O TEMPO

Nós temos o tempo todo e não temos tempo algum. Quem vive querendo achar tempo para alguma coisa, é porque anda perdendo tempo com outra ou até, não dá tempo para si mesma.
O tempo é antigo e novo, torna a marcar as mesmas horas, porém nunca se repete.
O tempo cura, o tempo sara.
O tempo renova, o tempo cria.
O tempo anda e nunca pára.
Oferta ao poeta a poesia.
O tempo acontece, todas as horas são do tempo e as coitadas teimam em acompanhá-lo.
O tempo é sozinho e acompanhado, é seco e encharcado, demora muito para quem espera, demora pouco para o esperado. Não tem pernas nem asas, mas costuma correr e voar quando se torna pequeno para o que se vai realizar.
O corre-corre do dia-a-dia
É culpa do tempo escasso.
Quem entra  nessa luta com agonia
Não vence e tende ao fracasso.
Muda a opinião, muda a vida, muda a cabeça, muda o mundo. O senhor das horas em tudo que muda, é profundo. O desejo do seu corpo e a energia desperdiçada, já não têm valia, já não valem nada.
O tempo acompanha todas as idades,
Cada uma com um tempo diferente.
O tempo é único, mas com diversidades,
Não devolve nunca, o que passou pela gente.
O tempo ensina, o tempo reprova, o tempo envelhece e também renova. Leva-nos a um círculo que ao chegarmos no fim, percebemos que é o início de uma nova peleja.
Tempo incansável, tempo batalhador.
Tempo que leva e tempo que trás.
Tempo de alegria e tempo também de dor.
Tempo de coisas boas. Vai, tempo das más.
Tempo, velho amigo consolador, outrora fostes para mim desidealizador, um pavor.
Tempo fiel,
Tempo companheiro,
Também sabes ser cruel,
Se te dependem por inteiro.
Tempo dos meus tempos,
Tempo dos tempos seus,
Apesar de serem tempos,
É único, criado por Deus.
 Que todo tempo seja tempo de bons tempos e que em tempo algum, haja tempo ruim.

   Thomé Dantas / FUBÁ - 2000
Poesia classificada para a Bienal UNE / Rio de Janeiro / 2001