Conclusão

Após 20 anos de administrações públicas municipais, o itabunense tem muito pouco a comemorar em termos de qualidade de vida e patamar civilizacional alcançado.

As ações que melhoraram foram pegar ônibus perto de casa e chegar transporte na porta de casa no âmbito do serviço de transporte, ainda que persista o drama representado pelo risco de escorregar quando chove muito, que está revelando a qualidade das ruas de Itabuna, marcadas pela alternância do barro ou da poeira, conforme os humores do tempo.

Melhorou, de 1980 a 1999, a ação fazer compra perto de casa. Isto reflete a ampliação da rede comercial na cidade.

Os indicadores ligados à educação focalizados pela pesquisa melhoraram, como matricular filho na escola e a ação das crianças irem à escola.

Serviços básicos também melhoraram, como o de abastecimento de água e de coleta de lixo. Aqui, ainda que haja muito a ser ainda conquistado, houve melhora nesses 20 anos.

Conseguir casa para morar ficou mais fácil em Itabuna, hoje, se comparado com 1980. A crise e a já longa estagnação da economia de Itabuna podem estar explicando esse fato. Todavia, apesar disso, paradoxalmente, conseguir terreno ficou mais difícil. Provavelmente, o dinheiro tenha ficado mais escasso e essa ação, mais distante das possibilidades do itabunense.

Ficou praticamente igual o risco do itabunense de escorregar ao andar na rua quando chove muito. O asfaltamento das ruas, sobretudo da periferia, continua sendo um desafio.

O atendimento do itabunense nos postos de saúde praticamente se manteve nos últimos anos e esse continua sendo um grave problema. A dificuldade manteve-se para o problema de levar alguém para o hospital quando cai doente. Na área da saúde, a situação praticamente se manteve, não havendo razões para comemoração, apesar de longos 20 anos que separam as duas pesquisas.

Passear em Itabuna, por razões de segurança, por razões de ambiente ou por combinação dessas e de outras causas, piorou de 1980 a hoje. A ação de passear, por sua singeleza e alcance, é um bom indicador de qualidade de vida. Se passear ficou mais difícil, a qualidade do viver em Itabuna também decaiu. O mesmo se observa em relação ao fato das crianças terem lugar para brincar. Não é possível se falar em qualidade de vida se cerca de 60% dos itabunenses afirmam que ter lugar para as crianças brincarem é difícil ou muito difícil, ainda que as razões sejam de diversas ordens.

Um resultado revelador, emblemático, é o afastamento da Prefeitura em relação ao cidadão. Hoje, é mais difícil o itabunense ser atendido pelo pessoal da Prefeitura, ficou mais difícil pagar impostos municipais e pagar pela água encanada. Se na explicação dos pagamentos a escassez de recursos financeiros pode ser um fator contribuinte, o mesmo não se aplica para a questão do atendimento pelo pessoal da Prefeitura. Há, portanto, um sinalizador claro de afastamento do Poder Público municipal de seus cidadãos, mesmo num tempo em que a cidadania é uma palavra em voga.

Por fim, o indicador mais dramático que incide sobre a qualidade de vida, o bem-estar psicológico do itabunense, é a questão do emprego. Esse não é um problema novo em Itabuna. Já era dramático em 1980. Hoje, porém, os itabunenses que avaliam como fácil ou muito fácil conseguir um emprego representam um percentual residual: 3,6%.

Portanto, apesar dos avanços em alguns serviços, globalmente não é possível inferir que de 1980 a 1999 houve uma elevação do padrão de qualidade de vida do itabunense. Ao contrário, vários dos resultados, centrados em questões cruciais na perspectiva da qualidade de vida, sugerem sua deterioração.

Aqui, para finalizar, é preciso levar em conta o contexto maior, que hoje é marcado pela crise econômica, que não era a situação de 1980, já que Itabuna conhecia, então, um grande momento de sua economia. A outra questão é que tanto nessa avaliação como naquela de 1980, pesam muito o fator administração em curso. A propósito, o cidadão tende a olhar os problemas de seu dia a dia usando como filtro a maneira como vê a administração do momento. Hoje, essa tende a não contribuir. Quanto a 1980, não se dispõe da informação.

Avaliação pelos itabunenses das administrações do prefeito Fernando Gomes, do Governador César Borges e do Presidente Fernando Henrique Cardoso, em junho de 1999.

Avaliação pelo itabunense das administrações municipal, estadual e federal, em junho de 1999.

Como no restante do país, também em Itabuna o presidente Fernando Henrique Cardoso está muito mal avaliado.

A situação do governador César Borges é bem melhor. Caracteriza-se como tendendo ao positivo, ainda que com mais de um terço avaliando-a como regular.

Já a administração do prefeito Fernando Gomes caracteriza-se como regular, tendendo ao negativo.