Projeto 8.  Produção de energia e desenvolvimento de um pólo de óleo-química a partir da biomassa

A biomassa é uma  das fontes renováveis de energia, sendo uma alternativa aos combustíveis fósseis. Possui  vantagens de diversas ordens. É solução para áreas tropicais úmidas do mundo desprovidas de combustíveis fósseis e outras fontes de energia. Dentre as alternativas de obtenção da biomassa, o dendê, planta de longo ciclo, tem sido negligenciado neste país, em que pesem vários planos já terem sido esboçados, no estado da Bahia, a partir do início dos anos 60.  Surpreende que o dendê, como oleaginosa  produtora de óleo, tenha sido esquecida no Plano Nacional do Álcool. Estranha-se que se tenha investido tanto na produção de um substitutivo natural da gasolina e não se tenha feito o mesmo com o diesel, uma vez que essa situação obrigou o país, de um lado, a importar mais petróleo para suprir as necessidades de álcool e, de outro lado, a exportar gasolina, tendo o dendê como um substituto capaz de responder  a essa necessidade, dando ao próprio Pró-Álcool maior consistência e estabilidade. Está, pois, na hora de se dar uma oportunidade ao dendê como fonte  contribuinte ao problema energético neste país.  É razoável que ao menos se coloque em pauta essa alternativa, avaliando-se suas implicações  sociais, políticas, técnicas, econômicas, de segurança nacional,  ecológicas e agronômicas. Da mesma forma, inclusive em consórcio com o próprio dendê, a mamona pode ser uma outra alternativa pelas potencialidades industriais que possui.

A título de ilustração, observa-se que essa oleaginosa, dendê, por exemplo,  apresenta alta produtividade,  por área cultivada, em matéria-prima. A partir dessa matéria prima,  é possível desenvolver parque industrial óleo-químico, incluindo produção de bens finais. É  cultivo arbóreo e de longo ciclo. Permite consórcios na fase de implantação e mesmo durante o estágio produtivo propriamente dito. É forte empregadora de mão-de-obra e, dependendo da forma de organização da produção, pode viabilizar milhares de unidades familiares em várias regiões do país, integrando-as ao mercado consumidor  em padrões médios razoáveis de poder de compra, ampliando o mercado interno. Ecologicamente, não é tóxico, não é explosivo e nem inflamável, e, em casos de vazamentos, é biodegradável, não só não contribui para o efeito estufa, como atua no sentido contrário. Tampouco contribui para a chuva ácida. Em áreas afastadas da região amazônica e, mesmo em outras, como no Sudeste da Bahia, pode reduzir   custos de produção, pela eliminação do transporte de óleo diesel por longos percursos, melhorando a competitividade dos produtos. Reduz a dependência do país e de regiões a fontes externas de fornecimento de energia e todas as implicações decorrentes dessa situação, sobretudo em situações de conflito.  Nesse sentido,  possuir um parque produtivo implantado, ainda que não totalmente ou exclusivamente voltado para a produção energética, em situações agudas de conflito, pode se constituir numa alternativa de sobrevivência, fazendo cada sub-unidade geográfica independente.  Em suma, é preciso ser muito rico para continuar ignorando essa riqueza potencial.

Dado que o Sul da Bahia, com a agonia de sua economia cacaueira e a necessidade premente de  encontrar soluções, é pobre, a biomassa e, em especial,  o dendê e a mamona, como alternativas agroindustriais e energéticas devem merecer análise.

Isso posto, propõe-se:

a) Consolidação de Núcleo de Energias Alternativas do Sul da Bahia, a partir da biomassa, em especial o dendê e a mamona

b) Estudo da produtividade  agronômica do dendê e da mamona em diferentes ecossistemas no Sul da Bahia

c) Estudo da viabilidade técnica do dendê, como combustível natural, modificado e em diferentes combinações com outros combustíveis em diferentes motores nas condições do Sul da Bahia

d) Estudo dos níveis de rentabilidade econômica do dendê, como combustível  substituto do óleo diesel no Sul da Bahia

e) Desenvolvimento de mini-usinas de extração de óleo de dendê e de mamona, como forma de não induzir a concentração fundiária e viabilizar a produção de óleo em pequenas unidades 

f) Estudo sobre possíveis aproveitamentos dos subprodutos do dendê e da mamona, visando definir sistemas de produção com otimização dos  recursos e de maximização das receitas

g) Estudo de viabilidade econômica de suprimento de energia elétrica em comunidades isoladas, a partir da utilização de óleo de dendê como combustível, em mini-usinas termelétricas 

 

 Produção de energia e desenvolvimento de um pólo de óleo-química a partir da biomassa

Subprojetos

Objetivos principais

Núcleo de Energias Alternativas no Sul da Bahia

- Criar  massa crítica na área das energias alternativas a partir da UESC

- Identificar oportunidades de investimento e negócios a partir das culturas do dendê e da mamona

- Capacitar recursos humanos nessa área do conhecimento

Definição de sistemas de produção dendê/mamona, como cultivos principais. 

- Definir sistemas de produção, tendo como cultivos principais o dendê e a  mamona para o Sul da Bahia e para as áreas mais áridas do Oeste desta região

Estudo da viabilização econômica e técnica do dendê e da  mamona como substituto de derivados de petróleo.

- Analisar a viabilidade econômica e técnica do dendê e da mamona como substituto de derivados de petróleo

Desenvolvimento de miniusinas de extração e beneficiamento de óleos vegetais, em especial de dendê e de mamona.

- Desenvolver protótipos de miniusinas para a extração e transformação dos óleos de dendê e de mamona

Implantação de unidade modelo para demonstração de produção e beneficiamento dos óleos e seus resíduos.

- Implantar unidades-modelo de produção e de beneficiamento de mamona e de dendê e de seus subprodutos para  fins de demonstração e uso acadêmico

 

Indução à implantação de uma estrutura produtiva em larga escala  de dendê e de mamona no Sul da Bahia.

- Incentivar  produtores pequenos e grandes para a implantação de áreas com dendê e mamona, bem como atrair investidores externos à região para fazê-lo

- Assentar famílias de sem terra, tendo como cultivos principais comerciais    o dendê e  a mamona

Indução da utilização do Terminal da Petrobrás como vetor de viabilização de um parque insdustrial na região.

- Definir política de conversão e utilização do terminal da Petrobrás em Ilhéus  num terminal de líquidos da biomassa

Implantação de unidade modelo de geração termelétrica.

-Implantar  na  comunidade de Tibina, interior de Ilhéus, unidade de geração termoelétrica para fins domiciliares e agroindustriais

Supridor da UESC nas deficiências da rede de energia elétrica da COELBA

- Gerar energia elétrica nas deficiências da rede convencional

Indução de mini-usinas  temelétricas em comunidades hoje desassistidas pela empresa de energia elétrica.

- Induzir a disseminação, nas comunidades não assistidas com energia elétrica do Sul da Bahia  e outras regiões de mini-unidades termelétricas à base dos óleos de dendê e mamona, ou de outros vegetais