Texto de aula

  AS DIFERENTES FORMAS DE ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO REGIONAL

Por Agenor Gasparetto

  A análise da organização espacial se constitui no objeto principal da pesquisa geográfica, sendo esta "a maneira pela qual uma determinada sociedade se estrutura e funciona em um dado meio, como resultado de complexos processos sociais, econômicos, culturais e políticos"(Silva & Souza, 1989).

  Todavia, "a percepção do tempo e da natureza muda com a evolução cultural, o que exige a procura de novas formas de organização do território que melhor expressem o universo contemporâneo, formas que capturem o conhecimento, as crenças, os propósitos e os valores da sociedade"... "a natureza e a cultura juntas, como processos interagentes, conferem forma e individualidade aos lugares. Os ritmos de produção, transporte e consumo, por exemplo, interagem com os ritmos climático, hidrológico e biológico para moldar uma paisagem cujos padrões de produção e utilização variam de acordo com o contexto específico da sociedade" (Leite, 1994, p.7)

  Para Leite (1994), "a região é um quadro arbitrário, definido com propósitos políticos, econômicos ou administrativos. Sua identificação, delimitação e construção estão ligados à noção de diferenciação de áreas, ao reconhecimento de que o território é constituído por lugares com uma ampla diversidade de relações econômicas, sociais, naturais e políticas. Por outro lado, a qualificação, a distinção entre as regiões, não decorre apenas de sua especialização funcional, mas também da quantidade e da densidade das relações que caracterizam essas funções"(p.49). "Todos os conceitos de região são meios de conhecimento da realidade" (Leite, 1994, p. 14).

Há muitas possibilidades de organizar o espaço. No entanto, não é fácil atender às exigências da qualidade ambiental. Não é fácil harmonizar aspectos quantitativos e qualitativos, curto e longo prazos, processos naturais e processos culturais. Quando não há essa harmonização, a probabilidade de riscos e vulnerabilidades ambientais aumentam. A expressão de que a "natureza se vinga" reflete essa situação.

Com o propósito de adequar intervenções paisagísticas às condições sociais e culturais de cada lugar, Michel Laurie (1989, no livro "Ecology and Aesthetics", citado por Leite, 1994), apresenta três princípios que teriam capacidade para promover transformações na paisagem com alguma racionalidade (razoabilidade): a expressão do natural, a economia e a satisfação social (p.8). O princípio da expressão natural assenta-se na significação da natureza para as pessoas. O princípio da economia pretende assegurar produtividade pela integração de objetivos, acessibilidade e uso múltiplo dos espaços públicos. Para Leite (1994), "espaços unifuncionais são um desperdício de espaço e de recursos que, além de não permitirem o desenvolvimento de um ambiente complexo, são enfadonhos do ponto de vista estético" (p.9). O princípio da satisfação social decorre das diferenças de interesses, necessidades e de comunidades.

Nos últimos anos, há um ressurgimento da geografia regional. Para Thrift (1995), a prática de estudos regionais pode nos colocar frente a frente com a maioria dos problemas que a geografia humana enfrenta hoje. Segundo esse geógrafo, "geografia regional é essencial à prática de produzir geografia humana" (p.242), por propor questões relevantes no mundo em que vivemos de uma maneira importante, porque é contextual.  "O contextual não pode ser varrido para debaixo do tapete por grandiosas teorias sociais, pois ele permanece onde realmente vivemos. É a margem que constitui o centro (Lefebvre, 1971; Derriba, 1982; de Cereal, 1984).

 Bayliss-Smith e Owens(1999), afirmam que há desentendimento ideológico, metodológico e fatual na interpretação de problemas concretos, como a fome e a poluição, mas que "uma maneira do assunto avançar seria não perder contato com suas raízes na geografia regional. Ao examinar a caracterização dos lugares podemos explorar os problemas de pessoas e ambientes dentro de regiões, e assim ajudar a transpor o fosso entre a teoria acadêmica e a prática no mundo real, que no campo ambiental pode ser enorme"(p.159) e que metáforas sedutoras como "aldeia global", "espaçonave Terra" são atrativas, mas podem trair, uma vez que "a dura realidade da poluição, desastres ambientais e fome são específicos no tempo e no espaço" (p.155). 

  São comumente utilizados como sinônimos de região, resultante de uma determinada organização espacial, os termos província, zona, cinturão, localidade, distrito, ecossistema entre outros e, usualmente, é referida como uma porção da superfície terrestre que se distingue das áreas circunvizinhas em função de alguma característica diferenciadora..

É propósito, aqui, fazer uma análise das regionalizações formuladas para o Sudeste do Estado da Bahia. Antes, porém, pretende-se fazer uma breve incursão na história da Geografia, buscando elementos que possibilitem um adequado entendimento dos conceitos de região e de regionalização, no intuito de tornar mais inteligíveis as tentativas de regionalização já realizadas em nosso contexto social. Assim, veremos como a região passou de uma realidade objetiva a instrumento de análise, como deixou de se exprimir em termos de superfície delimitada e passou, na concepção de Pierre George, a se exprimir em termos de "fluxos e tensões".

Leite (1994) afirma que a região enquanto conjugação de natureza e cultura, surgiu com a passagem do homem de nômade para sedentário, passando de coletor/caçador para agricultor e criador. A sedentaridade deu ao homem a perspectiva de construir seu cenário, tendo permitido combinar "o uso do solo com o uso do tempo, num novo padrão de vida humana e numa nova ordem espacial de repouso e movimento"(p.13).

A definição de "região", para Leite (1994), "está intimamente ligada às formas de produção que vigoram num determinado momento histórico. O processo de diferenciação de áreas, ou regionalização, inicia-se mediante contatos comerciais, migrações e conquistas e assume ritmos distintos, isto é, duração e intensidade variadas(p.14).

Nas antigas civilizações da Índia, China, Egito e Palestina, a base era a agricultura e a criação. O desenvolvimento econômico dos mesopotâmios, cretenses, fenícios, etruscos e gregos deveu-se ao comércio. Roma possuía uma estrutura comercial complexa e diversificada, através de rotas terrestres e marítimas. Na Idade Média, a economia feudal fechou-se organizou-se em torno da grande propriedade, bastando-se a si mesma. Na Renascença, com a melhora dos transportes, dos novos métodos de cultivo e do ressurgimento do comércio. A partir de então, ampliou-se a percepção do mundo. No Século XVIII inicia a primeira revolução industrial e o avanço das relações capitalistas de produção, resultaram em mudanças na economia, na sociedade, na cultura e na percepção do mundo, que ficou menor e mensurável (Leite, 1994, p.16-23).

Na história da geografia, uma das primeiras aproximações de "região" apareceu em Ritter, tido como um dos pais da geografia, juntamente com Humbolt, ainda no século XIX. Esse definiu o conceito de sistema natural como "uma área delimitada, dotada de individualidade" e competindo à geografia estudar e comparar sistemas. Para esse autor, alemão,  cada um dos sistemas comportaria um conjunto de elementos, constituindo uma totalidade, sendo o homem seu principal elemento. Em resumo, a geografia se constitui no estudo dos lugares, uma busca da individualidade dos mesmos.

De Ritter passamos a  analisar conceitos de Vidal de la Blache, que deslocou o eixo da discussão geográfica da Alemanha para a França, depois de dois séculos de hegemonia alemã. Com Vidal, são caros os conceitos de gênero de vida[1], domínios de civilização, mas particularmente o de região, de região natural, que passou a ser o principal balizador da geografia francesa posterior. Este conceito foi vislumbrado por Vidal e realizado na obra coletiva, com seus discípulos, "Geografia Universal". Para Vida, a organização regional resultante do gênero de vida tem extensão territorial e limites possíveis de estabelecer. Para Vidal, "uma região seria uma escala de análise, uma unidade espacial dotada de individualidade com relação às suas áreas limítrofes" (Leite, 1994, p.23). O gênero de vida é a base de sua teoria possibilista, que se contrapõe à teoria determinista, de Ratzel.

Na concepção de Vidal, a região não apenas seria um instrumento teórico, mas também uma realidade objetiva, cabendo ao geógrafo, já que seria realidade de fato, o trabalho de delimitá-la, descrevê-la e explicá-la. Deste modo, seria possível dimensioná-la e traçar seus limites, que seriam dados, segundo o prof. Antônio Carlos Morais, pela ocorrência dos traços diferenciadores, aqueles que lhe confeririam um caráter individual, singular. Sob esse aspecto, o trabalho da Geografia seria, prioritariamente, de identificação das regiões do Globo. 

Em função disso, a perspectiva mais usual de análise geográfica passou a ser a Geografia Regional e o mundo foi esquadrinhado por monografias e estudos regionais, com muita informação e pouca  teoria.

A título de curiosidade, apresentamos a estrutura padrão desses trabalhos:

a)      Introdução: localização da área estudada;

b)      Primeiro Capítulo: "as bases físicas": descrição de cada um dos elementos naturais presentes (clima, relevo, vegetação, solo etc);

c)      Segundo Capítulo: o "povoamento" ou as "fases de ocupação humana": descrição do processo de conquista e ocupação do espaço, a fundação das primeiras cidades, os atrativos econômicos etc;

d)      Terceiro Capítulo: a "estrutura agrária": descrição da estrutura fundiária, da população rural, das relações de trabalho, das tecnologias utilizadas etc;

e)      Quarto capítulo: a "estrutura urbana": descrição da rede de cidades, dos equipamentos urbanos, da população etc;

f)        Quinto Capítulo: a "estrutura econômica e industrial", se existente, podendo essa ser dobrada em comercial e de serviços, em função do grau de complexidade alcançada pela região focalizada.

g)      Conclusão: via de regra, constituída por um conjunto de mapas, cada um relativo a um dos capítulos, que sobrepostos, revelariam as relações entre os  elementos da vida regional. A superposição de mapas, de certa forma, exprimiria a "síntese geográfica".

Esse foi o receituário dos estudos de Geografia Regional, eminentemente descritivos. Em nossa região, a maior parte dos estudos realizados, particularmente aqueles com pretensões didáticas,  seguiu essa perspectiva.

O acúmulo desses estudos propiciou o surgimento  de especializações. Assim, os diagnósticos de regiões eminentemente agrícolas ensejaram o surgimento da Geografia Agrária. Outros, da Geografia Urbana, Industrial, da População e assim por diante. Segundo o professor José Filizola Diniz, a Geografia Econômica foi a que manteve uma perspectiva mais globalizante.

A partir de Vidal, esse conceito foi humanizado, ou melhor, a individualidade passou a ser buscada, sobretudo, nos dados humanos, na história e não mais nos elementos naturais. Para resumir, pode-se dizer que o processo de historicização se traduziu no fortalecimento da Geografia Humana. Observa-se, porém, que com Vidal, também, como assinalou Yves Lacoste, a Geografia foi despolitizada e transformou-se na "geografia dos professores", contrastando com um outra geografia, a dos Estados-Maiores, das grandes empresas, enfim, a geografia como poder estratégico.

Thrift, no artigo Visando o âmago da região (1995), relata o ressurgimento da geografia regional quando parecia que estaria mais para exumação do que para ressurreição, para usar sua metáfora.

Nesse artigo, Nigel Thrift faz um paralelo entre três autoridades, tendo como foco a região: Vidal de la Blache (1845-1918); Karl Marx (1818-83) e Frederic Jameson.

 

A escolha da obra de Vidal se deveu a três razões:

a)      elementos de seu modo de pensar sobre geografia regional persistem até hoje;

b)      vivemos hoje uma época muito parecida com a que Vidal viveu: transição de uma ordem sócio-econômica e cultural a outra;

c)      estamos ingressando em um novo período de localismo e as comparações com o localismo da época de Vidal são instrutivas e importantes (p.215-216).

 

Duas razões respaldaram a escolha do pensamento de Marx:

a)      como Vidal, Marx viveu em uma época de  transição, constituindo-se em um crítico e um celebrante das dores do nascimento da nova ordem capitalista e da  emergente região industrial urbana, que viu de perto na Inglaterra.

b)      os escritos de Marx exerceram influência maior sobre a geografia humana dos últimos 20 anos.

 

Thrift expõe três razões para a escolha de Jameson:

a)      representa uma tentativa de representar as mudanças de hoje;

b)      está decidido a dar um papel-chave a noção de espaço nessas mudanças;

c)      pretende levar adiante a obra de Marx.

Como o próprio Thrift adverte, sua perspectiva  é das economias capitalistas ocidentais e não aborda, neste artigo, os problemas da definição regional e da taxonomia. A esse respeito, afirma que "a idéia de que pode haver somente uma definição e uma taxonomia é ingênua"(Lakoff, 1988).

O quadro a seguir resume as três formas de ver a região.

Três autoridades em geografia: Vidal, Marx e Jameson (p.217)

Referências

Vidal

Marx

Jameson

Imaginário principal

Camponês francês

Industrial inglês

Suburbano americano

Modo de Produção dominante

Feudalismo

Capitalismo industrial

Capitalismo recente ou multinacional

Principais classes

Camponeses/donos das terras

Proletários/

capitalistas

Classe média

Experiência dominante

Vivendo

Produzindo

Consumindo

Modo dominante de representação cultural

Falado

Escrito

Imagens

Meios principais de interpretação cultural

Contar estórias /metáforas naturais

Metanarrativa /

Ciência/geral

Narrativas locais/

Hermenêutica/ diferença

Espacialidade principal

Retorno/restabelecimento/homogeneização

Explosão/colonização /heterogeneidade

Implosão/ colonização / mobilidade

Sítios principais

Aldeia/campo

Lar/fábrica

Lar/lojas

 

Inconsciente político de Paul Vidal de la Blache

A  obra de Vidal inscreve-se na perspectiva de alguém com pretensões de  legitimar a idéia da França e de uma nação francesa. Nesse sentido, Vidal é francês por excelência, um ardente defensor da França.

A primeira característica do pensamento de Vidal, portanto, consiste em uma apreciação, ou mesmo um hino à França dos camponeses. Para Vidal, as paisagens camponesas da França eram uma prova do poder do ambiente físico como "um princípio subjacente de causação"(Vidal, 1903, p.viii). Ao mesmo tempo, mostravam o poder dos grupos sociais de se adaptar ao ambiente físico e moldá-lo através dos séculos (p.218).

Em sua obra, é posta ênfase nas "pequenas comunidades locais". À obsessão de Vidal pela França, agrega-se uma componente nostálgica: a França dos camponeses, uma realidade em processo de dissolução frente a, por assim dizer, "colonização" da cultura e do ethos capitalista, na época, particularmente o industrial. De certa forma, trata-se de uma volta ao passado. A propósito, em 1848, ocorreu a última importante revolta dos camponeses "em protesto contra o surgimento da agricultura privada capitalista, na defesa dos direitos comunitários"(p219, citando Baker, 1984, p.25). Em 1848, Vidal tinha três anos. Por essa razão, a obra de Vidal, segundo Thrift, é em parte melancólica e em parte reacionária (p.230).

O elemento mais importante e progressista das idéias de Vidal: o conceito de geografia enquanto ciência social:

a)      era uma ciência social baseada no modelo das ciências naturais. Geografia como ciência da paisagem.

b)      A idéia de geografia como ciência social não foi sistemática.

c)      A idéia de ciência social nunca foi inteiramente social  (p.221).

 

O espaço era visto como um referente natural. Via causalidade contextual.

A geografia regional só raramente cumpriu as promessas de Vidal. As razões pelas quais isso ocorreu, segundo Thrift, foram:

a)      Pano de fundo teórico fraco.

b)      Foi continuamente atormentada pelo naturalismo implícito da obra de Vidal, partindo de noções de ecologia humana, passando por determinismo ambiental até chegar a simples analogias biológicas.

c)      A região mudou sua natureza ao longo da história.

d)      Pouquíssimos geógrafos regionais focalizaram o problema de como escrever geografia regional.

 

O inconsciente político de Karl Marx

Marx teve a experiência de uma geografia de transformação capitalista. Para Marx, por trás da radical transformação de geografia da Inglaterra estava o "vórtice" do capitalismo industrial,  o "grande revolucionador de todas as condições e relacionamentos sociais"(p.226). Para ele, um  "estado de contínuo apocalipse une o mundo econômica, social e culturalmente" (p.226). Para Marx, o capital era essencialmente uma influência homogeneizante e centralizante (p.227).

No entanto, o sistema de Marx apresenta alguns problemas:

a)      não previu em que medida a variedade local poderia tornar-se uma parte da dinâmica do capitalismo (p.227).

b)      não chegou a desenvolver sua explicação da "reprodução da força de trabalho", como era sua pretensão.

c)      o seu desinteresse por diferença regional liga-se a sua noção de ciência social, ciência de relações estruturais, daí o risco de decair para um sistema totalizante. Hoje, em vez de "sociedade" como uma "coisa" (Durkheim-funcionalismo),  como uma "estrutura" (Levi-Strauss-estruturalismo) ou um "sistema"  únicos (Talcott Parsons), autores defendem a noção de uma "série de redes superpostas e entrecruzadas de poder/integração social/discurso (Foucault, 1977; Giddens, 1985; Mann, 1986).  

A idéia de desenvolvimento desigual da "colonização", ou da "penetração" do capitalismo, retomada de Lenin por Massey (1984), introduz o conceito de "divisão espacial do trabalho". Asserção básica desse conceito é que diferentes níveis de produção exigem diferentes qualidades de mão-de-obra (p.231).

A introdução de métodos fordistas, por exemplo, no âmbito da Segunda Revolução Industrial[2] alteraram o equilíbrio do jogo entre capital e trabalho e abriram as portas para uma nova divisão espacial do trabalho. A cada novo ciclo de acumulação, nova divisão espacial.

 

O inconsciente político de Fredric Jameson

Jameson inspira-se em Lefebvre (1971), em "psicogeógrafos"situacionistas (Debord, 1977) e pós-estruturalistas (Baudrillard, 1988a), Lyotard, 1984).

Síntese do pensamento de Jameson: entramos, a partir dos anos 60, numa era de recente capitalismo multinacional em que as corporações multinacionais dominam o globo (p.234).

Para Jameson, esse capitalismo

a)      se baseia sobre o absoluto poder econômico das corporações multinacionais apoiado por "estonteantes estruturas de crédito e poder"(p.234);

b)      esse poder é organizado e transmitido por meios eletrônicos;

c)      há a predominância absoluta da forma mercadoria;

d)      isso foi possível pelo desenvolvimento da mídia (geradora de anseio de mais consumo);

e)      essas pressões produziram nova ordem espacial. As tensões entre cidade e campo, entre núcleo e periferia foram substituídas pelo subúrbio, o shopping center e a auto-estrada, isto, "capitalismo de shopping center". Aqui, contexto e  consumo se alimentam mutuamente. Com isso, legitima-se o sistema.

Trata-se da nova ordem do capital: descentrada, em que se consuma a colonização da sociedade pela cultura capitalista. Segundo Thrift, "no mundo da mídia eletrônica talvez tenhamos mais informações acerca do mundo mas menos conhecimento de nós mesmos" (p.236)... Nós nos perdemos ... Indivíduos descentrados (Hebdige) ... sentido de desvinculação e onfusão (p.236). Em suma, "a teia eletrônica foi urdida pela aranha capitalista e a mosca proletária caiu na armadilha"(p.237).

No entanto, há razões, segundo Thrift,  para duvidar de Jameson:

a)      seus escritos formam uma visão de topo e a recepção da cultura capitalista pelas pessoas não é passiva, mas transformativa;

b)      subestima, ao contrário de Lefebvre, a região como espaço de debate e conflito. Os espaços de Jameson são o centro da cidade e os shopping centers: "viveiros para a classe média alta" (utilizando expressão de Davis, 1985).

c)      a perspectiva de Jameson de ciência social é marxista, mas leva em conta o aparato pós-estruturalista: a ênfase sobre a diferença e incomensurabilidade, o recurso à narrativa local, a perda do distanciamento crítico, a importância da retórica, o indivíduo descentrado"(p.238).

Na ótica de Thrift, o que Jameson considera como sendo a apoteose do capitalismo também poderia ser visto como sintoma de sua crise.

Por fim, Thrift, faz a seguinte questão: Como pode então uma geografia regional ser transposta para os tempos pós-modernos?

Há três problemas para se levar em conta:

a)      a região está se fragmentando;

b)      no plano da sociedade e da cultura, há uma proliferação de agrupamentos de estilos de vida;

c)      no plano da cultura, há sua espacialização.

Para Thrift, o capital está produzindo heterogeneidade, transformando lugares em mercadorias. "Contextos são consumidos localmente mas são cada vez menos produzidos localmente".

Thrift, conclui que "as delícias do consumo conspícuo em contextos modelados (shopping centers, ecoparques) e os prazeres da hipermobilidade" (turismo) não se destinam à todos (ainda que a maioria possua, ao menos, um televisor). Portanto, não convém exagerar as mudanças.

Thrift sinaliza quatro áreas de aprofundamento da pesquisa geográfica para uma melhor compreensão de região, hoje:

a)      a circulação de troca simbólica sobre o espaço, especialmente o que Habermas chama de "esfera pública", todo complexo de textos e mídia que enquadra debates, forma opiniões e é progressivamente a esperança de soluções políticas informadas num mundo de símbolos;

b)      como determinados contextos influenciam a maneira pela qual tipos particulares de pessoas recebem, negociam e são formadas por significados (Thrift, 1986);

c)      teorizar mais claramente como o processo pelo qual o contexto foi transformado em mercadoria pode ser conectado novamente com as relações econômicas, especialmente as de consumo, dinheiro e dívida (Thrift e Leyshon, 1992);

d)      encontrar novas maneiras de representar regiões. Exemplos: estudos sobre etnia, gênero e sexualidade. Enfim, "na construção de espaços localizados de significado, fora de relações globais de poder e conhecimento" (p.242).

Para ele, a "geografia regional é essencial à prática de produzir geografia humana" (p.242), por propor questões relevantes no mundo em que vivemos de uma maneira contextual.

Observa que hoje há um direcionamento para pequenas comunidades locais cujo único propósito é de fornecer contextos para consumo conspícuo, ou depressões para aqueles sem recursos para consumir. Sendo assim, sinaliza que vale a pena refletir o quanto a perspectiva de Vidal e sua obsessão por pequenas comunidades locais ligadas aos solo é ingênua ou fora do lugar.  

Após essa incursão por três abordagens  da geografia regional, resgatadas por Thrift, que teve o propósito de melhor contextualizar a obra de Vida de la Blache, retomamos esse processo de reconstrução histórica dos conceitos de região e de regionalização.

Hartshorne, nos anos 40 deste século, viu a Geografia como um estudo da "variação de áreas". Essas seriam construções do pesquisador, a partir de dados intencionalmente escolhidos e não dados de realidade. Nas palavras de Leite (1994), "uma área de integração "construída" no decorrer do processo de investigação"(p.23).

A área seria um instrumento de análise, lembrando a noção de tipo ideal de Marx Weber, e o conjunto de todas as relações possíveis daria a realidade total da área. Contudo, esta apreensão é humanamente impossível, obrigando o pesquisador a uma seleção das mesmas.

Esse enfoque subverte a perspectiva que vê a região como uma realidade objetiva.

No que tange a reestruturação do espaço, os estudos de regionalização seguiram duas linhas de pensamento, decorrentes das forças criativas nos processos de construção urbana e regional. A primeira "ligada ao desenho urbano, planejamento e paisagismo, pregando o uso da terra no interesse da comunidade como um todo, a conservação e a exploração apropriadas dos recursos naturais e históricos"; a segunda, originada do movimento construtivista, a arquitetura funcional e internacional, baseada na produção mecânica e com profundas preocupações de liberalização do espaço, constituindo-se em uma "nova forma de arte" (Leite, 1994, p. 24).

No âmbito da Geografia essas duas linhas se traduziram na Geografia Cultural de Carl Sauer e na Geografia Pragmática. A Geografia Cultural "tinha como preocupação central a análise da formas que a cultura de um povo cria na organização de seu ambiente. A região seria então considerada como uma categoria espacial e socialmente diferenciada, que respondia diretamente às necessidades de reprodução cultural da sociedade" Leite, 1994,  p.24). A "Geografia Pragmática surgiu como resposta à necessidade de difusão do sistema de planejamento do Estado capitalista, defendendo a maximização dos lucros, a ampliação da acumulação de capital e manutenção da exploração do trabalho. A região era vista como uma criação intelectual balizada por propósitos específicos, como um sistema abstrato de fluxos, cuja dinâmica era dada exclusivamente pela ação do planejador"(Leite, 1994, p. 24).  A região passou a ser vista como instrumento de análise, como uma etapa do processo de apreensão da realidade. De fim, passou a ser meio. Há, ainda, tendência de se conceber região como classe de área e os processos de regionalização e tipificação como processos classificatórios do espaço, que podem ser fazendas, distritos, municípios, estados etc.

Hoje, "a organização espacial dos diferentes lugares já não se explica por si mesma, porque o centro de decisão das atividades desenvolvidas em determinado lugar situa-se muitas vezes a milhares de quilômetros dali. A definição de região, segundo essa ótica,  deve ir além da descrição dos padrões espaciais, procurando ver as relações dialéticas entre formas espaciais e processos históricos que modelam os grupos sociais" (Leite, 1994, p.25-26). O processo de globalização da economia reforça esse quadro. Todavia, à medida em que esse processo suscita resistências e novas formas de afirmação de identidades, ligadas a lugares (Kosovo, Timor Leste), etnias (bascos, catalões, croatas, eslovenos, chechenos etc) e religião (fundamentalismos),  novas formas de organização do espaço são suscitadas.

Na opinião de José Allexandre Filizola Diniz, "como a região é, necessariamente, uma parte contígua do espaço, pertencem a uma região os indivíduos que são contíguos, independentente da similaridade de seus atributos".

Para finalizar essa incursão, ressaltamos as seguintes noções básicas acerca da regionalização:

a)      a noção de região não constitui privilégio do geógrafo; outros profissionais das ciências sociais e das ciências físicas empregam-na, em particular o economista e o geólogo, de onde é originária;

b)      tipologias e regionalizações são processos classificatórios; etapas no processo de compreensão da realidade geográfica para se chegar às teorias, leis e conhecimentos mais aprimorados da realidade;

c)      a classificação não é inerente ao objeto, mas parte do sujeito, do pesquisador que organiza o mundo real, não existindo, obviamente, classificações naturais. Daí se Ter mencionado acima o caráter subjetivo das mesmas, que evidencia, na expressão de Pierre George, "a artificialidade dos limites", que são o grande problema de toda região ou classificação do espaço;

d)      sendo classificações, a rigor, modelos, não cabem julgamentos de valor, mas do tipo adequado-inadequado, significante-não-significante;

e)      os processos classificatórios podem ser dedutivos ou indutivos, por divisões sucessivas ou por aglutinações;

f)        não se pode classificar sem teoria inicial. Toda classificação do espaço pressupõe uma teoria que oriente na escolha dos critérios de unidades ou de características;

g)      é desejável a utilização, em qualquer classificação, de características diferenciadoras internas aos objetos ou indivíduos a serem agrupados. Por exemplo, em uma classificação de fazendas, não faz sentido utilizar as cores das casas dos trabalhadores;

h)      a realidade é dinâmica e as classificações, uma vez elaboradas, são fixas. E o tempo concorre para a sua desatualização.

 

Isto posto, seguem as diferentes tentativas de organização do espaço regional do estado da Bahia, particularmente do Sudeste baiano, cujos estudos podem ser classificados em quatro categorias principais: Regionalizações

a)      para  fins estatísticos;

b)      para fins  de planejamento e administração pública;

c)      urbano-regionais;

d)      agrícolas.

  Evidentemente, não há classificações exclusivas, ou seja, as classificações do IBGE, por exemplo, não são apenas para fins estatísticos. Todo estudo se constitui, afora seu caráter operacional, de uma contribuição à Geografia e à apreensão geográfica da realidade.

  Regionalizações para fins estatísticos:

  As regionalizações do IBGE, pela sua longa tradição e abrangência, na falta de uma melhor classificação, uma vez que atendem a múltiplas demandas, tendem a ser situadas como estatísticas.

  Inicialmente, retoma-se que o território brasileiro é constituído por cinco macrorregiões: Sul, Norte, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Essas são constituídas por estados. No âmbito dos estados, há mesorregiões, microrregiões e municípios. E, no âmbito desses, há distritos, sendo o principal, sua sede, a cidade. Essa, por sua vez, é subdividida por  bairros e, para fins de recenceamento, o IBGE ainda lança mão de zonas.

  Em 1946, o IBGE criou as zonas fisiográficas.  Nesta regionalização, além dos critérios fisiográficos (condições naturais), foram considerados também, embora sem a importância daqueles, critérios humanos e econômicos. A Bahia foi subdividida em 16 zonas fisiográficas, algumas estabelecidas com base em fatores do quadro natural, outras com base em fatores humanos e econômicos e em critérios mistos.

Em 1967 foram estabelecidas, a partir de estudo realizado pelo IBGE, as microrregiões homogêneas, que se constituíram numa atualização das zonas fisiográficas. Nesta classificação, a Bahia foi dividida em 26 microrregiões homogêneas, tendo como critério principal uma certa homogeneidade de um conjunto de unidades municipais.

Mais recentemente, houve nova regionalização por parte do IBGE. Foram criadas as Microrregiões, denominadas, via de regra, pela cidade principal ou a mais conhecida. No Extremo Sul da Bahia, havia duas microrregiões homogêneas, a Litorânea e a Interiorana. Na nova classificação, ficou Microrregião de Porto Seguro, ainda que cidades como Teixeira de Freitas, Eunápolis e Itamaraju sejam maiores, ainda que menos conhecidas. Já a Microrregião Homogênea Cacaueira desmembrou-se em Microrregião de Valença e Microrregião de Ilhéus e Itabuna, principais pólos urbanos dessas áreas.

  Regionalizações agrárias ou agrícolas

  O objetivo destas regionalizações também é exprimir uma síntese geográfica. A época áurea dos estudos de regionalização foi de 1925 a 1932, fase principal das correntes paisagística e da descrição dos produtos ou econômica na Geografia Agrária. Estas regionalizações partiam de uma perspectiva semelhante, a de considerar os elementos físicos como muito importantes e, com base neles, definir tipos de regiões. Entre os elementos físicos, o clima ocupava lugar de destaque.

  No Brasil, as primeiras regionalizações apareceram na década de 60 e caracterizavam-se pelo estudo dos locais de produção e de comercialização. Era também forte a idéia de relacionamento entre elementos ecológicos e produção. No Sudeste da Bahia, surgiram na década de 70, sendo pioneiro o estudo de José Antônio Leite, Agrossistemas.

  Regionalizando o estado da Bahia atemos os seguintes estudos: "Subsídios à regionalização", do IBGE, 1968; "Orientação e especialização da agricultura na Bahia", de Barbosa, 1978; "The evolution of agricultural land and patterns in the state of Bahia", de Sônia de Oliveira Leão, de 1981; o "Diagnóstico sócio-econômico da Ceplac", de 1972/73; o estudo "A Região Cacaueira da Bahia" de José Filizola Diniz e Aluísio Duarte, 1983, que tem como critério principal o espaço de dominação do capital cacaueiro, duas versões dos agrossistemas de José Leite, 1976 e Luís Ferreira e José Leite, 1988.

Regionalizações urbano-regionais

  Por estudos urbano-regionais entendem-se aqueles que tentam delimitar as áreas de influência de um ou mais pólos urbanos, os estudos de centralidade urbana e das regiões funcionais urbanas.

  Tem-se, aqui, o trabalho pioneiro de Milton Santos, de 1958. Em 1968 foi publicado o primeiro trabalho de centralidade urbana, pelo IBGE, que também realizou estudo sobre as "Regiões Funcionais Urbanas", em 1972, que abarcava todo o país.

Em 1989 surgiu o estudo de Sylvio Bandeira de Melo e Silva e Jaimeval Caetano de Souza, em que os autores comparam, através da análise fatorial, a organização do espaço da Bahia em dois períodos diferentes.  

Regionalizações para fins de planejamento e administrativas

  Faz parte da experiência individual de cada um a sensação de que atravessando um limite administrativo, entra-se em um ambiente diferente, particularmente em termos culturais. Po exemplo, ao atravessar a ponte do rio São Francisco que liga Juazeiro da Bahia a Petrolina, em Pernambuco, é comum perceber que essas duas cidades se constituem em duas culturas, ainda que separadas por um rio e unidas por uma ponte. Ao sair de municípios litorâneos da Bahia, à medida em que vai-se em direção Oeste, muda a paisagem física, mas muda também a cultural e econômica. O Sertão é diferente do Planalto e ambos diferentes do Litoral.

A propósito disso, Leite (1994), afirma que  "um dos elementos de tradução da região numa estrutura de organização territorial é o limite administrativo. Inicialmente uma abstração, esse limite se torna concreto pelo fato de que é também o limite das decisões, ações e investimentos que vão estruturar, organizar e finalmente identificar aquela região previamente circunscrita"(p.98). A rigor, limites administrativos, ao longo de um processo histórico, podem moldar e modelar uma município e uma região.

A regionalização do território em regiões administrativas é fato bastante comum nos estados brasileiros. São Paulo criou e reformulou várias vezes suas regiões administrativas. Outros estados também têm suas regiões. A Bahia, como se verá adiante, também.

Para Leite (19940, "regiões administrativas são instrumentos legais de regulamentação da organização do território e, nesse sentido, sua força é apenas normativa, dependendo da economia de mercado para a concretização de seus objetivos. Desse modo, as regiões administrativas, enquanto modelos teóricos de organização regional, não têm o poder de submeter todos os lugares de uma região às suas políticas de desenvolvimento, porque as ações da iniciativa privada não se exercem de forma homogênea sobre toda a região"(p.196)

Visando melhorar o desempenho da máquina administrativa, o Governo do Estado da Bahia promulgou, em 1966, a Lei 2321/66, da reforma Administrativa, dividindo a Bahia em 21 regiões administrativas, a partir do papel desempenhado pelos principais centros urbanos.

Em 1973, um novo estudo foi realizado para identificar os fatores de centralidade e definir zonas de influências das cidades (Decreto 23.731/73). O estado foi dividido em 17 unidades administrativa. Este estudo ainda propõe nove regiões econômicas para fins de planejamento, agregando-as em quatro grandes áreas comandadas pelos pólos Salvador, Feira de Santana, Ilhéus-Itabuna e Vitória da Conquista.

A operacionalização, contudo, ficou aquém do esperado. Em 1983, o número de centros regionais foi ampliado para 27, pelos Decretos 29.586 e 29.707/83.

No Governo João Durval, mediante programa de "interiorização do desenvolvimento", o estado foi dividido em três macroáreas: a faixa litorânea, o semi-árido e o cerrado e dez regiões de planejamento.

 

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[1] Para Leite (1994, p.23), "Gênero de vida consistia num acervo de técnicas e hábitos, usos e costumes, que permitiam ao homem utilizar os recursos naturais disponíveis numa determinada região".

[2]  A propósito, o conceito de "engenheiro" ou de "engenho" como nos diz o professor Jean-François Sacadura, do Instituto Industrial de Ciências Aplicadas de Lyon, França, surgiu na Europa da Renascença e significava "gênio, talento criativo, potencial inventivo".  Os assim chamados "engenheiros da Renascença", dentre os quais figura Leonardo da Vinci, eram todos "homens de projeto", que apoiavam sua arte sobre os conhecimentos de geometria e de mecânica, herdados da Antigüidade e da Idade Média. Concentravam-se nos serviços de fortificações e do desenvolvimento de novos armamentos, sendo fortes suas ligações com a hidráulica e a cartografia.

 

O Século XVIII, o Século das Luzes, do Iluminismo, deu grande impulso à Engenharia. A ciência e a técnica ganharam destaque e criou-se a crença no progresso material da humanidade.

 

A engenharia foi impulsionada através de três revoluções industriais:

A Primeira, começou no Século XVIII, na Inglaterra, com o desenvolvimento da máquina a vapor.

 

A Segunda, começou com a introdução do petróleo e do gás natural como fontes de energia, nas duas últimas décadas do século passado. Nessa, a formação do engenheiro incorporou fortemente também conhecimentos de manager e de administrador.

 

A Terceira Revolução Industrial, iniciou nos anos 60, e, segundo Jean François Sacadura, está ganhando forma sob o impulso do desenvolvimento das aplicações da física quântica, da eletrônica e da informática, que permitiram o aparecimento, já no final do século,  das chamadas novas tecnologias de comunicação, cuja explosão acelerou a globalização da economia em nível mundial" (p.16). Esta revolução, em curso, está longe de esgotar suas potencialidades. A rigor, apenas está no seu início. Os desdobramentos desses avanços tecnológicos começam a se refletir também nas  áreas da biologia, da saúde, dos medicamentos. Nesse sentido, na mensagem do presidente Clinton, enviando ao Congresso Norte Americano o orçamento para o próximo ano, destaca-se "o maior aumento em uma geração em pesquisa não militar (...) para acelerar a marcha dos descobrimentos em (...) ciência e tecnologia".  Três quartos do novo dinheiro que deverá ser investido em ciência e tecnologia, destinam-se a aceleração da pesquisa em três grandes áreas: ciências biomédicas, tecnologia da informação e nanotecnologia, estando nessa última a investida mais audaciosa, aberta pela perspectiva de manipulação da matéria em escala atômica. Os americanos estão fazendo sua aposta estratégica, buscando preservar sua liderança mundial.  A UESC e esta região, na medida em que pretendem um lugar ao sol neste novo cenário que está se desenhando para as próximas décadas, não podem renunciar à terem uma dimensão tecnológica.