Projeto 10.  Bairro Universitário (Tecnópole Ilhéus-Itabuna)

O Sul da Bahia precisa encontrar suas próprias alternativas para  seus problemas sociais e econômicos e acreditamos que sua comunidade humana será capaz de apontar os caminhos, superar-se, realizando seu destino de emancipação humana e regional, princípio e ponto de chegada das ações de sua Universidade.

Dentre as ações de conseqüências promissoras e de grande horizonte situam-se a concepção, amadurecimento, implantação e consolidação de um Bairro Universitário ou Tecnópole Ilhéus-Itabuna, nas imediações da Universidade Estadual de Santa Cruz. E, dessa forma, assegurando uma oportunidade de efetiva inserção da Universidade no seu tempo e no seu mundo.

Objetivo/Justificativa:

 O projeto Tecnópole Ilhéus-Itabuna objetiva:

- Criar densidade de competência em áreas estratégicas de desenvolvimento  regional, contribuindo para uma inserção das empresas nele instaladas, proporcionando maior consistência no processo de globalização da economia e sua organização em grandes blocos macrorregionais.

- Criar condições estimuladoras para a criação de uma cultura de empreendedores e de empreendimentos, centrados em conhecimentos ou tecnologias.

- Criar condições favoráveis de desenvolvimento de inovações tecnológicas, com vistas a que   cheguem ao setor produtivo, inclusive tradicional, modernizando-o tecnológica e gerencialmente.

- Realizar nova concepção de urbanização em função da emergência de uma sociedade do conhecimento, rompendo, no caso específico da UESC,  seu isolamento físico e cultural.

- Articular consistente e permanentemente a produção de conhecimentos e sua incorporação pelo setor produtivo.

Localização: nas imediações da UESC, na Rodovia Ilhéus-Itabuna.

Etapas de implementação da Tecnópole Ilhéus-Itabuna:

- Início das discussões com a comunidade regional e os poderes públicos federal, estadual e municipal, buscando sensibilização, consenso e legitimação social do empreendimento público-privado, governamental e não-governamental.

- Aquisição de área física para localização do empreendimento.

- Elaboração de Plano Diretor da Tecnópole e de seu projeto urbanístico, planejando os diferentes usos do solo, com áreas para lazer, serviços e comércio, residências, empresas de base tecnológica e de produção, incubadoras, institutos/escolas ou centros tecnológicos e científicos, planejamento da infra-estrutura básica, bem como de comunicações física e eletrônica.

- Definição das responsabilidades de cada segmento na execução do Plano Diretor e Urbanístico da Tecnópole, definindo responsabilidades e cronograma de execução das atividades de implantação da Tecnópole.

- Assessoramento e acompanhamento de empresas incubadas e assessoramento e acompanhamento de empresas em outros sistemas, como associações, condomínios e outras formas de organização.

Coordenação das ações: Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC.

 

 Bairro Universitário (Tecnópole Ilhéus-Itabuna)

Subprojetos

Objetivos principais

1..Plano Diretor do Bairro Universitário.

- Elaborar Plano Diretor do Bairro Universitário, adensando empreendimentos e pessoas, numa  visão de longo prazo,  equilibrando funções urbanas,  economia e ambiente.   

2. Criação de Fundação de Gerenciamento do Bairro Universitário.  

- Criar entidade jurídica para coordenar e administrar a implantação e o funcionamento do Bairro Universitário.

3. Aquisição de área para implantação do empreendimento.

- Adquirir área para situar o empreendimento.

4. Preparação da infra-estrutura (física, sanitária, de serviços básicos e de comunicações) necessária ao empreendimento.

- Dotar área adquirida para o Bairro Universitário da infra-estrutura necessária.

5. Atração de empresas de base tecnológica e formação  de empreendedores.

- Atrair empresas de base tecnológica para se instalar  no Bairro Universitário e formar empreendedores a partir de jovens universitários.

 

Anexo:

RAZÕES PARA O EMPREENDIMENTO DE UMA CIDADE OU BAIRRO UNIVERSITÁRIO NAS IMEDIAÇÕES DA UESC COMO ESTRATÉGIA DE VIABILIZAÇÃO DA POLÍTICA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO ESTADO E DA PRÓPRIA UNIVERSIDADE

Raymond Aron, um dos grandes nomes da sociologia francesa e mundial deste século, refletindo sobre a bem-sucedida experiência econômica alemã, concluiu que só há riqueza em homens, pelo menos quando a sociedade dispuser de meios para instruí-los. Um povo tecnicamente preparado, instruído, é a base de uma grande nação, de um país, de uma região, inclusive a nossa, que gravita cultural e economicamente em torno dos centros urbanos de Ilhéus e Itabuna.

Essa assertiva, que continua atualíssima, resume o papel que se espera da Universidade  e compete a ela. Nessa função crucial encerra-se sua grandeza e seu potencial. E esse desafio torna-se mais dramático com o agravamento da crise por que passa a região  O desafio, as responsabilidades e as expectativas em relação à UESC crescem com o colapso do, por assim dizer, modelo econômico assentado na monocultura do cacau.  Nesse sentido, nada que diga respeito à região será estranho à Universidade, que está se equipando e se preparando para bem cumprir o papel que lhe compete: a qualificação do recurso humano, a riqueza por excelência, a riqueza motriz de todas as demais. Compreender isto efetivamente é o princípio que tem o papel que lhe compete: a qualificação do recurso humano, a riqueza por excelência, a riqueza motriz de todas as demais. Compreender isto efetivamente é o princípio que tem o potencial de transformar a realidade social, econômica, cultural, tecnológica de uma sociedade. A aposta na educação de base e também nos campos especializados do conhecimento, da tecnologia e das artes, parece ser  a única aposta de, em médio e longo prazos, produzir um novo quadro. O Sul da Bahia precisa de um novo referencial e esse  pressupõe uma nova cultura e essa tem na Universidade uma instância privilegiada.

A UESC, apesar dos problemas, particularmente a questão salarial, que corrói permanentemente os melhores intentos, aos  poucos, vem ensaiando uma maior presença na comunidade através da extensão, através da pós-graduação, através da pesquisa, bem como através da abertura de novos cursos. Trata-se de uma nova etapa na vida da Universidade e este parece ser o grande desafio da atual gestão.

Há, por assim dizer, um imperativo por uma transformação da instituição, que signifique, a um só tempo, uma qualidade maior em todas as suas ações e um movimento de inserção/interação com a economia e com a sociedade. A propósito, há uma associação forte entre qualidade de ensino e pesquisa de qualidade e essa última só é possível com recursos humanos qualificados. Esse fato embasa e dimensiona o papel reservado à pós-graduação, ou para ser mais preciso,  à capacitação profissional. Entendemos que  está na busca da competência intelectual e técnica a questão crucial da Universidade e a única condição de ela  se fazer respeitada e ser efetivamente útil à comunidade onde está inserida.

Observa-se que nem todas as questões pertinentes à Universidade se encerram nas salas de aula e nos seus laboratórios. A política salarial é, sem dúvida, de extrema relevância, se acreditarmos que não há ensino de boa qualidade com professores mal remunerados, desmotivados e descrentes na importância de seu papel. Contudo, salários  não resolvem todos os problemas. Tampouco as condições materiais (equipamentos, instrumentos, etc). No entanto, essas condições precisam ser, progressivamente,  satisfeitas, caso se pretenda que a Universidade atinja seus objetivos.

Afora as questões acima, há pressupostos que podem impulsionar fortemente a Universidade no sentido de que esta realize suas funções, e que isso se dê  num espaço de tempo menor. A satisfação desses pressupostos objetivam multiplicar o intercâmbio acadêmico, induzir o surgimento de massa crítica, de efervescência de novas idéias, de novas atividades e novos serviços e, em resumo, a um só tempo, acelerar a consolidação da Universidade e melhorar as condições de desenvolvimento da economia regional.

No caso da  Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC, a meio caminho entre Ilhéus e Itabuna, faz falta a criação de um ambiente que induza naturalmente a um  maior intercâmbio e  vivência acadêmicos, com vista  na  formação de massa crítica em áreas tidas como estratégicas  para a Universidade e para o Sul da Bahia.

É fundamental criar esse espaço de valorização da vida das funções inerentes à Universidade, para reverter um quadro que não sinaliza para um grande futuro, que se traduz numa postura muito comum  entre professores, funcionários e estudantes da Universidade, que é ver a UESC como um lugar  deslocado  de seu centro urbano, de sua vida, de sua história, e, em razão dessa concepção, tão logo tenham cumprido essa obrigação, voltar o mais rápido possível à cidade, pois  é nesse outro espaço que a sua vida e a de seus familiares  acontece. Nessa perspectiva,  até hoje, a UESC, salvo exceções, não foi assumida no sentido pleno da palavra. É um lugar onde todos parecem obrigados a ir, mas não reúne condições para uma vivência autenticamente universitária. Há um círculo vicioso que, ao natural, os anos não estão mudando.  A UESC e o Salobrinho são lugares  sem progresso e insuficientemente conectados com a economia e com a sociedade regionais.

 O rompimento dessa situação é de importância estratégica para o destino da UESC, do Salobrinho e do eixo Ilhéus/Itabuna e, à medida em que a Universidade for sendo capaz de dar repostas e de propor alternativas aos problemas regionais, esse rompimento torna-se marcante também para a região. É razoável  crer-se  na possibilidade da rodovia que liga Ilhéus e Itabuna, que comporta os  povoados do Banco da Vitória e do Salobrinho e duas grandes instituições nas áreas de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia, a UESC e a CEPLAC. Será transformada,  por certo. gradativamente, mediante processo de  indução, na rodovia da cultura e da tecnologia do Sul da Bahia.

Essa indução, estratégica para os propósitos do Governo Estadual e para o futuro da Universidade, de Ilhéus e da  Região, deve ser obra conjunta dos poderes públicos estadual e municipal e da iniciativa privada, pois todos têm muito a ganhar com tal direcionamento.

Em que pese o fato de  o campus da Universidade não ser muito distante dos centros urbanos de Ilhéus e Itabuna e, aparentemente, não haver essa necessidade, não corresponde à verdade. E isso porque em Ilhéus e em Itabuna cada um se encerra em seu mundo e, na prática, não há interações em quantidade  e qualidade, não se formando massa crítica, condição necessária  para a efervescência de  idéias, projetos e iniciativas. A rigor, a simples mudança para as imediações da Universidade tampouco resolve o problema, mas aumenta as possibilidades e é mais fácil induzir processos que levem ao que se pretende.

Concretamente, propõe-se que essa indução se traduza na construção, nas imediações da Universidade, de um espaço multifuncional diretamente ligado à produção de cultura, ciência e tecnologia, em suma, de uma cidade, ou bairro universitário, dotado de toda infra-estrutura necessária para atrair professores, funcionários e estudantes a fixarem nela residência, capaz de motivar a iniciativa privada a investir em serviços que esse contingente exige e na qualidade requerida, mas sobretudo viabilizar a criação e a consolidação de um parque tecnológico, agregando empresas de base tecnológica nos ramos que a economia e a política econômica do Estado privilegiar.  Nós temos na Rodovia Ilhéus e Itabuna, hoje, duas potenciais âncoras fisicamente próximas, a CEPLAC e a UESC. É imperioso que sejam criadas perspectivas reais de que essas se realizem enquanto âncoras do desenvolvimento regional.

Quando o Governador do Estado criou, em Ilhéus, em meados do ano passado,  o Pólo de Informática de Ilhéus e com a Bahiatech foi assinado convênio no sentido de essa empresa, juntamente com a Universidade, criar um Centro de Treinamento em Telecomunicações, Eletrônica e Informática, estava  criando, tembém, a perspectiva de um processo embrionário numa área promissora para Ilhéus e para a região.  No entanto, será muito mais promissora se esses investimentos se situarem  nesse espaço que aqui estamos definindo como cidade ou bairro universitário, pois poderia ser embrião de um grande e irreversível processo.  Portanto, bem mais do que possa parecer, a concentração de empreendimentos e de recursos humanos  numa ambiência que favoreça ao máximo a interação  é de importância estratégica.

O objetivo, na perspectiva da UESC, é assegurar os pressupostos, as condições, para o fortalecimento da Universidade enquanto instituição de ensino, pesquisa e extensão, e enquanto fator indutor de investimentos e desenvolvimento. É assegurar condições para um processo intenso de intercâmbio, de uma vivência  e uma dedicação exclusiva às funções acadêmicas, isto é, a UESC precisa existir na mente e na preocupação dos que a fazem 24 horas por dia e todos os dias do ano.

 O objetivo, na perspectiva do Estado  e do município, é criar condições objetivas de superação da atual crise econômica, integrando à economia e à sociedade o eixo Ilhéus-Itabuna que,  há décadas,  não tem maiores inversões de capital, uma vez que Ilhéus cresce ao Norte e ao Sul e Itabuna, em direção ao Oeste, como se não estivesse nesse eixo uma grande via de realização de negócios.

O objetivo, na perspectiva da iniciativa privada, é abrir um campo novo e favorável à inversão de capitais produtivos, multiplicando as oportunidades  de renda e na perspectiva das comunidades humanas, necessitadas de oportunidades de postos de trabalho, o acesso à renda e à sobrevivência, dífícil para muitos no Sul da Bahia.

Em pesquisa realizada pela Sócio Estatística, em outubro de 1991, quando pela primeira vez se explicitou essa possibilidade, que ficou conhecida como Pesquisa DCE/APRUNI, foram ouvidos 798 estudantes de todos os cursos e 55 professores. Na oportunidade, foi perguntado aos professores quais incentivos os induziriam a se mudar para as imediações da UESC. Em termos percentuais, os resultados para os quesitos foram:

- área em condomínio fechado

36,4

- estabelecimento de telefone

38,2

- financiamento de lote

18,2

- financiamento de residência

41,8

- implantação de um shopping

18,1

- maior estabilidade da energia

21,9

- nenhum incentivo seria suficiente

32,7

Observa-se que apenas um terço, naquela oportunidade, descartou por completo a possibilidade de fixar residência nas imediações da UESC. Desde então, porém, cresceu a consciência de que a Universidade precisa romper sua condição de isolamento. Cresceu a consciência da importância de uma dedicação em tempo integral à pesquisa, à pós-graduação, à extensão, afora o ensino de graduação, e de que isso pressupõe uma disponibilidade de tempo maior, ou seja, pressupõe que a vida e a história desses profissionais têm lugar junto à Universidade e nela.

Evidentemente, um projeto de construção de uma cidade ou bairro  universitário, com as funções que dela se espera que venha bem cumprir  no nível desejado, não é tarefa de curto prazo. No curto prazo, no entanto, deve iniciar-se o processo dessa construção e nele se acreditar. A Universidade, conjugada a outros atores sociais,  em particular do Estado e do Município, multiplica seu poder de atração.

Refletindo potencial existente, aos estudantes, na referida pesquisa, foi formulada questão sobre necessidade de moradia para eles nas cercanias da Universidade. Os resultados foram:

            - sim: 76,19%

            - não: 7,27%

            - não tinham opinião formada: 12,53% e

            - não responderam: 4,01%

Essa percepção dos estudantes revela um potencial não explorado, representado pelos que são originários de outras cidades da região e buscam na UESC a oportunidade de profissionalização.  Os vestibulares da UESC mostram que cerca da metade dos que se inscrevem provêm de municípios que não Ilhéus e Itabuna.

O espaço dessa cidade ou bairro  universitário, como já foi mencionado, será multifuncional, ou seja, residencial, cultural, comercial, de serviços,  e deverá oportunizar, espaços privilegiados para atividades de base tecnológica, como as incubadoras, por exemplo.  Essa iniciativa terá o poder de impor nova dinâmica ao eixo Ilhéus/Itabuna. Constituir-se-á em novo fator de indução de desenvolvimento. Nesse sentido, acreditando-se na contribuição possível dessa iniciativa, é preciso ser ousado, é preciso aglutinar esforços, recursos e apostar.

 Na época de sua elaboração, final de 1996,  contribuíram para a elaboração deste programa, que acabou não fluindo enquanto conjunto, os profissionais abaixo listados, mais projetos em que participaram, instituição e titulação na época  

1. Conservação da biodiversidade  vegetal e animal  da Mata Atlântica - Regina Helena Rosa Sambuichi, Mestre, UESC.

2. Mata Atlântica, plantas ornamentais e paisagismo urbano - Miguel Quintero Ribeiro, mestrando.

3. Saúde Humana e recursos vegetais e terapêuticos -  Nadja Maria Passos Sapucaia, Bacharel.

4. Rios e Bacias Hidrográficas  do Sul e Extremo Sul da Bahia: da agonia à recuperação - Quintino Reis de Araújo - CEPLAC/UESC, doutor.

5. Turismo, Reflorestamento e Mata Atlântica - Sérgio José Ribeiro de Oliveira - UESC, mestre.

6. Sistemas agroflorestais  em áreas cacaueiras decadentes e em áreas litorâneas - Célio Kersul Sacramento - CEPLAC, doutor.

7. Monitoramento da qualidade ambiental  - Acácia Gomes - UESC, mestranda.

8. Produção de energia e desenvolvimento de pólo de óleo-química a  partir da biomassa - Hernani Lopes de Sá Filho - CEPLAC, especialista.

9. Desenvolvimento da  Agroindústria - Raimundo Camelo Mororó - CEPLAC, mestrando.

10. Bairro Universitário (Eixo Tecnopolitano Ilhéus-Itabuna) - Agenor Gasparetto - UESC, mestre.

Agenor Gasparetto, dezembro de 2000.

  

Projetos

1. Conservação da biodiversidade  vegetal e animal  da Mata Atlântica

2. Mata Atlântica, plantas ornamentais e paisagismo urbano

3. Saúde Humana e recursos vegetais e terapêuticos

4. Rios e Bacias Hidrográficas  do Sul e Extremo Sul da Bahia: da agonia à recuperação

5. Turismo, Reflorestamento e Mata Atlântica

6. Sistemas agroflorestais  em áreas cacaueiras decadentes e em áreas litorâneas.

7. Monitoramento da qualidade ambiental

8. Produção de energia e desenvolvimento de pólo de óleo-química a  partir da biomassa

9. Desenvolvimento da  Agroindústria

10. Bairro Universitário (Eixo Tecnopolitano Ilhéus-Itabuna)

Total Geral  (período de cinco anos)