AS AVENTURAS DO TENENTE ITATÉUS.
Por: Hilmar Ilton Santana
Ferreira
05.SET.2002
1989 a.d. foi
muito especial, diferente mesmo, para a Grande Região Cacaueira: surgiu a
terrível “Vassoura-de-Bruxa”, doença que arrasa a planta do cacaueiro e
para a qual estas plagas eram indenes. Em maio daquele ano apareceu um
foco deste mal no município de Uruçuca e logo depois outro em Camacã,
iniciando-se nova etapa na atividade econômica da produção agrícola do cacau
no Sul da Bahia. Fase difícil e dura. Sofrida, que até aqui, transformou
ricos fazendeiros em pobres. E os trabalhadores rurais padecidos de sempre
em mais padecidos ainda pela varrição do trabalho. Até o discutível mais
respeitável orgulho regional foi abalado quando em anos subseqüentes se viu
importando amêndoas (ou sementes, dependendo do erudito parecer do Dr.
Valdeck Diê Maia) de cacau para a indústria de moagem.
Desde que a cacauicultura foi estimulada na
Amazônia e objeto de programa oficial de expansão ali, montaram-se barreiras
à penetração do “Crinipelis perniciosa” nas zonas de produção de
cacau ao Sul. Por sua vez, o Tenente Itatéus, zeloso e caprichoso com as
coisas regionais e percebendo o perigo potencial, tomou suas super –
precauções, paralelas às providências governamentais. Baseado em seu
conhecimento sobre-humano, o Super Herói grapiúna fez surgir uma barreira
bidimensional, hemisférica cobrindo e protegendo as zonas produtoras de
cacau da Grande Região Cacaueira, do Recôncavo Baiano e do Espírito Santo.
Era formada por partículas elementares da matéria, nem todas do conhecimento
humano atual, guiadas pelo que se supõe seja um campo unificado das quatro
forças ou interações básicas da matéria, i.e., gravitação, eletromagnetismo,
interação fraca e força forte. O Tenente Itatéus manipulava magistralmente
tais forças de modo a impedir o ingresso do fungo ou de qualquer de suas
formas capazes de reprodução, como esporos. Ele acionou aí pelos anos 1970s
seu mecanismo automático, baseado num conhecimento científico ainda não do
domínio atual da humanidade. Preferia aplicar empiricamente seu conhecimento
avançado do que distribuí-lo entre os cientistas e os centros científicos.
Aplicava-o para prevenir catástrofes. Não se interessava em interferir na
história da humanidade que não fosse para evitar hecatombes ou desastres. A
humanidade que conquistasse por si mesmo seu progresso. Não caberia, supunha
prejudicial, sua intervenção antecipadora.
E por que e como a Vassoura entrou?
Dependendo de quem responda, foi o PT que trouxe; foi a CEPLAC ; foram os
cacauicultores da Amazônia; foram os concorrentes dos brasileiros na
cacauicultura; foi a indústria chocolateira internacional; entrou por acaso;
era inevitável entrar. Há que pesquisar sistematizada e organizadamente para
se escolher uma dessas hipóteses ou outra. No entanto quem sabe não fala.
Tenente Itatéus é discreto. Ninguém lhe tira tal informação. E quando
instado a falar sobre a falha do seu sistema protetor se resume a dizer: -
“fadiga de material”.