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Balanço do final da gestão Antônio
Olímpio em Ilhéus, 1993-1996
Antonio Olímpio, ex-prefeito de
Ilhéus pela segunda vez, deixou a prefeitura de maneira melancólica, tendo se
constituído no principal cabo eleitoral do prefeito eleito, também pela segunda vez,
Jabes Ribeiro. Seguramente, essa administração de Antonio Olímpio não deixará
saudades. Foram quatro anos em que o ilheense foi amargurando um sentimento de
frustração. A cidade e o município estavam praticamente sem norte, à deriva, sem
comando.
A administração de Antonio Olímpio, desde os primeiros meses, tendeu
a uma avaliação negativa. Ao longo do tempo, contudo, não fez senão ir perdendo, pouco
a pouco, a confiança do cidadão ilheense. Nesse processo, acabou, seguramente, também
desgastando um pouco a própria imagem dos governos estadual e federal, com avaliações,
em Ilhéus, bastante inferiores, por exemplo, as obtidas em Itabuna, apesar desse
município ser administrado, então, pelo PT. Isto pode ser interpretado como reflexo do
quadro ilheense, ou seja, há uma tendência de avaliação negativa quando o gestor local
é mal avaliado, como sugeriram dados analisados e publicados no livro Política e
Pesquisa, em fins de 1992. É como se ele contaminasse todo o cenário político, em
todas as suas instâncias.
Dada a lógica que comanda processos sucessórios para cargos
executivos, tratada anteriormente, a vitória e o retorno de Jabes Ribeiro parecia uma
questão de tempo, sendo seu maior desafio administrar esse tempo.
Em meados de novembro de 1996, há um mês e meio do término do
mandato, a Sócio Estatística realizou pesquisa de opinião, com o propósito de avaliar
a administração de Antonio Olímpio no seu ocaso, constituindo-se, essa, num parâmetro
de referência para futuras avaliações. Foram ouvidos, nessa pesquisa, 720 ilheenses, da
cidade e do seu vasto interior, perfazendo um erro amostral de 4%.
O principal resultado é que Antonio Olímpio, como o próprio
resultado das eleições testemunhou, sai com imagem tendendo fortemente ao negativo. Para
86,2% dos ilheenses, a administração de Antonio Olímpio foi negativa, contra 2,6% de
positiva. (Observa-se que a televisão não contribuiu para essa imagem, uma vez que
silenciou).
Nesse momento, em Ilhéus, a avaliação do Governador Paulo Souto
tendia ao positivo: 31% contra 26,2% de negativa. Essa avaliação é inferior a obtida
pelo Governador em Itabuna, observando-se, no entanto, que em Ilhéus o Governo estava
realizando investimentos na área de água e saneamento, na região Sul da cidade.
Diante da situação dramática da perspectiva da administração
pública, a expectativa em relação à gestão Jabes Ribeiro, em seu segundo mandato,
tendia fortemente ao positivo: 55,7% contra 4%, que apostavam numa má administração.
A tônica dos serviços públicos em Ilhéus tendia ao negativo, com
exceção do serviço de transporte coletivo, que tinha 47,1% de avaliação positiva
contra 17,8% de negativa.
O serviço de limpeza pública e coleta de lixo alcançava apenas 4,5%
de avaliação positiva contra 81,9% de negativa. Esse serviço foi o que mais contribuiu,
isoladamente, para o tom negativo da imagem da administração. Há que se ter em mente
que para uma cidade com pretensões de se afirmar como pólo turístico, esse fato é de
crucial relevância.
Da mesma forma, o serviço de praças e jardins, também possuía uma
avaliação fortemente negativa, alcançando 8,6% de avaliação positiva contra 67,2% de
negativa. O serviço de iluminação pública alcançava 28,1% de avaliação positiva
contra 39,9% de negativa.
O serviço de educação tendia ao regular, alcançando 27,6% de
avaliação positiva contra 28,5% de negativa. Já o serviço de saúde alcançava 28% de
avaliação positiva contra 35,8% de negativa.
O apoio ao esporte alcançava 10,7% de avaliação positiva contra
outros 42,3% de negativa. E o apoio à cultura alcançava 10,6% de avaliação positiva
contra 42,3% de negativa. Esses aspectos da vida pública, todavia, em praticamente todos
os municípios avaliados, tinham uma imagem aquém do razoável, embora não fosse tão
negativa, numa evidência de que as políticas relativas ao esporte e à cultura não
faziam e não fazem parte do cotidiano das pessoas de Ilhéus e dos outros municípios do
Sul da Bahia.
O apoio do Poder Público Municipal ao desenvolvimento do turismo
alcançava 14,5% de avaliação positiva contra 43,9% de negativa. O serviço de
avaliação das festas populares promovidas pela prefeitura alcançaram 23,2% de
avaliação positiva contra 33,1% de negativa.
Tabela 1. Avaliação da administração e dos serviços públicos.
Ilhéus, novembro de 1996. (em percentagem).
Administração/serviços |
Ótima |
Boa |
Regular |
Ruim |
Péssima |
Não sabe |
Administração
municipal |
0,1 |
2,5 |
9,9 |
12,2 |
74,0 |
1,3 |
Coleta de lixo |
1,0 |
3,5 |
13,1 |
14,7 |
67,2 |
0,6 |
Praças e jardins |
0,8 |
7,8 |
17,1 |
13,3 |
53,9 |
7,1 |
Iluminação pública |
2,1 |
26,1 |
31,5 |
8,5 |
31,4 |
0,4 |
Apoio ao turismo |
1,7 |
12,8 |
27,1 |
13,2 |
30,7 |
14,6 |
Apoio ao esporte |
1,1 |
9,6 |
23,3 |
14,9 |
27,4 |
23,8 |
Apoio à cultura |
0,7 |
9,9 |
22,8 |
13,9 |
26,3 |
26,5 |
Saúde |
2,6 |
25,4 |
30,1 |
9,7 |
26,1 |
6,0 |
Abastecimento de água |
3,5 |
29,7 |
29,0 |
11,4 |
25,8 |
0,6 |
Segurança pública |
2,1 |
25,1 |
33,6 |
10,8 |
24,7 |
3,6 |
Festas públicas |
1,7 |
21,5 |
26,3 |
10,3 |
22,8 |
17,5 |
Educação |
2,6 |
25,0 |
36,0 |
7,9 |
20,6 |
7,9 |
Transporte coletivo |
8,2 |
38,9 |
33,2 |
4,9 |
12,9 |
1,9 |
Fonte: Sócio Estatística.
Erro amostral igual a 4%
O serviço de água, de competência do Governo
do Estado, alcançava 33,3% de avaliação positiva contra 37,2% de negativa. Ou seja,
trata-se de uma avaliação tendendo ao negativo.
O serviço de segurança pública, também de competência estadual,
alcançava 27,2% de avaliação positiva contra 35,5% de negativa.
Em suma, em Ilhéus, os serviços públicos tinham avaliação tendendo
ao negativo, inclusive os de responsabilidade estadual, particularmente o serviço de
coleta de lixo e limpeza pública e o de manutenção de praças e jardins. Antonio
Olímpio fracassou particularmente nos serviços que expõem mais sua imagem de
administrador e a imagem da própria cidade.
O ILHEENSE E O MORAR EM ILHÉUS NO FINAL DA
GESTÃO ANTONIO OLÍMPIO
Em pesquisa realizada em novembro de 1996, foi avaliado
o sentimento popular em relação ao morar em Ilhéus. Nesse momento, o sentimento
de morar em Ilhéus era o seguinte:
40,7% afirmaram ser o lugar onde sempre quiseram viver;
33,9% afirmaram que gostam de morar em Ilhéus, mas que não é o
melhor lugar do mundo para se viver;
13,1% afirmaram que gostam pouco de morar em Ilhéus, mas não é o
pior dos lugares; e
10,1% afirmaram não ver a hora de se mudar de Ilhéus.
Esses resultados, quando comparados com Itabuna, mostram que o
itabunense gosta de sua cidade mais do que o ilheense. Há uma maior auto-estima do
itabunense. É possível que isso seja efeito da administração ilheense, gestão Antonio
Olímpio, fortemente negativa.
O
ILHEENSE E O TURISMO NO FINAL DA GESTÃO ANTONIO OLÍMPIO
Em novembro de 1996 foram levantadas questões ligando o
ilheense à questão turismo. Formulou-se a seguinte proposição: Ilhéus é uma
cidade bonita. Tem muita história. E há muito tempo que se fala que o futuro de Ilhéus
está no desenvolvimento do turismo. Na sua opinião, Ilhéus está preparada para receber
o turista? A essa questão, 9,3% responderam positivamente contra 51,7% que
responderam negativamente.
Perguntou-se, ainda, como o ilheense recebe o turista?. As
respostas foram: 45,7% afirmaram que recebem bem ou muito bem e 10,4%, mal ou muito mal.
Ou seja, para o ilheense, a população é receptiva ao turista, embora Ilhéus, enquanto
cidade, naquele momento não estivesse preparada para esse mesmo turista. Aqui,
seguramente, o ilheense estava tendo em mente o que via nas ruas e praças da cidade.Esse
quadro deve ser visto como reflexo da administração municipal daquele momento.
Esse era, em resumo, o quadro de final de mandato da administração
Antonio Olímpio, em meados de novembro de 1996. Esse quadro torna mais fácil o
entendimento do processo eleitoral que elegeu Jabes Ribeiro. Mostra, apesar de tudo, a
paixão do ilheense para com sua cidade. Esse quadro, sinaliza, também, para o desafio do
atual administrador, que deverá também trabalhar a autoestima de seu povo, e a
perspectiva de que a população está predisposto a cooperar.
OUTRAS AVALIAÇÕES EM ILHÉUS NO FINAL DA
GESTÃO ANTONIO OLÍMPIO
Tabela 2. Outras avaliações. Ilhéus,Ba. 1996. (em
percentagem).
Administração/serviços |
Ótima |
Boa |
Regular |
Ruim |
Péssima |
Não sabe |
Administração estadual |
4,7 |
24,3 |
38,3 |
9,7 |
16,5 |
6,4 |
Administração federal |
3,8 |
30,7 |
39,0 |
8,6 |
11,8 |
6,1 |
Plano Real |
8,6 |
42,1 |
29,0 |
10,0 |
8,1 |
2,2 |
Expectativa com rel. a administração
J.Ribeiro |
11,1 |
44,6 |
20,6 |
1,9 |
2,1 |
19,7 |
Prepração de Ilhéus para receber o
turista |
2,9 |
6,4 |
32,6 |
31,0 |
20,7 |
6,4 |
Preparação do ilheense p/receber o
turista |
6,1 |
39,6 |
35,7 |
8,6 |
1,8 |
8,2 |
Fonte: Sócio Estatística.
Erro amostral igual a 4,5%
Avaliação da administração e dos serviços públicos. Ilhéus, BA, novembro
de 1996
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