Caderno
Reflexões políticas e eleições
Estando a
uma semana da próxima eleição para presidente, governador do estado, dois
senadores, e, na Bahia, 39 deputados federais e 63 deputados estaduais, a
Sócio Estatística oportunizará aos eleitores itabunenses algumas reflexões,
reunidas num caderno especial, a ser encartado, no jornal itabunense Diário
do Sul, provavelmente no próximo dia 1º de outubro de 2002.
Seguem
seis textos, escritos a partir do final de agosto, publicados originalmente
na página
http://www.socio-estatistica.com.br, e, aqui, transcritos literalmente,
além da retrospectiva dos resultados dos institutos de cobertura nacional
que mais publicaram pesquisas eleitorais a partir de meados deste ano:
Datafolha, Ibope e Vox Populi .
Um primeiro
texto, “O valor (cada vez menor) do seu voto”, pondera sobre a perda de
autonomia do país face ao exterior, em razão de sua dependência e
vulnerabilidade, que tem como resultante a perda crescente do poder do voto,
do nosso voto. Isto porque as decisões, cada vez mais, são tomadas em
contextos externos ao país.
Um segundo
texto, a partir da análise do processo eleitoral em Itabuna, apresenta as
razões pelas quais é plausível se crer, neste final de campanha, a
emergência de um novo fato eleitoral, que foi referido como “Uma onda
Garotinho? Ou o efeito rebanho?”. Essa hipótese, publicada no dia 9 de
setembro e enunciada algumas semanas antes como uma possibilidade, pode ter
como resultado a mudança da segunda a quarta posição, que, como se afirmou,
é menor do que aparenta, embora ser o segundo na disputa não assegure
necessariamente e também como conseqüência do embate eleitoral entre Ciro e
Serra, inicialmente, um segundo turno nesta eleição para presidente.
Um terceiro texto, “Registro de opinião”,
faz algumas observações acerca de uma entrevista de cientista político,
publicada no jornal O Estado de São Paulo, que desconstrói a imagem de Ciro,
apresentando-a negativamente, ao mesmo tempo que explicita simpatia pelas
candidaturas de Serra e Lula, ainda que se declare analista independente.
Um quarto
texto, “Pesquisas, rastreamentos e enquetes”, faz referência a uma nova
modalidade de pesquisa eleitoral, denominada de “rastreamento”, que tem como
vulnerabilidade principal o fato de não necessariamente refletir o conjunto
do país, uma vez que se assenta unicamente nos que possuem telefone
residencial fixo, cerca de 40% do eleitorado, que são desigualmente
distribuídos no país. Obviamente, quanto maior for a presença de telefones
nas residências, maior passará a ser a confiabilidade dessa modalidade de
pesquisa. Hoje, sua marca é a vulnerabilidade, tendendo, uma vez que vira
notícia e manchete, favorecer as candidaturas que estão melhor entre os
candidatos que possuem telefone.
Um quinto
texto, “Do quociente eleitoral”, refere-se ao drama dos postulantes a
deputado, que é saber quantos votos são necessários para alguém ser eleito.
Trata-se do quociente eleitoral, apresentado de forma didática, para que o
maior número possível de eleitores entenda sobre esse assunto, tido como
difícil e complexo. Aqui, as pesquisas têm sérias limitações para captar a
realidade dos candidatos a deputado, que costumam ter redutos e pesquisas
franciscanas não têm o poder de refleti-los adequadamente.
Um sexto
texto, mais recente, “Votos nulos, brancos e abstenções”, aborda a questão
do protesto e da indiferença em relação às eleições. Para os postulantes itabunenses acena com uma boa notícia, mesmo face a provável pulverização
dos votos nesta cidade.
E,
finalmente, também segue uma ampla retrospectiva dos resultados das eleições
para presidente, a partir de meados do ano, dos principais institutos de
pesquisa do país.
Aqui,
convém lembrar duas coisas que apontam para a fragilidade desse poderoso
instrumento que são as pesquisas eleitorais. Essas que, nesta eleição,
ocuparam definitivamente o primeiro plano dos processos eleitorais no país.
A
primeira é que mesmo as melhores pesquisas captam intenções de voto e não
votos. Somente as urnas captam esses. E são esses que decidem.
A segunda
é que as pesquisas não captam o eleitorado rural e num país com mais de 5
mil municípios, apenas 200 e poucos municípios são amostrados. Isto
significa que os pequenos municípios, que são a grande maioria e concentram
parte expressiva do eleitorado, também tendem a não ser sondados. E entre os
200 e poucos grandes e médios municípios que são pesquisados e que seus
resultados têm a pretensão de valer para todo o país, há um salto, há um ato
de fé. Aqui, o que vale para os grandes e médios centros urbanos não
necessariamente vale para o Brasil rural e para o Brasil dos pequenos
municípios. A fé pode ser menor do que seria desejável e o abismo maior do
que o alcance de nosso pulo. Essa situação é agravada quando os percentuais
de indecisos e indiferentes são altos ou quando não há consistência nas
intenções declaradas.
Em suma,
a pesquisa, por melhor que seja, e ela vem melhorando e é um poderoso
instrumento de aferição, não substitui a urna, que é quem colhe os tão
difíceis e desejados votos.
Agenor
Gasparetto
Itabuna,
29 de setembro de 2002