Balanço da Administração Geraldo Simões: 1993-1996

 

A vitória eleitoral do jovem Geraldo Simões, então deputado estadual, nas eleições de outubro de 1992, derrotando os ex-prefeitos Ubaldo Dantas e José Oduque Teixeira, esse apoiado pelo então prefeito Fernando Gomes, gerou muitas expectativas.

Hoje, após quatro anos de gestão à frente dos destinos administrativos do município de Itabuna, faz-se necessário uma avaliação do que foi essa gestão para os cidadãos itabunenes. O propósito, aqui, foi fazer um balanço dessa administração, mas na perspectiva da opinião pública, captada por uma série de pesquisas ao longo desses últimos quatro anos.

Antes de iniciar exposição do desempenho da administração Geraldo Simões, faz-se necessário uma nota metodológica acerca dos conceitos de avaliação utilizados.

É muito comum políticos associarem, em benefício próprio, o conceito regular aos conceitos bom e ótimo; ou, o que dá no mesmo, invertendo operação, associá-lo aos conceitos ruim e péssimo, quando a pretensão é forjar uma imagem negativa do adversário.

Parte-se do pressuposto de que os conceitos bom e ótimo podem ser agrupados numa única categoria, que será denominada avaliação positiva, bem como os conceitos ruim e péssimo podem ser agrupados numa outra categoria, que será denominada avaliação negativa. Já a categoria regular constitui-se numa categoria específica, cuja característica principal é a ambiguidade, ora pendendo para o positivo, ora pendendo para o negativo, reconhecendo méritos e deméritos na gestão ou serviço avaliados.

A tentativa de junção do conceito regular às avaliações positiva ou negativa, independentemente das razões, sociologicamente, não passa de manipulação de dados, de viés analítico, que responde, não à verdade da opinião pública, mas a pretensões de fazer da pesquisa propaganda. Nesse sentido, diz respeito a estratégias de marketing, não tendo sustentabilidade sociológica.

O máximo que pode ser dito acerca do conceito regular é que há uma tendência dele, nos momentos que exigem decisão, como numa eleição, de se converter num conceito positivo se a avaliação tender fortemente ao positivo e o inverso, se a avaliação tender fortemente ao negativo. E, dado que, via de regra, o que as pessoas querem não é o regular, mas o bom e o ótimo, o conceito regular, quando mais um político dele precisa, tende a ficar ruim e o eleitor, votar em quem é mais do que regular. Esse foi o caso, por exemplo, da administração de João Lírio, em Ilhéus, 1989-1992. Essa era predominantemente regular. No entanto, quando a candidatura por ele apoiada mais precisava, esse regular converteu-se em avaliação negativa, destruindo a viabilidade eleitoral da candidatura Jabes Ribeiro no processo sucessório de 1992.

Uma outra observação acerca desses conceitos é que em períodos de acirramento político, como numa campanha eleitoral, há uma radicalização ideológica nas avaliações, ou seja, o conceito ruim tende a perder lugar para o péssimo e o conceito bom tende a se converter em ótimo. Ou melhor, se em períodos normais a atribuição de conceitos ótimo ou péssimo é pouco frequente, a menos que a realidade se imponha com muita força nesse sentido, ocorre o inverso em períodos eleitorais. No caso da política, o eleitor que radicaliza, atribuindo conceitos ótimo ou péssimo, muito dificilmente muda de opinião.

 

O SENTIDO DA ADMINISTRAÇÃO GERALDO SIMÕES

Geraldo Simões, por ser de oposição e, particularmente, por ser do Partido dos Trabalhadores, embora, neste ponto, se distancie bastante de uma visão estreita, ao vencer às eleições de 1992, numa surpreendente e fatal arracanda na fase final da campanha, suscitou muitas esperanças para Itabuna e para a região Sul da Bahia.

Sem dúvida, a vitória de Geraldo Simões simbolizava a inauguração de uma nova fase no fazer política e de administrar no Sul da Bahia. Representava uma ruptura em relação ao passado.

No entanto, a vitória do ex-prefeito Fernando Gomes, em 1996, que volta à prefeitura pela terceira vez como prefeito, sinaliza que a ruptura com o passado ficou a meio caminho, foi insuficiente.

Para esse desfecho, obviamente, vários fatores contribuíram. Mesmo assim, se esses fatores, de um lado, podem atenuar, e efetivamente atenuam, o desfecho das eleições de outubro de 1996, de outro, atestam o caráter de incompletude de um processo e de uma ruptura, seguramente boa para a dinamização e o alargamento dos horizontes da democracia e da cidadania no Sul da Bahia.

Nesse sentido, a sociedade civil conheceu progressos na gestão Geraldo Simões, particularmente na educação, nela destacando-se: o programa Zerando a repetência, o resgate do Sítio do Menor Trabalhador, criado na gestão Ubaldo Dantas, praticamente aniquilado na gestão Fernando Gomes que o sucedeu; o piso salarial do professor em 2,5 salários mínimos para 20 horas aula; a ampliação das vagas de 15 mil para 25 mil na rede pública municipal; a captação de recursos para obras como um CIEP, implantado junto ao Jardim Privavera, o orfanato em Nova Califórnia, dentre muitas outras conquistas, a merenda escolar com produtos locais, como o chocolate. Em suma, a redução da repetência e da evasão escolar conseguidas foram pontos muito positivos para qualquer administração que tenha apreço e respeito para com sua comunidade. Na educação, sem dúvida, os resultados foram bons.

Nas áreas de infra-estrutura, de saneamento básico e abastecimento de água, de transporte urbano, e, em especial, na dimensão estética da cidade também foram muitos os progressos. Itabuna ficou mais bonita e ficou um lugar melhor para se viver. O episódio do último mês de governo, em que os garis fizeram uma greve, deixando o lixo se acumular nas ruas por vários dias, salvo engano, não tem força para comprometer quatro anos de trabalho.

No entanto, apesar de um balanço tendendo ao positivo da administração Geraldo Simões e sua equipe, como explicitam com grande transparência os dados das tabelas a seguir, alguns pontos merecem reflexão.

O primeiro deles é o Orçamento Participativo. Faltou a essa iniciativa maior amadurecimento e maior crença no seu potencial. Esse programa se constitui, levado às últimas consequências, num poderoso instrumento de legitimação do uso de recursos por parte do poder público. Mais do que isso, seria uma forma consistente de neutralizar a ofensiva de importantes segmentos da imprensa, na fase final de sua administração, melhorando as suas condições de legitimação do exercício do poder, que precisa ser renovado permanentemente. O projeto do Orçamento Participativo, de começo tímido, foi perdendo forças e, na prática, acabou agonizando no descrédito.

O segundo, diz respeito ao estilo de administrar de Geraldo Simões, ao mesmo tempo, determinado, firme, decidido, mas também centralizador e, em certo sentido, assumindo caráter populista. É como se Geraldo tivesse tido a pretensão de superar, ao mesmo tempo, seus dois antecessores: Ubaldo Dantas e sua imagem de bom administrador e Fernando Gomes e sua imagem de político com forte penetração popular. Geraldo Simões tentou combinar, ao seu modo, essa duas características. Só o futuro vai poder dizer em que medida isso foi atingido.

Como administrador, segundo as avaliações que seguem, realizou uma boa gestão. Como político, conseguiu a simpatia de importantes segmentos populares, os mais pobres, graças a sua prática assistencialista. Mesmo assim, será difícil fazer qualquer afirmação mais consistente acerca do que efetivamente conseguiu. E isto sobretudo em função do período pós-eleitoral de 1996, em que sofreu fortíssima campanha contra sua imagem, destacando-se nessa empreitada a Televisão Santa Cruz, que não mediu esforços para tentar destruí-lo politicamente, através da apresentação sistemática, de noticioso em noticioso, de aspectos da situação da cidade que deporiam contra sua administração. Foi uma versão unilateral, contrariando as mais elementares regras de jornalismo, sem oportunizar o menor espaço de defesa. Os efeitos dessa campanha podem ter sido maiores pelo fato de Geraldo Simões estar financeiramente sufocado, sem recursos, já que, com a mudança no país gerada pelo Plano Real, ele não ajustou as contas públicas, realizando demissões. (A esse respeito, Fernando Gomes, em suas primeiras decisões, pôs na rua centenas de pessoas, sem ter tido, praticamente, nenhuma reação. Por mais paradoxal que possa parecer, foi mais fácil Fernando Gomes fazer isso do que teria sido para Geraldo demitir apenas meia dúzia). Aqui, o PT foi vítima de seu próprio discurso, tendo sido atropelado pela força da realidade. Esse constituiu-se o terceiro ponto em discussão.

A administração Geraldo Simões, apesar do alargamento político que tentou operar, assumiu um forte caráter ideológico. A sua condição de homem do PT, por exemplo, praticamente impossibilitou que praticasse demissões, seguramente necessárias a partir da segunda metade do mandato, a partir do Plano Real, face à queda da receita municipal. As raras demissões efetivadas por Geraldo Simões, ainda que devidamente justificadas, foram severamente criticadas pelos mesmos segmentos que, na atual gestão, como era previsível, silenciaram, assim como nada disseram sobre centenas de demissões em municípios vizinhos, como Camacan, Itajuípe e Ilhéus, para ficar nos mais próximos na gestão anterior à atual. Ao contrário, nesse caso, com seu silêncio contribuiram para legitimá-las, com a mesma naturalidade com que há pouco as criticavam em nome da crise que, todavia, continua e para esses deve ter se agravado. Em razão do estrangulamento financeiro da prefeitura, Geraldo foi terminando seu mandato com segmentos importantes do funcionalismo com vários meses de atraso nos salários, destacando-se o dos professores, que teve bom desempenho, por sinal. Esse segmento, mesmo com o atraso dos salários, tendeu a honrar seu compromisso com a comunidade.

Essa estigmatização e a ideologização dos atos de Geraldo, inibiram-no e, por pouco, não o inviabilizaram. A título de ilustração, quando Geraldo pintou pontos de ônibus e as pontes da cidade com as cores vermelho, laranja e amarelo, ainda na primeira metade de sua gestão, os que aprovavam essa pintura eram praticamente os mesmos que aprovavam sua administração e os que a criticavam, eram os que a estavam avaliando negativamente. A rigor, o itabunense não estava fazendo nenhuma apreciação estética das pinturas, estava apenas posicionando-se ideologicamente frente à administração, como se um plebiscito fosse, sendo essa a lógica que comanda os processos eleitorais, nos quais essa ideologização tende a se acentuar. Coincidentemente, Geraldo pintou pontos de ônibus (abrigos) e pontes um pouco antes de Maluf, em São Paulo, ter feito coisa parecida. Assim como em Itabuna, também em São Paulo, mais forte do que a estética, deve ter pesado a ideologia.

 

AVALIAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO GERALDO SIMÕES

A administração de Geraldo Simões, do PT, tendo como vice João Xavier, então do PSD e hoje PMN, na perspectiva da opinião pública, na ótica da população, teve avaliação tendendo ao positivo.

Mesmo como administração que não contou com o apoio do governo estadual, os resultados revelam que foi boa para Itabuna e sua população. Observa-se que os meios de comunicação, salvo o jornal A Região e mesmo esse nem sempre, via de regra, não lhe foram favoráveis e no caso da rádio AM Difusora, líder de audiência nos quatro anos de gestão, foi abertamente hostil, caracterizando-se como rádio engajada ou militante, tendo feito defesa sistemática a favor de seu proprietário, Fernando Gomes, e contra administração Geraldo Simões.

Mesmo assim, como pode ser visto nos dados estatísticos, comparativamente falando, a administração Geraldo Simões foi bem melhor do que a do ex-prefeito Fernando Gomes, que o antecedeu e agora, vai sucedê-lo, tendo o desafio de superar-se, superando-a.

 

Figura 4. Avaliação da Administração Municipal, Prefeito Geraldo Simões, Itabuna, 1993-1996

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Sócio Estatística Pesquisas

 

Em dezembro de 1992, antes de Geraldo Simões assumir, o posicionamento dos eleitores frente à sua gestão pode ser resumido na seguinte forma: um segmento, mais da metade, 55%, nutria esperanças de que faria uma boa administração; um outro segmento, pouco mais de um terço, 35%, preferiu esperar para ver. Pouquíssimos foram os que apostaram explicitamente em que a administração seria ruim ou péssima, menos de 3%. Basicamente, havia dois grandes grupos: o maior, acreditava numa boa administração e um segundo, preferiu ficar em cima do muro.

Em março de 1993, no terceiro mês de sua gestão, menos de um quarto dos itabunenses avaliavam positivamente a sua gestão, 22%; mais de um terço a avaliavam como regular, sendo que 28% continuavam no muro. No entanto, cerca de 11% a avaliavam como negativa.

Na pesquisa de junho de 1993, os itabunenses começaram a descer do muro e a avaliar a administração de forma positiva. Mesmo assim, quase 16% ainda nele estavam.

Em agosto de 1993, apenas 9,5% continuavam no muro, caindo para 7,5% em setembro e para 4%, já uma taxa residual, em dezembro.

Nesse primeiro ano, a administração Geraldo Simões foi num crescente até setembro, conquistando a confiança dos itabunenses. No entanto, não foi esse um processo muito fácil, ou seja, não foi gratuita a adesão a uma avaliação tendendo ao positivo. No entanto, na pesquisa de dezembro, observou-se uma queda na avaliação, tendo a avaliação negativa, quase 25%, atingido maior teto nos quatro anos de governo.

No entanto, apesar de a avaliação de dezembro ter representado uma queda, quando se analisa a expectativa do itabunense quanto à administração de Geraldo Simões para o ano seguinte, observa-se que era ainda promissor o quadro. A população continuava apostando numa boa administração do mesmo, ou seja, essa esperança na possibilidade de uma boa administração era maior do que a administração de fato estava conseguindo. Aqui, como ensina o educador Rubens Alves, administrar também implica a administração dos anseios e das esperanças de um povo e, nesse ponto, Geraldo Simões estava num bom caminho, como as avaliações que se seguiram acabaram confirmando. Após o susto de dezembro, em março foi retomado patamar já alcançado no mês de agosto do ano anterior.

Em julho de 1994, a adminstração Geraldo Simões logra ultrapassar, pela primeira vez, a casa dos 40% de avaliação positiva, tendo esse conceito ultrapassado o de regular.

Esse quadro mantém-se na pesquisa de setembro de 1994. Ena de outubro, pela primeira vez, Geraldo Simões alcança a casa dos 50% de avaliação positiva, tendo caído, também pela primeira vez, a avaliação negativa para menos de 10%, no caso, 6,9%. Observa-se que o apoio a Geraldo não foi gratuito, mas conquistado pelo desempenho. (É por esta razão que, particularmente, entendo ser difícil que a situação de final de mandato, em parte produzida, mas em parte respaldada pela realidade, tenha força de destruir quatro anos de trabalho.)

Esse quadro conhece melhora em dezembro de 1994. Em março de 1995, Geraldo Simões atingiu a melhor marca de avaliação positiva de toda a sua gestão: 63%.

Na pesquisa de julho de 1995, caiu um pouco; na seguinte, abril de 1996, caiu um pouco mais, caindo a avaliação positiva abaixo dos 50% e a negativa, ficou em 15%.

Daí em diante, com pequenas oscilações, a administração Geraldo Simões foi se mantendo, com pouco mais de 40% de avaliação positiva, contra cerca de 15% de negativa.

Observa-se que a avaliação da gestão como um todo tende a ser uma média de toda a administração, em que alguns serviços públicos estão acima e outros, abaixo. No entanto, o desempenho dos serviços traduz-se na avaliação da administração como um todo. Essa, como os números mostram, tendeu ao positivo, foi boa. Se se levar em consideração que os meios de comunicação, via de regra, atuaram no sentido oposto a uma imagem positiva, é possível concluir que Itabuna, em Geraldo Simões, teve um prefeito que soube corresponder às expectativas de sua população.

No final de sua gestão, após as eleições de outubro, particularmente dezembro, Geraldo Simões perdeu em grande parte o controle da situação, foi muito aquém do período precedente de seu mandato. Dentre os fatores principais que resultaram nisso destacam-se a tentativa de linchamento político, pela Câmara e por meios de comunicação, os atrasos dos salários de algumas importantes categorias, como a dos professores (embora outras, como garis, praticamente em dia, tenham entrado em greve), a intervenção da Justiça, barrando acesso aos recursos, a tentativa de gestão paralela do prefeito eleito Fernando Gomes, como no caso das baronesas do rio Cachoeira, com níveis baixos como nunca antes vistos, que se acumulavam em grande quantidade em frente a ponte Goes Calmon. Essas, depois de assumir, foram praticamente abandonadas a sua própria sorte, até que as chuvas de fins de fevereiro e março limparam o rio, naturalmente. Essas, com a elevação expressiva do nível das águas do rio, acabaram nas praias de Ilhéus. Observa-se que o primeiro sinal concreto de interferência do atual prefeito na gestão anterior deu-se no carnaval antecipado de 1996, quando tentou introduzir um trio elétrico, mesmo contra a administração. Enfim, as últimas semanas de gestão foram, seguramente, as mais tensas e as mais difíceis na perspectiva do prefeito Geraldo Simões.

 

AVALIAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL, PREFEITO GERALDO SIMÕES

 

Avaliação da administração municipal. Mês e ano, erro amostral (e.a.) da pesquisa e categorias de avaliação. Itabuna. (Percentuais).

Mês/ano/ e.a.

Conceitos

Mar/

1993

4,5%

Jun/

1993

4,5%

Ago/

1993

4%

Set/

1993

5%

Dez/

1993

4,5%

Mar/

1994

4,5%

Jul/

1994

4,5%

Set/

1994

4%

Out/

1994

4,5%

Dez/

1994

4%

Mar/

1995

4%

Jun/

1995

5%

Abr/

1996

4,5%

Jul/

1996

2%

Ago25

1996

4,5%

Set23

1996

3%

Set30

1996

2%

Nov15 1996

4,5%

Positiva

22,1

34,3

37,4

35,6

30,1

38,9

43,3

43,3

50,0

59,5

63,4

54,4

48,7

39,5

40,3

41,2

44,9

47,8

Regular

38,1

35,9

38,7

44,1

40,9

39,1

37,7

38,8

38,6

31,6

25,9

30,0

34,0

32,0

36,0

34,9

33,1

32,5

Negativa

11,0

14,1

14,4

12,6

24,7

15,7

14,0

10,1

6,9

5,9

8,0

13,4

15,5

22,9

17,6

14,5

15,9

16,2

Não sabe

28,8

15,7

9,5

7,7

4,3

6,3

5,0

7,8

2,7

3,1

2,7

2,2

1,8

5,5

6,3

9,4

6,0

3,6

Fonte: Sócio Estatística.

Avaliação dos serviços públicos em Itabuna

O serviço de transporte coletivo no final da gestão Fernando Gomes era avaliado como regular, com tendência ao negativo. Esse quadro manteve-se, embora com leve tendência ao positivo, até junho de 1993. Em outubro, a avaliação do serviço de transporte deu um salto de qualidade, seguramente pela ampliação expressiva do número de linhas. Em seguida, o serviço piorou, embora com tendência ainda ao positivo. Em outubro de 1994, novo salto, seguramente pela entrada em operação de uma segunda empresa de transporte coletivo, cumprindo promessa de campanha. Esse quadro, com oscilações, manteve-se até o final do mandato, sendo que o melhor desempenho foi observado na última avaliação, novembro de 1996.

Em agosto de 1993, perguntou-se sobre o serviço de água em relação ao prestado na gestão anterior da EMASA. Os resultados foram: para 44,3% dos itabunenses esse serviço ficou igual, para 33,4% dos itabunenses esse serviço melhorou, para 14,4% piorou e 7,9% não explicitaram opinião.

Em relação à qualidade da água, ou melhor, em relação à confiança da população na qualidade de água consumida pelo itabunense, as respostas foram: a água era de boa qualidade para 55,3% dos itabunenses; para 3,1% era muito boa; para 33,5% era regular; para 3,7% era ruim; para 1,4% era muito ruim e 3% não explicitou opinião.

Quanto aos hábitos em relação à água, 15,3% dos itabunenses bebiam água diretamente da torneira, 12,1% ferviam a água antes de beber, 67% da população diziam filtrar a água (filtros de barro), 2,7% filtrava e fervia, 1% usava filtro de ozônio, 0,3% utilizava outros meios e 1,6% não responderam.

Ainda nesse período, agosto de 1993, nunca faltava água na residência de 24,7% dos itabunenses, faltando raramente em 14,7% das residências. Não utilizavam água da EMASA 4,6% e não responderam 1%. Em 55% das residências faltava água em um ou mais dias por semana.

O serviço de esgoto foi avaliado em outubro de 1994, apresentando os seguintes resultados: avaliação ótima e boa: 43,8%; regular: 17%; ruim e muito ruim: 33,3%. Não responderam: 5,8%.

Em março de 1995, a avaliação do serviço de água caracterizou-se como fortemente negativa. Na época, em razão de estiagem prolongada, praticamente secou o rio Almada e a captação de água teve que ser ampliada e a água bombeada para Itabuna era meio salobra, em função da influência da maré, já que o novo ponto de captação sofria sua influência. Na ocasião, foi perguntado acerca das razões dessa situação: para 47,4% dos entrevistados, isso devia-se à falta de água no rio, 29,1% afirmaram que isso de devia à falta de investimentos, 8,6% afirmaram que se devia atribuir à má gestão anterior da EMASA, 8,2% afirmaram que isso devia ser atribuído à má gestão atual da EMASA. Para 2,4%, o problema devia-se à tubulação. Os restantes, 4,7%, não responderam.

A administração do serviço de água, a cargo da EMASA, empresa municipal, teve avaliação tendendo ao positivo na gestão Geraldo Simões, refletindo trabalho de seu presidente, Silvano Silvério da Costa que, numa gestão de austeridade, logrou sanear a empresa, ampliando expressivamente a arrecadação, diminuindo a inadimplência, ampliando os investimentos, abastecendo praticamente todos os domicílios da cidade de Itabuna com água tratada. Cresceu significativamente, também, o percentual da população com esgotamento sanitário (passando de 30% para 64%, segundo publicação municipal Itabuna em Números 2), tendo contribuído em muito a estratégia do esgoto condominial adotada.

O serviço de saúde que estava avaliado negativamente no final da gestão Fernando Gomes, 1992, e iniciou pior ainda na gestão Geraldo Simões, já em setembro de 1993, sua avaliação tendia ao positivo, revertendo a situação. Apesar das oscilações e mudança de secretário, terminou positivamente.

O serviço de educação terminou na gestão da professora Cleonice Almeida, 1992, tendendo ao regular. Foi iniciada na gestão do professor Adeum Hilário Sauer, também com avaliação regular. Essa situação reverteu-se na segunda metade de 1993. E, mesmo com o atraso no pagamento dos salários dos professores, em novembro de 1996, continuava com avaliação tendendo ao positivo: 45% de avaliação positiva contra 20% de avaliação negativa na ótica da população.

O serviço de coleta de lixo, em dezembro de 1992, era avaliado negativamente. Em março de 1993, no início da gestão Geraldo Simões, a imagem, que era negativa, piorou. No entanto, em junho, a situação já era equilibrada entre avaliações positivas e negativas. Em setembro, a coleta de lixo, após algumas ações, passou a ter avaliação tendendo ao positivo, cerca de 58% contra 22%. Essa avaliação, com pequenas oscilações, permaneceu até o final de 1995. Em 1996, o quadro se reverte, com avaliação com leve tendência ao negativo. Em novembro de 1996, um pouco antes da greve dos garis, a avaliação do serviço de limpeza pública em Itabuna era avaliado positivamente: 42% contra 31% de avaliação negativa.

Em junho de 1993, o serviço de iluminação pública era avaliado como regular, com leve tendência ao positivo. Em setembro, também esse serviço passou a ser avaliado positivamente, com pequenas oscilações ao longo do período, porém.

O Sítio do Menor Trabalhador, sob a direção do professor João Carlos Oliveira da Silva, criado na gestão Ubaldo Dantas, quase aniquilado na seguinte, foi um dos setores melhor avaliados na administração Geraldo Simões. Os percentuais de avaliação negativa, via de regra, eram residuais, inferiores a 5%.

No apoio à cultura, na administração Geraldo Simões, sob a direção de Davi Pedreira de Souza, não conseguiu, na perspectiva da opinião pública captada pelas pesquisas, forjar uma identidade, nem uma imagem efetivamente positiva. Predominou a resposta sem opinião, não sabe. Ou seja, não conseguiu suficiente visibilidade.

Essa situação também foi a observada no apoio ao esporte, sob o comando do vice-prefeito João Xavier de Oliveira Filho.

Em dezembro de 1992, final da administração Fernando Gomes, a avaliação do serviço de segurança pública em Itabuna era negativa. Em dezembro de 1993, final do primeiro ano da gestão Geraldo Simões, era regular, com leve tendência ao positivo. Essa foi, com oscilações, a tendência observada ao longo dos demais anos da gestão Geraldo Simões à frente do poder público municipal, ainda que esse serviço seja da competência do Governo Estadual.

Em dezembro de 1993, o serviço de parques e jardins era avaliado negativamente. Somente em fins de 1994 é que esse quadro se reverteu, mantendo-se até o final da administração.

No conjunto, os serviços públicos na administração Geraldo Simões tenderam a uma avaliação tendendo ao positivo. Esses, via de regra, refletiram a avaliação da administração propriamente dita.