CONVERSAS COM EDUARDO ANUNCIAÇÃO – II
 (Sem cortes e sem arranjos no texto)

Quando pensava que a polêmica estava encerrada, vejo-me novamente como assunto na coluna dos dias 26 e 27 do mesmo Diário do Sul em cinco das oito notas da coluna. Nas primeiras duas reproduz parte do texto que lhe remeti, não informando que suprimiu a última parte, a que lhe fazia um questionamento.

As outras três são as seguintes:

 “Eduardo responde. Não, Gasparetto. O fato relevante de minha nota elucidativa, jamais, nunca é esse aclimatado aqui em Itabuna. O fato relevante é que houve confabulações para a candidatura de Adeum Sauer a deputado estadual, que chegou a fazer uma carta se desvinculando do cargo. O próprio Gasparetto confirma minha nota quando diz: “O conhecimento de dados de uma pesquisa, por si só, seria suficiente para precisar a informação veiculada”. Isso basta.”

Com a supressão do período de realização da pesquisa referida, até pode dar a impressão pretendida. Contudo, a pesquisa foi realizada em dezembro de 2001 e a desvinculação da Secretaria de Educação deu-se em meados de abril de 2002. Em fevereiro, salvo engano, o PT itabunense, que tem como presidente o próprio Adeum Sauer, lançou uma campanha através de out-doors, tendo  Everaldo Anunciação, postulante declarado a candidato estadual, como destaque. Volto a lembrar (e isto faz diferença) que a referida pesquisa visava detectar a viabilidade eleitoral de diferentes nomes do Partido dos Trabalhadores para deputado. Aqui, a não menção do período descontextualiza a informação. Essa menção é importante, porque se Adeum Sauer tivesse sido lançado logo após aquela pesquisa, era plausível a conexão entre meu nome e o seu lançamento como candidato, já que se tratava não de uma opinião, mas de uma dado de pesquisa. Logo, por associação, a assertiva ganharia plausibilidade e não estaria aqui contestando a informação. Todavia, o lançamento de Adeum Sauer foi extemporâneo. Se essa decisão tardia tomou como referência, em maior ou menor grau, resultados de pesquisa, esse é um problema que não me diz respeito. 

 A nota seguinte afirmava o seguinte:

 “Eduardo responde. Ah, Gasparetto. Se eu adivinhasse, soubesse que aclimatado fosse incomodar, magoar, ferir seus brios, eu escreveria: estabelecido, habitando, instalado, plantado, morando,  morando, fixado aqui em Itabuna. Qual a ofensa que existe em escrever que alguém se sente aclimatado em Itajuípe, Paris, Ilhéus ou às margens do Rio São Francisco?”

 Eduardo, em momento nenhum foi dito que “se sente aclimatado”. O “se sente” é a posteriori, não existiu. Há, nesse “se sente” uma mudança de sentido do que foi escrito. O problema principal situa-se, em primeiro lugar, na necessidade de estabelecer um diferencial geográfico. Em segundo lugar, como está escrito, as alternativas não foram usadas, tendo escolhido um termo pejorativo e reducionista, mais adequado a espécies vegetais e animais.

 A quinta e última nota diz:

 “Agenor Gasparetto. Particularmente, tenho orgulho em ser itabunense nativo e não vejo nenhuma desqualificação em alguém nascer aqui, ali, acolá. Só que o conceito de aclimatado desta coluna não é válido para os aventureiros. Porque aventura, Gasparetto, deve ser encarada simplesmente como uma aventura. Essa coluna, Gasparetto, pode ser incisiva, dura, jamais incivilizada, jamais preconceituosa, jamais odienta, jamais falseia os fatos. Escrevo para o leitor, esforçando-me todos os dias para moldar as informações sem cachorrismos, adequando-as às necessidades da opinião pública. E, sensibilizando, concluo, parabenizando, cumprimentando, saudando um Trio Gaúcho, aclimatado neste chão. Adeum Sauer, Salvador Trevisan, lógico, Agenor Gasparetto. O espeto, a carne, o sal.”

A propósito desta nota, observo,  que o orgulho não está em questão e se for uma  prerrogativa de nativos confirma o fenômeno em questão.  E, concluindo, o conceito e as frases concernentes a “aventura” e a “aventureiro”, assim como a “homenagem” ficaram  sem sentido e sem graça. Ganhariam inteligibilidade, no entanto, mas esse já seria assunto para um estudo etnográfico, já que  se constituiriam em nova versão do mesmo e velho problema aqui em questão e isto porque  fariam jus a esses  qualificativos, logicamente, “os outros”. 

Nesse episódio, as regras da comunicação foram quebradas, pela omissão de parte do texto, pela descontextualização e pela tentativa de mudança de sentido do que foi escrito.  Como o melhor parece ser continuar em frente, segue a sexta nota da referida coluna, na qual não fui o assunto:

 “Raimundo Nogueira, bem posto na cúpula do PSDB-Itabuna, dizia todos os dias e a quase todos que era candidato a deputado estadual. Fiz aqui advertências eleitorais-partidárias-políticas. Final da história: não é candidato. Saudações tucanas.

A sétima nota tem idêntico enredo. As saudações, todavia, são brizolistas.

Quanto a mim, vou torcer e, no que for possível, me empenhar para que a recém criada Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia-FAPESB- seja bem sucedida.  E vou torcer para que a política de atração de doutores do Estado da Bahia, situada dentro dessa Fundação, seja muito bem sucedida e, quem sabe, daqui a duas ou três gerações, a Bahia tenha se transformado no grande estado a que está destinado a ser. E, dentre os doutores de todos os cantos desse país, consiga sensibilizar especialmente os baianos que construíram em outros lugares seu espaço e são sucesso. E se alguns dos que aqui chegarem não conseguirem sintonizar com a cultura baiana, não sejam condenados a priori como aventureiros, mas apenas vistos como no sagrado direito de ir e vir, de errar e recomeçar. E os que vierem, tenham bem vivo o espírito da aventura, do empreendedorismo, da inovação, do superar-se permanentemente, porque a Humanidade deve o seu progresso material e cultural a esses Prometeus.

Agenor Gasparetto
Itabuna, 29 de abril de 2002.