PALAVRAS MÁGICAS ENQUANTO O NATAL NÃO CHEGA

 Por Agenor Gasparetto*

 

Mais um dezembro iniciou. O Natal está próximo e, até então, não me dera conta de sua proximidade.

   Estava,  num início de  noite, na fila do pão de um supermercado. Havia umas cinco pessoas na fila. Último, à minha frente estava uma jovem mulher. Ao lado da fila, num carrinho de criança, seu filho de quatro ou cinco anos, brincando de empurrar o seu novo brinquedo. Num certo momento, esse brinquedo estava atrapalhando a passagem de carrinho de  gente grande.

 Após o episódio, a mulher comentou: “Aqui as pessoas não sabem dizer “com licença”, “por favor”, “obrigado”, “desculpe””. Supus que fosse um sutil protesto de pessoas que vieram de outros lugares, ainda em situação de choque cultural. Nesse sentido, perguntei-lhe de onde era. Com um leve riso, como quem sabia estar surpreendendo, disse-me que era de Itabuna mesmo. 

 Esse episódio trouxe-me à lembrança a observação de outra mulher, apontando para a mesma direção.   Dizia ela: “Hoje as crianças não sabem dizer “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”, “obrigado”, “tudo bem”. Simplesmente chegam e vão entrando e se enturmando com as outras crianças. Parece que essa geração, salvo exceções,  não aprendeu a cumprimentar e nem a se despedir”.

 Bem, esses são os dois registros sociológicos que parecem remeter a uma mesma situação: o esquecimento por parte de adultos e de crianças desta geração, em Itabuna, da utilização de palavras simples, com poder de aproximação entre as pessoas, capazes de gerar simpatia e empatia. 

 A questão é a seguinte: esses dois casos representam episódios únicos, seriam exceções, ou seriam comportamentos habituais, portanto, configurariam a regra?

 Por ora, não tenho respostas a essa indagação. Como o leitor, tentarei ficar um pouco mais atento  a esse detalhe, além de, obviamente, fazer mais uso dessas palavras mágicas. Elas não custam muito, quase sempre pressupõem uma cumplicidade de sorrisos, ajudam a desarmar espíritos e conferem um  pouco mais de suavidade à vida. Talvez seja uma boa maneira de esperar por mais um Natal e de comemorá-lo.

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