para, nas últimas décadas, perder importância relativa no contexto estadual e, nos últimos anos, afundar-se em mais uma de suas muitas cises. E, a cada dia mais desacreditada, mais relegada a um segundo plano, no que se constitui num preço alto a pagar.