|
Balanço da Administração Geraldo Simões:
1993-1996
A vitória eleitoral do jovem Geraldo Simões, então
deputado estadual, nas eleições de outubro de 1992, derrotando os ex-prefeitos Ubaldo
Dantas e José Oduque Teixeira, esse apoiado pelo então prefeito Fernando Gomes, gerou
muitas expectativas.
Hoje, após quatro anos de gestão à frente dos destinos
administrativos do município de Itabuna, faz-se necessário uma avaliação do que foi
essa gestão para os cidadãos itabunenes. O propósito, aqui, foi fazer um balanço dessa
administração, mas na perspectiva da opinião pública, captada por uma série de
pesquisas ao longo desses últimos quatro anos.
Antes de iniciar exposição do desempenho da administração Geraldo
Simões, faz-se necessário uma nota metodológica acerca dos conceitos de avaliação
utilizados.
É muito comum políticos associarem, em benefício próprio, o
conceito regular aos conceitos bom e ótimo; ou,
o que dá no mesmo, invertendo operação, associá-lo aos conceitos ruim e péssimo,
quando a pretensão é forjar uma imagem negativa do adversário.
Parte-se do pressuposto de que os conceitos bom e ótimo
podem ser agrupados numa única categoria, que será denominada avaliação positiva,
bem como os conceitos ruim e péssimo podem ser agrupados numa
outra categoria, que será denominada avaliação negativa. Já a categoria regular
constitui-se numa categoria específica, cuja característica principal é a ambiguidade,
ora pendendo para o positivo, ora pendendo para o negativo, reconhecendo méritos e
deméritos na gestão ou serviço avaliados.
A tentativa de junção do conceito regular às avaliações
positiva ou negativa, independentemente das razões,
sociologicamente, não passa de manipulação de dados, de viés analítico, que responde,
não à verdade da opinião pública, mas a pretensões de fazer da pesquisa propaganda.
Nesse sentido, diz respeito a estratégias de marketing, não tendo
sustentabilidade sociológica.
O máximo que pode ser dito acerca do conceito regular é
que há uma tendência dele, nos momentos que exigem decisão, como numa eleição, de se
converter num conceito positivo se a avaliação tender fortemente ao positivo e o
inverso, se a avaliação tender fortemente ao negativo. E, dado que, via de regra, o que
as pessoas querem não é o regular, mas o bom e o ótimo,
o conceito regular, quando mais um político dele precisa, tende a ficar ruim
e o eleitor, votar em quem é mais do que regular. Esse foi o caso, por
exemplo, da administração de João Lírio, em Ilhéus, 1989-1992. Essa era
predominantemente regular. No entanto, quando a candidatura por ele apoiada
mais precisava, esse regular converteu-se em avaliação negativa,
destruindo a viabilidade eleitoral da candidatura Jabes Ribeiro no processo sucessório de
1992.
Uma outra observação acerca desses conceitos é que em períodos de
acirramento político, como numa campanha eleitoral, há uma radicalização ideológica
nas avaliações, ou seja, o conceito ruim tende a perder lugar para o péssimo
e o conceito bom tende a se converter em ótimo. Ou melhor, se em períodos
normais a atribuição de conceitos ótimo ou péssimo é pouco
frequente, a menos que a realidade se imponha com muita força nesse sentido, ocorre o
inverso em períodos eleitorais. No caso da política, o eleitor que radicaliza,
atribuindo conceitos ótimo ou péssimo, muito dificilmente muda de
opinião.
O SENTIDO DA ADMINISTRAÇÃO GERALDO SIMÕES
Geraldo Simões, por ser de oposição e,
particularmente, por ser do Partido dos Trabalhadores, embora, neste ponto, se distancie
bastante de uma visão estreita, ao vencer às eleições de 1992, numa surpreendente e
fatal arracanda na fase final da campanha, suscitou muitas esperanças para Itabuna e para
a região Sul da Bahia.
Sem dúvida, a vitória de Geraldo Simões simbolizava a inauguração
de uma nova fase no fazer política e de administrar no Sul da Bahia. Representava uma
ruptura em relação ao passado.
No entanto, a vitória do ex-prefeito Fernando Gomes, em 1996, que
volta à prefeitura pela terceira vez como prefeito, sinaliza que a ruptura com o passado
ficou a meio caminho, foi insuficiente.
Para esse desfecho, obviamente, vários fatores contribuíram. Mesmo
assim, se esses fatores, de um lado, podem atenuar, e efetivamente atenuam, o desfecho das
eleições de outubro de 1996, de outro, atestam o caráter de incompletude de um processo
e de uma ruptura, seguramente boa para a dinamização e o alargamento dos horizontes da
democracia e da cidadania no Sul da Bahia.
Nesse sentido, a sociedade civil conheceu progressos na gestão Geraldo
Simões, particularmente na educação, nela destacando-se: o programa Zerando a
repetência, o resgate do Sítio do Menor Trabalhador, criado na gestão Ubaldo
Dantas, praticamente aniquilado na gestão Fernando Gomes que o sucedeu; o piso salarial
do professor em 2,5 salários mínimos para 20 horas aula; a ampliação das vagas de 15
mil para 25 mil na rede pública municipal; a captação de recursos para obras como um
CIEP, implantado junto ao Jardim Privavera, o orfanato em Nova Califórnia, dentre muitas
outras conquistas, a merenda escolar com produtos locais, como o chocolate. Em suma, a
redução da repetência e da evasão escolar conseguidas foram pontos muito positivos
para qualquer administração que tenha apreço e respeito para com sua comunidade. Na
educação, sem dúvida, os resultados foram bons.
Nas áreas de infra-estrutura, de saneamento básico e abastecimento de
água, de transporte urbano, e, em especial, na dimensão estética da cidade também
foram muitos os progressos. Itabuna ficou mais bonita e ficou um lugar melhor para se
viver. O episódio do último mês de governo, em que os garis fizeram uma greve, deixando
o lixo se acumular nas ruas por vários dias, salvo engano, não tem força para
comprometer quatro anos de trabalho.
No entanto, apesar de um balanço tendendo ao positivo da
administração Geraldo Simões e sua equipe, como explicitam com grande transparência os
dados das tabelas a seguir, alguns pontos merecem reflexão.
O primeiro deles é o Orçamento Participativo. Faltou a
essa iniciativa maior amadurecimento e maior crença no seu potencial. Esse programa se
constitui, levado às últimas consequências, num poderoso instrumento de legitimação
do uso de recursos por parte do poder público. Mais do que isso, seria uma forma
consistente de neutralizar a ofensiva de importantes segmentos da imprensa, na fase final
de sua administração, melhorando as suas condições de legitimação do exercício do
poder, que precisa ser renovado permanentemente. O projeto do Orçamento Participativo,
de começo tímido, foi perdendo forças e, na prática, acabou agonizando no descrédito.
O segundo, diz respeito ao estilo de administrar de Geraldo Simões, ao
mesmo tempo, determinado, firme, decidido, mas também centralizador e, em certo sentido,
assumindo caráter populista. É como se Geraldo tivesse tido a pretensão de superar, ao
mesmo tempo, seus dois antecessores: Ubaldo Dantas e sua imagem de bom administrador e
Fernando Gomes e sua imagem de político com forte penetração popular. Geraldo Simões
tentou combinar, ao seu modo, essa duas características. Só o futuro vai poder dizer em
que medida isso foi atingido.
Como administrador, segundo as avaliações que seguem, realizou uma
boa gestão. Como político, conseguiu a simpatia de importantes segmentos populares, os
mais pobres, graças a sua prática assistencialista. Mesmo assim, será difícil fazer
qualquer afirmação mais consistente acerca do que efetivamente conseguiu. E isto
sobretudo em função do período pós-eleitoral de 1996, em que sofreu fortíssima
campanha contra sua imagem, destacando-se nessa empreitada a Televisão Santa Cruz, que
não mediu esforços para tentar destruí-lo politicamente, através da apresentação
sistemática, de noticioso em noticioso, de aspectos da situação da cidade que deporiam
contra sua administração. Foi uma versão unilateral, contrariando as mais elementares
regras de jornalismo, sem oportunizar o menor espaço de defesa. Os efeitos dessa campanha
podem ter sido maiores pelo fato de Geraldo Simões estar financeiramente sufocado, sem
recursos, já que, com a mudança no país gerada pelo Plano Real, ele não ajustou as
contas públicas, realizando demissões. (A esse respeito, Fernando Gomes, em suas
primeiras decisões, pôs na rua centenas de pessoas, sem ter tido, praticamente, nenhuma
reação. Por mais paradoxal que possa parecer, foi mais fácil Fernando Gomes fazer isso
do que teria sido para Geraldo demitir apenas meia dúzia). Aqui, o PT foi vítima de seu
próprio discurso, tendo sido atropelado pela força da realidade. Esse constituiu-se o
terceiro ponto em discussão.
A administração Geraldo Simões, apesar do alargamento político que
tentou operar, assumiu um forte caráter ideológico. A sua condição de homem do PT, por
exemplo, praticamente impossibilitou que praticasse demissões, seguramente necessárias a
partir da segunda metade do mandato, a partir do Plano Real, face à queda da receita
municipal. As raras demissões efetivadas por Geraldo Simões, ainda que devidamente
justificadas, foram severamente criticadas pelos mesmos segmentos que, na atual gestão,
como era previsível, silenciaram, assim como nada disseram sobre centenas de demissões
em municípios vizinhos, como Camacan, Itajuípe e Ilhéus, para ficar nos mais próximos
na gestão anterior à atual. Ao contrário, nesse caso, com seu silêncio contribuiram
para legitimá-las, com a mesma naturalidade com que há pouco as criticavam em nome da
crise que, todavia, continua e para esses deve ter se agravado. Em razão do
estrangulamento financeiro da prefeitura, Geraldo foi terminando seu mandato com segmentos
importantes do funcionalismo com vários meses de atraso nos salários, destacando-se o
dos professores, que teve bom desempenho, por sinal. Esse segmento, mesmo com o atraso dos
salários, tendeu a honrar seu compromisso com a comunidade.
Essa estigmatização e a ideologização dos atos de Geraldo,
inibiram-no e, por pouco, não o inviabilizaram. A título de ilustração, quando Geraldo
pintou pontos de ônibus e as pontes da cidade com as cores vermelho, laranja e amarelo,
ainda na primeira metade de sua gestão, os que aprovavam essa pintura eram praticamente
os mesmos que aprovavam sua administração e os que a criticavam, eram os que a estavam
avaliando negativamente. A rigor, o itabunense não estava fazendo nenhuma apreciação
estética das pinturas, estava apenas posicionando-se ideologicamente frente à
administração, como se um plebiscito fosse, sendo essa a lógica que comanda os
processos eleitorais, nos quais essa ideologização tende a se acentuar.
Coincidentemente, Geraldo pintou pontos de ônibus (abrigos) e pontes um pouco antes de
Maluf, em São Paulo, ter feito coisa parecida. Assim como em Itabuna, também em São
Paulo, mais forte do que a estética, deve ter pesado a ideologia.
AVALIAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO GERALDO SIMÕES
A administração de Geraldo Simões, do
PT, tendo como vice João Xavier, então do PSD e hoje PMN, na perspectiva da opinião
pública, na ótica da população, teve avaliação tendendo ao positivo.
Mesmo como administração que não contou com o apoio do governo
estadual, os resultados revelam que foi boa para Itabuna e sua população. Observa-se que
os meios de comunicação, salvo o jornal A Região e mesmo esse nem sempre, via de
regra, não lhe foram favoráveis e no caso da rádio AM Difusora, líder de
audiência nos quatro anos de gestão, foi abertamente hostil, caracterizando-se como rádio
engajada ou militante, tendo feito defesa sistemática a favor de
seu proprietário, Fernando Gomes, e contra administração Geraldo Simões.
Mesmo assim, como pode ser visto nos dados estatísticos,
comparativamente falando, a administração Geraldo Simões foi bem melhor do que a do
ex-prefeito Fernando Gomes, que o antecedeu e agora, vai sucedê-lo, tendo o desafio de
superar-se, superando-a.
Figura 4. Avaliação da Administração Municipal, Prefeito Geraldo Simões, Itabuna,
1993-1996
Fonte: Sócio Estatística Pesquisas
Em dezembro de 1992, antes de Geraldo Simões assumir, o posicionamento
dos eleitores frente à sua gestão pode ser resumido na seguinte forma: um segmento, mais
da metade, 55%, nutria esperanças de que faria uma boa administração; um outro
segmento, pouco mais de um terço, 35%, preferiu esperar para ver. Pouquíssimos foram os
que apostaram explicitamente em que a administração seria ruim ou péssima,
menos de 3%. Basicamente, havia dois grandes grupos: o maior, acreditava numa boa
administração e um segundo, preferiu ficar em cima do muro.
Em março de 1993, no terceiro mês de sua gestão, menos de um quarto
dos itabunenses avaliavam positivamente a sua gestão, 22%; mais de um terço a avaliavam
como regular, sendo que 28% continuavam no muro. No entanto, cerca de 11% a
avaliavam como negativa.
Na pesquisa de junho de 1993, os itabunenses começaram a descer do muro
e a avaliar a administração de forma positiva. Mesmo assim, quase 16% ainda nele
estavam.
Em agosto de 1993, apenas 9,5% continuavam no muro, caindo para
7,5% em setembro e para 4%, já uma taxa residual, em dezembro.
Nesse primeiro ano, a administração Geraldo Simões foi num crescente
até setembro, conquistando a confiança dos itabunenses. No entanto, não foi esse um
processo muito fácil, ou seja, não foi gratuita a adesão a uma avaliação tendendo ao
positivo. No entanto, na pesquisa de dezembro, observou-se uma queda na avaliação, tendo
a avaliação negativa, quase 25%, atingido maior teto nos quatro anos de governo.
No entanto, apesar de a avaliação de dezembro ter representado uma
queda, quando se analisa a expectativa do itabunense quanto à administração de Geraldo
Simões para o ano seguinte, observa-se que era ainda promissor o quadro. A população
continuava apostando numa boa administração do mesmo, ou seja, essa esperança na
possibilidade de uma boa administração era maior do que a administração de fato estava
conseguindo. Aqui, como ensina o educador Rubens Alves, administrar também implica a
administração dos anseios e das esperanças de um povo e, nesse ponto, Geraldo Simões
estava num bom caminho, como as avaliações que se seguiram acabaram confirmando. Após o
susto de dezembro, em março foi retomado patamar já alcançado no mês de agosto do ano
anterior.
Em julho de 1994, a adminstração Geraldo Simões logra ultrapassar,
pela primeira vez, a casa dos 40% de avaliação positiva, tendo esse conceito
ultrapassado o de regular.
Esse quadro mantém-se na pesquisa de setembro de 1994. Ena de outubro,
pela primeira vez, Geraldo Simões alcança a casa dos 50% de avaliação positiva, tendo
caído, também pela primeira vez, a avaliação negativa para menos de 10%, no caso,
6,9%. Observa-se que o apoio a Geraldo não foi gratuito, mas conquistado pelo desempenho.
(É por esta razão que, particularmente, entendo ser difícil que a situação de final
de mandato, em parte produzida, mas em parte respaldada pela realidade, tenha força de
destruir quatro anos de trabalho.)
Esse quadro conhece melhora em dezembro de 1994. Em março de 1995,
Geraldo Simões atingiu a melhor marca de avaliação positiva de toda a sua gestão: 63%.
Na pesquisa de julho de 1995, caiu um pouco; na seguinte, abril de
1996, caiu um pouco mais, caindo a avaliação positiva abaixo dos 50% e a negativa, ficou
em 15%.
Daí em diante, com pequenas oscilações, a administração Geraldo
Simões foi se mantendo, com pouco mais de 40% de avaliação positiva, contra cerca de
15% de negativa.
Observa-se que a avaliação da gestão como um todo tende a ser uma
média de toda a administração, em que alguns serviços públicos estão acima e outros,
abaixo. No entanto, o desempenho dos serviços traduz-se na avaliação da administração
como um todo. Essa, como os números mostram, tendeu ao positivo, foi boa. Se se levar em
consideração que os meios de comunicação, via de regra, atuaram no sentido oposto a
uma imagem positiva, é possível concluir que Itabuna, em Geraldo Simões, teve um
prefeito que soube corresponder às expectativas de sua população.
No final de sua gestão, após as eleições de outubro,
particularmente dezembro, Geraldo Simões perdeu em grande parte o controle da situação,
foi muito aquém do período precedente de seu mandato. Dentre os fatores principais que
resultaram nisso destacam-se a tentativa de linchamento político, pela Câmara e por
meios de comunicação, os atrasos dos salários de algumas importantes categorias, como a
dos professores (embora outras, como garis, praticamente em dia, tenham entrado em greve),
a intervenção da Justiça, barrando acesso aos recursos, a tentativa de gestão paralela
do prefeito eleito Fernando Gomes, como no caso das baronesas do rio Cachoeira, com
níveis baixos como nunca antes vistos, que se acumulavam em grande quantidade em frente a
ponte Goes Calmon. Essas, depois de assumir, foram praticamente abandonadas a sua própria
sorte, até que as chuvas de fins de fevereiro e março limparam o rio, naturalmente.
Essas, com a elevação expressiva do nível das águas do rio, acabaram nas praias de
Ilhéus. Observa-se que o primeiro sinal concreto de interferência do atual prefeito na
gestão anterior deu-se no carnaval antecipado de 1996, quando tentou introduzir um trio
elétrico, mesmo contra a administração. Enfim, as últimas semanas de gestão
foram, seguramente, as mais tensas e as mais difíceis na perspectiva do prefeito Geraldo
Simões.
AVALIAÇÃO DA
ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL, PREFEITO GERALDO SIMÕES
Avaliação da administração municipal. Mês e
ano, erro amostral (e.a.) da pesquisa e categorias de avaliação. Itabuna. (Percentuais).
Mês/ano/ e.a.
Conceitos |
Mar/
1993
4,5% |
Jun/
1993
4,5% |
Ago/
1993
4% |
Set/
1993
5% |
Dez/
1993
4,5% |
Mar/
1994
4,5% |
Jul/
1994
4,5% |
Set/
1994
4% |
Out/
1994
4,5% |
Dez/
1994
4% |
Mar/
1995
4% |
Jun/
1995
5% |
Abr/
1996
4,5% |
Jul/
1996
2% |
Ago25
1996
4,5% |
Set23
1996
3% |
Set30
1996
2% |
Nov15 1996
4,5% |
Positiva |
22,1 |
34,3 |
37,4 |
35,6 |
30,1 |
38,9 |
43,3 |
43,3 |
50,0 |
59,5 |
63,4 |
54,4 |
48,7 |
39,5 |
40,3 |
41,2 |
44,9 |
47,8 |
Regular |
38,1 |
35,9 |
38,7 |
44,1 |
40,9 |
39,1 |
37,7 |
38,8 |
38,6 |
31,6 |
25,9 |
30,0 |
34,0 |
32,0 |
36,0 |
34,9 |
33,1 |
32,5 |
Negativa |
11,0 |
14,1 |
14,4 |
12,6 |
24,7 |
15,7 |
14,0 |
10,1 |
6,9 |
5,9 |
8,0 |
13,4 |
15,5 |
22,9 |
17,6 |
14,5 |
15,9 |
16,2 |
Não sabe |
28,8 |
15,7 |
9,5 |
7,7 |
4,3 |
6,3 |
5,0 |
7,8 |
2,7 |
3,1 |
2,7 |
2,2 |
1,8 |
5,5 |
6,3 |
9,4 |
6,0 |
3,6 |
Fonte: Sócio Estatística.
Avaliação dos serviços públicos em
Itabuna
O serviço de transporte coletivo
no final da gestão Fernando Gomes era avaliado como regular, com tendência ao
negativo. Esse quadro manteve-se, embora com leve tendência ao positivo, até junho de
1993. Em outubro, a avaliação do serviço de transporte deu um salto de qualidade,
seguramente pela ampliação expressiva do número de linhas. Em seguida, o serviço
piorou, embora com tendência ainda ao positivo. Em outubro de 1994, novo salto,
seguramente pela entrada em operação de uma segunda empresa de transporte coletivo,
cumprindo promessa de campanha. Esse quadro, com oscilações, manteve-se até o final do
mandato, sendo que o melhor desempenho foi observado na última avaliação, novembro de
1996.
Em agosto de 1993, perguntou-se sobre o serviço de água em
relação ao prestado na gestão anterior da EMASA. Os resultados foram: para 44,3% dos
itabunenses esse serviço ficou igual, para 33,4% dos itabunenses esse serviço melhorou,
para 14,4% piorou e 7,9% não explicitaram opinião.
Em relação à qualidade da água, ou melhor, em relação à
confiança da população na qualidade de água consumida pelo itabunense, as respostas
foram: a água era de boa qualidade para 55,3% dos itabunenses; para 3,1% era muito
boa; para 33,5% era regular; para 3,7% era ruim; para 1,4% era muito
ruim e 3% não explicitou opinião.
Quanto aos hábitos em relação à água, 15,3% dos itabunenses bebiam
água diretamente da torneira, 12,1% ferviam a água antes de beber, 67% da população
diziam filtrar a água (filtros de barro), 2,7% filtrava e fervia, 1% usava filtro de
ozônio, 0,3% utilizava outros meios e 1,6% não responderam.
Ainda nesse período, agosto de 1993, nunca faltava água na
residência de 24,7% dos itabunenses, faltando raramente em 14,7% das residências. Não
utilizavam água da EMASA 4,6% e não responderam 1%. Em 55% das residências faltava
água em um ou mais dias por semana.
O serviço de esgoto foi avaliado em outubro de 1994,
apresentando os seguintes resultados: avaliação ótima e boa: 43,8%; regular: 17%; ruim
e muito ruim: 33,3%. Não responderam: 5,8%.
Em março de 1995, a avaliação do serviço de água caracterizou-se
como fortemente negativa. Na época, em razão de estiagem prolongada, praticamente secou
o rio Almada e a captação de água teve que ser ampliada e a água bombeada para Itabuna
era meio salobra, em função da influência da maré, já que o novo ponto de captação
sofria sua influência. Na ocasião, foi perguntado acerca das razões dessa situação:
para 47,4% dos entrevistados, isso devia-se à falta de água no rio, 29,1% afirmaram que
isso de devia à falta de investimentos, 8,6% afirmaram que se devia atribuir à má
gestão anterior da EMASA, 8,2% afirmaram que isso devia ser atribuído à má gestão
atual da EMASA. Para 2,4%, o problema devia-se à tubulação. Os restantes, 4,7%, não
responderam.
A administração do serviço de água, a cargo da EMASA, empresa
municipal, teve avaliação tendendo ao positivo na gestão Geraldo Simões, refletindo
trabalho de seu presidente, Silvano Silvério da Costa que, numa gestão de austeridade,
logrou sanear a empresa, ampliando expressivamente a arrecadação, diminuindo a
inadimplência, ampliando os investimentos, abastecendo praticamente todos os domicílios
da cidade de Itabuna com água tratada. Cresceu significativamente, também, o percentual
da população com esgotamento sanitário (passando de 30% para 64%, segundo publicação
municipal Itabuna em Números 2), tendo contribuído em muito a estratégia do esgoto
condominial adotada.
O serviço de saúde que estava avaliado negativamente no final da
gestão Fernando Gomes, 1992, e iniciou pior ainda na gestão Geraldo Simões, já em
setembro de 1993, sua avaliação tendia ao positivo, revertendo a situação. Apesar das
oscilações e mudança de secretário, terminou positivamente.
O serviço de educação terminou na gestão da professora
Cleonice Almeida, 1992, tendendo ao regular. Foi iniciada na gestão do professor
Adeum Hilário Sauer, também com avaliação regular. Essa situação reverteu-se
na segunda metade de 1993. E, mesmo com o atraso no pagamento dos salários dos
professores, em novembro de 1996, continuava com avaliação tendendo ao positivo: 45% de
avaliação positiva contra 20% de avaliação negativa na ótica da população.
O serviço de coleta de lixo, em dezembro de 1992, era avaliado
negativamente. Em março de 1993, no início da gestão Geraldo Simões, a imagem, que era
negativa, piorou. No entanto, em junho, a situação já era equilibrada entre
avaliações positivas e negativas. Em setembro, a coleta de lixo, após algumas ações,
passou a ter avaliação tendendo ao positivo, cerca de 58% contra 22%. Essa avaliação,
com pequenas oscilações, permaneceu até o final de 1995. Em 1996, o quadro se reverte,
com avaliação com leve tendência ao negativo. Em novembro de 1996, um pouco antes da
greve dos garis, a avaliação do serviço de limpeza pública em Itabuna era avaliado
positivamente: 42% contra 31% de avaliação negativa.
Em junho de 1993, o serviço de iluminação pública era
avaliado como regular, com leve tendência ao positivo. Em setembro, também esse
serviço passou a ser avaliado positivamente, com pequenas oscilações ao longo do
período, porém.
O Sítio do Menor Trabalhador, sob a direção do professor
João Carlos Oliveira da Silva, criado na gestão Ubaldo Dantas, quase aniquilado na
seguinte, foi um dos setores melhor avaliados na administração Geraldo Simões. Os
percentuais de avaliação negativa, via de regra, eram residuais, inferiores a 5%.
No apoio à cultura, na administração Geraldo Simões, sob a
direção de Davi Pedreira de Souza, não conseguiu, na perspectiva da opinião pública
captada pelas pesquisas, forjar uma identidade, nem uma imagem efetivamente positiva.
Predominou a resposta sem opinião, não sabe. Ou seja, não conseguiu suficiente
visibilidade.
Essa situação também foi a observada no apoio ao esporte, sob
o comando do vice-prefeito João Xavier de Oliveira Filho.
Em dezembro de 1992, final da administração Fernando Gomes, a
avaliação do serviço de segurança pública em Itabuna era negativa. Em dezembro
de 1993, final do primeiro ano da gestão Geraldo Simões, era regular, com leve
tendência ao positivo. Essa foi, com oscilações, a tendência observada ao longo dos
demais anos da gestão Geraldo Simões à frente do poder público municipal, ainda que
esse serviço seja da competência do Governo Estadual.
Em dezembro de 1993, o serviço de parques e jardins era
avaliado negativamente. Somente em fins de 1994 é que esse quadro se reverteu,
mantendo-se até o final da administração.
No conjunto, os serviços públicos na administração Geraldo Simões
tenderam a uma avaliação tendendo ao positivo. Esses, via de regra, refletiram a
avaliação da administração propriamente dita.
|