Situação político-eleitoral em Itabuna

 

A situação político-eleitoral em Itabuna, em fevereiro de 2004, apresentava era a seguinte, exposta nas duas tabelas a seguir.  

Tabela 1. Intenções de voto em Itabuna, 14 a 16 de fevereiro de 2004 (Percentuais).

Nomes e situação

Pesquisa espontânea

Pesquisa estimulada

Pesquisa de rejeição

Não sabe/não apontou

56,7%

19,9 %

 -

Nulo/branco

0,6 %

4,5 %

-

Sílvio Porto

0,1 %

1,0 %

10,6 %

Geraldo Briglia

0,1 %

0,2 %

8,3 %

Geraldo Simões

16,5 %

21,2 %

39,4 %

Fernando Gomes

19,3 %

26,8 %

32,5 %

Ubaldo Dantas

1,3 %

6,2 %

11,3 %

Renato Costa

2,0 %

7,4 %

10,6 %

Capitão Fábio

2,4 %

8,6 %

9,1 %

Saulo Pontes

0,0 %

0,6 %

8,0 %

Ronald Kalid

0,1 %

0,2 %

7,9 %

Ricardo Xavier

0,2 %

1,0 %

8,0 %

José Oduque

0,2 %

2,2 %

11,2 %

Val Cabral

0,0%

0,2 %

8,7 %

Outro candidato

0,5 %

0,0 %

-

Fonte: Sócio Estatística Pesquisas

Erro amostral: 2,8%, 1.271 pessoas ouvidas.

Obs.: Na pesquisa de rejeição, na medida em que é possível rejeitar mais de um ou mesmo nenhum, não há necessidade de fechar em 100%.

 

Tabela 2. Intenções de voto dos dois principais candidatos em Itabuna, 14 a 16 de fevereiro de 2004, considerando os intervalos de confiança (Percentuais).

Nomes e situação

Pesquisa espontânea

Pesquisa estimulada

Pesquisa de rejeição

Geraldo Simões

13,7% a 19,3%

18,4% a 24,0%

36,6% a 42,2%

Fernando Gomes

16,5% a 22,1%

24,0% a 29,6%

29,7% a 35,3%

Fonte: Sócio Estatística Pesquisas

Erro amostral: 2,8%, 1.271 pessoas ouvidas.

 

Forma correta (e pouco prática) de apresentar resultados eleitorais

A rigor, esta deveria ser a forma correta de apresentar resultados de pesquisa. Obviamente, fica muito mais complexa esse tipo de apresentação. Por razões de facilidade e simplicidade, é praxe apresentar apenas o percentual encontrado, informando o erro amostral.

Situação eleitoral em Itabuna, fevereiro de 2004

Observa-se, nesta tabela, que, na pesquisa estimulada, que é a que deve ser tomada como referência neste caso, o limite superior das intenções de voto em Geraldo Simões (24%) coincide com o limite inferior das intenções de voto em Fernando Gomes (24%). Portanto, tecnicamente falando, é possível se falar em uma situação de empate técnico entre essas duas candidaturas. Obviamente, na realidade, hoje, a probabilidade disso ser verdadeiro, fatuamente falando,  é quase zero. No entanto e mesmo assim, estamos diante de uma situação de empate técnico, estatisticamente falando, entre esses dois nomes. Também é importante não perder de vista outros indicadores, como a rejeição, por exemplo, que oportuniza mais elementos para uma compreensão mais ampla do quadro.

 Polarização e alternativas

Este quadro sugere que a emergência de uma situação alternativa à polarização que vem se desenhando, repetindo a eleição de quatro anos atrás, parece ser cada vez  menor. Um indicador desse fato é que as intenções de voto dos outros pré-candidatos está caindo a cada pesquisa e alguns nomes não estão conseguindo romper uma situação de intenções  de voto numericamente residuais. À medida que o processo eleitoral avança, mantida atual situação, tende a prevalecer o que em política convencionou-se denominar de “efeito Mateus”, fazendo uma alusão à parábola dos talentos, narrada pelo Evangelho de São Mateus, em que o Senhor, na hora da prestação de contas, tomou o pouco do que não fez  render o seu talento, dando-o ao que tinha mais. Na política, pelo “voto útil”, pelo “voto ganhador” e outros mecanismos, quem tem pouco tende a perder o pouco que tem. Quanto mais forte for o processo de polarização, menores e minguantes serão os percentuais dos que não se situam na polarização. Teoricamente, sempre é possível romper uma polarização. Todavia, o rompimento corresponde a exceção, não à regra e exige um esforço muito grande e uma conjunção muito favorável. Aqui, é preciso ter estrela, melhor, é preciso contar com a estrela, com a sorte. Essa, feliz ou infelizmente, não está sob controle de nenhum candidato e não marca hora. É sempre um encontro  venturoso, ardentemente desejado, mas nunca marcado.   

Por fim,  dado que não parece ser suficiente olhar apenas um resultado isolado, que corresponde a um corte no tempo, no caso, 14 a 16 de fevereiro de 2004,  estamos incluindo a trajetória histórica, que pode ser vista na seção de gráficos desta matéria. 

Veja também os gráficos das intenções de voto e sua trajetória.

 

Agenor Gasparetto
Sociólogo

socio@nuxnet.com.br

Itabuna,  16 de março de  2004.

 

COMO AS PESQUISAS SÃO FEITAS

As pesquisas de intenções devoto e de avaliação das administrações  realizadas pela empresa Sócio Estatística são pesquisas sociais por amostragem. Via de regra, a margem de erro situa-se próximo aos 3%, para mais ou para menos, ou seja, qualquer resultado pode oscilar até 3 pontos para cima e para baixo do resultado encontrado.  Concretamente, isto eqüivale a aproximadamente 1.100 entrevistas realizadas. Esse erro pressupõe um intervalo de confiança da ordem de 95%. Isto eqüivale a dizer que caso fossem realizadas no período 100 levantamentos, em 95 os resultados estariam dentro desta margem de erro. Pressupõe, também, que haja na população uma distribuição normal das opiniões ou dos posicionamentos quanto aos candidatos, ou seja, que a opinião seja distribuída ou generalizada em toda a população, independentemente de sua localização geográfica ou seu posicionamento sócio-econômico. As amostras são do tipo probabilística, estratificadas por idade, sexo e regiões da cidade. 

Os dados da pesquisa foram processados pelo programa estatístico desenvolvido para a área das  Ciências Sociais, SPSS. Os resultados da pesquisa realizada em fevereiro foram registrados na Justiça Eleitoral de Itabuna, na quinta-feira, dia 11 de março.

A última pesquisa, registrada na Justiça Eleitoral, foi realizada nos dias 14, 15 e 16 de fevereiro. Foram ouvidos 1.271 eleitores, correspondendo a um erro amostral próximo a 2,8%, supondo um intervalo de confiança da ordem de 95%. A pesquisa ouviu eleitores de todas as regiões da cidade, de todas as faixas etárias, níveis de instrução e de renda.

 Na análise de resultados de pesquisa, observa-se que a melhor análise é a que leva em consideração não o dado isolado, mas o conjunto dos resultados, isto porque o dado isolado pode não passar de uma acidente de amostra, não expressão de uma tendência. Uma leitura apressada ou superficial pode levar a uma compreensão equivocada da realidade expressada pela pesquisa, induzindo a equívocos de ação prática.  Convém considerar, aqui, o caráter efêmero de toda pes­quisa de opinião. Isto significa dizer que qualquer resultado pode sofrer mudanças no curso do tempo. Quanto maior a velocidade e consistência dos acontecimentos e medidas, maior também será a probabilidade disso ocor­rer.  No caso de uma eleição, em quadro não estabilizados, a velocidade aumenta à medida em que nos aproximamos do dia da eleição. Já em quadros estabilizados, em condições de normalidade e somente nessas condições, muitos meses antes já está desenhado o quadro que as urnas irão revelar. Aqui, o crucial é discernir entre a natureza das situações. Cabe ao sociólogo responsável pelas pesquisas apontar a natureza da situação.

 Por fim, é importante não perder de vista que a pesquisa é uma ferramenta, um corte na realidade, em um determinado momento, ou como muitos preferem, é uma fotografia de um processo. A realidade continua; a pesquisa é um ponto fixo no tempo. O trabalho da administração, como as medidas já tomadas, mudam a realidade e a opinião das pessoas. Isso significa que é  preciso ter um senso crítico em relação ao papel e o lugar das pesquisas.

Agenor Gasparetto
Sociólogo

Itabuna,  16 de março de  2004.