Resultados de pesquisas Eleitorais, 2004

 

No processo eleitoral de 2004, a Sócio Estatística realizou várias pesquisas que foram objeto de registro na Justiça Eleitoral e tornadas públicas em função do interesse do contratante. (Nenhuma em Itabuna e Ilhéus foi objeto de divulgação na campanha eleitoral deste ano). Os resultados dessas pesquisas e de outras serão reproduzidos abaixo. Em função da escassez de tempo, não serão agregados, neste momento, comentários.

         Antes da apresentação desses resultados de pesquisas estimuladas (os resultados das pesquisas espontânea e de rejeição não serão aqui expostos), são necessárias algumas observações.

         O tamanho da amostra, supondo um intervalo de confiança da ordem de 95%, implica em erros amostrais de cada uma de 5%, aproximadamente 400 entrevistas, a 3%, aproximadamente 1200 entrevistas. O número e o percentual de indecisos assim o percentual de intenções de voto dados a cada candidatura estão nas próprias tabelas.  

         Obviamente, a melhor análise é a que leva em consideração não o dado isolado, mas o conjunto dos resultados, isto porque o dado isolado pode não passar de um acidente de amostra, não expressão de uma tendência. Uma leitura apressada ou superficial pode levar a uma compreensão equivocada da realidade expressada pela pesquisa, induzindo a equívocos de ação prática.  Convém considerar, aqui, o caráter efêmero de toda pesquisa de opinião. Isto significa dizer que qualquer resultado pode sofrer mudanças no curso do tempo. Quanto maior a velocidade e consistência dos acontecimentos e ações, maior também será a probabilidade disso ocorrer. Em períodos próximos da eleição, essa velocidade tende a aumentar e, por vezes, dramaticamente, resultando nas famosas  surpresas eleitorais, em que candidatos mal posicionados terminam com votações expressivas e, algumas vezes, vencendo.  No caso de uma eleição, a informação mais relevante e que requer sensibilidade sociológica é a avaliação da situação em termos de grau de estabilidade do processo eleitoral. (Neste ponto, a Lei Eleitoral, por força da Categoria Profissional dos Estatísticos,  fez o TSE incorporar a exigência de um Estatístico nas pesquisas objetos de registro e de divulgação,  não levou em conta que o essencial em uma pesquisa eleitoral não é a dimensão ferramental, de grande valor, todavia, mas a dimensão sociológica e/ou política, devendo haver a exigência obrigatória desse ou pelo menos também desse profissional).  Isto posto, no caso de uma eleição, em quadro não estabilizados, a velocidade aumenta à medida em que nos aproximamos do dia da eleição. Já em quadros estabilizados, em condições de normalidade e somente nessas condições, muitos meses antes já está desenhado o quadro que as urnas irão revelar. Aqui, o crucial é discernir entre a natureza das situações.  Cabe ao sociólogo responsável pelas pesquisas apontar a natureza da situação.

         É importante não perder de vista que a pesquisa é uma ferramenta, um corte na realidade, em um determinado momento, ou como muitos preferem, é uma fotografia de um processo. A realidade continua; a pesquisa é um ponto fixo no tempo. O trabalho, o marketing, os debates, o Horário Eleitoral Gratuito, a mídia, a mobilização, as manifestações e toda sorte de ações que compõem uma campanha eleitoral interferem na realidade e podem mudar quadros. Isso significa que é preciso ter um senso crítico em relação ao papel e o lugar das pesquisas e entender o significado de cada uma, não perdendo de vista que, em processos eleitorais, são produtos, em quadros não estabilizados, com altas taxas de perecibilidade e a validade vence com grande rapidez.

 Contudo, em política, enquanto houver tempo e houver forças sociais (atores e processos) atuando na realidade, é sempre possível mudanças. Agregue-se a isso o fato de que toda pesquisa é uma fotografia que capta uma realidade em movimento.  Cada pesquisa deve ser olhada como um retrato do período de sua realização.

 Agenor Gasparetto
Sociólogo

Itabuna,  2 de outubro de 2004 (Publicada na página dia 3 de outubro, às 17 horas)  

 

ELEIÇÕES 2004; Resultados de pesquisas estimuladas realizadas semanas ou alguns meses antes das eleições.

 

O objetivo desta divulgação é dar ao eleitor e cidadão a percepção do quadro eleitoral em diferentes municípios a partir  de pesquisas de intenções de voto. Não se trata de pesquisas de boca de urna. São pesquisas realizadas na semana da eleição algumas, a maioria semanas antes e outras há mais de um mês antes da eleição.

 Itabuna,  2004. Resultados de pesquisas estimuladas (%)

Candidaturas - Realização

            Eleitores ouvidos

30/07

494

15-17/08

616

31/08-01/09

1.200

12-14/09

1.192

22-26/09

1.360

Não sabe

30,2

19,2

20,0

16,2

17,2

Nulo/branco

4,7

2,8

2,0

2,0

1,5

Geraldo Briglia

0,2

0,6

0,8

1,4

1,8

Geraldo Simões

24,1

29,1

32,5

34,2

33,2

Fernando Gomes

33,2

37,8

34,6

36,7

36,5

Renato Costa

7,7

10,1

10,2

9,3

9,4

Hamilton Gomes

0,0

0,2

0,3

0,2

0,4

Total

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

Fonte: Sócio Estatística Pesquisas.

 O quadro eleitoral em Itabuna, na perspectiva da pesquisa, é muito parecido com o de quatro anos passados. Todavia, a polarização é menos intensa, sobretudo pela força da candidatura Renato Costa e pelo desempenho televisivo de Geraldo Briglia. A disputa será entre Geraldo Simões e Fernando Gomes. A decisão será, como nas três eleições anteriores, por pequena margem. A pequena vantagem de Fernando, à semelhança da eleição anterior,  pode não se manter nesta semana decisiva, sobretudo pela maior capacidade de mobilização da militância petista. Renato, em função do voto útil, corre risco de perder pontos neste final de campanha e Briglia deverá crescer um pouco ainda.  

 

Vitória da Conquista, 2004. Resultados de pesquisas estimuladas (%)

Candidaturas - Realização

                  Eleitores ouvidos

17-19/07

931

25-26/08

1.189

18/09

1.239

25-26/09

1.206

Não sabe

21,4

15,8

12,8

7,0

Nulo/branco

4,9

2,1

2,1

3,5

Coriolano Sales

51,1

48,3

37,6

39,9

José Raimundo

21,2

33,1

47,1

49,3

Ferdinand

-*

0,4

0,0

0,0

Tico Oliveira

-

0,3

0,4

0,3

Fonte: Sócio Estatística Pesquisas.

*Havia, na época, a candidatura de Chico Estrela que tinha 1,4%. Ferdinand e Tico Oliveira não estavam como candidatos.

 

Em Vitória da Conquista, a campanha apresentou uma reviravolta completa. Coriolano Sales, até julho com grande vantagem, perdeu no mês agosto e sobretudo  no mês de setembro. Há duas semanas e há uma semana da eleição,  José Raimundo conseguiu frente de nove pontos. Parece pouco provável que nova reversão do quadro aconteça, sendo o mais provável, portanto, que José Raimundo se reeleja. 


Ilhéus,  2004. Resultados de pesquisas estimuladas (%)

Candidaturas   - Realização

Eleitores

14-16/07

1.004

20-23/08

1.027

15/09

1.037

25-28/09

1.429

Não sabe

24,4

12,3

14,9

13,5

Nulo/branco

4,9

2,5

2,1

2,6

Valderico Reis

25,8

33,2

36,3

37,7

Dr. Ruy

7,7

11,4

15,5

18,9

Ângela Souza

14,4

14,6

15,4

16,4

Roland Lavigne

17,1

15,3

6,5

0,4

Soane Nazaré

4,9

10,2

8,9

9,3

Correa

0,3

0,3

0,4

0,1

Magno Lavigne

0,5

0,1

0,0

1,0

Total

100,0

100,0

100,0

100,0

Fonte: Sócio Estatística Pesquisas.

         A tradição recente de Ilhéus é definir com relativa antecedência, cerca de dois meses antes, o seu quadro, ao contrário de Itabuna. Foi assim nas eleições anteriores. Nesta também tudo se encaminhava para um desfecho semelhante. Valderico cresceu capitalizando o sentimento de mudança, contra o grupo Jabes Ribeiro, prefeito em seu segundo mandato consecutivo e terceiro intercalado.  O descolamento de Valderico, rompendo uma situação de empate técnico com Ângela Souza e Roland Lavigne deu-se a partir do mês de julho. Em setembro, Valderico tinha mais do que a soma dos seus dois adversários principais, que continuavam tecnicamente empatados, agora acompanhados também por Ruy, do Partido dos Trabalhadores, que sinalizava crescimento.  Em meados de setembro, a candidatura Roland  perdeu consistência e caiu para um dígito, renunciando em seguida para apoiar Ruy, que já estava matematicamente empatado com Ângela, para  ultrapassá-la no final de semana que antecedeu a eleição.  A candidatura Ruy começou a ganhar densidade e força, porém em uma velocidade e em uma intensidade insuficiente para em tão curto espaço de tempo reverter situação ainda amplamente favorável para Valderico. A seu favor, contudo, havia os seguintes fatores: aumento da militância e das adesões, expressivo percentual de indecisos, o fortalecimento de um sentimento de inconformidade com uma eventual vitória de Valderico. A propósito, em caso de voto útil, tanto os eleitores de Ângela como os do próprio Soane migrariam para Ruy. Ruy somente vencerá se efetivamente grande parte dos indecisos, dos eleitores de Soane e de Ângela migrarem tentando impedir uma vitória de Valderico. Deve contar também que Valderico perca votos em função de boatos sobre seu voto resultar em nulo e desacertos de campanha. Essa combinação de fatos, teoricamente possível, mas difícil, se constitui na principal possibilidade de vencer e de Valderico perder. Ângela mantém-se no patamar dos 15% ao longo de todo o processo eleitoral. Soane nunca chegou aos dois dígitos e sua candidatura tem rejeição superior a 40%. Hoje, num quadro eleitoral bastante turbulento da véspera da eleição, Valderico somente será derrotado se os eleitores de Ângela, pelo menos 40% de igrejas evangélicas, renunciarem à candidatura do coração e fizerem voto útil em favor de Ruy.  Em suma, Ruy em Ilhéus, em 2004, guarda alguma semelhança com a primeira vitória de Geraldo Simões, em Itabuna, em 1992,  quando venceu o favorito Ubaldo Dantas e o candidato do então prefeito Fernando Gomes, e todo esse processo ocorrido no mês da eleição.  No entanto, dada a distância que havia entre Valderico e Ruy  e com muito menos perspectivas Ângela, Ruy não precisa de uma onda boa para surfe, mas de uma tsunami.  O incrível é que em política, tsunamis também ocorrem, mas ocorrem com raríssima frequência. À distância, não há como avaliar que onda bateu nas urnas ilheenses, certamente não é uma marola, assim como parece muito pouco provável que seja uma tsunami.


Jequié, 2004. Resultado de pesquisa estimulada (%). 27 e 28 de setembro de 2004.

Candidatos

%

Não sabe

23,6

Nulo/branco

1,1

Leur Lomanto

18,9

Borginho

8,0

Isaac do Correio

17,0

Prof. Reinaldo Pinheiro

31,4

Total

100,0

Fonte: Sócio Estatística Pesquisas.

Em Jequié, Professor Reinaldo Pinheiro lidera e é o favorito. Borginho está fora do páreo. Leur Lomanto tem dificuldades em crescer e Isaac do Correio pode surpreender.

 

Itajuípe, 2004. Resultado de pesquisa estimulada (%). 26 de setembro de 2004.

Candidatos

%

Não sabe

13,1

Nulo/branco

0,6

Eduardo Santana

4,4

Marcos Dantas

42,3

Paulo Martinho

27,0

Demétrio Barra

1,6

Major Vete

10,8

Total

100,0

Fonte: Sócio Estatística Pesquisas.

Em Itajuípe, Marcos Dantas deverá ser o vencedor.  O atual prefeito, Paulo Martinho, está no páreo. Será necessário uma grande superação neste final de campanha para reverter situação.

 

Buerarema, 2004. Resultado de pesquisa estimulada (%). 22 de setembro de 2004.

Candidatos

%

Não sabe

10,8

Nulo/branco

0,3

Carlos Albérico

1,0

Dr. Mardes

37,8

Orlando

49,7

Ernandinho

0,3

Total

100,0

Fonte: Sócio Estatística Pesquisas.

        Em Buerarema, Dr. Mardes e Orlando disputam, com  melhores perspectivas para Orlando, que deverá se reeleger, mas em um quadro de disputa acirrada.

 

Ibirapitanga, 2004. Resultado de pesquisa estimulada (%). 16 de setembro de 2004.

Candidatos

%

Não sabe

13,4

Nulo/branco

1,8

Getúlio

10,6

Eraldo

46,1

Serjão

28,1

Total

100,0

Fonte: Sócio Estatística Pesquisas.

 Em Ibirapitanga, Eraldo está melhor posicionado, devendo ser o vencedor.

 

Canavieiras, 2004. Resultado de pesquisa estimulada (%). 23 e 24 de setembro de 2004.

Candidatos

%

Não sabe

19,7

Nulo/branco

1,5

Zairo

40,5

Trajano

1,2

Almir Melo

28,9

Alda

8,3

Total

100,0

Fonte: Sócio Estatística Pesquisas.

 Em Canavieiras, Zairo está melhor posicionado. Almir Melo tem dificuldades em crescer e Alda corre por fora, mas está muito atrás para ser uma ameaça efetiva.