DO PORTO  E DO POLIDUTO 

Atualmente, o Porto de Ilhéus e a construção do Poliduto da Petrobrás têm causado acirrada discussão entre aquele que defendem este último, via de regra prefeitos cujos municípios seriam supostamente beneficiados, particularmente Jequié e Itabuna,  e aqueles que questionam a oportunidade desta construção, neste momento em que este importante equipamento social do Sul da Bahia enfrenta sérias dificuldades de sobrevivência.

Inicialmente, analisando a viabilidade da construção do Poliduto em relação à necessidade de ampliação do cais múltiplo no Porto Internacional de Ilhéus, observa-se que o projeto do Poliduto não atende critérios que deveriam ser norteados para o investimento desta envergadura (pelo menos não estão explicitados).

Dentre os pontos criticáveis deste, destaca-se o custo financeiro da obra (empréstimos do exterior) em comparação com os benefícios esperados, ou seja, tal investimento não trará a curto e médio prazos a economia de transportes alegada pelos que defendem  esta construção.

O Porto Internacional de Ilhéus constitui-se numa das grandes conquistas das gerações passadas, como lembrou o Deputado Federal Waldir Pires; constitui-se num dos grandes equipamentos de que a Região Cacaueira e as outras regiões do Sul-Sudoeste do estado da Bahia possuem. É um instrumento de grande importância no processo de desenvolvimento de uma região ou de um país. Um escoadoro marítimo desempenha papel estratégico no contexto do transporte no mundo inteiro. (Temos o caso de Mina Gerais tentando uma saída para o mar, no Extremo-Sul da Bahia, e a partir dele tem uma importante abertura para o mundo. Temos a Bolívia a um século tentando resgatar uma saída para o mar).

Lembra-se que a construção do Poliduto representará a perda de mais de 50% da receita atual do porto e que vem apresentando dificuldades de manutenção dado o pequeno volume e o caráter sazonal de sua carga (cacau e derivados). Noutras palavras, está em jogo  a própria viabilidade econômica do Porto.

Diante deste quadro, parece o contra-senso, parece um irresponsabilidade comprometer a viabilidade do Porto de Ilhéus através da construção de um Poliduto, “ligando o mar com o mar”, às portas do próprio Porto de Ilhéus. E tendo por trás de tudo empresas interessadas nos recursos públicos e prefeitos sem visão de longo prazo, sem o sentido da história, sem a perspectiva de batalhadores de gerações anteriores que muito investiram na construção do mesmo.

Neste sentido, o Porto de Ilhéus não pode ser comprometido pela construção do Poliduto que a Petrobrás vem defendendo, ligando Madre de Deus, Salvador, a Itabuna, via Jequié, ou seja, ligando o mar com o mar, embora mais ou Sul, a pouco mais de 30 Km do atual Porto de Ilhéus! Importa salientar que esse Porto representa o interesse maior da Região e os interesse da Petrobrás e de outras empresas interessadas no Poliduto devem se submeter a este interesse.

Esta situação é, a um só tempo, curiosa e problemática, pois enquanto se lê o documento de Waldeck Ornelas, O Sul da Bahia Tem Solução, que se pretende ampliar o porto de Ilhéus, reativar o de Caravelas e dinamizar o de Campinhos, a região se depara com um golpe contra viabilidade do único porto que efetivamente tem e está em condições de desempenhar um papel econômico importante. Nesta conjuntura de crise, o primeiro e principal desafio será de manter os equipamentos existentes, desde que necessários ao desenvolvimento e o Porto se inclui como imprescindível nesse desafio. Nesse sentido, os portos de caravelas, no Extremo Sul, e de Campinhos, na porção Norte da Região, são projetos para o médio e longo prazos, quando a economia desta e das regiões circunvizinhas, mais o Oeste da Bahia, Norte de Minas, Goiás e Tocantins tiveram condições concretas de escoar suas produções através dos mesmos.