Contexto de nova pesquisa eleitoral em Itabuna

Até meados de maio, Geraldo Simões apresentava uma frente razoável sobre Fernando Gomes. Na simulada de final de campanha considerando apenas esses dois nomes, Geraldo manteve uma frente de um pouco mais de 10 pontos desde final de 1998. Em maio, esse quadro começou a mudar. O primeiro indicador dessa mudança foi notado no item concernente à expectativa de vitória. Nesse item, ainda não acompanhado pelas intenções de voto, Fernando Gomes já lograva uma frente superior a 10 pontos. E, no início de julho, o quadro de intenções de voto também tinha mudado, com quase quatro pontos de frente para Fernando. Na oportunidade, observou-se que a pesquisa captou um momento muito favorável a essa candidatura, tendo como referência importante a festa do dia da cidade, dia 28. Foi muito forte, nesse período, a mídia de Fernando. Logo depois veio divulgação pelos meios de comunicação e pelos  carros de som, de forma massificada, de pesquisa atribuída ao IBOPE, dando uma frente muito grande para Fernando Gomes sobre Geraldo Simões: 53% contra 27%. No dia 25 de agosto Fernando Gomes realizou uma grande carreata. Dois dias depois, 27, Geraldo Simões realizou uma grande passeata pela Avenida Cinquentenário, culminando com comício da Praça Adami. Esses, além do horário eleitoral gratuito na televisão e na rádio, foram  os dois momentos mais fortes desta campanha até o momento da pesquisa. Aqui, vale um último registro: a partir do final do dia 27,  nova pesquisa atribuída ao IBOPE passou a ser divulgada por meios de comunicação, ampliando a vantagem de Fernando, que teria alcançado a caso dos 55% e com a queda de Geraldo Simões, para 25%.

Como analista da Sócio Estatística e como pode ser lido nas análises anteriores, nossa expectativa é que essa disputa seria (e será) muito acirrada, em condições de normalidade política. O ganhador será eleito por uma margem muito pequena. Parece-nos que essa é a realidade da história recente de Itabuna. Em 1992, Fernando apoiando Oduque perdeu para Geraldo, que superou também Ubaldo. Em 1996, dada a divisão dos partidos de Centro-Esquerda de Itabuna, Fernando venceu Renato Costa, contando esse com o apoio de  Geraldo Simões, então prefeito. Na atual disputa, estão frente a frente  Geraldo Simões, ganhador de 1992 e eleito deputado federal em 1998, e Fernando Gomes, atual prefeito. Geraldo conseguiu articular todas as forças do espectro de Centro-esquerda, tendo como vice o ex-prefeito Ubaldo Dantas. Portanto, está-se diante do maior confronto de lideranças e de grupos políticos da história recente de Itabuna. Com esse cenário, parece difícil imaginar uma situação de disputa fácil para qualquer um dos dois lados. O mais razoável é acreditar que essa disputa será muito difícil e acirrada. Com o avanço da polarização e da radicalização, o espaço de Duda fica cada vez mais difícil e menor, o que também era previsível. 

 É importante lembrar que em eleições não existe o “praticamente eleito” antes do último voto ser contado. Aqui, quem sentar na cadeira de prefeito antes da hora, por arrogância, por vaidade, por se superestimar subestimando os seus adversários, poderá não poder fazê-lo na hora certa. Não há quadros impossíveis. Há quadros muito difíceis, dificílimos. A estratégia, o marketing, a campanha existem exatamente para superá-los. Por fim, nenhuma pesquisa, por menor que seja seu erro, substitui a eleição. Sobretudo porque toda pesquisa é um corte no tempo, uma fotografia. A realidade continua e é dinâmica e um quadro pode mudar. Aqui, a validade de uma pesquisa pode ser pequena, pode não ir além de alguns dias, a menos que se trate de quadros eleitoralmente  estabilizados. Esse, todavia, não parece ser o caso de Itabuna. 

  Características da pesquisa de início de setembro

Esta pesquisa, como todas as anteriores, desde 1997,  fazem parte do sistema Sócio Estatística de pesquisa aberta, significando que a empresa realizou a pesquisa independentemente de contratante. Os resultados, por esse sistema, estão disponibilizados a quaisquer candidatos, que adquirem o conjunto ou parte dos resultados, sendo essa disponibilização regulada por contrato específico.   Trata-se de uma pesquisa social por amostragem, quantitativa, que consiste na realização de entrevistas pessoais, mediante  aplicação de questionários estruturados e padronizados junto a uma amostra representativa da população objeto da pesquisa.  A pesquisa foi realizada no período de 06 e 08 de setembro de 2.000.   A amostra é representativa do eleitorado do município objeto desta pesquisas. Todos os principais bairros foram amostrados, incluindo os povoados de Mutuns e Itamaracá. Em cada subunidade da cidade foram aplicadas quotas amostrais, proporcionais em função de variáveis significativas, a saber: sexo, idade e regiões do  município. Esta amostra reproduz mesma sistemática das anteriores, ou seja, de uma perspectiva metodológica, é praticamente igual às pesquisas anteriores. Foram realizadas 1.459 entrevistas com itabunenses maiores de 15 anos.  O intervalo de confiança estimado, em todas as pesquisas, é de 95% e a margem de erro máxima estimada é de 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados no total da amostra.  Para a realização da pesquisa foi utilizada uma equipe de entrevistadores e supervisores da Sócio Estatística devidamente treinada em campo. Após os trabalhos de campo, os resultados foram  submetidos a um controle de qualidade interno, consistindo na associação de resultados eleitorais e das variáveis de controle (unidade geográfica, sexo, idade e classe social),  por entrevistador no sentido de verificar coerência e consistência das informações. A checagem de informações foi realizada nos dias 8 a 9 de setembro de 2.000.

Veja gráficos da trajetória do processo sucessório em Itabuna e gráficos desta última pesquisa.

Agenor Gasparetto  
Sociólogo

Itabuna, 12 de setembro de 2000.