COMO O
ITABUNENSE REAGIRIA A UMA OFENSA RACISTA
- O caso
Em meados de 2002, num bairro
periférico de Itabuna, uma entrevistadora negra da Sócio Estatística estava
realizando uma entrevista de opinião pública com uma senhora, estando essa
no limiar da porta de sua casa. A entrevista transcorria normalmente,
quando, de dentro da casa, saiu um homem, tez morena, mandou a mulher para
dentro de casa, proibindo-a de continuar a entrevista e expulsou a
entrevistadora, xingando-a: “Não gosto de preto e muito menos de preto de
óculos. Lugar de preto é na cadeia”. Diante da agressão, a
entrevistadora saiu e continuou seu trabalho no quarteirão seguinte.
A pesquisa
Em meados de setembro de 2002, numa
pesquisa probabilística de opinião, a Sócio Estatística decidiu perguntar
ao itabunense o que ele faria no lugar dessa entrevistadora se lhe
acontecesse o referido episódio.
A pergunta teve duas versões, uma primeira,
espontânea, e uma segunda, estimulada.
A formulação da pergunta foi a seguinte:
“Em Itabuna, há poucas semanas, uma
entrevistadora negra da nossa empresa estava entrevistando uma mulher, em
frente à porta de sua casa. No meio da entrevista, seu marido saiu de dentro
de casa, proibiu a mulher de responder as perguntas e expulsou a
entrevistadora, xingando-a: “Não gosto de preto e muito menos de preto de
óculos. Lugar de preto é na cadeia”. O que você faria se estivesse no
lugar dessa entrevistadora?
Na pesquisa estimulada, foi feito o seguinte
enunciado:
“ E se pudesse escolher entre ....
(denunciar à polícia; denunciar na rádio, tv, jornal; denunciar ao padre ou
ao pastor; enfrentar ele; processar ele; não fazer nada), o que você faria
se estivesse no lugar dessa entrevistadora?”
Os resultados
Os resultados desta pesquisa
estão nos dois gráficos a seguir.
Algumas curiosidades
Dentre as respostas dadas
espontaneamente, merecem registro por fugirem aos padrões mais tradicionais
de nossa cultura, entre outras, as seguintes: “ teria educação, agradeceria”
(três pessoas), “rezaria para ele” (cinco pessoas), “ficaria envergonhado”
(uma pessoa), “ ficaria arrasado” (duas pessoas), “mandava bater nele” (uma
pessoa), “abraçava ele” (! uma pessoa).
Agenor Gasparetto
Itabuna, 18 de fevereiro de 2003.