CACAU: REALIZAÇÕES E NÃO VIABILIZAÇÃO
 DE UMA MATRIZ INDUSTRIAL

O cacau, que fixou população, gerou um surto econômico e produziu cidades, enquanto sociedade e enquanto economia, na sua centenária trajetória, por diversas razões, não logrou transformar de forma significativa o espaço regional.

Este, apesar da aparência de grande viabilizador de acumulação de capitais, não viabilizou aqui uma matriz industrial, como assinalou o sociólogo Adeum Hilário Sauer.

E o parque moageiro de cacau instalado recentemente nesta região, é mais um aperfeiçoamento do modelo que a caracteriza e de em tempos em tempos a condena, do que propriamente um fator de transformação, uma vez que produz a desvinculação com o restante da economia. Não reduz a fragilidade e vulnerabilidade interna, porque não se constitui e nem gera  efeitos multiplicadores no interior do sistema. Trata-se, a rigor, de um ponto entre a produção e a exportação de sementes.

E o risco de uma Zona de Processamento de Exportações, ZPE, muito cara ao debatedor Isaac Albagli, a depender da forma concreta que vier a assumir, caso seja implantada, fortalecerá o atual modelo, já que parece ter na abertura no exterior sua principal característica. A diferença é que em vez de um único produto, talvez a região tenha vários e parece pouco provável que todos entrem em crise ao mesmo tempo.

As razões apontadas para esta sua não-transformação em matriz industrial podem ser resumidas, de um lado, apesar de toda a aparência em contrário, numa insuficiência de capital para esta transformação e, de um outro, na não conveniência, de uma ótica empresarial, em investir em um parque industrial ou agroindustrial local em função de um clima de insegurança social existente na região nas primeiras décadas do século, da atratividade maior em continuar expandindo a área cacaueira então e nas conjunturas mais favoráveis, da falta de infra-estrutura e de um inexpressivo mercado local consumidor de bens industriais, mais o fato de grandes proprietários, comerciantes e exportadores terem, via de regra, seu centro de interesses, a cidade de Salvador ou outra grande cidade do país, cabendo a esta região gerar excedentes que seriam investidos onde se situava o interesses destes agentes, os únicos que, de forma individual, poderiam investir na direção de um processo de industrialização.