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Segundo o analista político independente e professor emérito da Universidade Federal de Minas (UFMG), Fábio Wanderley Reis, em entrevista ao jornal Estadão, do último Domingo,  “uma eventual vitória de Ciro Gomes (PPS) poderá representar um retrocesso institucional, um triunfo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) produzirá turbulências e mesmo José Serra (PSDB) teria problemas com o Legislativo”

Veja outros trechos em que o analista político não faz nenhuma concessão a Ciro Gomes, desqualificando-o e comprando-o a Collor de Mello entre outras coisas:

·         tem o destempero, a agressividade, algumas propostas, como a que significariam um enfrentamento onde estariam supostamente encasteladas as oligarquias... Enfrentamento este que seria feito pelo líder diretamente com a massa popular. Tudo isso sugere enorme risco e é fator de grande turbulência”.

·         Parece que houve certa compulsão de mentir, cuja motivação é difícil de desvendar. Coisas sobre o tempo que estudou em escola pública. Se há mentiras sobre coisas tão insignificantes, o que fica é a possibilidade de que seja uma compulsão, um traço a mais nessa configuração de traços negativos, que sugerem inconsistências, uma pessoa destemperada”.

·         “Me parece que a candidatura Ciro é um pouco a retomada da candidatura Collor. Ainda que as duas coisas não sejam absolutamente idênticas, há uma certa retomada do aventureirismo. Não dá para imaginar um governo com Brizola e ACM juntos. Ou melhor, dá para imaginar qualquer coisa. Posso imaginar tanto um Ciro destrambelhado – partindo para uma aventura, peitando o Congresso em nome de propostas de mudanças que o eleitorado seria convidado a respaldar - quanto um Ciro acomodado, administrando com o PFL”.

       Enquanto uma outra entrevista, com  um outro analista menos cruel com a candidatura Ciro Gomes não aparecer no jornal Estadão e a página www.estadao.com.br, o leitor poderá acessar a entrevista aqui referida, na íntegra.

Nessa análise, duas coisas merecem atenção:  a primeira é que a pessoa Ciro Gomes é equivalente ao político e à candidatura Ciro Gomes e também a um hipotético, e cada vez mais improvável, pelo que se pode inferir, governo de Ciro Gomes. A esse respeito, o leitor poderia se perguntar se é possível num país como o Brasil, com a complexidade e a estrutura existente, em que há em funcionamento (bem ou mal) um Legislativo e um Judiciário, um Presidente ter tamanho poder? A segunda é que, nessa análise, Ciro hoje traria  resultantes em termos de governabilidade semelhantes as que eram atribuídas a Lula em campanhas anteriores. E, sendo isso verdadeiro, o governismo não tentará fazer com que, havendo um Segundo Turno, Lula passe a  significar novamente isso? A propósito,  o risco-Brasil e o dólar têm revelado grande sensibilidade nos últimos tempos.

Agenor Gasparetto

Itabuna, 9 de setembro de 2002

 

Veja a entrevista na íntegra:

http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/09/08/pol025.html