A REGIÃO CACAUEIRA DA BAHIA. QUAL A SAÍDA?

Na análise da crise porque passa a Região Cacaueira da Bahia e na análise das perspectivas de saída da mesma, faz-se necessário apontar, antes de tudo, alguns parâmetros norteadores e delimitadores desta Região e da própria crise.

Estes possibilitarão situar a contribuição de cada um dos participantes do evento e contribuições presentes na literatura técnica num conjunto coerente e não na superposição desarticulada de idéias. Obviamente, estes parâmetros são discutíveis; contudo, constituem-se na espinha-dorsal deste documento-proposta.

 

A REGIÃO CACAUEIRA CENTRADA NOS PÓLOS ECONÔMICOS DE ILHÉUS E ITABUNA.

 

A região que produz cacau no estado da Bahia é, geograficamente, maior do que a região cacaueira centrada no seu pólo econômico principal, constituído por Itabuna e Ilhéus.

                Neste sentido, fazer da presença do cacaueiro como elemento definidor de Região Cacaueira induz a equívocos graves, conduz a concepção fictícia e a interpretação que prejudicam uma adequada colocação dos problemas e de seu lúcido encaminhamento.

                A propósito, nos últimos anos, uma série de trabalhos técnico-científicos foram desenvolvidos, boa parte destes gestados no Departamento de Geo-Ciências da UFBA, e apontam para a insustentabilidade de uma “Região Cacaueira de 2,5 ou 3 milhões de habitantes”, que abarcaria além do Extremo-Sul do Estado, também as regiões de Itapetinga, Vitoria da Conquista, Jequié e Valença, concepção herdada dos tempos do Diagnósticos Sócio-Econômico da Ceplac.

Esta aludida grande região, enquanto unidade regional e coerente consistente, não existe. Trata-se de um conceito difuso, nebuloso, de pouca utilidade na apreensão da realidade e no planejamento e intervenção na mesma.

Isto porque Vitória da Conquista em sua região de influência não vive, não respira nem suspira o cacau, tampouco gravita em torno de Ilhéus e Itabuna. Trata-se de uma região, sob este aspecto, não vinculada e nem dependente do que se passa em Itabuna e Ilhéus e, em graus de diversos o mesmo se aplica a Jequié, aos emergentes pólos urbanos do Extremo-Sul e suas regiões de influência. E mesmo a região de Valença sofre mais a influência de Salvador e de sua região metropolitana do que de Itabuna Ilhéus em quanto pólos hegemônicos.

Portanto, a “nossa região cacaueira”, para usar expressão cara a muitos participantes do seminário, abarca área mais restrita do que insinuada, é mais compacta, abrangendo talvez não mais do que 50 municípios2  e sua população está longe dos 2,5 ou 3 milhões ditos no seminário–referência desse texto.

A consciência desta fato contribui para que se pense realisticamente e sejam buscadas soluções razoáveis. E, mais de que isso, possibilita que as lideranças destas regiões e das regiões circunvizinhas “sentem-se a mesa”, em condições de igualdade enquanto representantes de determinados domínios espaciais, possam procurar soluções de que estas regiões, enquanto espaço social e regional mais amplo, necessitam, havendo uma vantagem mútua, caso isso venha a constituir-se em realidade. Isto porque estas compõem o espaço regional do sul da Bahia, como referiu-se Dr. Waldeck Ornelas em seu documento O Sul da Bahia Tem Solução, embora aqui se esteja incorporado, além do Extremo-Sul do então Deputado e agora secretário de Planejamento do Estado, também outros espaços sub-regionais circunvizinhos à Região Cacaueira centrada nos pólos urbanos de Ilhéus e de Itabuna, enquanto integrantes do cenário Sul-Sudoeste da Bahia.

Isto se faz necessário porque há equipamentos e estruturas que, embora localizadas em áreas específicas, pertencem ao conjunto das regiões limítrofes da Região Cacaueira tradicional. Entre estes equipamentos estão o porto, as rodovias, o Centro de Pesquisa do Cacau entre outros. E a própria FESPI, que, enquanto centro universitário, ultrapassa os limites da região centrada em Ilhéus e Itabuna, aqui definida como cacaueira, e para ser mais preciso, cacaueira tradicional. A solução para estes problemas, portanto, não se circunscreve à área de influência de Ilhéus e Itabuna, de sua lideranças e representantes políticos.

Obviamente entre as regiões há espaços de transição que constituem em um problema de difícil superação. Contudo, trabalha-se com conceitos que são aproximações da realidade e enquanto não se dispor de recursos e técnicas que permitam melhores aproximações, toma-se como referência produção de conhecimento já existente. No caso do Estado da Bahia, na perspectiva da identificação das diferentes regiões, há vários trabalhos e estes são dotados de relevância teórica e prática.