INTRODUÇÃO

No intuito de não induzir a equívocos de interpretação, enfatiza-se que este documento-proposta não é um resumo do seminário “A Crise da Região Cacaueira. Qual a Saída?”, realizado nos dias 3 e 4 de maio último, coordenado pelo IESP.

Contudo, este teve no seminário importante fonte de referência. Neste sentido, não deve o prezado leitor buscar nele o que disse cada um dos participantes em particular.

Para este fim, a Equipe de Sistematização teve a preocupação de transcrever as falas de todos quanto participaram e o teor de contribuição de cada um pode ser lido nos Anais do Seminário.

Este documento-proposta teve a intenção de apreender a problemática das crises regional e perspectiva de sua superação, buscando elementos expostos e/ou discutidos no referido seminário, como também os existentes na extensa literatura técnica sobre a região e seus problemas.

Em razão disto, este é um produto que extrapola a contribuição de referido evento. Tente retratar a visão do IESP na conjuntura atual porque passa a região, fazendo, inclusive, algumas indicações, concretas e viáveis.

Ressalta-se que as propostas aqui esboçadas não constituem um produto acabado; Ao requerem uma contribuição crítica por parte dos interessados e envolvidos com a sociedade e economia.

Registra-se, ainda, que a região tem sido objeto de grande preocupação. Documentos e propostas foram elaboradas, visando contribuir no esforço de sua reativação econômica e institucional.

Dentre esses trabalhos, ressalta-se “Sugestões para um Programa de Desenvolvimento Agrícola e Agro-industrial para a Região Cacaueira da Bahia”, elaborado sob a coordenação do Economista José Alexandre de Souza Menezes, da CEPLAC ( Janeiro de 1991), em nome da CNPC. Destaca-se ainda o documento “O Sul da Bahia tem Solução”, do então Deputado Federal Waldeck Ornelas. Hoje Secretário de Planejamento do Estado da Bahia ( Fevereiro de 1990).

Destaca-se a importância desse momento de efervescência e de criatividade, decorrente, em parte, da própria crise que parece dar sinais de superação, a curto prazo, favorecendo a busca de solução não só a nível da cacauicultura. O reconhecimento de que a crise de hoje é a crise de sempre, portanto estrutural, é uma luz no final do túnel .

Finalmente, destaca-se a emergência da formação de uma consciência que extrapola a mentalidade estritamente cacaueira, estimulada pela crise e pelo surgimento da doença Vassoura de Bruxa.

Esta nova consciência, necessariamente mais solidária por uma imperativo de sobrevivência, constitui-se numa promessa e poderá contribui para que esta região supere a crise e supere-se enquanto espaço subdesenvolvido.