Avaliação das administrações em
Itabuna, em julho de 2000
Avaliação
das Administrações Públicas segundo o itabunense, 2000
Sócio Estatística: 10 anos de bem com a opinião pública
Avaliações das Administrações
1999-2000
Administração
Pública e Política, julho de 1999
Administração Ubaldo
Dantas em Itabuna
Avaliação das Administrações Fernando Gomes (1990, 1991 e 1992)
Balanço da Administração Geraldo Simões: 1993-1996
Balanço do final da gestão Antônio Olímpio em Ilhéus,
1993-1996
Avaliação
da Administração Municipal, Março de 1999
Administração
Municipal e Reeleição
Avaliações das Administrações
Este caderno, Política e Administração Pública, integra série de
eventos coordernados pela Sócio Estatística, pelos seus 10 anos de atividades nas áreas
de pesquisa de opinião e de mercado, a partir dos pólos urbanos de Itabuna e Ilhéus.
Trata-se de uma forma de retribuição à comunidade, através de informações e de
reflexões, pelo privilégio de poder continuar merecendo à sua confiança.
Este caderno tem seu foco na relação Política e Administração
Pública, particularmente municipal. Aqui, tomando de empréstimo o argumento central dos
movimentos dos prefeitos do país, de que é no município que os brasileiros habitam,
sublinha-se que é nesses que a sorte de muitos, especialmente dos mais pobres, é
decidida pela prática do poder político, que tem no prefeito a referência principal.
Há dez anos fazendo pesquisas de opinião, pesquisas políticas no Sul
da Bahia, uma das lições mais claras re-apreendidas, agora pela análise da
experiência, é que a melhor propaganda para um Governo é o trabalho consistente,
humilde, honesto, sistemático em favor do seu povo. O prefeito é um poder exercido muito
próximo desse povo. Esse, sobretudo em nossas pequenas comunidades, o conhece
pessoalmente e sabe quase tudo de sua vida e de seu fazer. Uma segunda lição confirmada
é que o povo, ainda que enganável, aposta, de boa fé, no que é melhor para si e para a
sua comunidade. É nesse ponto que está o caráter de essencialidade da sua liberdade de
expressão, ainda que essa, muitas vezes, acabe reduzida apenas ao voto. O que é uma
pena.
Essas duas lições, reaprendidas e permanentemente reafirmadas,
também no Sul da Bahia ao longo desses 10 últimos anos, vêm de muito longe. Nessa
questão, confesso que sou levado a concluir como Alexis de Toqueville, em seu discurso à
Câmara dos Deputados, em Paris, em 24 de janeiro de 1948, a partir da análise que ele
faz da experiência de sua França. Eis o que ele nos diz: "Quando me ponho a
procurar, em diferentes épocas, nos diferentes povos, a causa eficiente que provoca a
ruína das classes que governam, distingo com clareza um certo acontecimento, um certo
homem, uma certa causa acidental ou superficial, mas, acreditem, o motivo real que leva os
homens a perderem o poder, é o fato de se tornarem indignos de exercê-lo".
Essas palavras duras, ditas por um profundo conhecedor da sociedade de
seu tempo, especialmente a francesa e a americana, são atuais. O poder é simples e
parece não haver segredos maiores quando significa essencialmente serviço à comunidade.
O distanciamento entre poder e serviço, a sua subordinação a outras lógicas que não
essa é o que, em última análise, corrói, dias após dia, as bases de sua legitimidade
e que nosso velho Toqueville define como indignidade de seu exercício. É fácil, na
prática, ver os sinais desse distanciamento. É por essa razão que os que dele se
assenhoram são surpreendidos pela sua perda. O maior erro cometido é distanciar poder de
serviço. Um sinal para se ver em que medida há esse distanciamento, basta ver quem, em
havendo escassez de recursos, é o primeiro a ser pago. A lógica do poder como serviço
exige que o Prefeito e seus secretários diretos sejam aqueles que, em não havendo
recursos, sejam os últimos a serem servidos. É um preceito bíblico muito esquecido hoje
em dia, ainda que sejamos objetos de muitos pastoreios. Um outro sinal são as
realizações, ou melhor, a natureza das realizações. A propósito, a realização que
perpassa os séculos é a educação das crianças e dos jovens. Não de algumas, mas do
conjunto da comunidade. Como é possível se acreditar no futuro se professores estão com
os seus salários atrasados? E quantos são os municípios que, religiosamente, cuidam
dessa questão como um dedicado agricultor cuida de suas plantas? Penso que os prefeitos
não sabem como são pequenas as pretensões de suas comunidades. E mesmo assim, nem
sempre são atendidas, na quantidade e na qualidade desejáveis. Isso, sem dúvida, causa
pena.
Essas são lições simples e, no entanto, parecem tão difíceis de
serem respeitadas ou parecem já esquecidas. É como se o poder, subindo a cabeça de
governantes, os ofuscasse e esses, nessa condição, perdessem de vista regras tão
elementares e tão boas, não apenas para as suas comunidades, mas sobretudo para si
mesmos e suas pretensões políticas.
A propósito, a título de introdução, parece-me sugestiva analogia
utilizada pelo economista chileno Carlos Matus no seu livro Adeus Senhor Presidente;
Governantes Governados (FUNDAP, 1997, São Paulo, SP, p. 91). Esse, a propósito do
Governo, apresenta os oito anjos e seus movimento, que refletem a via crucis do mesmo.
Eis os oito anjos e seus movimentos:
o primeiro anjo toca uma trombeta;
o segundo, mostra um cacho de uvas;
o terceiro, parece zombar de todos, fazendo um gesto com as mãos;
o quarto, desafia a discussão sobre o sexo dos anjos;
o quinto, parece um planejador, com um livro nas mãos;
o sexto, acusa alguém com o dedo;
o sétimo, apoia a cabeça no braço e parece sonhar;
e o oitavo anjo, com as mãos juntas, parece implorar clemência ou
perdão.
Para Carlos Matus, seus gestos e movimentos exprimem força, refletem
os oito passos da via crucis do Governo:
O anjo da trombeta marca o tempo até o juízo final; todos os dias nos
diz, olhando ao longe: Mais dia, menos dia, chegará ao final. Tu és mortal!
O anjo das uvas grita angustiado: Quantos puderam, como tu, comer neste
dia? Quantos ficaram sem comida? O que comes sem necessidade, roubas do estômago dos
pobres.
O anjo da mofa nos adverte: Não abuses do poder, o poder corrompe.
Mais vale toda a tua vida de homem que seis anos como governante; a arbitrariedade é
corrupção.
O anjo do sexo anuncia: Não tens vida privada, toda a tua vida é
pública.
O anjo do livro proclama: Primeiro a educação, tudo depende do
investimento em saber, é daí que provêm todas as desigualdades.
O anjo acusador aponta, severo: Deves prestar contas perante o povo e
ante tua consciência.
O anjo sonhador aconselha: Põe teu olhar nas alturas, sonha com o
futuro, não te deixes apanhar nas mesquinharias do governo.
O anjo da clemência sussurra: Sê humilde e generoso, esquece os
ódios e lembra teus compromissos; teu poder é emprestado pelo povo.
Talvez, os anjos de Carlos Matus nos ajudem a refletir sobre o poder e
seu exercício. E, quem sabe, sobre a forma de fazer política e de administrar.
Para encerrar, compõem este caderno, os seguintes assuntos:
A evolução da administração pública municipal, do final da gestão
de Ubaldo Dantas, da gestão Fernando Gomes, da gestão Geraldo Simões e, pela terceira
vez, de Fernando Gomes, em Itabuna. Nessa evolução, faz-se uma análise mais cuidadosa
da gestão Geraldo Simões, 1993-1996, do Partido dos Trabalhadores, pela promessa que
essa encerrava.
Enriquece essa análise a avaliação dos principais serviços
públicos, em Itabuna.
É feita uma radiografia do final das administrações Geraldo Simões,
em Itabuna, e de Antonio Olímpio, em Ilhéus, em novembro e dezembro de 1996,
respectivamente.
É feita, também, uma reflexão acerca da reeleição na ótica dos
prefeitos.
São, ainda explicitadas algumas avaliações da Câmara dos
vereadores, do Governo do Estado e do Presidente da República, em Itabuna.
Este caderno tem também o propósito de contribuir com o
amadurecimento político de nossas comunidades. Trata-se de um olhar balizado pela
perspectiva da opinião pública. Não pretende ser "o" olhar, mas apenas
"um", que em conjugação com muitos outros, todos marcados pela subjetividade e
posição de quem olha, seguramente, haverão de enriquecer e, quem sabe, elevar o nível
do processo político do ano 2000, daqui a menos de um ano.