Sócio Estatística, continuando de bem com as urnas

     Esta é a quarta eleição municipal em que a Sócio Estatística participa como empresa de pesquisas. Nesta, a empresa ampliou seu espaço de atuação, atuando em várias cidades de porte médio do Estado, particularmente na sua metade Sul. 

     Desde sua fundação, a Sócio Estatística vem mantendo princípios, como independência, não exclusividade, compromisso com a opinião pública e a realidade. Felizmente, mais uma vez, os resultados confirmaram nossas pesquisas, em praticamente todos os municípios em que atuamos.  Na fase final de campanha, para podermos atender bem aos nossos clientes e evitarmos constrangimentos, procuramos tanto quanto possível, ter apenas um cliente em cada município, orientando a procurarem outros institutos. O critério de seleção do cliente foi ligação, dada pela contratação histórica de pesquisas, maior com a empresa neste processo eleitoral, independentemente de perspectivas de vitória ou de coloração ideológica e partidária.  Nesse sentido, tivemos clientes de vários partidos, de diferentes ideologias e ficamos com clientes que sabíamos ser improvável vitória, mesmo tendo acenos, na fase final da campanha, para fazermos pesquisa para quem imaginávamos vencedor o que as urnas acabaram confirmando. Esse critério objetivou evitar um uso oportunista das nossas pesquisas, assegurando um mínimo de proteção aos interesses do cliente em caso de resultados negativos encontrados pela nossa pesquisa. É por essa razão que nossas pesquisas não foram tornadas públicas em Ilhéus e Itabuna, por exemplo. Essa foi a forma com que tentamos compatibilizar independência da empresa com preservação dos interesses dos nossos clientes.

     A Sócio esteve e continua de bem com as urnas e seus números. Itabuna, cidade que viu a Sócio nascer e se consolidar, sabe disso.

     Na primeira eleição de que participou, em 1992, apontou um tríplice empate técnico entre o favorito Ubaldo Dantas, José Oduque Teixeira, apoiado por Fernando Gomes, e Geraldo Simões, com vitória do petista Geraldo Simões. Fomos o único instituto a acertar. (Em todas as eleições, antes de abrir as urnas, cópias de relatório contendo o desempenho da empresa é distribuído a alguns jornalistas e empresários, antes da abertura das urnas. Isto foi feito também nesta eleição).

     Na eleição seguinte, em 1996, em que Fernando Gomes venceu Renato Costa, este apoiado por Geraldo Simões, tendo Davidson como terceira alternativa, apoiado por Ubaldo Dantas, acertamos o percentual de Davidson e a diferença entre Fernando e Renato, ficou em dois décimos, ou seja, 0,2%.

    Na terceira eleição, em 2000, em que Geraldo Simões, recompõe praticamente toda a base oposicionista, nossas pesquisas apontaram durante todo o mês de setembro uma situação de empate técnico, com frente de dois a três pontos para Fernando.  A eleição foi vencida por Geraldo Simões, com pequena diferença.

     Nesta última eleição, em que a oposição a Fernando mais uma vez se dividiu em duas correntes, de um lado, Geraldo e Davidson, e de outro, Renato, Ubaldo e Xavier, nossas pesquisas apresentaram, no mês de setembro, uma situação de empate técnico entre Geraldo e Fernando, com frente de dois a três pontos para Fernando. As urnas confirmaram nossas pesquisas. A discrepância das urnas em relação à Sócio com relação à diferença  entre Fernando e Geraldo foi menor do que um ponto percentual.

     Portanto, em Itabuna, a Sócio Estatística esteve e continua de bem com as urnas. O eleitor de Vitória de Conquista, que viu nos out doors espalhados pela cidade os números de dois institutos mostrando resultados opostos, também pôde confirmar o que o itabunense e o Sul da Bahia já sabe há bastante tempo.

  

AS URNAS E A SÓCIO ESTATÍSTICA NAS ELEIÇÕES DE 2004

 Por  Agenor Gasparetto, Sociólogo

 

 Cada eleição é única. Todavia, alguns indicadores são confirmados e ganham mais consistência. Dentre esses, destacam-se:

a)      A avaliação do grau de estabilidade eleitoral da situação.  Em casos de estabilidade, resultados de pesquisa há 15 dias, como em Canavieiras e Vitória da Conquista, há um mês, como em Cruz das Almas, há seis ou mais meses, como em Santa Luzia, em Ubaitaba, em Barra do Rocha, Una, Luís Eduardo Magalhães entre outros,  permanecem válidos. É como se a fotografia eleitoral fosse sempre a mesma.  A avaliação do grau de estabilidade é responsabilidade do sociólogo responsável pela pesquisa.

b)      A importância estratégica da avaliação da administração municipal. O eleitor escolhe tendo como filtro a avaliação que faz da administração em curso. Nos poucos municípios em que as urnas não confirmaram plenamente nossos resultados, a mudança observada, coincidentemente, sempre foi contra prefeitos em busca de reeleição ou pretendendo fazer sucessor. Em alguns casos, deu-se contra prefeitos  em busca de reeleição com avaliação da administração tendendo ao positivo. Em suma, o eleitor tende a ser rigoroso com quem detém o poder municipal.

c)       Elevado percentual de indecisos próximos da eleição deve ser interpretado como indicador de instabilidade do quadro eleitoral e de possíveis más notícias para quem ocupa o poder ou está tendo o seu apoio, já que esses, nestes casos, tendem a migrar em bloco para direção à oposição. 

d)      A boca de urna, possivelmente, tenha menos importância do que muitos analistas imaginam. Nesta eleição, assim como na anterior, em um momento do dia, dei-me ao trabalho de percorrer rapidamente todos os principais pontos de votação da cidade de Itabuna. A impressão visual parecia, nas duas eleições, colocar em cheque às pesquisas. Nesta, por volta das 14 horas, a impressão, utilizando analogia e exagerando com o propósito de realçar, para seguir o clássico da Sociologia Max Weber, vi um mar de vermelho (candidatura Geraldo Simões), ilhas de amarelo (candidatura Fernando Gomes) e algumas gaivotas brancas (candidatura Renato Costa). Com situação invertida, foi a eleição de quatro anos antes. Urnas abertas, a impressão visual não foi novamente confirmada.

 

 Resultados de Pesquisas estimuladas semanas ou mais antes das eleições

     No processo eleitoral de 2004, a Sócio Estatística realizou várias pesquisas que foram objeto de registro na Justiça Eleitoral e tornadas públicas em função do interesse do contratante. (Nenhuma em Itabuna e Ilhéus foi objeto de divulgação na campanha eleitoral deste ano). Os resultados dessas pesquisas e de outras serão reproduzidos abaixo. Em função da escassez de tempo, não serão agregados, neste momento, comentários.

     Antes da apresentação desses resultados de pesquisas estimuladas (os resultados das pesquisas espontânea e de rejeição não serão aqui expostos), são necessárias algumas observações.

     O tamanho da amostra, supondo um intervalo de confiança da ordem de 95%, implica em erros amostrais de cada uma de 5%, aproximadamente 400 entrevistas, a 3%, aproximadamente 1200 entrevistas. O número e o percentual de indecisos assim o percentual de intenções de voto dados a cada candidatura estão nas próprias tabelas.  

     Obviamente, a melhor análise é a que leva em consideração não o dado isolado, mas o conjunto dos resultados, isto porque o dado isolado pode não passar de um acidente de amostra, não expressão de uma tendência. Uma leitura apressada ou superficial pode levar a uma compreensão equivocada da realidade expressada pela pesquisa, induzindo a equívocos de ação prática.  Convém considerar, aqui, o caráter efêmero de toda pesquisa de opinião. Isto significa dizer que qualquer resultado pode sofrer mudanças no curso do tempo. Quanto maior a velocidade e consistência dos acontecimentos e ações, maior também será a probabilidade disso ocorrer. Em períodos próximos da eleição, essa velocidade tende a aumentar e, por vezes, dramaticamente, resultando nas famosas  surpresas eleitorais, em que candidatos mal posicionados terminam com votações expressivas e, algumas vezes, vencendo.  No caso de uma eleição, a informação mais relevante e que requer sensibilidade sociológica é a avaliação da situação em termos de grau de estabilidade do processo eleitoral. (Neste ponto, a Lei Eleitoral, por força da Categoria Profissional dos Estatísticos,  fez o TSE incorporar a exigência de um Estatístico nas pesquisas objetos de registro e de divulgação,  não levou em conta que o essencial em uma pesquisa eleitoral não é a dimensão ferramental, de grande valor, todavia, mas a dimensão sociológica e/ou política, devendo haver a exigência obrigatória desse ou pelo menos também desse profissional).  Isto posto, no caso de uma eleição, em quadro não estabilizados, a velocidade aumenta à medida que nos aproximamos do dia da eleição. Já em quadros estabilizados, em condições de normalidade e somente nessas condições, muitos meses antes já está desenhado o quadro que as urnas irão revelar. Aqui, o crucial é discernir entre a natureza das situações.  Cabe ao sociólogo responsável pelas pesquisas apontar a natureza da situação.

     É importante não perder de vista que a pesquisa é uma ferramenta, um corte na realidade, em um determinado momento, ou como muitos preferem, é uma fotografia de um processo. A realidade continua; a pesquisa é um ponto fixo no tempo. O trabalho, o marketing, os debates, o Horário Eleitoral Gratuito, a mídia, a mobilização, as manifestações e toda sorte de ações que compõem uma campanha eleitoral interferem na realidade e podem mudar quadros. Isso significa que é preciso ter um senso crítico em relação ao papel e o lugar das pesquisas e entender o significado de cada uma, não perdendo de vista que, em processos eleitorais, são produtos, em quadros não estabilizados, com altas taxas de perecibilidade e a validade vence com grande rapidez.

    Contudo, em política, enquanto houver tempo e houver forças sociais (atores e processos) atuando na realidade, é sempre possível mudanças. Agregue-se a isso o fato de que toda pesquisa é uma fotografia que capta uma realidade em movimento.  Cada pesquisa deve ser olhada como um retrato do período de sua realização. Isto é importante de se afirmar para que não se tenha a ilusão de ver uma pesquisa realizada há 15 dias ou a um mês da eleição, ou mesmo há uma semana, como fato consumado a espera da abertura das urnas. Entre a pesquisa e as urnas a vida, as estratégias, o esforço de convencimento continua e muito pode ser mudado. Do contrário,  dever-se-ia cruzar os braços e esperar sentado.  Ninguém faz isso. Ao contrário, intensifica as ações na esperança de sustentar uma situação ou de revertê-la.

Clique para acessar o Resultado das Pesquisas em diversas cidades da Bahia