ITABUNA

 O quadro eleitoral em Itabuna, na perspectiva da pesquisa, é muito parecido com o de quatro anos passados. Todavia, a polarização é menos intensa, sobretudo pela força da candidatura Renato Costa e pelo desempenho televisivo de Geraldo Briglia. A disputa será entre Geraldo Simões e Fernando Gomes. A decisão será, como nas três eleições anteriores, por pequena margem. A pequena vantagem de Fernando, à semelhança da eleição anterior,  pode não se manter nesta semana decisiva, sobretudo pela maior capacidade de mobilização da militância petista. Renato, em função do voto útil, corre risco de perder pontos neste final de campanha e Briglia deverá crescer um pouco ainda. 

 Isso foi o que se disse antes da eleição. A última pesquisa foi confirmada.  A diferença da pesquisa da Sócio em relação às urnas no que tange às duas principais candidaturas foi muito pequena, menos de um ponto.


 A Diferença entre Fernando Gomes e Geraldo Simões, na última pesquisa era de 3,3%, a favor de Fernando Gomes. A discrepância entre urnas e Sócio Estatística, neste caso, foi de 0,6%.

 O fato mais relevante desta campanha e que selou a sorte desta eleição foi o processo que resultou numa primeira votação pelo TRE sinalizando para a impugnação da candidatura Fernando Gomes. Se houve um fato que por si só tem poder explicativo relevante, esse foi o fato. As pesquisas mostram que ele estancou processo de crescimento da candidatura Geraldo Simões, que era forte, inverteu tendência da candidatura Fernando Gomes, que passou a voltar a crescer. Visto do ângulo da rejeição,  a  de Geraldo voltou a subir e a ser maior do que a de Fernando.  Além disso, selou de vez a sorte da candidatura Renato Costa, que seria o grande beneficiado em caso de impugnação. Esse sonho terminou nesse episódio, impedindo-o de conquistar pela primeira vez a Prefeitura Municipal, já que o episódio consolidou a polarização entre Fernando e Geraldo que sempre existiu, estreitando a brecha da Terceira Via, que existia, pequena, é verdade, mas existia.

 Esta eleição parece provar a força de Fernando Gomes, que venceu duas vezes quando a sua oposição se dividiu em três. Perdeu uma quando essa se uniu. Perdeu por pequena margem e venceu também por pequena margem nas duas vezes na história recente. As três últimas eleições parecem mostrar que o eleitorado de Itabuna está dividido em dois grande blocos, quase iguais, em que qualquer cisão decide a eleição. Daqui a quatro anos, é possível que estejamos diante de uma situação praticamente igual. A sorte então poderá ser decidida ao longo desses anos, sendo o desfecho resultante de como as forças se agregam ou se fragmentam, de um lado ou de outro. 

 Itabuna,  2004. Resultados de pesquisas estimuladas (%)

Candidaturas - Realização

            Eleitores ouvidos

30/07

494

15-17/08

616

31/08-01/09

1.200

12-14/09

1.192

22-26/09

1.360

Fernando Gomes

33,2

37,8

34,6

36,7

36,5

Geraldo Simões

24,1

29,1

32,5

34,2

33,2

Não sabe

30,2

19,4

20,0

16,2

17,2

Renato Costa

7,7

10,1

10,2

9,3

9,4

Geraldo Briglia

0,2

0,6

0,8

1,4

1,8

Nulo/branco

4,7

2,8

2,0

2,0

1,5

Hamilton Gomes

0,0

0,2

0,0

0,2

0,4

Total

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

Fonte: Sócio Estatística Pesquisas.

  

Intenções de voto na eleição para prefeito em Itabuna-BA, 2004 (Pesquisa estimulada)

Fonte: Sócio-Estatística

  

Itabuna,  2004. Resultados oficiais do TRE

Candidatos

Votos

Votos Válidos (%)

FERNANDO GOMES

49.689

46,96

GERALDO SIMÕES

46.870

44,29

RENATO COSTA

7.516

7,10

GERALDO BRIGLIA

1.557

1,47

HAMILTON GOMES

184

0,17

Total de votos válidos

105.816

100,00

Votos em Branco

858

 

Votos Nulos

4.474

 

Total (comparecimento)

111.148

 

Abstenção

27.040

 

Total (Eleitorado Apurado)

138.188

 

Diferença Fernando-Geraldo

2.819

2,66

 



VITÓRIA DA CONQUISTA

 Em Vitória da Conquista, a campanha apresentou uma reviravolta completa. Coriolano Sales, até julho com grande vantagem, perdeu no mês agosto e, sobretudo, no mês de setembro. Há duas semanas e a uma semana da eleição,  José Raimundo conseguiu frente de nove pontos. Parece pouco provável que nova reversão do quadro aconteça, sendo o mais provável, portanto, que José Raimundo se reeleja.  

 Isto foi dito antes da eleição. As urnas acabaram confirmando plenamente as pesquisa da Sócio.  O eleitor de Vitória da Conquista que viu, às vésperas da eleição, out doors com resultados de dois institutos de pesquisa com sinalizações opostas pôde comprovar o acerto da Sócio. Esse, para a Sócio, era um quadro estabilizado nesta fase final da campanha. A diferença entre José Raimundo e Coriolano era de 9.4% a favor de José Raimundo. Nas urnas, essa diferença foi de 10,95%. A diferença entre urnas e Sócio foi de 1,55%.

 Vitória da Conquista, 2004. Resultados de pesquisas estimuladas (%)

Candidaturas - Realização

                  Eleitores ouvidos

17-19/07

931

25-26/08

1.189

18/09

1.239

25-26/09

1.206

José Raimundo

21,2

33,1

47,1

49,3

Coriolano Sales

51,1

48,3

37,6

39,9

Não sabe

21,4

15,8

12,8

7,0

Nulo/branco

4,9

2,1

2,1

3,5

Tico Oliveira

*

0,3

0,4

0,3

Ferdinand

*

0,4

0,0

0,0

Total

100,0

100,0

100,0

100,0

Fonte: Sócio Estatística Pesquisas.

*Havia, na época, a candidatura de Chico Estrela que tinha 1,4%. Ferdinand e Tico Oliveira não estavam como candidatos.


                Intenções de voto na eleição para prefeito em Vitória da Conquista-BA, 2004 (Pesquisa estimulada)

Fonte: Sócio-Estatística

Vitória da Conquista,  2004. Resultados oficiais do TER

Candidato

Votos

Votos Válidos (%)

JOSE RAIMUNDO

70.759

55,24

CORIOLANO SALES

56.732

44,29

TICO

595

0,46

Válidos

128.086

100,00

Votos em Branco

2.281

 

Votos Nulos

9.559

 

Total (comparecimento)

139.926

 

Abstenção

33.063

 

Total (Eleitorado do Município)

172.989

 

Diferença entre José Raimundo e Coriolano

14.027

10,95

 


ILHÉUS

A tradição recente de Ilhéus é definir com relativa antecedência, cerca de dois meses antes, o seu quadro, ao contrário de Itabuna. Foi assim nas eleições anteriores. Nesta também tudo se encaminhava para um desfecho semelhante. Valderico cresceu capitalizando o sentimento de mudança, contra o grupo Jabes Ribeiro, prefeito em seu segundo mandato consecutivo e terceiro intercalado.  O descolamento de Valderico, rompendo uma situação de empate técnico com Ângela Souza e Roland Lavigne deu-se a partir do mês de julho. Em setembro, Valderico tinha mais do que a soma dos seus dois adversários principais, que continuavam tecnicamente empatados, agora acompanhados também por Ruy, do Partido dos Trabalhadores, que sinalizava crescimento.  Em meados de setembro, a candidatura Roland  perdeu consistência e caiu para um dígito, renunciando em seguida para apoiar Ruy, que já estava matematicamente empatado com Ângela, para  ultrapassá-la no final de semana que antecedeu a eleição.  A candidatura Ruy começou a ganhar densidade e força, porém em uma velocidade e em uma intensidade insuficiente para em tão curto espaço de tempo reverter situação ainda amplamente favorável para Valderico. A seu favor, contudo, havia os seguintes fatores: aumento da militância e das adesões, expressivo percentual de indecisos, o fortalecimento de um sentimento de inconformidade com uma eventual vitória de Valderico. A propósito, em caso de voto útil, tanto os eleitores de Ângela como os do próprio Soane migrariam para Ruy. Ruy somente vencerá se efetivamente grande parte dos indecisos, dos eleitores de Soane e de Ângela migrarem tentando impedir uma vitória de Valderico. Deve contar também que Valderico perca votos em função de boatos sobre seu voto resultar em nulo e desacertos de campanha. Essa combinação de fatos, teoricamente possível, mas difícil, se constitui na principal possibilidade de vencer e de Valderico perder. Ângela mantém-se no patamar dos 15% ao longo de todo o processo eleitoral. Soane nunca chegou aos dois dígitos e sua candidatura tem rejeição superior a 40%. Hoje, num quadro eleitoral bastante turbulento da véspera da eleição, Valderico somente será derrotado se os eleitores de Ângela, pelo menos 40% de igrejas evangélicas, renunciarem à candidatura do coração e fizerem voto útil em favor de Ruy.  Em suma, Ruy em Ilhéus, em 2004, guarda alguma semelhança com a primeira vitória de Geraldo Simões, em Itabuna, em 1992,  quando venceu o favorito Ubaldo Dantas e o candidato do então prefeito Fernando Gomes, e todo esse processo ocorrido no mês da eleição.  No entanto, dada a distância que havia entre Valderico e Ruy  e com muito menos perspectivas Ângela, Ruy não precisa de uma onda boa para surfe, mas de uma tsunami.  O incrível é que em política, tsunamis também ocorrem, mas ocorrem com raríssima freqüência. À distância, não há como avaliar que onda bateu nas urnas ilheenses, certamente não é uma marola, assim como parece muito pouco provável que seja uma tsunami. 

 Isto foi o que foi dito. Houve uma tsunami, mas legal, por conta do processo de impugnação do vice de Valderico Reis. Nas urnas, nenhuma surpresa. Ruy descolou de Ângela, mas ficou muito longe para se constituir em uma ameaça contra a liderança nas urnas de Valderico. Ao contrário, os boatos e fatos de final de campanha parecem ter reforçado o sentimento de que ele estava sendo uma vítima desse processo eleitoral. A propósito, foi esse mesmo sentimento que fez Valderico capitalizar os ventos da mudança, contra o situacionismo local. A diferença entre Ruy e Ângela, em 01/10, era de 7,2%. Retirando-se a candidatura de Valderico, essa diferença vai para 11,9% a favor de Ruy. Nas urnas, essa diferença foi de 8,71% sem Valderico. A diferença entre urnas e Sócio foi de 3,19%.

 Ilhéus,  2004. Resultados de pesquisas estimuladas (%)

Candidaturas   - Realização

                Eleitores ouvidos

14-16/07

1.004

20-23/08

1.027

15/09

1.037

25-28/09

1.429

01/10

956

Sem Valderico

Valderico Reis